Star Wars: Knights of the Old Republic (PC)

Já há algum tempo que não pegava num western RPG e nesta semana de férias que tive aproveitei finalmente para o fazer. E à terceira foi de vez, foi desta que terminei o Star Wars: Knights of the Old Republic, da Bioware. A primeira vez que lhe peguei foi não muito depois de o jogo ter saído para as lojas, creio que ainda durante o ano de 2004. Não tinham passado tantos anos assim desde que comecei a gostar de RPGs, pelo que a possibilidade de jogar um RPG no universo Star Wars era algo que me fascinava. Mas pouco depois de o começar apercebi-me de algo que os RPGs ocidentais fazem muito bem: a não linearidade na sua progressão e as múltiplas escolhas que nos levam a caminhos diferentes. Ora como eu sempre estive habituado à linearidade que caracterizava os JRPGs, estes novos conceitos eram selvagens demais para mim nessa altura e acabei por encostar o jogo. Tentei novamente começá-lo no ano passado mas encontrei alguns problemas técnicos ao tentar corrê-lo numa máquina mais recente e depois de os resolver, outras prioridades meteram-se no caminho. Esta semana pensei seriamente em começar o Cyberpunk 2077, mas depois lembrei-me que ainda tinha este Star Wars instalado no disco, pelo que foi mesmo desta. O meu exemplar já foi comprado há cerca de 10 ou mais anos atrás, não me recordo onde nem quanto custou, mas foi muito barato.

Jogo com caixa, manual e vários discos

A história deste jogo leva-nos uns 4000 anos antes dos eventos dos filmes, onde os Sith, liderados pelo Darth Malak, iniciam uma nova guerra contra a República. Nós encarnamos numa personagem anónima e como é normal em jogos deste género, começamos a aventura precisamente a construir a nossa personagem, tanto esteticamente, como escolhendo quais as classes, stats e skills associadas. Uma vez construida a nossa personagem, somos levados para a acção: descobrimos que viajamos numa nave da república e que a mesma está a ser invadida por forças dos Sith. Ao combatê-los, iremos encontrar outros sobreviventes e eventualmente entrar num veículo salva-vidas, que se acaba por despenhar num planeta próximo. A nossa missão passa então a ser a de salvar Bastila, uma poderosa Jedi que se encontrava na mesma nave connosco. Uma vez salva, iremos acabar por percorrer a Galáxia em busca de uma tecnologia antiga que nos possa dar vantagem para combater esta nova ameaça dos Sith.

Bastila. A Jedi que temos de salvar no início do jogo. Quaisquer semelhanças com a princesa Leia são mera coincidência.

O sistema de combate é bastante interessante, na medida em que vamos poder trazer connosco dois NPCs para nos auxiliar no mesmo (à medida que vamos avançando no jogo iremos desbloquear muitos mais) e o combate propriamente dito tem a flexibilidade de se tornar totalmente por turnos, ou em tempo real. Nas opções por defeito, a acção pausa sempre que estamos prestes a entrar num combate e aí poderemos decidir, para cada personagem da nossa party, quais as primeiras acções que queremos que cada desempenhe, seja diferentes tipos de ataque a algum inimigo em específico, utilizar itens ou poderes da Força. Uma vez escolhidas as acções iniciais basta pressionar a tecla de espaço para a acção se começar a desenrolar e qualquer momento poderemos voltar a pausar a acção para melhor posicionar as nossas personagens ou escolher as suas acções específicas. Os NPCs que nos acompanham também podem ser customizados para tomarem algumas acções de forma automática, mas confesso que não perdi muito tempo com isso. Já no que diz respeito aos poderes da Força, iremos ter vários Jedi que nos acompanham e a nossa própria personagem também se irá transformar num, pelo que estes poderes serão parte integral da jogabilidade e da evolução das nossas personagens Jedi.

Este andróide é hilariante. Perfeito para quem quiser seguir os caminhos dos Sith na sua aventura.

