Quest for the Shaven Yak Starring Ren and Stimpy (Sega Game Gear)

Voltando à Game Gear, é tempo de ficarmos com mais um jogo da saudosa série de animação Ren & Stimpy que, naturalmente devido à sua popularidade nos anos 90, recebeu uns quantos videojogos. Nem todos têm boa fama no entanto e eu até ao momento só tinha jogado o da Mega Drive, que apesar de ser um jogo muito difícil, tem os seus bons momentos também. As consolas da Sega apenas receberam mais um jogo dessa série animada, nomeadamente este Quest for the Shaven Yak para a Game Gear (e Master System através da Tec-Toy no Brasil). O meu exemplar foi comprado por 5€ a um amigo meu no passado mês de Abril.

Cartucho solto

A história é, como sempre, bastante bizarra. Basicamente a certo dia a dupla Ren e Stimpy encontram, na sua própria casa, uns cascos de um iaque. Naturalmente, o Ren chega imediatamente à conclusão que os cascos pertencem ao Great Shaven Yak que os deve ter lá deixado no Yak Shaving Day. O passo seguinte será partir à procura do iaque para lhe devolver os seus cascos e assim salvar o tão importante Yak Shaving Day.

A história é do mais ridículo que há, tal como na série animada!

No que diz respeito às mecânicas de jogo, esperem por um platformer simples. Antes de cada nível podemos escolher entre controlar Ren ou Stimpy, que por sua vez possuem mecânicas de jogo base similares, com um botão para saltar, outro para atacar, que no caso do Ren ele atira escovas de dentes e o Stimpy cospe bolas de pelo. Ao pressionar cima e o botão de salto em simultâneo, activamos uma habilidade especial de cada personagem: Ren consegue saltar muito mais alto e Stimpy pode partir certos objectos, onde ambas as habilidades nos darão acesso a zonas que seriam inacessíveis para apanhar alguns power ups. A barra de vida de cada personagem é medida em mamas de biberão no canto superior esquerdo do ecrã e, ao longo do jogo iremos poder encontrar diversos itens aleatórios que nos poderão recuperar (ou extender) essa barra de vida como sacos de dinheiro, televisões, cantis, botas, entre outros, dependendo do nível em questão. Para além do ataque normal poderemos também apanhar outras armas que substituem esse ataque, como um sabão que dispara bolhas de sabão, fatias de pão ou um comando remoto que dispara raios. Outros itens poderão servir de checkpoints caso percamos uma vida (bocas de incêndio), ou outros dão-nos invencibilidade temporária ou mesmo vidas extra. Como podem entender, todo aquele humor non-sense da série televisiva está também aqui presente.

Graficamente é um jogo interessante, com sprites grandes e bem detalhadas!

No que diz respeito aos audiovisuais, as sprites de Ren, Stimpy e alguns dos inimigos são grandes, bem detalhadas e animadas! Já os níveis, até que vão tendo alguma variedade entre si, pois vamos visitar florestas, desertos, cavernas, montanhas ou pântanos em busca do tal Iaque. Passando para os gráficos dos níveis em si, acho que o resultado final acaba por ser um pouco inconsistente. Alguns níveis pareceram-me bastante minimalistas a nível de detalhe (como por exemplo a floresta), enquanto outros até nem me parecem nada mal, dado às limitações do sistema. Já no que diz respeito ao som, sinceramente não sou grande fã dos efeitos sonoros e as músicas também não são do melhor que já ouvi.

Portanto estamos aqui perante um jogo de plataformas com mecânicas de jogo simples, mas que acaba por ser competente no que se propõe. Só acho que o design de alguns níveis poderia ser um pouco mais interessante, mas acaba por entreter bem.

Sonic the Hedgehog Chaos (Sega Game Gear)

Continuando pelas rapidinhas, vamos cá ficar com mais um jogo que já cá trouxe noutra plataforma, nomeadamente o Sonic Chaos na sua versão Master System, que foi a versão que joguei em miúdo, embora não tanto quanto o Sonic 1 ou 2 pois esses são jogos que sempre fizeram parte da minha colecção. Esta versão da Game Gear é essencialmente o mesmo jogo, embora possua algumas pequenas diferenças que irei detalhar brevemente. O meu exemplar foi comprado a um amigo no mês passado por 5€.

