Virtua Tennis (Sega Dreamcast)

Voltando aos jogos desportivos e à Dreamcast, o Virtua Tennis foi mais uma daquelas conversões arcade para a Dreamcast, visto que o original foi desenvolvido para o sistema Naomi. Mas a Sega felizmente já estava a aprender umas coisas e esta não foi uma simples conversão do jogo arcade (que por si só já era excelente) mas inclui também um modo singleplayer muito competente. O meu exemplar foi comprado algures no mês passado, custando-me menos de 5€.

Jogo com caixa e manuais

Aqui dispomos de vários modos de jogo, desde as partidas simples que podem ser jogadas entre 1 até 4 jogadores em simultâneo, o modo arcade e o modo World Circuit. No primeiro jogo, optamos por escolher um de vários tenistas reais que competiam ainda em 1999/2000 e teremos de vencer uma série de 5 partidas em diferentes estádios. Na verdade não temos de jogar uma série de sets como nas partidas a sério, mas sim ganha-se a partida ao melhor de 3 jogos, não sets. Por fim temos o World Circuit Mode que é um modo singleplayer com muito mais conteúdo adicional.

A nível de jogabilidade e audiovisuais, este era de factp um jogo impressionante para a época

Aqui teremos muitas mais partidas para participar ao longo de todo o mundo, para além de alguns mini-jogos com diferentes desafios que servem para treino. Em ambos podemos amealhar dinheiro que pode depois ser usado em lojas para comprar novas roupas, contratar parceiros, desbloquear novos estádios ou jogadores, ou comprar outros power ups como novas raquetes ou bebidas energéticas. O original de arcade era um jogo excelente pela sua jogabilidade simples, intuitiva e excelentes audiovisuais. encontrando-se fielmente representado nesta versão da Dreamcast. Mas a inclusão desta campanha singleplayer acrescenta muito conteúdo ao jogo já que, para quem for bom jogador, consegue terminar o modo arcade em cerca de 10 minutos.

No modo carreira vamos tendo alguns minijogos deliciosos.

No que diz respeito aos audiovisuais, estes são excelentes para os padrões de 1999, com os tenistas profissionais muito bem detalhados, assim como os estádios e o próprio público, dentro dos possíveis. A nível de som é também um jogo excelente e uma das coisas interessantes que reparei é que, no modo arcade quando jogamos em França, o locutor fala em francês, enquanto que nos restos dos locais é inglês, com expressões americanas ou britânicas consoante o local onde estamos a jogar. Achei que foi um detalhe muito interessante! E depois, claro, uma vez mais nos jogos arcade da Sega daquele tempo, a banda sonora é repleta de grandes guitarradas e riffs orelhudos que a mim muito me agradam.

No fim de contas, mesmo que não sejam grandes apreciadores de jogos de desporto, é fácil entender o porquê deste jogo ter sido tão bem aclamado pela crítica na altura em que saiu. A jogabilidade é excelente, viciante e os audiovisuais incríveis para a época. A Sega manteve esta série viva por muitos mais anos, mas confesso que depois dos originais para Dreamcast não voltei a pegar na mesma.

NBA 2K (Sega Dreamcast)

Vamos a mais uma rapidinha, desta vez para a Sega Dreamcast. NBA 2K é o primeiro jogo da conhecida série desportiva da Visual Concepts, estúdio que em 1999 chegou a ser comprado pela própria Sega, de forma a dotar a Dreamcast de jogos desportivos de qualidade, nomeadamente da NBA, NHL e NFL. Isto causou um confronto com a Electronic Arts que ameaçou não suportar a Dreamcast a menos que a EA fosse a única empresa a produzir jogos de desporto para o sistema. Como a Sega já tinha comprado a Visual Concepts para renascer o branding Sega Sports, nunca chegaram a um acordo com a EA. E sinceramente eu também não negociaria com terroristas. No entanto a verdade é uma, os jogos da Visual Concepts sempre tiveram excelentes críticas e o facto de apenas a serie NBA 2K persistir até aos dias de hoje é porque a EA comprou a exclusividade de direitos para os outros dois desportos americanos. Por outro lado é pena que a Visual Concepts nunca tenha feito um jogo de futebol, os jogos de futebol lançados por intermédio da Sega nunca tiveram a mesma qualidade. Mas adiante, o meu exemplar foi comprado algures no mês passado por cerca de 4.5€ numa feira de velharias.

