Recentemente escrevi para o site da PUSHSTART uma review a um jogo indie chamado Ittle Dew. Numa primeira vista, Ittle Dew parece ser um clone de Zelda, mas para mim vai bem mais longe que isso. É uma sincera homenagem mas também sátira à conhecidíssima franchise de videojogos. É um produto do estúdio Ludosity e tem um grande foco no puzzle solving, ao invés do combate. Certamente um jogo a ter em conta se o encontrarem a um bom preço. No meu caso, foi um jogo que me foi oferecido através de um sorteio.
De volta para uma rapidinha a mais um jogo indie. Conforme já referi inúmeras vezes neste espaço, a ascenção dos indies na indústria trouxe-nos muito revivalismo de outros tempos e por outro lado trouxe também originalidade e vontade de arriscar onde as grandes empresas não o fazem. Este The 39 Steps é uma interessantíssima adaptação do livro de 1915 de mesmo nome da autoria do escritor escocês John Buchan, misturando conceitos de livro interactivo, com o de aventuras gráficas com algum point and click à mistura. Este jogo entrou na minha colecção digital do Steam algures no ano passado, não me recordando já se me foi oferecido num sorteio, ou se foi comprado ao desbarato num dos imensos indie bundles existentes.
The 39 Steps é um interessante thriller de espionagem e repleto de teorias conspiratórias, sendo passado uns meses antes dos eventos que deram origem à primeira guerra mundial. Nessa altura as grandes nações europeias (e não só) encontravam-se nun clima de tensão constante, devido ao seu cada vez maior armamento e reforços militares. O herói da história é Richard Hannay, um colono do Império Britânico envolvido em negócios de minas de diamantes. Após uma passagem por Londres, onde achava que tudo era aborrecido, Hannay numa certa noite é abordado por um outro homem que lhe pede auxílio. Franklin Scudder, um jornalista americano descobre um plano anarquista de uma organização secreta em assassinar o primeiro ministro grego em solo Britânico e com isso dar início à guerra que invariavelmente acabou por acontecer. A partir daí a história vai mesmo ganhando contornos bem definidos de uma narração thriller e contra-espionagem, colocando o Richard sempre em posições difíceis onde tem de dar azo às suas habilidades de “desenrascanço”, essa para mim foi mesmo a melhor parte da história e deixo aos “leitores” descobrirem o resto.
O jogo está dividido por capítulos, que podemos ir revisitando sempre que quisermos.
O jogo mistura diferentes conceitos de “jogabilidade”. É uma adaptação interactiva de um livro, onde o jogador apenas tem o papel de clicar e fazer alguns movimentos com o rato. Em certas partes apenas temos texto para ler, mas sempre com belos backgrounds e sons ambiente por trás, noutras partes ouvimos os diálogos das personagens e por vezes temos algumas componentes mais de exploração de point and clicks. Nessas situações temos um background estático, onde alguns objectos podem ser explorados de forma a obtermos informação adicional. Esses objectos clicáveis ganham um relevo luminoso com o passar do tempo para facilitar a vida ao jogador. Embora não seja obrigatório explorar esses elementos (podemos simplesmente clicar em “Done” e prosseguir com a história, trazem sempre alguma informação extra que nos pode ser útil para melhor compreender a história. Seja observar correspondência, recortes de jornais com notícias relevantes ou outros. De resto em alguns momentos é-nos requerido que desenhamos com o rato algumas acções. Coisas simples como abrir uma porta ou janela, o jogo pede que descrevamos com o rato linhas de movimento, sejam rectas ou círculos, com a imagem de fundo a mudar de acordo com o movimento que fizemos. Não é algo que seja muito importante para o jogo, mas é um atributo interessante.
Os backgrounds estão muito bem feitos, assim como os barulhos e música ambiente que nos transportam de forma convincente para 1914
De resto, como já referi o jogo apresenta um artwork muito bem feito, e em conjunto com a música ambiente, os barulhos e os diálogos muito em tom da época tornam esta “simples” adaptação de um livro em um pseudo-jogo muito agradável de se jogar. Para mim é daqueles jogos perfeitos quando queremos relaxar e “jogar” algo com uma boa história, mas que também não nos dê muito trabalho. O voice-acting está bastante bom, e mesmo com legendas vi-me um pouco aflito para entender as palavras de uma ou outra personagem escocesa, mas mesmo isso faz parte do “charme” deste The 39 Steps.