À medida que vamos avançando no jogo iremos também encontrar, comprar/vender e até melhorar muito equipamento que poderá ser utilizado pelas nossas personagens, dependendo claro da classe de cada uma. E claro, certas aptidões podem ser úteis em determinadas situações. Há personagens com maior aptidão para desbloquear certos mecanismos electrónicos, como portas ou baús que escondem tesouros que nos poderemos apropriar. Mas outras personagens podem simplesmente destruir esses obstáculos. De resto, à medida em que exploramos dungeons poderemos encontrar certos terminais que, depois de interagidos, nos permitem activar/desactivar armadilhas para evitar certos combates. Alguns andróides podem também serem reparados e reprogramados para nos ajudarem a explorar alguns locais, por exemplo.

Visualmente o jogo está muito bom para o ano de 2003. Os cenários são bastante distintos entre si e todas as customizações que fazemos às personagens se reflectem no seu aspecto.

Confesso que já não sou um grande fã de Star Wars (Dune mudou isso por completo), mas até achei a história deste jogo bastante interessante. Muitas quests, sejam elas mandatórias ou não para a progressão do jogo, possuem diferentes maneiras de serem executadas e as escolhas que vamos fazendo aqui e ali vão ditando se vamos pender para o lado bom ou mau da Força e claro, existem finais e progressões da história distintas para cada um dos caminhos que vamos escolhendo. Tipicamente para pontuar no lado negro da força teremos de usar violência, intimidação, ou corrupção, enquanto que no lado bom teremos de ser muito mais pacifistas e diplomatas, embora nem sempre seja possível fugir ao combate (e ainda bem!). Por exemplo, por vezes pedem-nos para ajudar pessoas numa situação complicada e podemos chegar lá e matá-los a todos, ou então ajudar de facto o que pode ser um pouco mais complicado, mas perfeitamente possível. No entanto, tirando o julgamento de um certo velhote, as escolhas que teremos pela frente são muito “preto e branco” e não os tons de cinzento que outras séries (por exemplo The Witcher) nos trazem. De resto, todas as personagens que nos acompanham possuem histórias interessantes e à medida que os vamos conhecendo e explorando novos planetas iremos também desbloquear algumas sidequests alusivas ao passado de cada um.

As escolhas que vamos fazendo vão-nos levar para o lado bom ou mau da força, o que por sua vez nos pode também levar a finais distintos.

A nível audiovisual sinceramente acho este um jogo bem conseguido tendo em conta que é um lançamento de 2003. Existe uma boa variedade de cenários a explorar e inúmeras raças com as quais vamos interagir, muitas delas com dialectos próprios. E é aqui onde o jogo mais me impressionou. Todos os diálogos possuem voice acting, seja em inglês, seja num de muitos dialéctos alienígenas que iremos ouvir. A banda sonora é boa e repleta de músicas mais orquestrais como a série Star Wars nos habituou. No que diz respeito às personagens em si que vamos encontrando, até que existe alguma variedade nas mesmas, mas sendo este um RPG algo vasto, vamos acabar por interagir com personagens com caras muito semelhantes entre si. De resto bons gráficos para um jogo de 2003, embora eu tenha tido bastantes problemas em o conseguir correr numa máquina recente. Supostamente o motor gráfico do jogo não se dá bem com placas gráficas AMD, o que é uma pena. Mesmo depois de resolver alguns problemas iniciais, assim que aterrei no planeta de Dantooine comecei a ter vários artefactos gráficos em cenários mais abertos que me levavam ao jogo a ir abaixo frequentemente. Tive então de ressuscitar o meu velhinho portátil de 2011 para o conseguir terminar, já que este possui uma gráfica integrada com chipset nvidia. Até existe uma comunidade considerável para mods e patches e provavelmente alguns até me poderiam resolver alguns problemas, mas quis uma experiência o mais próximo possível do original, pelo que acabei por não instalar quaisquer packs de texturas novas e afins.

Portanto até que gostei bastante deste Knights of the Old Republic, apesar dos problemas técnicos que enfrentei ao tentar corrê-lo num sistema mais recente. O jogo foi originalmente lançado também para a primeira Xbox, cujas consolas suas sucessoras o correm também através de retro compatibilidade e em Novembro de 2021 sai também uma versão para a Nintendo Switch, pelo que poderão ter também essas versões em consideração. Também em 2021 foi anunciado um remake para a PS5 (e posteriormente para outros sistemas), mas aparentemente existem graves problemas no seu desenvolvimento pelo que actualmente não se sabe bem se isso algum dia se irá materializar. De resto temos também uma sequela, esta já desenvolvida pela Obsidian e supostamente, apesar de partilhar o mesmo motor gráfico, é nativamente mais compatível com sistemas recentes devido a um relançamento digital em 2015. Veremos!