Jogo completo com caixa e manual

O jogo oferece-nos vários modos de jogo desde a partida amigável, um modo de práctica, play offs ou a temporada completa da época 1999/2000. Sendo este um jogo licenciado pela NBA, podem esperar pelas equipas e jogadores oficiais daquela época. O jogo dá-nos também a possibilidade de criar jogadores ou equipas fictícias, mas confesso que não perdi tempo com isso. No que diz respeito à jogabilidade, também não sou grande especialista em jogos de desporto “modernos”, mas pareceu-me sólida o suficiente.

Graficamente era um jogo impressionante para a época

Mas é nos audiovisuais que este jogo realmente brilha. Os jogadores possuem todos um óptimo nível de detalhe para a época, principalmente nas suas caras. Claro que nem tudo é perfeito e por vezes quando temos uma panorâmica mais geral do público lá reparamos que eles parecem feitos de papel. Mas no geral o jogo possui gráficos muito, muito bons para a época. No que diz respeito ao som, nada a apontar. Os comentadores são muito bons, estão sempre a relatar alguma coisa, o que mantém o interesse no jogo. Entramos de facto numa outra geração, no que diz respeito aos simuladores desportivos!

Fighting Vipers 2 (Sega Dreamcast)

O Fighting Vipers é um dos meus jogos preferidos da Sega Saturn. É um jogo de luta em 3D, mas com algumas mecânicas de jogo interessantes, nomeadamente o facto de lutarmos em arenas fechadas (mas cujas vedações podem ser destruídas à pancada) e os lutadores terem também uma armadura que pode igualmente ser destruída se usarmos golpes fortes. O jogo que cá trago hoje é a sua sequela, versão Dreamcast, que deu entrada na minha colecção algures durante o ano passado numa troca feita com um particular.

Jogo completo com caixa e manuais

O primeiro jogo teve sucesso, pelo que não tardou muito até uma sequela ser desenvolvida, primeiro em 1998 para o sistema arcade Sega Model 3, que era avançado demais para viabilizar uma conversão para a Saturn. Fast forward para 2001 e lá lançaram uma conversão para a Dreamcast, embora já um pouco tarde no seu curto ciclo de vida, pelo que o jogo nunca chegou aos Estados Unidos.

Esta conversão para a Dreamcast poderia ter um pouco mais de sumo a nível de modos de jogo

E o que há de novo aqui? Basicamente quatro novas personagens, duas delas disponíveis desde o início (a geek Emi e o ciclista Charlie), outras duas desbloqueáveis, como é o caso do Del Sol (um wrestler mexicano) ou do Khun, que é practicamente o mesmo que a Dural representa para a série Virtua Fighter. Os modos de jogo que cá temos são simples, como os habituais Arcade e VS para dois jogadores, que dispensam apresentações. Temos também um modo Training para practicar os golpes especiais de cada lutador, bem como um modo Survival e outro Random. O primeiro destes também é auto explanatório: Com uma única barra de energia que não se regenera de round para round, temos de derrotar o máximo número de lutadores possível. O Random mode coloca-nos a lutar com uma sequência aleatória de personagens, nada de muito especial.

Charlie e Erin são dois dos novos lutadores. Ele gosta de andar à porrada e de bicicleta. Ela é gosta de Mechas.

Depois, tal como no primeiro jogo, a jogabilidade continua bastante rápida, o que me agrada bastante. Para além de ser um jogo frenético, em Fighting Vipers todos os lutadores possuem uma armadura, que pode ser destruidase bloquearmos os golpes dos adversários em demasia, ou se levarmos alguns golpes fortes. Estar sem armadura deixa-nos mais desprotegidos, mas também mais ágeis. Se perdermos ambas as armaduras (superior e inferior) poderemos desencadear os poderosíssimos super KOs, capazes de derrotar o oponente permanentemente logo no primeiro round. E depois, claro está, temos as arenas vedadas com paredes ou vedações, que podem ser usadas em nossa vantagem, desde desencadear alguns golpes que precisem de uma parede perto, ou simplesmente atirar os nossos adversários contra as próprias. Com golpes bem direccionados, até as conseguimos destruir!

