Casino Games (Sega Master System)

Voltando às rapidinhas e à Master System, o jogo que cá trago hoje, como se facilmente pode inferir pelo seu nome, é um título que nos dá a hipótese de jogar alguns jogos típicos de casinos. O meu exemplar foi comprado num pequeno bundle a um particular algures no passado mês de Setembro, tendo-me custado 6€.

Portanto, neste Casino games podemos jogar várias modalidades. Nos jogos de cartas temos o Poker tradicional (não a variante popular de hoje em dia do Texas Hold ‘Em), o Blackjack e o Baccarat, que por acaso só conhecia de nome. Depois temos a possibilidade de jogar em slot machines e, contra o que estava à espera, podemos também experimentar uma mesa de pinball, embora aí naturalmente não seja possível ganhar ou perder dinheiro, apenas pontos. Começamos inicialmente com 500 dólares e aparentemente a ideia é chegar ao milhão. Podemos no entanto gravar o nosso progresso no jogo na forma de passwords, para continuar noutra altura.

Poker é talvez o jogo mais bem implementado aqui e que nos oferece uma variedade de oponentes

No que diz respeito aos audiovisuais, confesso que este Casino Games foi uma agradável surpresa. Os gráficos são coloridos e bem detalhados, dentro dos possíveis, claro, visto que estamos a jogar cartas ou pouco mais. Mas no caso do Poker, podemos escolher diferentes oponentes que por sua vez vão tendo diferentes expressões faciais consoante a maneira em como o jogo está a correr. Para além disso, temos aqui uma das melhores sequências de Game Over de sempre! As músicas são também agradáveis, sendo este um dos jogos que suporta o FM Sound, algo que só está disponível nativamente nas Master System e Mark III japonesas, se bem que este jogo nunca saiu no Japão. Mas visto ter saído em 1989, ano do último lançamento para a Master System em solo nipónico, talvez a certa altura do seu desenvolvimento estivesse previsto um lançamento japonês.

Confesso que não estava à espera de poder jogar Pinball num casino.

Portanto, este até foi um jogo que me surpreendeu, e dentro deste nicho muito específico, as únicas outras opções para a Master System são talvez o Parlour Games, que também conto cá trazer muito em breve.

Marble Madness (Sega Master System)

Para não variar, mais uma rapidinha a uma conversão de arcade, desta vez para a Sega Master System. Marble Madness, lançado originalmente pela Atari, é um clássico arcade na medida em que oferecia uma jogabilidade simples, de absorção imediata, mas com um desafio elevado. O objectivo é o de conduzir um berlinde por uma série de caminhos labirínticos e repletos de obstáculos e outras armadilhas, até à sua meta. Mas já lá vamos. O meu exemplar foi comprado no mês de Setembro, tendo vindo de um leilão online que me ficou a 6€ por jogo.

Jogo com caixa e manual

O objectivo do jogo é tão simples que mesmo que uma pessoa não esteja habituada a videojogos depressa aprende o que tem de fazer. Basicamente temos um berlinde que temos de o conduzir por um labirinto repleto de abismos, armadilhas e outros inimigos que podem interferir. Podemos cair, ou ser comidos as vezes que quisermos pois temos vidas infinitas, no entanto temos é um tempo limite para chegar ao destino e é aí que está o desafio. Muitas vezes temos de fazer descidas íngremes em rampas estreitas, à beira de um abismo e com curvas apertadas, pelo que temos de controlar bem a inércia da bola. Numa arcade isto era mais engraçado pois os controlos usavam uma rollerball, até era mais intuitivo. Aqui temos de usar o d-pad e simplesmente este é um dos jogos que requerem muita práctica, pois até nem temos assim tantos níveis.

Por vezes conseguimos ganhar alguns segundos precisosos

A nível audiovisual é um jogo simples, porém bem detalhado. Os níveis são apresentados numa perspectiva isométrica e possuem alguns inimigos ou armadilhas que até têm boas animações. As músicas são também agradáveis, pelo que no fundo esta até acaba por ser uma boa conversão do clássico arcade.