Shadowgate (2014) (PC)

Há já bastante tempo que não tenho escrito cá nada, pois ultimamente o meu tempo livre tem sido bastante reduzido e um dos videojogos que tenho vindo a jogar nas últimas semanas ainda está consideravelmente longe de ser terminado. Entretanto, aproveitei também para jogar um título que já tinha em backlog na minha conta steam há bastante tempo e até já o terminei há uns 4/5 dias, mas apenas agora consegui escrever algo sobre o jogo em si. E claro que me estou a referir a este remake do Shadowgate, cuja versão Game Boy Color já cá trouxe no passado e por sua vez era um port da versão NES. Este remake de 2014 é fruto de uma campanha bem sucedida de Kickstarter e foi produzido pela Zojoi, empresa formada por ex-funcionários da ICOM e que por sua vez tinham adquirido os direitos da série. O meu exemplar sinceramente não me recordo como veio parar à minha conta steam, mas foi seguramente muito barato.

Tal como no Shadowgate original, nós controlamos um guerreiro com uma missão ingrata: a de se infiltrar num castelo repleto de armadilhas e travar os planos de um feiticeiro de ressuscitar uma poderosa entidade maléfica. O conceito do jogo permanece fiel ao original, esta é então uma aventura gráfica onde cada acção é um turno, o castelo está repleto de armadilhas e cada passo errado poderá resultar numa morte lenta e dolorosa. Na verdade, isso vai depender um pouco do nível de dificuldade escolhido. O “normal” é na verdade o modo easy, onde as nossas tochas nunca se extinguem, os cenários onde podemos morrer são escassos e os puzzles possuem soluções mais simples. Ao escolher a dificuldade classic e a partir daí o modo apprentice, journeyman ou master vamos ver a dificuldade a aumentar, não só na quantidade e complexidade de certos puzzles, bem como o número de turnos para certas acções serem mais curtos, já para não dizer que teremos cada vez mais e mais maneiras de morrer.

Tal como nas versões clássicas, o perigo espreita em cada esquina e uma decisão errada resulta na nossa morte.

A nível de jogabilidade, apesar de a interface ser nova, as mecânicas são similares ao lançamento original. Temos toda uma série de acções possíveis de executar como observar, falar, comer, bater, equipar, usar, entre outras sempre que clicamos em alguma parte interactiva dos cenários. Ou então poderemos utilizar toda uma série de teclas de atalho para as mesmas acções como U para usar (O para abrir/destrancar, L para observar e por aí fora) e depois é só clicar no alvo onde queremos executar essa acção em si. Poderemos gravar o progresso no jogo a qualquer momento e em vários slots distintos, o que é recomendável pois o castelo está mesmo repleto de inúmeras armadilhas e a morte espreita em cada recanto. E isso é mesmo uma das partes mais divertidas deste jogo! De resto, infelizmente só me apercebi desta funcionalidade quando já estava muito próximo do final (na dificuldade master), que é a opção entre alternar por gráficos “modernos” e outros old-school, com o simples pressionar de uma tecla, o que me apercebi por completo acidente.

O remake tem um interface novo, mais moderno onde ao clicar nalguma região do ecrã, surge um anel com os ícones com as acções possíveis.

