Rescue Mission (Sega Master System)

Voltando à Sega Master System, o jogo que cá trago agora é bastante original dentro da sua biblioteca. É um lightgun shooter muito diferente do habitual, mas também exige o uso de uma light phaser, ao contrário de muitos outros que também permitem o uso do comando normal. Assim sendo lá tive de recorrer à emulação, pois não tenho nenhuma Light Phaser na colecção ainda. O meu exemplar veio da Feira de Espinho, onde foi comprado no ultimo domingo de Maio por 10€. Está mint!

Jogo com caixa e manual

O jogo remete-nos para o ambiente de Guerra em clima tropical, muito provavelmente para o conflito do Vietname. A nossa missão é a de proteger um pequeno esquadrão de medicos numa missão suicida, onde terão de conduzir um carrinho por caminhos de ferro em zonas de combate e tratar dos vários soldados que necessitam de cuidados médicos. A missão é suicida pois temos inimigos a atacar-nos de todo o lado e os médicos são só três.

Antes de começarmos a jogar temos direito a uma breve cutscene com o mission briefing

É pena que o jogo não tenha suporte ao gamepad, mas compreende-se o porquê. Basicamente o médico vai percorrendo um caminho de ferro fixo, parando sempre que nos deparamos com um soldado em apuros. Mas vamos sendo atacados por soldados inimigos que aparecem por todo o lado, exigindo sempre reflexos rápidos. O nosso médico pode receber um máximo de 3 pontos de dano até morrer, ficando cada vez mais lento com cada tiro que recebe. A excepção são para as tropas especiais que vão surgindo de vez em quando e que nos atacam com armas mais poderosas como granadas ou lança rockets. Estas basta 1 tiro certeiro que morremos logo, pelo que quando virmos estes inimigos a surgir no ecrã é boa ideia tratar logo deles. Também não convém andar a disparar para todos os lados pois podemos atingir algum dos nossos soldados que precisam de ser tratados. Cada vez que tratamos de um soldado, ele deixa-nos depois um item como forma de agradecimento, como medkits ou outros itens de protecção como capacetes ou escudos. Estes últimos protegem-nos apenas contra as armas “especiais” das tropas de elite, pelo que acabam por ser bastante valiosos. Os medkits apenas nos regeneram um pouco a vida no caso de sermos atingidos por armas normais. Se tivermos a vida no máximo, ao apanhar um medkit o mesmo comporta-se como uma bomba inteligente, destruindo todos os inimigos no ecrã ao mesmo tempo.

Não me lembro de ter visto soldados com Jetpacks no Vietname, talvez por isso os americanos se tenham retirado da guerra

Graficamente é um jogo algo simples, pois as sprites são pequenas. E apesar de possuir um grafismo algo “cartoon“, não deixa de ser triste quando vemos um dos médicos (ou todos, não é difícil termos um ecrã de game over) morrer em plena batalha, quando apenas tentava cuidar de feridos. Os 5 níveis vão sendo algo variados, mas possuem todos a mesma temática de cenários de guerra em climas tropicais. Para além disso, temos também uma cutscene no início e no final do jogo, o que lhe dá mais algum charme. As músicas e efeitos sonoros são competentes.

Este Rescue Mission é então um dos jogos mais originais da biblioteca da Master System, pelo menos daqueles que requerem uma light gun para serem jogados. É um jogo “on rails“, mas muito diferente do que habitualmente vemos dentro do género.

Power Strike II (Sega Master System)

O Power Strike original (conhecido no Japão como Aleste) já era um dos melhores shmups da biblioteca da Master System, apesar de possuir alguns slowdowns bem notórios em alturas mais críticas com muita coisa a acontecer ao mesmo tempo. Na primeira metade da década de 90, quando a Master System ainda estava em voga na Europa, mas já a encaminhar para o seu final de vida, a Compile acabou por desenvolver, em exclusivo para o nosso mercado, este Power Strike II, que acabou por se tornar num dos jogos mais apetecíveis da consola, atingindo valores exorbitantes nos círculos de vendas. O meu exemplar, apesar de ser apenas o cartucho, felizmente foi-me oferecido por um amigo de infãncia, algures no início deste milénio. EDIT: Recentemente consegui completar a minha cópia após o ter encontrado num grande bundle de jogos e consolas que comprei a meias com um colega.