Cat fight!! A Candy no Japão sempre foi conhecida por Honey

Mas o que mais me agrada neste jogo é sem dúvida o seu aspecto. Tal como o original, a série Fighting Vipers é uma série urbana, com lutadores muito característicos, como skaters, punks, metaleiros, entre outros esteriótipos urbanos como o lolita da Candy, que é tipicamente japonês. Os cenários também são interessantes, alguns marcam o seu regresso desde o primeiro jogo, como é o caso do Saloon no meio do deserto (ainda em chamas), topos de arranha-céus, entre outros cenários interessantes como o porta-aviões com aviões a descolar mesmo à nossa frente.

Mais uma guitarra prestes a ser destruída…

Os gráficos são bons tendo em conta a Dreamcast, no geral é uma conversão bem mais conseguida que a do Virtua Fighter 3, que foi também originalmente desenvolvido para o sistema Model 3. Não está ao nível gráfico de jogos como o Soul Calibur ou o Dead or Alive 2, mas não é mau! Sobre os sons, nada apontar aos efeitos sonoros. O voice acting poderia ter mais algumas falas, mas por outro lado a banda sonora é excelente. Tal como nos clássicos arcade da Sega na segunda metade da década de 90, a banda sonora está repleta de música hard rock cheia de guitarradas! Para além disso temos também muita música electrónica, o que também se enquadra com a temática urbana do jogo.

Portanto, mesmo não sendo uma obra prima, este Fighting Vipers 2 não deixa de ser um óptimo jogo de luta. A sua eventual conversão para consolas poderia ter sido um pouco mais trabalhada de forma a incluir mais conteúdo jogável, mas mesmo com 3 anos de atraso, foi uma conversão muito benvinda. E espero que a Sega um dia volte a revisitar esta série!

Donald Duck Quack Attack! (Sega Dreamcast)

A rapidinha de hoje leva-nos de volta à Dreamcast, para um jogo que já há muito estava na minha fila de espera para ser jogado e quando finalmente peguei nele, até que se revelou numa boa surpresa, apesar de ser relativamente curto. É verdade que sempre fui um fã do Pato Donald e este Quack Attack foi um jogo lançado para uma série de diferentes plataformas entre 2000 e 2002, não fosse este um jogo produzido pela Ubisoft. Surpreendentemente, muitas dessas versões possuem grandes diferenças entre si (obviamente não contando com as versões portáteis para Gameboy Color e Advance). O meu exemplar foi comprado algures no ano passado numa Cash Converters. Foi barato, acho que nem a 2€ chegou.

Jogo completo com caixa e manuais

A história é simples, a repórter Margarida estava a investigar em directo o que o bruxo Merlock andava a engendrar, quando acaba por ser raptada. O Professor Pardal, Donald e o seu primo Gastão estavam a ver a reportagem na TV e após verem Margarida a ser raptada, Gastão parte logo para a salvar, deixando Donald para trás. O Professor Pardal acaba então por ajudar o Donald, obrigando-o primeiro a passar por outras localizações até que consiga finalmente reactivar o teleporte que o leve para Merlock.

Pensem neste jogo como um clone dos Crash Bandicoot clássicos, mas com personagens da Disney

A jogabilidade é inspirada nos Crash Bandicoot clássicos da Playstation 1, na medida em que o jogo herda as mesmas mecânicas de platforming, tanto numa perspectiva de sidescroller em 2D, como numa perspectiva 3D como se um jogo de corridas se tratasse, sem controlo de câmara. Até a nível de powerups o jogo tem similaridades, visto que podemos coleccionar estrelas que nos dão vidas extra de cada vez que apanhemos 100, e temos um power up de invencibilidade temporária. Donald ataca os inimigos com um botão específico e os níveis estão divididos em vários mundos, sendo que temos diferentes objectivos para cumprir em cada nível, não é só chegar ao fim: temos de procurar os brinquedos dos sobrinhos do Donald, que nos desbloqueiam um nível extra de perseguições antes de enfrentar o boss. Para desbloquear o boss precisamos também de encontrar um item específico em cada nível, que nos permite depois activar o teleporte que nos leva ao boss. Cumpridos esses objectivos, desbloqueamos também o time trial, onde teremos de rejogar todos os níveis e chegar à meta antes de um tempo específico, sendo depois recompensado com novas vestimentas para o Donald.