A nível audiovisual, vou-me focar então nos seus gráficos normais. Como é habitual em jogos de aventura deste género, vamos tendo então toda uma série de cenários algo estáticos e estes vão sendo consideravelmente diversos entre si, pois começamos por explorar as caves, só depois o castelo em si e as suas torres, passando também por um complexo sistema de cavernas já na recta final do jogo. Visualmente os cenários parecem-me inspirados em pinturas, o que não é nada mau. Alternando para os visuais retro, na verdade estes nada têm a ver com o que eu esperaria de uma funcionalidade deste género neste jogo em específico. Isto porque ou esperaria ver arte monocromática como no Shadowgate original de Macintosh, ou a pixel art 8bit da sua versão NES. Aqui o que temos são visuais pixel art mais próximos das aventuras gráficas de PC da primeira metade da década de 90. Mas, tal como referi acima, não me posso alongar muito pois apenas descobri esta funcionalidade já bastante próximo do final do jogo e não o queria jogar uma quinta vez (sim, fiz todas as dificuldades). De resto, a nível de som, o jogo é acompanhado por uma banda sonora que tanto nos apresenta melodias algo discretas e ambientais, como outras mais orquestrais e por vezes até bastante tensas, como acontece quando a nossa tocha se está prestes a extinguir. Ocasionalmente vemos algumas cutscenes animadas que avançam na história e todas essas possuem um voice acting bastante competente.

Aqui está um ecrã que iremos ver vezes sem conta!

Posto isto, devo dizer que apreciei bastante este remake do Shadowgate original. A sua primeira sequela, Beyond Shadowgate, é um lançamento exclusivo da Turbo CD, um sistema que teve uma presença practicamente inexistente no mercado americano e tendo em conta que o jogo não chegou a sair no mercado japonês, onde a PC Engine CD teve muito maior sucesso, acabou por passar despercebido a muita gente. E depois de eu ter terminado este remake apercebi-me que a Zojoi lançou uma outra campanha kickstarter para um remake desse jogo e supostamente será baseado no design original que haviam planeado para a versão NES e muito diferente do que a versão TurboCD se tornou.

Four Last Things (PC)

Vamos voltar às rapidinhas para este Four Last Things, uma aventura gráfica bastante original na medida em que se baseia integralmente em pinturas renascentistas para os seus cenários e personagens. Se o conceito não vos é estranho, poderá ser pelo facto de eu já cá ter trazido o The Procession to Calvary há uns meses atrás. Este Four Last Things foi o jogo que o precedeu, embora não exista até ao momento qualquer lançamento físico ao contrário da sua sequela. Há uns meros dias atrás recebi uma notificação do steam que o jogo estava com uma promoção interessante e lá o acabei por “comprar”, recorrendo ao saldo que ainda tinha na conta.

Como já cá falei do The Procession to Calvary, não me sobra muito por dizer visto que este jogo utiliza os mesmos conceitos: é uma aventura gráfica do estilo point and click onde navegamos por uma série de cenários, todos baseados em pinturas renascentistas, acompanhados por música da mesma época e complementado com história repleta de bom humor. Aqui controlamos um viajante “The Immortal John”, onde depois de acordar de um pesadelo que envolve o pecado original (a história de Adão, Eva e a maçã) decide visitar a igreja mais próxima e confessar todos os seus pecados. Acontece que devido a questões burocráticas, como todos pecados foram cometidos noutras dioceses, os bispos locais dizem que não podem aceitar a sua confissão. Dão no entanto a entender um loophole nessa regra: Se John voltar a cometer todos os pecados capitais naquela terra onde se encontra, aí sim já se poderá confessar e será posteriormente absolvido de todos os seus pecados, mesmo que tenham sido cometidos noutras regiões. Portanto o nosso objectivo é simples: temos de cometer ganância, gula, inveja, ira, luxúria, preguiça e orgulho para depois nos redimirmos de todos os pecados.

Cada ecrã é acompanhado de uma música diferente e os seus protagonistas estão visíveis no cenário

Lá teremos então de explorar a zona à volta da igreja onde terão os mais variadíssimos NPCs como gente bêbeda, um pintor de retrato que por acaso é cego, advogados sinistros entre muitos outros. Ao interagir com estes NPCs e coleccionar/combinar objectos vamos poder desencadear uma série de acções e eventualmente cometer todos os pecados mortais. Alguns são bem simples, como é o caso da preguiça. Alguns dos primeiros NPCs que encontramos são uma série de senhorios sem nada para fazer e que estão simplesmente deitados no chão a relaxar. Quando lhes perguntamos se lhes podemos fazer companhia, basta ficarmos deitados no chão uns 30 segundos que o pecado capital é logo desbloqueado. Outros já não serão tão simples assim e obrigam-nos a fazer toda uma série de tarefas até os conseguirmos desbloquear.