Jogo completo com caixa e manuais

Este Power Strike II da Master System foi mesmo um jogo desenvolvido de raíz para esta consola, não deve ser confundido com a versão Game Gear, que inclusivamente saiu no Japão, pertencendo oficialmente à série original da Compile, o Aleste. Esta versão é passada nos anos 1930, onde após a grande depressão de 1929, o mundo entrou em crise e começaram a surgir imensos piratas do ar. Para combater esses bandidos, nós somos um mercenário equipado com um avião todo futurista e o resto é história! Para referência, a versão Game Gear já possui uma storyline completamente futurista.

Antes de começarmos a jogar podemos escolher qual a arma secundária que queremos levar connosco.

As mecânicas de jogo são muito semelhantes às que encontramos no Power Strike original, onde possuimos ataques normais que podem ser melhorados ao apanhar os power-ups com a forma de P. Os restantes são ataques especiais, numerados de 1 a 6, com diferentes modos de disparo, podendo também serem melhorados ao apanhar novos power ups consecutivos com o mesmo número. A diferença é que desta vez, ao iniciar o jogo, podemos escolher qual a arma especial a carregar inicialmente, em conjunto com um ecrã que exemplifica o poder de disparo de cada uma delas. Um único botão serve também para disparar tanto a arma principal como a secundária escolhida, sendo que se deixarmos o dedo pressionado nesse mesmo botão não só activamos o autofire, mas também uma espécie de charge attack que é lançado assim que largarmos o botão 1. O botão 2 possui funções especiais, podendo ser configurado para pausar o jogo (porque ir à consola pausar é uma seca) ou alterar a velocidade da nossa nave.

Apesar do jogo ser passado nos anos 30, a arquitectura das naves mistura tecnologia obsoloteta com futurista

A nível técnico este é também um excelente trabalho. Graficamente é um jogo muito competente, com gráficos bastante coloridos e cenários variados, desde sobrevoar pequenas cidades, oceanos, florestas, montanhas ou desertos. Os cenários tipicamente estão também bem detalhados e cheios de vida! Existem muitas sprites e projécteis no ecrã em simultâneo, mas ao contrário da conversão do primeiro Power Strike, desta vez não reparei em slowdowns, pelo que o jogo está muito mais fluído agora. As músicas também são agradáveis!

Power Strike II é um jogo mais bem detalhado que o seu predecessor, e a nível de performance também!

Sendo o primeiro Power Strike um jogo com distribuição muito limitada nos Estados Unidos, este segundo exclusivo (e raro!) em território europeu, é fácil de perceber o porquê deste jogo vir a atingir preços absurdos no mercado de videojogos retro. O que é uma chatice, pois é daqueles jogos que vale mesmo a pena!

Power Strike (Sega Master System)

Voltando às rapidinhas, o jogo que cá trago hoje é um óptimo shmup da Compile. A série Aleste, que apesar de ter tido as suas origens nos computadores MSX no Japão, viu o seu primeiro jogo convertido para a consola da Sega, um shmup vertical que acabou por se tornar num dos melhores do género para a Master System. No ocidente, o jogo passou a ser conhecido por Power Strike. O meu exemplar foi comprado há um mês atrás, tendo-me custado 40€ no eBay.

Jogo com caixa

A história por detrás deste Power Strike é algo original. Em vez de enfrentarmos aliens ou poderosos impérios como costuma ser o habitual em videojogos deste calibre, aqui o objectivo é livrar o planeta Terra de uma série de plantas geneticamente modificadas que procuram dominar o mundo, tendo já infectado e zombificado muitos humanos que teimam em lutar contra nós.