A série Medal of Honor foi um marco importante no panorama dos videojogos, pelo menos pela lufada de ar fresco que deu aos FPS, lançando um produto que apesar de não ser o mais realista possível, tem uma componente histórica de grande interesse, pelo menos para mim. Claro que o sucesso dos primeiros jogos fizeram com que mais empresas lançassem FPS com a temática da Segunda Guerra Mundial (Call of Duty ou Brothers in Arms por exemplo), saturando o género ao fim de alguns anos. Mas não interessa. Este Allied Assault foi o primeiro jogo da série a ter saído nos PCs, e foi o primeiro jogo da série que eu joguei, lá nos idos de 2002/2003. Apenas no ano passado é que vim a ter o jogo na minha colecção, com esta edição Deluxe que também inclui a primeira expansão, a Spearhead, e um CD bónus com a banda sonora e uns quantos vídeos, incluindo o making-of. Foi comprada na cash converters do Porto por menos de 2€.
Jogo completo com caixa, manuais e 4 discos
Neste jogo tomamos controlo de mais um membro das OSS (Office of Strategic Services), uma espécie de serviços secretos americanos, onde os seus agentes participavam em operações de infiltração nas linhas inimigas e sabotagem. Desta vez a personagem que jogamos é o Tenente Mike Powell, ao longo de várias missões em diferentes teatros de guerra. Vamos então poder visitar bases militares na Algéria, na Noruega gelada onde os U-boats estavam a ser preparados, o famoso desembarque na Normandia, entre outros locais tanto urbanos como militares.
Antes de entrar no jogo podemos ir para o campo de treinos aprender as mecânicas envolvidas
A jogabilidade é algo parecida com a dos Medal of Honor da PS1, embora os controlos com rato/teclado sejam muito melhores, naturalmente. Neste jogo ainda não havia o já habitual aiming down the sights, a menos que tivéssemos em posse de uma sniper rifle. A regeneração de vida ainda era feita através de medkits e apesar de ter autosave points, podíamos fazer save game a qualquer altura, não havendo checkpoints chatos. Bons tempos. Ainda assim foram introduzidos vários elementos novos de jogabilidade também. Em algumas missões temos alguns NPCs a acompanharem-nos, que obviamente também teremos de os proteger (detesto escort missions), mas também nos ajudam nos tiroteios. Uma das coisas que eu não me lembrava mesmo de acontecer, pelo menos da primeira vez em que joguei este jogo lá para 2002/2003, é o facto dos snipers inimigos estarem tão bem escondidos. Existem níveis em que o sniping é o prato do dia, e tive imensas dificuldades em encontrar de onde vinham os tiros mesmo. Talvez como utilizei uma resolução customizada as coisas não tenham ficado tão visíveis. Mas adiante, existem outros níveis com uma maior componente de stealth e infiltração pura, onde usamos pistolas com silenciadores e vamos tendo de roubar uniformes e “papers” para mostrar a outros guardas. Isto já tinha sido feito logo no primeiro Medal of Honor, mas voltou a ser utilizado aqui. Por fim, a outra grande novidade está mesmo na condução de tanques, existe uma missão em particular em que roubamos um Tiger I ao exército alemão e depois andamos para lá a semear o terror.
O desembarque da Normandia é uma das batalhas mais icónicas de toda a guerra
Para além da campanha single-player, que se encontra dividida em 6 missões principais, sendo que cada uma possui 3 ou 4 sub-missões, temos também vários modos de jogo no multiplayer, não fosse este um FPS para o PC. No entanto os modos de jogo multiplayer por norma não são lá muito originais. Existem variantes do deathmatch (free-for-all, team, e round based, onde não há respawn de jogadores até ao final da ronda) e existe um “objective based” que é muito inspirado em Counter Strike, onde um lado precisa de colocar bombas em locais específicos e o outro terá de o defender. Mas como este Allied Assault foi um jogo de sucesso, existem vários mods que oferecem outros modos de jogo no multiplayer, mas isso já sai fora do scope desta análise.
Em algumas missões o stealth é mesmo o mais recomendado
Graficamente é um jogo que tem uns bons visuais, para os padrões de 2002. Utiliza uma verão modificicada do motor gráfico id Tech 3, o mesmo de Quake 3 Arena ou Return to Castle Wolfenstein. As armas, uniformes e veículos militares estão bem representados, assim como os cenários no geral. As vilas em ruínas, os bunkers e as metralhadoras colocadas em locais estratégicos dão sempre um feeling especial num jogo que tenta retratar uma época muito conturbada da história do século XX. O voice acting está ok, a voz que faz de narrador parece-me ser a mesma dos jogos da Playstation e ainda há algumas referências à Manon do Medal of Honor Underground. Como não poderia deixar de ser, as músicas épicas continuam excelentes, apesar de ter reconhecido algumas dos jogos anteriores da PS1.