Tal como no Crash Bandicoot, os níveis vão alternando entre o clássico sidescroller 2D, com a jogabilidade 3D

Como referi anteriormente, existem várias versões diferentes deste jogo. Esta versão para a Dreamcast é muito semelhante à versão PC e Nintendo 64, mantendo a mesma estrutura de níveis e jogabilidade no geral. A versão PS1 possui uma banda sonora inteiramente diferente e os níveis misturam a jogabilidade 2D e 3D dentro do mesmo nível, enquanto que aqui são separadas. As versões PS2 e Gamecube são evoluções da versão PS1, mas mesmo essas possuem algumas diferenças, para além do salto gráfico. Mas essas diferenças ficariam para um eventual artigo futuro, pois planeio adquirir pelo menos uma dessas versões.

Portanto esta versão Dreamcast apresenta gráficos coloridos e bem detalhados para a consola que é. Os níveis vão sendo algo variados, atravessando florestas, a cidade de Patópolis, a mansão assombrada da Maga Patológica e finalmente um templo antigo, onde acabaremos por defrontar o bruxo de Merlock e salvar a Margarida. O jogo usa o mesmo motor gráfico do Rayman 2, pelo que podemos encontrar aqui um nível de detalhe bastante satisfatório para a Dreamcast, embora ache que os modelos de Donald pudessem ser um pouco melhor detalhados. As músicas são bastante agradáveis, possuindo uma atmosférica muito característica de desenhos animados, o que acaba por se adequar bem ao clima do jogo.

Em cada nível “principal” acabamos por ter 3 objectivos: encontrar todos os brinquedos, um item para desbloquear o boss daquela zona, e vencer o tempo do Gastão

Portanto, no final de contas, este Quack Attack é um jogo de plataformas bastante interessante e competente, especialmente para os que gostam do Crash Bandicoot clássico. Perde, no entanto por ser um jogo curto, e por não ser lá muito difícil, visto ser muito fácil coleccionar vidas novas e os níveis possuirem bastantes checkpoints espalhados.

Sega Worldwide Soccer 2000 (Sega Dreamcast)

Continuando pelas rapidinhas de videojogos desportivos, o que cá trago hoje foi o renascer de uma série de sucesso, pelo menos aqui na Europa, originalmente lançada na Sega Saturn. Mas foi um renascer algo atribulado, e o nome de “Sega Worldwide Soccer” nunca mais foi o mesmo. Ao contrário dos clássicos da Saturn, este foi desenvolvido pela britânica Silicon Dreams, que já tinha desenvolvido alguns jogos de futebol noutras consolas. O meu exemplar veio da feira da Vandoma há já alguns anos. Custou-me uns 2€ se a memória não me falha.

Jogo completo com caixa e manual

A Dreamcast sempre foi criticada por não ter jogos de futebol tão bons quanto os FIFAs, ISS ou Pro Evolution Soccer. A Electronic Arts fez birra e não manifestou interesse em produzir videojogos para a Dreamcast, já a Konami não sei o que lhes ia na cabeça. A Sega uma vez mais teve de fazer tudo sozinha, e enquanto estavam a converter o Virtua Striker 2 para a Dreamcast, o novo WorldWide Soccer ficou a cargo da Silicon Dreams, empresa que já tinha desenvolvido videojogos como o Olympic Soccer ou os World League Soccer, para várias consolas. E a coisa que mais salta à vista é que os gráficos deram um grande impulso desde a Sega Saturn. Existem também muitos modos de jogo, desde jogos amigáveis, vários campeonatos ou taças customizáveis, bem como clubes das principais ligas mundiais e imensas selecções nacionais diferentes. A boa notícia é que temos muitos nomes reais dos jogadores, devido à Sega ter adquirido algumas das licenças para o efeito.

Querem ver o nome do jogador que estão a controlar? Olhem para o VMU

Por outro lado, a jogabilidade peca um pouco por ser mais lenta que os originais. O que tornava o Worldwide Soccer 97 tão bom era, para além dos excelentes gráficos da época, uma jogabilidade bastante fluída, mas também algo realista. Aqui as coisas não são bem assim, e o controlo da câmara também poderia ser melhor. Felizmente uns meses depois, a Silicon Dreams produziu um update deste jogo, chamado Sega Worldwide Soccer 2000: Euro Edition, já a antecipar o grande Euro 2000. Nessa versão possuímos uma jogabilidade mais fluída e melhores efeitos gráficos, mas essa discussão ficará para um eventual artigo futuro.