Pessoalmente acho o R-Type ou o Sagaia mais bonitos graficamente

Para isso lá pilotaremos um poderoso avião, onde teremos ao nosso dispor várias armas e power-ups diferentes. Com o botão 1 disparamos a arma principal, que pode ser melhorada ao apanhar os power-ups com o símbolo P que vão surgindo no ecrã à medida que vamos destruindo as naves inimigas. O botão 2 serve para disparar as armas especiais, que podem ser activadas ao apanhar os power ups numerados que também vão aparecendo no ecrã. Estas correspondem a poderosos projécteis que vão sendo disparados de diferentes formas e feitios. Por defeito carregamos a arma especial número 1, que consiste em disparar bolas de energia no sentido em que nos movemos, permitindo assim disparar projécteis de lado ou pelas traseiras, ao contrário das armas principais que apenas são disparadas para a frente. Outros consistem em modos de disparo onde podemos armazenar energia e depois dispará-la numa grande bola de fogo, outras que disparam em círculos, entre outros. Apenas podemos carregar uma destas armas de cada vez, muitas delas possuem munições limitadas por quantidade e/ou tempo, e a sua potência pode ser duplicada à medida em que vamos apanhando outros power ups do mesmo número. Algumas armas não nos deixam também atingir alvos terrestres, pelo que têm de ser escolhidas com algum critério.

Por vezes as coisas ficam bastante caóticas!

Os inimigos também vão surgindo um pouco por todos os lados, com padrões de movimento nem sempre muito previsíveis, e muitas vezes com muito poder de fogo, obrigando-nos a ter uma boa agilidade e esquivar dos projécteis inimigos. É um jogo rápido e por vezes bastante frenético, mas com tanta acção no ecrã, em alturas em que haja muita coisa a acontecer ao mesmo tempo, notamos alguns slowdowns. Graficamente é um jogo colorido, embora os cenários e as naves inimigas não sejam das mais fascinantes que possamos ver num shmup da Master System. Por outro lado as músicas são excelentes, especialmente se o jogarmos numa Mark III ou Master System japonesa com o suporte ao FM Unit, o som nessa versão é mesmo muito bom.

Portanto este é um excelente shmup, mesmo tendo alguns slowdowns aqui e ali. É um jogo que supostamente seria relativamente comum na Europa (ao contrário dos Estados Unidos onde apenas poderia ser comprado através de encomenda), mas infelizmente o seu preço tem vindo a subir bastante pelo Power Strike II ser um jogo raro (e também excelente!). Se o apanharem baratinho, não hesitem!

Enduro Racer (Sega Master System)

Continuando pelas rapidinhas na Master System, o jogo que cá trago hoje é mais uma adaptação de um clássico arcade para a consola 8bit da Sega. Mas ao contrário de outros clássicos como Hang-On, Out-Run ou Altered Beast, onde a Sega tentou retratar de uma forma fiel os originais, embora com vários cortes devido às limitações de hardware, aqui com o Enduro Racer optaram por uma abordagem inteiramente diferente, tanto que nem parece o mesmo jogo. Tal como o World Grand Prix, este jogo entrou na minha colecção através de uma troca recente com um particular.

Jogo com caixa e manual

O enduro racer original é uma espécie de sucessor do Hang-On, mas com motos de motocross em vez de motos de corrida. Os circuitos possuíam também vários obstáculos ou rampas que nos permitem dar grandes saltos, tal como nas provas de motocross. E se por um lado, videojogos como o Road Rash para a Master System vieram provar que seria possível replicar de forma relativamente fiel a jogabilidade do original das arcades, esse jogo saiu já no final do ciclo de vida da consola, altura em que os developers já conheciam bem a plataforma e conseguiam dar a volta às suas limitações.

A versão Master System deste jogo assemelha-se muito mais a um Paperboy do que o jogo original

Neste caso a Sega decidiu transformar um jogo pseudo 3D para uma perspectiva isométrica, tal como no Paperboy. Os circuitos estão também repletos de rampas, obstáculos como pedras, água, neve ou outros condutores que devemos evitar a todo o custo. No final de cada corrida ganhamos alguns pontos mediante o número de condutores que ultrapassamos, pontos esses que podem ser usados para comprar upgrades como melhores suspensões, pneus ou motores. Há lá também um upgrade com o nome genérico de “item”, este serve para recuperar algum do dano sofrido na nossa moto. Quanto dano podemos recuperar, é algo aleatório, infelizmente. E também infelizmente os upgrades que compramos apenas servem para a corrida seguinte. Uma outra coisa curiosa são as rampas. Se por um lado é divertido saltar nelas e ultrapassar os nossos oponentes, nem sempre é uma boa ideia pois ao bater no chão perdemos alguma velocidade e se atravessarmos umas 3 rampas seguidas conseguimos reduzir a nossa velocidade para metade. Portanto por vezes é melhor não atravessar rampas, apenas aquelas que nos desviam dos obstáculos, como zonas sem estrada.