Levando o rato até ao topo do ecrã temos acesso ao nosso inventário. Como vejo ali pelo menos um item que não usei, depreendo que certos puzzles possam ter mais que uma solução

Portanto este é um jogo de aventura bastante original e com um bom sentido de humor. É no entanto bastante curto e o seu conceito como um todo foi largamente melhorado na sua sequela, o The Procession to Calvary como já aqui referi. Sendo um jogo tão curto, é uma pena que não tenha sido incluído no lançamento físico da sequela! Entretanto o Joe Richardson tem estado a trabalhar num último jogo que supostamente irá fechar esta trilogia, pelo que o aguardo ansiosamente.

Far Cry 3: Blood Dragon (PC)

Com o sucesso do Far Cry 3, a Ubisoft não perdeu muito tempo a produzir um DLC para o mesmo. No entanto, este Blood Dragon tornou-se em algo tão diferente do jogo base que a Ubisoft decidiu lançar este título como uma expansão standalone, não requerendo o jogo base para a jogar. Lembro-me de o ver várias vezes na extinta Game do Maia Shopping a cerca de 15€ e eu constantemente à espera que o seu preço baixasse dos 10€ para a comprar, mas isso nunca aconteceu, ou quando aconteceu os jogos já tinham desaparecido das prateleiras. Eventualmente adquiri um exemplar digital no cliente PC da Ubisoft (creio que terá sido oferecido pela própria Ubisoft) e para complementar comprei um exemplar físico na vinted por 5€ ainda neste mês de Fevereiro.

Jogo com caixa, póster, manual e disco de banda sonora. Nada mau para uma expansão.

A história deste Blood Dragon nada tem a ver com o Far Cry 3. Pensem neste jogo como uma paródia a filmes de acção e ficção científica dos anos 80, pois este é mesmo uma espécie de visão futurista digna de um filme de acção dos anos 80. Basicamente somos levados ao “futuro” ano de 2007, após uma guerra nuclear que dizimou o planeta. Controlamos um cyborg super soldado do exército americano, Rex “Power” Colt que, juntamente com o seu companheiro T.T. “Spider” Brown se infiltram numa ilha controlada por um outro super soldado (Coronel Sloan) que se havia revoltado contra a sua nação. As coisas não correm bem e eventualmente lá somos ajudados pela assistente do vilão, que não gosta dos planos de destruição do mundo que Sloan tem em mente.

As cutscenes são sequências de imagens quase estáticas

Basicamente pensem num jogo de mundo aberto como o Far Cry 3 e com mecânicas similares mas numa escala consideravelmente menor, com visuais cyberpunk, armas futuristas, dragões que disparam raios laser, humor, sarcasmo e diálogos cheesy dignos de um filme dos anos 80. A ilha está também repleta de vida selvagem, todos eles versões mutantes ou cibernéticas de animais que enfrentamos no Far Cry 3. A grande excepção vai para os blood dragons, criaturas gigantes capazes de disparar raios laser poderosos. Estes são bastante resistentes e que nos vão dar luta se precisarmos de os derrotar, mas o jogo também nos oferece ferramentas para os distrair e conseguirmos passar despercebidos. Por outro lado, estes dragões são também úteis para serem atraídos para bases inimigas que queiramos conquistar. Tal como no Far Cry 3, depois de conquistar bases inimigas ganhamos acesso a algumas missões opcionais, que se resumem a três tipos: assassinar algum alvo inimigo de maior valor, resgatar cientistas reféns e missões para caçar algum animal especial, como é o caso da missão onde temos de destruir 4 tartarugas que vivem num sistema de esgotos, que por sua vez está repleto de caixas de pizza. A quantidade de armas que teremos disponíveis é bem mais reduzida e os seus upgrades vão sendo desbloqueados à medida em que completamos as missões opcionais.

O bom humor começa logo com o tutorial!