Ninja Gaiden (Sega Master System)

A série Ninja Gaiden é uma popular série de jogos de acção da Tecmo, bastante popular na NES, e que só bem mais tarde, com a primeira Xbox, é que houve um verdadeiro renascer da série, já completamente em 3D. Pelo meio, as consolas da Sega tinham ficado de fora, mas aparentemente algures nos anos 90 a Sega conseguiu uma licença para produzir as suas próprias versões dos Ninja Gaiden. Para a Game Gear, o resultado foi este, para a Mega Drive havia um jogo em desenvolvimento mas que eventualmente foi cancelado e esta versão Master System, exclusiva em solo europeu, acaba por ser um dos títulos mais fortes da plataforma. O meu exemplar foi comprado em Junho num evento de retrogaming, tendo-me custado 30€.

Jogo com caixa e manuais

A história coloca-nos uma vez mais no papel do ninja Ryu Hayabusa, que vê o seu clã a ser completamente dizimado por bandidos, que roubaram Bushido, uma scroll sagrada que confere enormes poderes a quem a utilizar. Durante o jogo vamos então seguir o rasto dos bandidos e tentar resgatar o Bushido antes que seja tarde demais. Claro que eventualmente teremos de defrontar um ser demoníaco que iria utilizar a scroll para dominar o mundo e essas coisas todas.

Tal como é hábito na série, aqui também temos cutscenes no início e final de cada nível

A jogabilidade deste Ninja Gaiden é bem mais próxima dos originais de NES, sendo um jogo de plataformas exigente e onde teremos de contar com a agilidade de Ryu, que consegue saltar entre paredes e escalar plataformas. Esta versão do jogo é muito generosa com o número de power ups que podemos encontrar, que podem ser armas secundárias, “munição” para as armas secundárias, itens que regeneram a nossa barra de energia, entre outros. As armas secundárias, muitas delas (senão todas) existem também nos Ninja Gaiden de NES, como a possibilidade de lançar shurikens em 4 direcções, lançar bolas de fogo teleguiadas para os oponentes mais próximos, ou um escudo de fogo que nos dá invencibilidade temporária, podendo destruir os inimigos se formos contra eles nesta forma. Cada vez que usamos uma arma secundária gastamos “munições”. No entanto o jogo tem um bug que, se alcançarmos um número máximo de munições de 999, acabamos por ficar com munições infinitas, o que nos facilita bastante a vida nos últimos níveis. Temos também um desperation attack, um ataque muito poderoso capaz de destruir todos os inimigos presentes no ecrã em simultâneo, a custo de alguma da vida de Ryu. É activado ao pressionar os 2 botões faciais em simultâneo, o que pode causar por vezes que seja activado por engano.

Claro que a Sega tinha de deixar o seu cunho pessoal

Não é um jogo tão difícil quanto os da NES, devido à generosidade de power ups que temos, bem como ao facto de os inimigos não fazerem respawn constante. Ainda assim, e principalmente nos níveis mais avançados, teremos alguns bons desafios de platforming que nos obrigarão a usar todas as habilidades de Ryu com precisão, até porque uma vez mais teremos alguns inimigos muito bem posicionados para nos causar dano. E cada vez que sofremos dano, Ryu dá um ressalto para trás, o que em níveis com alguns abismos sem fim pode causar a nossa morte e vidas extra é coisa que não é lá muito comum aqui.

A nível técnico este Ninja Gaiden está muito bem conseguido. Os gráficos são coloridos, bem detalhados e temos imensas cutscenes num estilo manga, como tem sido habitual na série, mas não tão habitual na Master System, o que é excelente. Fica é a perder na questão de não ter scrolling, os níveis são um conjunto de ecrãs estáticos, o que não é lá muito bom. As músicas também são agradáveis, e só consigo imaginar o que seria se este jogo tivesse suporte ao som FM. No entanto nem tudo são rosas e temos aqui muitos typos. No ecrã de introdução de cada nível vemos escrito Ninjya Gaiden, e logo no segundo nível vemos também escrito Pursit in Tokyo, em vez de Pursuit. É pena mas são erros perfeitamente evitáveis, parece que ninguém que sabia minimamente inglês fez o QA do jogo.

No final de cada nível temos sempre um boss para derrotar

Portanto este Ninja Gaiden, apesar de não ser perfeito, não deixa de ser um excelente jogo de acção, mesmo não pertencendo à série principal. Dos Ninja Gaiden em que a Sega trabalhou é facilmente o melhor, e para mim um dos melhores jogos de acçao que a Master System alguma vez recebeu.