A versão japonesa até tinha um ecrã título melhor!

Graficamente é um jogo simples, e as músicas apesar de poucas, acabam por ser agradáveis. Mas infelizmente as versões americana e europeias deste jogo sofreram sérios cortes em relação à versão japonesa, supostamente para caberem num cartucho de 128kb, ao contrário da versão japonesa que corre num cartucho com o dobro do espaço disponível. Portanto aqui temos 10 circuitos, mas ao contrário da versão japonesa onde são todos diferentes entre si, aqui temos apenas 5 circuitos únicos que depois se repetem. Uma treta!

Às vezes pode não compensar atravessar uma rampa pois perdemos alguma velocidade ao aterrar

De resto este Enduro Racer é um jogo simples, muito diferente da versão arcade, mas acaba por ser algo divertido. Parece que a Sega adivinhou que seria muito difícil reproduzir as emoções e o detalhe técnico da versão arcade e quis antes refazer o jogo de uma forma que melhor se adaptasse às características da Master System. É uma pena no entanto pelos cortes que as versões ocidentais sofreram.

World Grand Prix (Sega Master System)

Vamos voltar à Master System e às rapidinhas, para um jogo de corridas que joguei bastante quando era criança. Na verdade eu sempre preferi os Super Monaco GP apesar de graficamente não serem assim tão diferentes, mas este jogo também me divertia bastante principalmente pelo seu modo de edição de circuitos, mas já lá vamos. O meu exemplar entrou na minha colecção no mês passado, após ter sido trocado com um particular, veio com um outro jogo de Master System que planeio escrever muito em breve.

Jogo com caixa e manual

Bom, este World Grand Prix é um jogo de Fórmula 1 bastante simples, aplicando a mesma fórmula trazida pelo Pole Position da Namco, 4 anos antes, e que revolucionou por completo os videojogos de corrida ao incorporar uma câmara nas traseiras do carro, dando-lhe uma sensação 3D, ao contrário da maioria dos outros do género jogos da mesma época. E tal como o F-1 Race da Famicom que se ficou apenas pelo Japão e em cartuchos pirateados distribuídos um pouco por todo o mundo, este World Grand Prix acaba por ser também um jogo bastante simples. Apenas temos um carro vermelho para conduzir e 12 circuitos para explorar, sendo que apenas temos direito a dar uma volta e para avançar para o circuito seguinte devemos finalizar a corrida dentro de um tempo limite pré-estabelecido.

Sinceramente não sei se o design é inspirado nalguns circuitos reais.

No final de cada circuito, se formos suficientemente rápidos e ganharmos acima de 100 pontos, poderemos usar esses mesmos pontos para comprar upgrades para o carro que nos melhorem a aceleração, velocidade de ponta, ou aderência à estrada. O problema é que esses updates não são permanentes, servem apenas para serem usados na corrida seguinte. De resto temos o tal modo de edição de pistas, algo que perdi imenso tempo quando era miúdo. Um dos meus primeiros circuitos foi uma coisa cheia de intersecções e eu estava mesmo curioso como é que o jogo iria processar esses “cruzamentos” quando fosse a jogar a pista. E adivinhem? Não processou cruzamentos nenhuns, a pista era sempre uma linha contínua. Mas isso é algo que se entende perfeitamente dado às limitações da consola. O que não se entende é como não há qualquer modo multiplayer

A nivel gráfico não é nada do outro mundo, mas num sistema 8bit como a Master System os jogos de corrida também não ficaram muito melhores.

A nível técnico é um jogo simples, mas sinceramente não fica muito atrás de outros jogos do género que lhe seguiram, como a série Super Monaco GP. Os circuitos não têm muitos adereços gráficos, mas os backgrounds possuem algum detalhe, sendo possível por vezes reconhecer algumas paisagens como as cidades de Paris ou Londres. Existem também alguns bonitos efeitos de parallax scrolling. Por outro lado, os efeitos sonoros não são nada de especial e a música é practicamente inexistente, tocando apenas pequenas melodias quando terminamos um circuito.

Portanto, este World Grand Prix é um jogo de corridas algo primitivo e sem grande conteúdo, mas é capaz de nos divertir num curto intervalo de tempo, ideal quando queremos jogar algo rápido para nos distrair.