Jogo com caixa e manual

Ora o Sonic Chaos foi o primeiro jogo do ouriço que, nas consolas 8bit da Sega, nos permitia jogar com o Tails e usar a habilidade spin dash. A cutscene inicial mostra-nos o Sonic a perseguir o Robotnik que já estava em posse de uma das esmeraldas caóticas. O objectivo será então de impedir que ele encontre as outras 5 (lembrem-se que nos jogos 8bit do Sonic temos tipicamente 6 esmeraldas para coleccionar) e ao contrário do Sonic 1 e 2 nestas consolas, onde teríamos de procurar as esmeraldas espalhadas pelos níveis, aqui teremos de as encontrar em níveis de bónus, tal como acontecia nos jogos da Mega Drive. Para isso temos de coleccionar mais de 100 anéis num nível e lá somos transportados para o nível de bónus que é tipicamente um desafio algo labiríntico e onde temos um tempo reduzido para encontrar a esmeralda. Outras novidades notáveis neste jogo estão na inclusão de alguns novos power ups, como é o caso do skate voador ou das molas que nos permitem saltar bastante alto, as mesmas que estão representadas na capa deste jogo.

Finalmente o Tails como personagem jogável!

Apesar de serem essencialmente o mesmo jogo, existem algumas diferenças entre a versão de Game Gear e a de Master System. A de Master System tem a vantagem de ter uma maior resolução, mas existem algumas diferenças gráficas, particularmente no título, menus, ecrãs de apresentação de novos níveis e da sua pontuação final. Existem diferenças nas músicas e aparentemente existem também algumas pequenas diferenças nos próprios níveis, provavelmente para compensar o facto da menor resolução nesta versão portátil.

Anéis gigantes que valem por 10, ou o skate voador são duas das novidades

A nível técnico este é um jogo colorido, com um bom nível de detalhe e algumas músicas bastante agradáveis. No entanto, apesar de ter alguma nostalgia por este jogo desde miúdo, acho que foi o que envelheceu pior dentro dos jogos de plataformas 8bit do ouriço azul. O facto de podermos jogar com o Miles, usar o spin dash, os níveis terem muitos mais loopings e outras acrobacias que o fazia aproximar-se mais dos jogos da Mega Drive foram notícias excelentes mas continuo a achar que o design dos níveis era mais interessante nos primeiros dois jogos. Mas também pode ser a nostalgia a falar!

Superman: The Man of Steel (Sega Game Gear)

Continuando pelas rapidinhas, mas agora pela Game Gear, vamos ficar com um jogo que sinceramente me desiludiu bastante pois acabou por ser muito pior do que o que estava à espera. Nada mais nada menos que a versão Game Gear do Superman: The Man of Steel, um conjunto de 3 jogos de mesmo nome que foram desenvolvidos para as consolas da Sega. Este meu exemplar foi-me oferecido por um amigo no passado mês de Fevereiro.

Cartucho solto

O jogo leva-nos a controlar o Super Homem ao longo de 5 níveis distintos. Antes de começar cada nível vemos sempre a primeira página do jornal “Daily Planet” que nos relata algum problema que lá teremos invariavelmente de resolver, seja uma cidade atacada por bandidos, crianças raptadas ou mesmo o rapto da Lois Lane que irá acontecer nos últimos níveis.

O primeiro nível possui muito menos detalhe gráfico do que a versão Master System, o que sinceramente não se compreende

Os controlos são aparentemente simples. O botão 2 serve para distribuir socos, enquanto que o botão 1 serve para saltar e, caso o mantenhamos pressionado, poderemos voar também. À medida que vamos jogando poderemos ver símbolos do super homem vermelho ou azuis que poderemos apanhar. Os vermelhos restabelecem parte da nossa barrade vida, já os azuis dão-nos alguns poderes temporários, como a possibilidade de dar socos mais fortes ou disparar raios laser, embora isto apenas possa ser feito quando voamos. Até aqui tudo bem mas o jogo torna-se extremamente frustrante assim que o começamos a jogar. Os socos têm um alcance muito curto e todos os inimigos devem estar banhados em kryptonite pois para além de precisarem de vários golpes para serem destruídos, rapidamente nos causam dano considerável se não tivermos cuidado. E esta versão Game Gear é especialmente vulnerável a isso devido ao seu ecrã e resolução menores, pois o Super Homem até que é bastante rápido e os inimigos rapidamente surgem no ecrã, não nos dando grande tempo de reacção. A parte inicial do terceiro nível é especialmente frustrante, pois temos de voar num túnel de metro a grande velocidade, esquivando-nos de projécteis e tentando apanhar medkits pelo caminho para ir restabelecendo parte da barra de vida. Em suma não é um jogo muito divertido.

O início do terceiro nível é um exercício de frustração onde voamos num túnel a alta velocidade, tentando contornar obstáculos, projécteis inimigos e apanhar medkits

Graficamente até que é um jogo colorido e bem detalhado, embora a versão Master System seja superior nesse aspecto. Não só pelo seu ecrã e resolução maior, mas também pelo facto de, pelo menos no primeiro nível, a versão Master System possuir um maior detalhe gráfico no background. As músicas não são nada de especial.