Tom and Jerry: The Movie (Sega Master System)

Continuando pelas rapidinhas, mas agora na Master System, este Tom and Jerry é literalmente um jogo do “gato e do rato”. Apesar de supostamente ser baseado no filme, não me parece que este seja o caso, se bem que também apenas vi o filme 1 vez quando era criança e não me recordo de grande coisa do mesmo. O meu exemplar foi comprado numa feira de velharias algures em Junho, veio de um pequeno bundle que me terá ficado a 5€ por jogo.

Jogo completo com caixa e manuais

A jogabilidade é muito simples, pois aqui controlamos o gato Tom, e unicamente o Tom, que tem de perseguir (e apanhar) o Jerry ao longo de vários níveis. Com um botão para correr e outro para saltar, temos de tentar apanhar o rato, sendo que teremos muitas vezes de ultrapassar alguns obstáculos como plataformas, gotas de água mortíferas (no entanto o Tom pode e deve nadar num dos níveis), ou outras armadilhas deixadas pelo Jerry. Até aqui tudo bem, mas a execução não é de todo a melhor. Os segmentos de plataforma são tediosos pois temos de parar e usar o direccional para subir para plataformas, algo que Tom faz muito lentamente. Depois há partes do jogo em que as plataformas só estão ali mesmo a atrapalhar e Tom é um gato e supostamente ágil, poderia perfeitamente passar à volta. De resto este Tom and Jerry é só isto ao longo de 6 níveis. Creio que seja possível apanhar o Jerry antes do final do nível, mas nunca consegui. No final de cada nível lá teremos alguns obstáculos finais para ultrapassar e, estando o Jerry encurralado, lá o conseguimos apanhar.

Temos um barra de vida que nos permite aguentar com algum dano

No que diz respeito aos audiovisuais, por um lado as músicas e efeitos sonoros não são particularmente memoráveis, no entanto acho que a nível gráfico já se safou melhor, pois os 6 níveis são variados entre si, como cenários domésticos, citadinos ou nas florestas e montanhas. Os cenários em si também possuem um bom nível de detalhe.

De resto este Tom and Jerry é a meu ver uma oportunidade desperdiçada que a Sega teve em capitalizar melhor nesta franchise de sucesso da animação. Acho que o duo Tom and Jerry teria potencial para um bom jogo de plataformas, o que não aconteceu. A Sega produziu também uma versão para a Game Gear que aparentemente possui as mesmas mecânicas de jogo, mas uns níveis completamente diferentes. A ver se será mais interessante!

Streets of Rage II (Sega Master System)

Continuando pelas rapidinhas nos sistemas 8bit da Sega, o jogo que cá trago hoje é a adaptação do clássico Streets of Rage II para a Sega Master System, que é essencialmente muito similar à mesma conversão para a Game Gear que já cá trouxe no passado. O meu exemplar foi comprado numa feira de velharias por 5€ algures no mês de Junho, foi um bom achado!

Jogo com caixa

Uma das coisas em comum desta versão com a da Game Gear é a ausência de Max como personagem jogável e claro, não temos tantos (e tão bem detalhados) níveis como na versão Mega Drive. A nível de jogabilidade, com um botão de salto e outro para atacar, torna-se algo difícil executar os golpes especiais, que nos obrigam a usar o botão de ataque em conjunto com o d-pad. De resto, esta versão acaba por pecar na sua dificuldade, pois os inimigos movem-se bastante depressa e rapidamente podemos ser encurralados. Ao menos sendo este um jogo 8bit nunca teremos muitos inimigos no ecrã em simultâneo. A versão Game Gear não me parece sofrer deste problema no entanto. Agora o que também seria interessante era esta versão possuir um modo multiplayer, principalmente cooperativo, o que não acontece tal como na versão portátil.

Skate é a única nova personagem jogável nesta versão

A nível audiovisual, é mais uma vez muito similar à versão Game Gear. O problema é que a versão Game Gear foi produzida especialmente tendo em conta o ecrã pequeno da portátil, o que permite dar um maior foco nos detalhes. Aqui, com uma resolução de ecrã maior, os níveis acabam por parecer um pouco mais simples e as sprites mais pequenas. As músicas são idênticas à versão Game Gear, que são adaptações das versões 16bit, também compostas por Yuzo Koshiro. São agradáveis, mas longe da genialidade dos originais.