Neste jogo, para além de destruir tanques, também podemos conduzir um
Para além do jogo normal esta edição Deluxe inclui também a expansão Spearhead, a primeira de duas expansões que sairam para este Allied Assault. Na Spearhead encarnamos no papel de Jack Barnes, pertencente ao grupo da divisão 1o1 de páraquedistas norte-americanos, um grupo militar referenciado em muitos outros jogos deste género. O jogo possui 3 missões, que cobrem diferentes batalhas cruciais na 2a guerra mundial: novamente a invasão da Normandia, a batalha das Ardenas, e o assalto final a Berlim, em conjunto com o exército soviético. É uma óptima expansão repleta de conteúdo, que nos faz pensar 2x antes de pagar full price por qualquer DLC de hoje em dia.
É pena que a série Medal of Honor tenha ido para o galheiro após o Warfighter. Gostava de ver um novo episódio da série e reviver todas estas batalhas num HD glorioso. Este Allied Assault é um bom jogo, embora tenha as mecânicas mais old-school e viva num mundo de fantasia de “one man-army” a maior parte do tempo, dá perfeitamente para nos divertirmos.
Uma pena. É o que se resume para mim este jogo. Com tanto potencial ao dar seguimento à história de um dos meus filmes preferidos, ver todas as novelas que o jogo passou e jogar este produto inacabado é realmente uma pena. Long story short, em 2001 a Fox Interactive anunciou um FPS com este nome para a Playstation 2, que nunca chegou a sair. A Sega eventualmente comprou a licença dos Aliens em 2006, e um novo Aliens Colonial Marines foi logo anunciado, com o seu desenvolvimento a cargo da Gearbox, empresa responsável pelo lançamento de expansões do Half-Life, a série Brothers in Arms e posteriormente o Borderlands. Uma empresa com provas dadas dentro do ramo dos FPS. Entretanto houve muitos adiamentos e supostos cancelamentos, com o jogo a sair finalmente no início de 2013. Por essa altura veio-se a descobrir que a Gearbox estava a utilizar parte do financiamento da Sega para desenvolver o Borderlands, e quando a Sega o descobriu, cancelou temporariamente o jogo. Essa polémica fez com que tivessem havido alguns despedimentos na empresa em 2008 e o jogo tenha sido outsourced para outros estúdios menores, sendo essa a grande razão por todos os seus atrasos e por o jogo ter saído como um produto apressado e inacabado. A minha cópia entrou na minha colecção algures no final do ano passado de 2013, sendo a edição de coleccionador, comprada na loja nortenha Gamingreplay por 15€.
Edição de coleccionador do Aliens Colonial Marines
O jogo decorre depois dos acontecimentos do filme Aliens e Alien 3, com os Space Marines a bordo da nave USS Sephora a deslocarem-se à USS Sulaco do segundo filme que estava misteriosamente de volta em órbita do planeta LV-426, após Ripley, Newt e Hicks terem sido ejectados para o planeta Fury 161 como tinha sido visto no Alien 3. Ou se calhar não foi bem assim, mas vou guardar o spoiler. Quando os Marines atracam na Sulaco descobrem uma infestação de aliens e um grupo para-militar contratado pela Weyland Yutani que estava a controlar a USS-Sulaco e utilizar os marines como hospedeiros dos aliens. Após um combate entre as duas naves, ambas caem sobre LV-426 e o jogador (um space marine chamado Winter) em conjunto com os seus companheiros começam a explorar o planeta, revisitando a colónia de Hadley’s Hope, as ruínas da nave alienígena do filme Alien, o Oitavo Passageiro, entre outros locais, descobrindo que a Weyland Yutani estava a fazer das suas.