Existe também um sistema de skills, mas este é bem mais contido e não temos qualquer hipótese de customização, pois estas vão-nos sendo atribuídas automaticamente sempre que subirmos de nível. De resto, tal como nos outros Far Cry, temos também toda uma série de coleccionáveis para apanhar caso estejamos interessados em fazê-lo, como é o caso de cassetes de VHS ou televisões CRT, tudo isto acompanhado por diálogos sarcásticos do tipo “espero que a seguir não me peçam para apanhar penas ou bandeiras”. Este humor sarcástico é algo que nos acompanha ao longo de todo o jogo: Rex irrita-se com todo o tutorial, que começa de forma brilhante como “carrega em enter para mostrar que sabes ler”, um headshot é frequentemente acompanhado por frases como “now that’s how you play head games” ou “he was… open minded“, enquanto que se matamos alguém com o arco e flecha podemos ouvir “I really stuck it to him” ou “I think he got the point“. Em suma, todo este sarcasmo é algo que eu adoro e foi das melhores coisas que este Far Cry 3 Blood Dragon nos trouxe.

O sistema de skills está muito mais simplificado desta vez

A nível audiovisual o jogo tem os seus méritos pois retrata perfeitamente visuais futuristas imaginados na década de 80, com todas as luzes neon que nos acompanham ao longo do jogo. No entanto está também limitado por reutilizar muitos dos recursos do Far Cry 3. Por exemplo, o jogo decorre todo à noite e num mundo que aparentemente estaria completamente desolado após um inverno nuclear, a ilha está repleta de vegetação, o que não me parece fazer muito sentido. Assim como todas aquelas ruínas de templos orientais que me parecem um pouco fora de contexto neste jogo. De resto nada de especial a apontar visto que utiliza o mesmo motor gráfico do Far Cry 3. As cutscenes que narram a história utilizam uma série de imagens quase estáticas como se um jogo retro se tratasse, mas essas não escalam muito bem para resoluções maiores. A banda sonora é toda composta por música que usa e abusa de sintetizadores (mais um sinal óbvio dos anos 80) o que resulta muito bem e o voice acting é óptimo, particularmente por todo o humor e sarcasmo que já referi anteriormente.

Apesar de todos os visuais cyberpunk, há aqui várias coisas que não fazem muito sentido, como palmeiras num mundo desolado ou estas ruínas que parecem fora de contexto

Portanto este Far Cry 3: Blood Dragon foi uma óptima experiência. Sendo um mundo open world mais reduzido contribui também para ser uma experiência mais curta, mesmo para quem o quiser completar a 100%. Coleccionei todos os coleccionáveis e fiz todas as missões secundárias e mesmo que quisesse platinar o jogo só me faltaria mesmo o achievement de matar 25 Blood Dragons, o que sinceramente não me apeteceu fazer. Gostava no entanto que o jogo não tivesse tido tanta dependência dos recursos utilizados no Far Cry 3, pois toda aquela vegetação não faz muito sentido no contexto. Foi um jogo que deixou algum legado, estando disponível para ser jogado em várias plataformas mais recentes e apesar de não ter uma sequela directa, possui um jogo no mesmo universo onde jogamos com os descendentes do Rex (Trials of the Blood Dragon) e fortemente inspirado numa uma adaptação para Netflix (Captain Laserhawk: A Blood Dragon Remix).

Far Cry 3 (PC)

Nas últimas semanas tenho estado a jogar este Far Cry 3, um jogo que já tinha em backlog há imenso tempo e finalmente tanto a vontade como o tempo disponível se alinharam. Este título é uma evolução do Far Cry 2, que por sua vez já tinha trazido a série para um open world e com muito para fazer se assim quiséssemos. O meu exemplar sinceramente não me recordo ao certo quando e onde o comprei, mas lembro-me de ter sido barato. Foi numa altura em que jogos em formato físico para PC ainda eram bastante comuns e também eram logo os primeiros a cair de preço, pelo que este título me custou 5 ou 10€, isso recordo-me.

