Abrams Battle Tank (Sega Mega Drive)

Continuando pelas rapidinhas, mas desta vez voltando à Mega Drive, hoje trago-vos cá mais um simulador militar, tendo sido lançado em simultâneo com o 688 Attack Sub, que por sua vez também também foram ambos lançados originalmente para o PC, com o selo da Electronic Arts. A Sega of America lá achou que a Mega Drive precisava de mais simuladores militares e lá fez um acordo com a EA para trazer ambos os jogos para a sua consola. O meu exemplar foi comprado em Outubro de 2016, na Cash Converters de Belfast na Irlanda do Norte. Já não me recordo ao certo quanto custou mas foi abaixo das 3 libras.

Jogo com caixa e manual

Tendo sido um jogo desenvolvido em plena guerra fria, naturalmente que nos coloca num conflito com a União Soviética que despoletou a terceira guerra mundial ao invadir a Alemanha ocidental. Ao longo do jogo iremos participar em 8 missões com diferentes objectivos tais como destruir alguns locais chave como pontes ou bases militares inimigas, servir de escolta a comboios de mercadorias, ou missões de pura defesa onde temos de proteger a nossa base militar de ataques inimigos. As missões são atribuidas de uma forma aleatória por cada vez que iniciamos o jogo, a menos que queiramos jogar apenas uma missão específica, aí já poderemos escolher uma série de parâmetros como a dificuldade ou o facto de jogarmos à noite ou dia. Se escolhermos jogar a campanha toda de uma só vez, todos esses atributos são escolhidos aleatóriamente entre missões. E é bom que sejamos óptimos jogadores, pois não podemos gravar o nosso percurso entre missões. Basta falhar uma que teremos de recomeçar do zero.

Para disparar temos de estar na vista do artilheiro onde podemos mirar com maior precisão os nossos alvos.

Para sermos bem sucedidos neste jogo convém mesmo termos o seu manual, pois para além de explicar os controlos e todos os diferentes menus e opções que teremos à nossa escolha, temos também mais algum detalhe de cada uma das missões, incluindo a localização dos objectivos, o que nos ajuda bastante! No jogo em si poderemos ver um mapa da região, mas nenhum dos objectivos. Depois também temos explicações sobre cada tipo de munições que podemos seleccionar, qual o seu alcance e pontos fracos e fortes no geral. Ou informações dos veículos militares que vamos encontrando, sejam norte-americanos ou não. Isto porque o sistema de detecção de alvos também nos permite destruir tanques norte-americanos, e isso resulta sempre num game over no final da missão.

Os gráficos são em 3D poligonal, mas muito básicos

De resto a jogabilidade até que é interessante por todas estas possibilidades que o jogo nos oferece. Para além do que já foi referido, podemos ainda usar visão térmica para ajudar no caso de missões nocturnas, ou largar bombas de fumo para nos protegermos temporariamente do fogo inimigo. Só é mesmo pena alguns detalhes, como o facto de não podermos gravar o progresso no jogo, ou o mesmo ser tão dependente do manual: os mapas poderiam ter marcado alguns objectivos, quanto mais não fossem as nossas bases! Isto porque podemos sempre voltar à nossa base e reparar o tanque de todo o dano que tenha sofrido, bem como reabastecer o tanque de combustível ou munições.

A vista de comandante permite-nos visualizar a nossa posição num mapa, mas era bom que desse para assinalar outras posições no mesmo.

A nível gráfico, este é um jogo que tenta apresentar gráficos em 3D poligonal, o que consegue fazer, mas com resultados muito básicos, com polígonos muito rudimentares e texturas ainda mais simples. No entanto para uma Mega Drive não se poderia pedir muito mais e é difícil imaginar este jogo de outra forma que não em 3D. Nada contra os efeitos sonoros que também são bastante simples, mas cumprem bem o seu papel. Ah, e se ouvirem ruídos em código morse, está na hora de ligar o rádio do tanque, podem ser boas notícias.

Shinobi III: Return of the Ninja Master (Sega Mega Drive)

Gostam do Revenge of Shinobi para a Mega Drive mas acham-no duro que nem cornos? Este Shinobi III é a sua sequela directa e é um jogo melhor em todos os aspectos! Facilmente um dos melhores jogos de acção da era de 16bit. O meu exemplar foi comprado algures em Julho de 2016, numa das minhas idas à feira da Vandoma no Porto. Custou-me na altura 15€, felizmente que o reseller que chegou antes de mim não conhecia o jogo e achou caro, pelo que eu não dei hipótese.