Jogo com caixa, manual e papelada
A jogabilidade do modo campanha é a de um simples FPS linear. O jogo está dividido em vários níveis/missões, onde temos de cumprir uma série de objectivos, geralmente ir do ponto A ao ponto B e ver o que se passa, activar ou desactivar alguma coisa, resgatar algum Space Marine ou simplesmente matar tudo o que mexa. O facto de o jogo ser linear é algo que eu compreendo, pois o objectivo é tentar aproximar-se o melhor possível de um filme de acção, tal como Aliens o foi em 1986. Para além dos tiroteios habituais e dos momentos já algo clichés de “last stand” onde nos temos de defender de várias waves de aliens, existem também 2 momentos onde tentam incutir uma vertente mais stealth, mas sem grande sucesso. O primeiro desses momentos é quando estamos desarmados e temos de atravessar os esgotos da colónia e nos deparamos com uma espécie de cemitério de aliens, onde uma nova raça dos xenomorfos estão adormecidos no meio dos seus cadáveres. Estes aliens são cegos, porém muito sensíveis ao som, pelo que temos de fazer o mínimo ruído possível. O segundo momento é quando nos pedem para limpar o sebo a uns quantos cientistas/soldados nos laboratórios da Weyland Yutani sem que eles activem um alarme, coisa que só resulta bem se jogado em cooperativo.
Restante da papelada que veio junto do jogo
Isto porque o jogo está repleto de defeitos, muitos desses defeitos mais grosseiros foram corrigidos com o lançamento de patches, mas ainda há muito lixo a pairar no código. Em primeiro lugar, ainda bem que não existe friendly fire, senão os nossos companheiros morriam muito facilmente. A inteligência artificial é muito má, os nossos companheiros ficam frequentemente presos a um local e já me aconteceu por várias vezes eles não me acompanharem, deixando-me inteiramente por minha conta até que chegasse a um local onde a sua presença era obrigatória e magicamente se teletransportavam para o meu lado. Os próprios inimigos por vezes também ficam presos a um sítio, tornando-se presas fáceis.
Já me aconteceu várias vezes os aliens simplesmente desaparecerem do ecrã, ou até atravessarem um vidro. Felizmente podemos jogar a aventura singleplayer cooperativamente com até mais 3 amigos, tornando a coisa menos intragável. Não aponto grandes problemas para os controlos, são simples e funcionais, embora quando tivemos de controlar o power-loader, esses poderiam ter sido melhor implementados.
Estátua que vem na CE.
O jogo tem um vasto armamento, com várias pulse-rifles como nos filmes, shotguns, revólveres, lança-chamas, rockets ou mesmo a smart-gun com o seu auto-aim dentro de uma certa área. Podemos carregar uma arma primária, uma secundária e um revólver com munição infinita, para além de um certo número de granadas e munições secundárias para certas armas. Ao longo do jogo podemos encontrar algumas armas “lendárias”, como a shotgun de Hicks, ou o revólver Gorman, armas directamente retiradas do filme Aliens. Para além desses extras temos outros coleccionáveis, como dogtags dos colegas Marines ou audio logs. Para além dos achievements do jogo, existem também uma série de achievements internos que nos dão pontos de experiência. Esses pontos de experiência, que são ganhos com cada kill e assist ao longo do jogo, ou com os coleccionáveis que encontramos, servem para aumentar o nosso rank. Piscando o olho a Battlefield ou outros shooters militares modernos, vamos desbloqueando uma série de novas armas e vamos podendo-as customizar à nossa medida, com novas miras, munições secundárias, novas skins ou outros acessórios.
Os quick-time events estão de volta, mas felizmente são apenas ocasionais
Para além do modo campanha que pode ser cooperativo, temos também a vertente multiplayer do jogo que eu não cheguei a experimentar, pelo que não me vou alongar. Existe um team deathmatch e um modo de jogo chamado Escape, onde os Marines têm de sobreviver e alcançar um evac-point para escapar e os Aliens naturalmente terão de impedir que isso aconteça.
Passando para o audiovisual, Aliens Colonial Marines não possui a mesma qualidade gráfica de um Crysis, tem texturas de baixa resolução e modelos com poucos polígonos, no entanto acho que cumpre os requisitos mínimos. Adorei a maneira “high-tech dos anos 80″ com que conseguiram recuperar a atmosfera do filme Aliens, com todo o equipamento electrónico com os monitores CRT e todos aqueles botões quadrados. A HUD (informação passada no ecrã) é como se estivéssemos dentro de um gravador de vídeo em VHS, as letras têm o mesmo estilo dos ecrãs LCD da época e a própria imagem do jogo tem um filtro gráfico que se assemelha mesmo à qualidade de uma fita VHS. É um pormenor que achei muito interessante (não tenho dúvidas que tenha sido utilizado para mascarar os gráficos) e pelos vistos pouca gente reparou no mesmo. Mas se passarmos para os diálogos… bom esses são realmente maus e bastante clichés. É pena porque a história como um todo até faz algum sentido. Ainda assim, e voltando à história, o DLC Stasis Interrupted conta o porquê da USS Sulaco estar de volta a LV-426 e o porquê de outras coisas. É pena que não tenha feito parte do pacote do jogo.