Portanto estamos aqui perante um jogo de acção que poderia e deveria ser muito melhor. É um jogo frustrante e difícil particularmente se considerarmos que o Super Homem, que deveria ser quase invencível, é extremamente vulnerável. E tal como referi acima, a versão Game Gear, devido ao seu ecrã e resolução menores, ainda agrava mais este problema. Não é um jogo que recomende.

Dr. Robotnik’s Mean Bean Machine (Sega Game Gear)

Continuando pelas rapidinhas mas apontando agora as baterias para a Game Gear, vamos ficar com uma das iterações 8bit do reskin de Puyo Puyo com personagens do universo Sonic the Hedgehog, nomeadamente com as personagens de uma das séries de animações do ouriço que me lembro de dar na TV portuguesa nos anos 90. O meu exemplar veio parar à minha colecção através de um amigo meu já no final do mês passado de Fevereiro.

Cartucho solto

E Puyo Puyo é uma série de jogos puzzle onde teremos de juntar uma série de slimes coloridas (aqui neste jogo chamadas de feijões) que descem no ecrã aos pares e cada vez que consigamos juntar conjuntos de 4 ou mais puyos da mesma cor, estes desaparecem e fazem com que os puyos que eventualmente estivessem acima de si desçam, potenciando eventuais combos. Combos esses que darão muito jeito pois fazem com que mandemos “lixo” para o nosso oponente, que são na verdade puyos transparentes que apenas desaparecem caso algum conjunto de puyos que lhes sejam adjacentes desapareça também. Naturalmente o nosso oponente também poderá fazer o mesmo.

No modo história teremos todos estes opontentes para enfrentar

Esta versão da Game Gear possui dois modos de jogo distintos. O principal é o Scenario Mode onde iremos defrontar vários dos robots do Dr. Robotnik e que apareciam nessa série de animação, até que enfrentaremos o próprio Robotnik também. O segundo modo de jogo é um Puzzle Mode, que nos apresenta uma série de desafios onde o ecrã já se encontra parcialmente preenchido com alguns puyos e que teremos de ultrapassar no menor número de jogadas possível. Por exemplo, limpar o ecrã de todos os puyos de uma cor, conseguir obter uma série de combos, entre outros. No que diz respeito ao multiplayer, esta versão Game Gear tem um modo para dois jogadores que obriga ao uso de um cabo de ligação para duas Game Gears e que naturalmente não cheguei a experimentar.

A jogabilidade é simples, porém viciante e é dos jogos que se adequam perfeitamente a portáteis

Graficamente é naturalmente um jogo muito mais simples que a sua versão Mega Drive. Ainda assim, sendo um puzzle game não é necessário grande detalhe gráfico e a Game Gear sendo uma portátil a cores já representa uma boa vantagem em relação à Game Boy clássica onde os Puyos teriam de ser representados em diferentes tonalidades de cinzento. Já no que diz respeito às músicas, bom a banda sonora não é muito extensa e devo dizer que também não é das mais agradáveis.

Para além do modo história, o modo puzzle oferece-nos uma série de desafios adicionais

Portanto este Dr. Robotnik’s Mean Bean Machine para a Game Gear é um óptimo puzzle game para quem estiver cansado do Columns. A Game Gear, no Japão, ainda recebeu ainda mais uns quantos outros jogos Puyo Puyo que infelizmente nunca chegaram a sair no ocidente, o que é pena.

Head Buster (Sega Game Gear)

Vamos agora voltar à portátil de 8bit da Sega, para um interessante exclusivo japonês produzido pela NCS/Masaya. Head Buster é um jogo de estratégia por turnos onde iremos construir o nosso pequeno exército de robots e combater uma série de robots inimigos, ao longo de 10 batalhas. Felizmente existe um patch de tradução para o inglês, eliminando assim qualquer barreira linguística. O meu exemplar foi-me oferecido por um amigo meu algures em Julho de 2020.

Cartucho solto, jogo japonês

E nós aqui encarnamos no papel de um miúdo que se inscreve numa competição de lutas com robots, começamos o jogo com 600 créditos e antes de começar cada combate temos acesso a uma loja onde poderemos comprar um ou mais robots e customizá-los à nossa vontade, bem como ver o mapa da próxima arena onde podemos combater. Isto é útil pois dá para ver que tipo de terreno iremos encontrar e preparar os nossos robots da melhor forma. Infelizmente não dá é para antever quais os robots inimigos que iremos enfrentar!