Jogo com caixa e manual multilinguas

Aqui controlamos uma vez mais o ninja Joe Musashi, na sua luta contra o clã de crime organizado Neo Zeed, que uma vez mais está a tramar das suas. Uma vez mais iremos atravessar várias zonas de um Japão futurista e combater os guerreiros do grupo Neo Zeed e travar os seus líderes.

Todas as habilidades do Revenge of Shinobi estão aqui presentes e mais algumas!

Na sua essência, o jogo herda as mesmas mecânicas de jogo do Revenge of Shinobi, com o ninja a poder dar saltos duplos, atacar com a espada ou shurikens e usar magias – Ninjitsus. Estas são também as mesmas que no jogo anterior, como magias que nos dão invencibilidade temporária, ataques de fogo que atingem todos os inimigos no ecrã, ou um ataque suicida bastante poderoso, mas a custo de uma das nossas vidas. Mas agora somos um ninja ainda mais hábil, capaz de saltar entre paredes (algo que temos de dominar nos últimos níveis) e de usar um dash-kick, um poderoso ataque aéreo que nos vai ser bastante útil.

Acção non-stop, até a cavalo!

Este Shinobi III é na mesma um jogo desafiante, embora não tão difícil quanto o primeiro. Ainda assim é um jogo repleto de momentos de acção pura, com muitos sub-bosses para enfrentar e alguns segmentos com bastante adrenalina, como a parte em que montamos um cavalo, ou surfamos com uma prancha toda futurista, enquanto temos muitos outros ninjas para combater. Nesse aspecto é um jogo bem mais dinâmico e com bosses ainda mais memoráveis.

O design dos bosses é sem dúvida um dos pontos altos do jogo

No que diz respeito ao audiovisuais, esta é também uma obra prima. Graficamente é um jogo excelente, com níveis muito bem detalhados e variados entre si. Há uma vez mais uma interessante dicotomia entre o Japão antigo e o futurista, ao atravessar bosques ancestrais e/ou edifícios tradicionalmente japoneses, com as grandes metrópoles ou indústrias futuristas do Japão. Os gráficos estão muito bem detalhados, principalmente as lutas contra os bosses que estão fenomenais. No que diz respeito à música e efeitos sonoros, estas também são excelentes. Os efeitos sonoros, nada a apontar. Já a música, esta esteve mais uma vez a cargo do mestre Yuzo Koshiro e uma vez mais não desapontou. A música tem sempre um ritmo acelerado, que se enquadra perfeitamente na acção! As melodias são uma vez mais uma mistura de rock com melodias tradicionais japonesas que se adequam perfeitamente ao estilo de jogo.

Surf, essa técnica ninjitsu ancestral

Portanto reafirmo, este Shinobi III é um dos melhores jogos de acção da era 16bit que deve mesmo ser jogado! Pena ser um jogo caro, pois merece figurar em qualquer colecção de Mega Drive que se preze.

Marsupilami (Sega Mega Drive)

Voltando às rapidinhas e à Mega Drive, o jogo que cá trago hoje é um interessante misto entre plataformas e puzzle game, com o Marsupilami como protagonista. Marsupilami é um estranho mamífero, muito forte e com uma cauda bem comprida, que teve as suas origens na banda desenhada de Spirou e Fantasio. O meu exemplar foi comprado há uns meses atrás na feira da Vandoma do Porto. Creio que me custou uns 3/4€, estando completo e em óptimo estado.

Jogo completo com caixa e manuais

A história não é nada de complexo. O Marsupilami e um pequeno elefante seu amigo foram levados por caçadores e vendidos a um circo. A certa altura o Marsupilami lá se consegue escapar, liberta o elefante e juntos têm de voltar às selvas da Amazónia (se bem que nunca vi um elefante na Amazónia, mas it’s videogame logic).