Podemos jogar cooperativamente com mais alguns amigos
No fim de contas, confesso que não desgostei de todo do jogo. Para quem é fã da saga Aliens certamente irá encontrar alguns bons momentos na história. O facto de graficamente não ser o melhor jogo de sempre não é algo que me incomoda assim tanto. Na minha opinião o pior são mesmo os imensos bugs existentes e a inteligência artificial que é péssima, bem como os diálogos do jogo que são cheesy até dizer chega. É um jogo que tinha um enorme potencial de relançar finalmente a saga Aliens para a ribalta (após Prometheus ter dividido muitas opiniões), mas quando jogamos algo onde é bem notório que é um produto inacabado e apressado, para mim é mesmo esse o grande problema de Aliens Colonial Marines. Ponho fé na Creative Assembly para o Alien Isolation.
Shadowrun é uma franchise de culto. Originalmente um jogo de tabuleiro, misturando conceitos futuristas cyberpunk com elementos de fantasia como dwarfs, elfos e magia. O sucesso do jogo de tabuleiro gerou vários livros, jogos de cartas ou claro está videojogos. E de entre os videojogo dispomos de 2 RPGs ocidentais distintos entre si, um para a SNES e um outro para a Mega Drive. Existe também um jogo mais peculiar para a Mega CD que apenas saiu no Japão e desde 1994 que nunca mais se ouvir falar da série. Até que a FASA, empresa mítica responsável por imensos jogos da série Mechwarrior decidiu pegar na franchise. Os ânimos exaltaram-se imenso, mas foi sol de pouca dura quando se descobriu que o novo Shadowrun seria nada mais nada menos que um FPS multiplayer. O Shadowrun entrou na minha colecção no final do ano passado, numa das promoções feitas pela FNAC. Custou-me apenas 1 (um) euro.
Jogo completo com caixa, manual e papelada
Inicialmente o jogo era para ter uma campanha single-player a acompanhar o multi, mas infelizmente a Microsoft decidiu mandar isso pelo cano devido a “falta de recursos”, pondo assim toda a carne no assador do multiplayer. Ainda assim existe um contexto de história que decorre em background, sendo observada quando jogamos as missões de treino, onde assistimos em primeiro a uma cutscene que nos vai contextualizando do conflito existente. No entanto, não é uma história que faça parte oficial do cânone da saga. Essencialmente é-nos dito que a magia no mundo passa por um processo cíclico, surgindo apenas de 5000 em 5000 anos, voltando ao mundo em 2012. Mas é na cidade de Santos no brasil que o foco maior de magia se deu, e uma multinacional milionária de nome RNA decidiu investigar o fenómeno. Após um acidente com a utilização da magia ter dizimado a cidade brasileira, as coisas começaram a ficar piores, com a RNA a tomar controlo da cidade e uma legião de rebeldes, os Lineage, começaram a combater a RNA de forma a tornar o uso da magia livre.
A healing tree é uma habilidade muito útil, porém tanto pode curar os nossos companheiros como os adversários
Apesar de este Shadowrun ser um jogo com pouco conteúdo, nomeadamente poucos mapas e modos de jogo, tem algo de bom: a boa divisão de raças, e as diferentes builds que podemos construir, com uso a várias armas, técnicas e magias. Començando pelas raças, temos os humanos, uma raça “all-around”, sem grandes pontos fracos. Os dwarfs como sempre baixinhos e barbudos, são uma raça cuja habilidade para além de ser uma grande resistência a headshots, absorvem a Essence (leia-se mana) de tudo o que seja mágico à sua volta, desde a mana dos inimigos, dos companheiros de equipa e de outros objectos. Os elfos são uma classe com pouca saúde, porém são bastante ágeis e capazes de regenerar a sua vida se não receberem dano. São assim uma raça ideal para builds mais ninjas. Por fim temos os trolls, os “grandes bichos” do jogo. Os Trolls possuem a maior barra de vida e as suas defesas vão sendo cada vez mais fortes consoante o dano que vão recebendo. No entanto chega a um ponto que a sua mana termina e acabam por ficar vulneráveis. Nos 3 diferentes modos de jogo (que irei detalhar melhor em seguida), o jogo começa como uma partida de Counter Strike, onde a cada round vamos poder comprar armas, techs ou feitiços. E é aí que o jogo até tem alguma piada. Se morrermos, tal como no Counter Strike passamos o resto da partida como espectador, a não ser que um companheiro de equipa tenha o feitiço de resurrection e nos ressuscite. Mas a nossa presença no jogo está completamente dependente da pessoa que nos ressuscitou, pois caso ela morra, nós iremos morrer novamente.