As diferentes armas que temos têm também diferentes alcances

Mas pronto, com 600 créditos lá poderemos comprar um ou 2 robots e equipá-los com algum armamento adicional. Começamos por escolher se queremos um robot de estrutura ligeira, normal ou pesada, o que irá afectar a sua agilidade (nomeadamente o número de células que nos podemos deslocar em cada turno) bem como a sua armadura, pois os robots mais pesados são mais resistentes ao fogo inimigo. Podemos também customizar a parte inferior do robot, seja ao usar pernas, lagartas ou um hovercraft, que por sua vez cada tipo destas peças nos permite atravessar diferentes tipos de terreno e obstáculos como água, montanhas ou florestas. Daí a possibilidade de explorar o tipo de terreno que iremos enfrentar entre cada combate ser muito importante! Os braços e ombros podem ser equipados com diferentes escudos e armas de curto, médio e longo alcance, sendo que os ombros são as que carregam as armas mais destrutivas como mísseis ou napalm, mas também poderão carregar outros equipamentos especiais que nos podem dar diferentes habilidades nas batalhas como lançar fumo para não sermos atingidos por fogo inimigo. Outra das características importantes que devemos comprar é o computador de bordo, que, dependendo do modelo escolhido, nos permite efectuar algumas acções adicionais nos combates, como esconder ou evadir de fogo inimigo, bem como reparar o dano sofrido.

Cada tipo de parte inferior tem as suas vantagens e desvantagens

Passando para as batalhas em si, estas são todas por turnos, sendo que cada turno é dividido em 2 fases. A primeira fase é a de posicionamento dos nossos robots e em seguida o CPU faz o mesmo para os seus robots. Depois lá temos a fase de ataque onde se tivermos algum inimigo no nosso alcance de fogo, podemos disparar. No caso de termos um computador de bordo que nos permita evadir do fogo inimigo também o podemos fazer. Ou poderemos simplesmente recarregar algumas das armas que eventualmente tenhamos usado. Cada batalha termina quando todos os robots inimigos tenham sido destruído, ou a sua base. Uma vez terminada a batalha, ganhamos algum (pouco) dinheiro e somos levados novamente para a tal loja onde podemos prever o próximo campo de batalha e modificar os nossos robots, ou mesmo construir novos.

Infelizmente o dinheiro que ganhamos entre cada combate não é assim tanto pelo que não perder robots é essencial para a sobrevivência

É um jogo relativamente simples mas desafiante pois o dinheiro que ganhamos em caso de vitória não é assim tanto, pelo que vai ser difícil ir acompanhando o poder de fogo inimigo à medida que vamos avançando no jogo. Usar tácticas mais defensivas, como estar perto da base onde poderemos regenerar a vida dos nossos robots pode ser uma boa opção, mas também podemos tentar ser mais sneaky e usar robots mais ligeiros para atacar directamente a base inimiga. De qualquer das formas é muito importante ir registando as passwords que nos vão sendo atribuídas no final de cada batalha, pois caso um dos nossos robots seja destruído, mesmo que vencemos o confronto no final, o mesmo é perdido para sempre ou seja, teremos de construir um robot de novo e o dinheiro nunca dá para tudo. Ainda nas passwords, o jogo vai-nos atribuindo uma password curta e longa e eu recomendo vivamente que anotem a password longa. A curta apenas serve para registar em que ponto do jogo vamos, mas todos os robots que tenhamos construido previamente desaparecem.

As batalhas poderiam ter mais detalhe gráfico, pois a câmara está sempre na perspectiva de um dos nossos robots, mesmo quando está a sofrer dano.

A nível audiovisual é um jogo competente tendo em conta que estamos a falar de um jogo para a Game Gear. As arenas são coloridas, mas seria interessante que houvesse uma maior variedade de cenários. Quando transitamos para um ecrã de batalha temos sempre a câmara na perspectiva de primeira pessoa de um dos nossos robots, que seja para atacar, quer seja quando estamos a sofrer dano. A barra de vida que aparece no ecrã é a barra de vida do robot a ser atacado. Seria interessante uma perspectiva como nos Advance Wars, onde pudéssemos ver ambos os robots e suas barras de vida. Já no que diz respeito ao som, as músicas são agradáveis e nada de especial a apontar aos efeitos sonoros.

Portanto este Head Buster é um jogo de estratégia por turnos que até tem potencial precisamente pela customização que podemos fazer ao criar robots de raiz e que tirem proveito do terreno que iremos enfrentar nos confrontos seguintes. Mas para além do desafio que nos é imposto ao irmos enfrentando inimigos tendencialmente mais fortes em número e poder de fogo, seria bem mais interessante se houvesse aqui uma narrativa qualquer, mesmo que fosse algum dos clichés habituais. Competir para ganhar trocos e ter de enfrentar inimigos mais poderosos a seguir não chega para mim.