Na sua essência, este é um jogo de plataformas onde controlamos o Marsupilami e para além de o fazer saltar e atacar (com a cauda), temos também de encaminhar o elefante em segurança até à saída do nível. Para isso teremos de usar uma série de habilidades com a sua cauda. No topo do ecrã temos um inventário de 4 quadradinhos no topo do ecrã, onde poderemos coleccionar habilidades para o Marsupilami e usá-las para ajudar o elefante. Por exemplo, para ajudar o elefante a subir plataformas, podemos apanhar a  habilidade de usar o rabo do Marsupilami como escadas. Por outro lado, se forem plataformas mais altas, podemos usar o rabo do Marsupilami como guindaste. Ou usar o rabo como martelo para destruir alguns obstáculos! As possibilidades são imensas.

O rabo do Marsupilami é usado para muitas coisas, principalmente para ajudar o elefante a atravessar alguns obstáculos

Por outro lado, o elefante é o ser mais burro de todo o sempre e sem dúvida o que mais frustração causa no jogo. Ele está constantemente a andar da esquerda para a direita, mudando de direcção se bater numa parede, se for atacado por um inimigo ou pela nossa cauda. Conseguimos imobilizá-lo temporariamente ao apanhar uns frutos e deixá-los no chão, fazendo com que ele pare por uns segundos para o comer. Pouco depois começa a andar novamente. Tendo em conta que por vezes temos de enfiar o elefante em plataformas elevatórias, mantê-lo sossegado até o elevador chegar e durante a viagem para não cair, temos de estar constantemente a atacar o elefante com a nossa cauda, fazendo-o mudar de direcção rapidamente, acabando por não sair muito longe. O jogo só teria a ganhar se pudessemos ordenar o elefante para parar quieto num sítio, assim sendo torna-se um pouco frustrante. Até porque temos um tempo limite para terminar cada nível, embora existam alguns powerups que nos extendam o tempo, pode não ser suficiente. Também temos powerups que nos regeneram a barra de energia.

O elefante anda sempre sozinho até encontrar uma parede ou inimigo, aí muda de direcção

Graficamente é um jogo muito colorido, com níveis bem detalhados e músicas agradáveis. Os níveis vão sendo variados, atravessando diferentes paisagens urbanas como um circo, os arredores de uma cidade e várias outras paisagens mais naturais como florestas, as montanhas dos Alpes, ou selvas da américa do sul. As personagens possuem um traço muito característico da banda desenhada do Spirou e Fantasio, o que também me agrada bastante.

Graficamente é um jogo competente, com os inimigos a herdarem o look cómico da BD e série de animação

Portanto este é um jogo de plataformas com alguns conceitos bem interessantes de puzzling. No entanto não deixa de ser também um pouco frustrante a parte de encaminhar o elefante, é algo que poderia facilmente ter sido corrigido na altura, o que é pena.

PGA Tour Golf III (Sega Mega Drive)

Mais uma rapidinha para a Mega Drive, o jogo que cá trago agora é nada mais nada menos que mais um de desporto da Electronic Arts, desta vez um simulador de Golf, o PGA Tour Golf III. Enquanto que jogos bem mais simples como Mario Golf até que são bastante divertidos, estes acabam por ser mais numa onda de simulação, logo só mesmo os fãs do desporto o irão realmente apreciar. O que não é o meu caso. O meu exemplar veio de uma loja no Porto por 5€, estando completo e em bom estado.

Jogo completo com caixa e manuais

Tal como já referido, este é um simulador de golf, permitindo-nos jogar em diversos modos de jogo, alguns com capacidade para até 4 jogadores. Alguns como o Practice, Driving Range ou Putting Green permitem-nos treinar as nossas habilidades, enquanto que os torneios já são mais a doer. Nos torneios normais, escolhemos um campo de golfe e teremos de completar os seus 18 buracos, ao longo de 4 jornadas, sendo que os jogadores mais fracos (os que necessitam de mais tacadas) vão sendo consecutivamente eliminados no final de cada jornada.

Graficamente é um jogo que tenta incluir alguns elementos 3D que melhor simulem o campo de golfe.

A jogabilidade é então bastante técnica, mesmo para uma Mega Drive. Por um lado temos aqueles medidores habituais que medem o poder da nossa tacada bem como a sua direcção, aquelas mecânicas de jogo que existem desde sempre. Mas por outro lado também temos de contar com factores como o vento, ou os diferentes tipos de tacos a usar, sendo que cada um é mais adequado para situações específicas, algo que eu sou mesmo clueless. Quando estamos próximo de algum buraco, podemos activar o grid mode, que mostra uma porção do mapa em 3D, para que melhor consigamos perceber qual o relevo do campo, e assim conseguir decidir no tipo de tacada, direcção e força a aplicar.