Os trolls endurecem a sua pele para se protegerem do dano, mas isso usa mana
Existe então uma panóplia considerável de feitiços e apretechos técnicos que podemos comprar, embora só possamos equipar 3 de cada vez. Dos feitiços temos a tree of life, onde podemos gerar uma árvore que nos cura todos os jogadores que se aproximem da mesma (óptima para utilizar como barreira também), o resurrect que já foi falado, outros mais defensivos como o gust que empurra os outros jogadores para trás, ou o strangle, que gera uma parede de cristais mágicos que abrandam e provocam dano a qualquer jogador que se aproxime deles. O smoke torna-nos parcialmente invisíveis e resistentes a qualquer dano (excepto do feitiço gust), o teleport é auto explanatório e por fim temos o summon que nos permite invocar um minion para a arena. A utilização destes feitiços está sempre dependente da quantidade de mana que temos, pelo que tem de ser disciplinada e bem pensada. As techs também utilizam a nossa mana (excepto se formos humanos), e consistem em gliders que nos permitem planar, o enhanced vision que nos permite ver através de paredes e localizar inimigos, o smart link que nos dão zoom às armas, aumentam a precisão dos tiros e não nos deixam dar dano aos nossos companheiros, são alguns dos exemplos. Obviamente que também temos as armas do costume como revólveres, shotguns, vários tipos de metralhadoras, explosivos ou armas melee e isto tudo junto oferece ao jogador e equipa boas possibilidades de customização e estratégia.
Antes de nos mandarmos para combates a sério, podemos cumprir um tutorial de 6 capítulos que nos explicam as mecânicas de jogo
Isto é o ponto forte deste Shadowrun, pena que tudo o resto seja mauzinho. Os modos de jogo disponíveis não são nada de especial e o mesmo se pode dizer dos mapas que são poucos. O Extraction é um Capture the Flag, onde cada equipa tem de roubar o artifact da equipa adversária e trazê-lo à sua base. No Raid temos sempre uma equipa que defende o seu artifact (os RNA) e os Lineage que o tentam roubar e levá-lo a um extraction point. Por fim temos o Attrition que é um team deathmatch. A jogabilidade em si, falando na versão PC não é nada de especial. Este jogo teve um grande marketing sobre o facto de ser inteiramente crossplay, permitindo a jogadores de X360 e PC jogarem as mesmas partidas. Foi também o mote de lançamento para o Games for Windows Live que começou mal e porcamente. Agora, num FPS onde jogadores com teclado e rato jogam contra gamepads, os jogadores de PC sairiam muito beneficiados. Assim, para balancear as coisas a FASA/Microsoft decidiu incluir algum auto-aim para quem usa gamepad e retirar alguma precisão a quem controla com teclado e rato. Bollocks to that.
Graficamente, com o jogo a decorrer no brasil não deixa de ser interessante em ver alguns grafittis revolucionários com mensagens escritas em português, no entanto os gráficos não são nada de especial. As personagens estão bem detalhadas, o mesmo não se pode dizer das arenas que possuem texturas simples. Devo dizer até que a versão X360 apresenta alguns efeitos gráficos superiores à versão PC, coisa que não se percebe, A FASA também foi preguiçosa ao não ter trocado nada do overlay gráfico da interface do jogo, com os botões do comando da X360 a povoarem todo o ecrã nos menus. As músicas e efeitos sonoros também não são bons de todo.
O artefacto, objecto azul na foto, é elemento central em 2 dos modos de jogo.
No fim de contas, este Shadowrun é mais um exemplo de como não se deve pegar numa franchise de culto e transformá-la num FPS só porque é um estilo de jogo que esteja na moda. O que resultou brilhantemente em Metroid Prime, não quer dizer que resulte em Syndicate ou neste Shadowrun. Ainda assim gostei do sistema de classes, feitiços e afins, reconheço até que haveria algum potencial para o jogo, mas certamente que não nestes moldes.