Jogo com dois discos, caixa e manual

Este Far Cry 3 leva-nos a controlar Jason Brody, um norte-americano que quis passar umas férias extremas na Ásia com um grupo de amigos. A certa altura decidem fazer skydiving num arquipélago qualquer de ilhas algures no Pacífico mas quando chegam à terra as coisas não poderiam ter corrido da pior forma, pois todo o grupo acaba por ser raptado por um grupo de piratas que aterrorizava toda a ilha e, para além de pedirem resgates às suas famílias, acabariam por vender os seus prisioneiros para redes de tráfico humano. Eventualmente acabamos por nos escapar do cativeiro com a ajuda do irmão de Jason que é militar, mas infelizmente este acaba por ser assassinado por Vaas, líder dos piratas e que se revela um excelente vilão. Jason acaba por sobreviver ao confronto e é encontrado por Dennis, um ex-militar norte-americano que o introduz à tribo de guerreiros nativos dos Rakyat, grupo rebelde que tenta libertar as ilhas do domínio dos piratas e aos quais nos acabamos por aliar, em busca de vingança e de resgatar os restantes companheiros.

Este é um jogo open world onde, tal como no Assassin’s Creed, escalar certos pontos altos como estas torres de radio permitem-nos “sincronizar” o mapa e revelar os seus detalhes.

Este é então um first person shooter em open world e que também me faz lembrar o Assassin’s Creed em várias instâncias. Por exemplo, explorando o mapa poderemos ver torres de rádio que poderemos escalar e libertar, onde poderemos fazer o “sincronismo” com a área à nossa volta e assim popular o mapa com mais pontos de interesse. Os pontos de interesse mais importantes são bases inimigas que poderemos tentar conquistar, de preferência de uma maneira mais furtiva e ir desactivando os seus alarmes. Uma vez conquistados, esses pontos servem de base que poderemos utilizar para fast travel, desbloqueiam toda uma série de missões secundárias e reduzem fortemente a presença de inimigos nas suas imediações na ilha. Também ao explorar iremos dar de caras com muita vida selvagem, sejam criaturas inofensivas como veados ou porcos, outras herbívoras mas bastante territoriais como búfalos e claro, predadores como leopardos, dragões de komodo, tigres entre muitos outros.

Um dos acessórios que podemos utilizar é uma máquina fotográfica que nos permite “tagar” os inimigos e assim sabermos sempre onde eles estão.

Explorando poderemos encontrar dinheiro, loot e vários coleccionáveis, assim como ao matar inimigos e cumprir missões vão-nos dando experiência. O dinheiro pode ser usado para comprar munições, armas e customizações das mesmas, como adicionar silenciadores, aumentar o número de balas em cada carregador ou vários tipos de miras ópticas. Equipamento especial como pistolas de flares ou equipamento para reparar veículos podem também serem comprados. Ao longo da ilha temos também uma série de plantas que podem ser coleccionadas, assim como as peles dos animais que caçamos, que por sua vez os seus recursos podem ser utilizados num sistema de crafting. As plantas servem para criar injecções que tanto podem servir para nos regenerar a barra de vida, como para nos auxiliar nos combates, na caça ou mesmo para aguentar mais tempo debaixo de água, por exemplo. À medida que vamos progredindo no jogo iremos também desbloquear novas receitas para preparar novas injecções. Por outro lado, as peles de animais podem ser utilizadas para criar novas carteiras e bolsas que nos permitem carregar mais dinheiro ou loot respectivamente, assim como muitas outras bolas que nos permitem tanto carregar mais armas (até um máximo de 4 em simultâneo) assim como poder carregar com mais explosivos como granadas, cocktails molotov, C4, rockets ou até reservas de combustível para o lança-chamas.

Adorei explorar as ilhas mas ocasionalmente poderemos ter surpresas destas

À medida que vamos matando inimigos ou cumprindo missões iremos também ganhar pontos de experiência, pontos esses que poderão ser maiores se conseguirmos executar certas manobras, como headshots, matar vários inimigos em simultâneo ou conquistar um ponto de controlo sem termos sido detectados, por exemplo. Esses pontos de experiência podem posteriormente serem utilizados para evoluir a nossa personagem num sistema de skills que não só nos permitem ter uma barra de vida maior, como desbloquear várias skills de takedown de inimigos de forma silenciosa, mover mais rapidamente, mais silenciosamente, entre muitas outras. Tudo isto aliado às centenas de coleccionáveis opcionais, missões secundárias e outros entretenimentos como corridas de veículos, jogos de poker ou galerias de tiro, fazem com que este Far Cry tenha muito para oferecer. E a jogabilidade é bastante boa, particularmente quando vamos desbloqueando mais habilidades e armas. Por exemplo, mais para o fim, depois de ter comprado a melhor sniper rifle do jogo e lhe ter colocado um silenciador, conquistar os postos de controlo inimigos passou a ser trivial, visto que os atacava silenciosamente e à distância sem nunca ser descoberto. Em combates mais próximos a acção consegue ficar bastante intensa, particularmente quando os inimigos trazem reforços ou alguns animais selvagens decidem aparecer para nos dificultar as coisas.