A nível audiovisual, este é um jogo interessante, na medida em que os gráficos vão sendo detalhados e possui alguns detalhes interessantes, como os comentários de outros jogadores de golf aos cursos de golf que vamos abordar, os replays em pseudo 3D que reproduzem automaticamente quando fazemos uma boa jogada e as músicas alegres que vão tocando entre cada ronda e nos menus.

Greendog (Sega Mega Drive)

Hoje voltamos a visitar a Mega Drive para mais um dos seus muitos jogos de plataformas. Greendog, desenvolvido pela Interactive Designs, estúdio outrora independente que mais tarde se tornou na Sega Interactive, um dos estúdios da Sega of America. Este, juntamente com o Talespin, ambos lançados em 1992, foi um dos primeiros jogos do estúdio lançados pelo selo da Sega. Infelizmente não foi um bom pronúncio… mas já lá vamos. O meu exemplar custou-me 5€, estando novo, mas com a capa desgastada pelo sol, pois esteve numa montra de uma loja durante largos anos. Edit: recentemente troquei a capa por uma nova!

Jogo completo com caixa e manuais

Neste jogo tomamos o papel de Greendog, um surfista adolescente que estava precisamente a surfar quando cai da prancha e ao levantar-se repara que tem vestido um estranho colar. Mas esse não é um colara normal, é amaldiçoado, não saindo do seu corpo e Greendog perde a habilidade de surfar. Para vencer a maldição, terá de procurar uma série de tesouros da antiga civilização Azteca, que lhe permite montar uma prancha de surf mágica. Videogame logic!!

A história é bastante bizarra no mínimo!

As mecânicas de jogo são simples, com Greendog a possuir um botão para atacar (ao atirar o seu disco voador), outro para saltar e um outro para usar itens que vamos apanhando e armazenando num inventário. Destes itens podemos ter diversos power ups como um que congela temporariamente os nossos inimigos, um guarda-sol que nos dá invencibilidade temporária, ou um power up do disco voador  que ataca automaticamente os inimigos. Estes power ups e outros itens como comida (que nos dão pontos extra) ou latas de coca-cola que nos restauram parte da nossa barra de vida, podem ser encontrados ao defrontar inimigos ou a atacar objectos estáticos como estátuas ou pequenos baús.

Os nossos inimigos ficam doidos só de nos ver, supostamente é pela maldição do colar que encontramos

Ocasionalmente lá podemos andar de skate ou de patins em linha e entre cada nível temos sempre um outro nível intermediário onde Greendog anda de girocóptero com as mecânicas de jogo a aproximarem-se mais de um shmup. Aqui temos de estar constantemente a “pedalar” para manter o girocóptero no ar e a arma é uma luva de boxe sem muito alcance, o que também não ajuda muito. O que me remete para o maior problema do jogo a meu ver: o seu mau design de níveis. Greendog é um jogo difícil, não necessariamente por exigir grande habilidade da nossa parte mas porque o posicionamento e respawn dos inimigos e obstáculos. Muitas das vezes não conseguir evitar de todo sofrer dano, e aí não há perícia que nos salve, só mesmo mau design.

Também não nos safamos de um nível subaquático!

A nível audiovisual, é um jogo de altos e baixos. O próprio Greendog, que tenta ser uma personagem muito cool, acho que deveria ter uma atitude muito mais irreverente, típica dos anos 90, mas aparentemente o jogo já é inspirado numa personagem existente (pelos vistos existe num jogo de tabuleiro do final da década de 80), pelo que não havia muito a fazer aí. Os gráficos vão sendo algo variados, com os níveis em selvas, cidades e templos ou monumentos antigos. Alguns níveis são bastante coloridos e detalhados quanto baste, já outros são bastante pobres graficamente. Por outro lado, as músicas acabam por ser agradáveis, principalmente para quem gosta daquelas melodias mais surf rock, o que não é necessariamente o meu caso.

Portanto, este Greendog apesar de ter os seus momentos interessantes, merecia sem dúvida ter ficado mais um ou outro mês na incubadora, para se aperfeiçoar o design dos níveis e de algumas das suas mecânicas de jogo.