Felizmente os veículos também existem em abundância e grande variedade

A nível audiovisual acho que este jogo está muito bem implementado. Tal como o seu predecessor, este Far Cry 3 corre num motor gráfico que é uma evolução daquele que foi introduzido com o Far Cry original por parte da Crytek, mas sinceramente acho que este jogo é visualmente muito mais rico que o seu predecessor. Temos toda uma série de ilhas para explorar, repletas de pequenas povoações, florestas, lagos, ruínas de civilizações antigas ou até de bunkers e fortificações japonesas da segunda guerra mundial. O jogo tem um ciclo de dia e noite, bem como um sistema de metereologia dinâmica e que resulta bastante bem em simular uma experiência num clima tropical. Pena no entanto que os NPCs, particularmente os civis, sejam practicamente todos idênticos entre si. Alguns modelos poligonais adicionais seriam muito benvindos! Tive no entanto alguns problemas que creio que não sejam culpa da Ubisoft. É que comprei recentemente um monitor ultrawide e, apesar de o jogo suportar essa resolução, o mesmo não está de todo optimizado para tal. Isto porque a HUD fica com alguma informação sobreposta em alguns momentos, por exemplo quando ganhamos experiência a mensagem fica parcialmente tapada pelo mini mapa. O caso mais grave foi numa sequência de QTE numa missão onde estava constantemente a perder sem entender o porquê. Após um vídeo no youtube, apercebi-me que uma das indicações da tecla que deveríamos pressionar a seguir simplesmente não me aparecia no ecrã por já estar “fora” do mesmo.

Vaas é um grande vilão, só não entendo é porque insiste em usar expressões hispânicas

De resto, a nível de som, nada de especial a apontar à banda sonora que consegue ser bastante eclética. A maior parte do tempo ouvimos temas ambientais, calmos ou tensos mediante o contexto. Sempre que entramos num carro civil há sempre alguma música a tocar na rádio e ocasionalmente até dubstep podemos ouvir. O voice acting por si só é bastante bom, com alguns actores conhecidos a emprestarem a sua voz (e aparência) como é o caso do próprio Vaas. No entanto há aqui algumas inconsistências que me irritaram um pouco. Por exemplo, o Vaas usa muitas expressões hispânicas, que me levaram inicialmente a pensar que o jogo se passava algures nalgum arquipélago na zona da América Central. Mas depois quando vejo dragões de komodo ou tigres na selva, assim como ruínas orientais, já apercebi que o jogo se passava algures no Pacífico, próximo da costa asiática. Mas o problema não é só o Vaas, agora já não me recordo em concreto, mas era capaz de jurar ter ouvido várias expressões hispânicas no início do jogo, o que me confundiu um pouco. Mas tirando essas inconsistências gostei bastante da narrativa, sem dúvida um passo na direcção certa após o mau trabalho que fizeram nesse campo no Far Cry 2. A personagem Vaas está de facto bem pensada e algumas das coisas maradas que ele diz vão fazer sentido na recta final do jogo!

Usar cocktails molotov ou lança-chamas na selva pode ser uma boa estratégia mas que também nos pode tramar.

Posto isto, devo dizer que gostei bastante da experiência deste Far Cry 3. Tirando as inconsistências com o vilão Vaas que referi acima, acho que de facto a narrativa evoluiu na direcção certa e todas as mecânicas open world de exploração resultam muito bem, assim como o combate que é bastante versátil. Ainda assim, com a Ubisoft a lançar novos Far Cry de forma algo recorrente nos anos seguintes, temo que a série se tenha estagnado um pouco, pelo que vou aguardar algum tempo antes de começar o próximo. A excepção será no entanto a do Far Cry 3: Blood Dragon, que planeio jogar muito em breve.