Leisure Suit Larry: Box Office Bust (PC)

Depois do decepcionante, porém com algum potencial, LSL Magna Cum Laude, a Vivendi ainda possuia planos para desenvolver mais um jogo da série, com Larry Lovage, sobrinho de Larry Laffer, como protagonista. Desenvolvido pelos britânicos da Team 17, os mesmos por detrás da famosa franchise dos Worms, este Box Office Bust acabou por sofrer vários atrasos na sua produção e, com a  própria Vivendi em maus lençóis, o que sobrou do seu desenvolvimento acabou por ser adquirido pela também britânica Codemasters. O jogo acabou mesmo por sair em 2009 para o PC, PS3 e X360, cujo meu exemplar acabou por ser comprado algures em 2012 na Game do Maiashopping, creio que por menos de 3€.

Jogo com caixa e manual

Tal como referido acima, este Box Office Bust coloca-nos novamente com Larry Lovage, sobrinho de Larry Laffer como protagonista. E desta vez é o próprio Laffer que nos incumbe de uma importante missão: trabalhar à paisana nos seus estúdios cinematográficos de forma a apanhar uma toupeira, que planeia sabotar o estúdio para dar vantagem à sua concorrência do outro lado da rua, os estúdios Big Anus. Sim, tal como todos os outros Larry este também possui imenso innuendo e referências sexuais. Mas enquanto os clássicos faziam-no de forma algo inocente, o Magna Cum Laude já era demasiado grosseiro, mas ainda com piada, este Box Office Bust é apenas grosseiro. Os diálogos continuam tão parvos como no Magna Cum Laude, mas aqui acho que se esforçam demasiado para a pouca piada que acabam por ter.

À esquerda, Larry Laffer, nada a ver com o original

Mas se a história não é nada de especial, ao menos que a jogabilidade fosse melhor, o que infelizmente não é o caso. O Magna Cum Laude já se tinha desviado bastante da fórmula dos LSL clássicos, mas o seu foco em mini-jogos (muitos deles maus) não o favoreceu. Aqui quiseram representar o jogo como uma espécie de open world, onde poderemos navegar pelo estúdio e ir completando algumas missões à medida que os seus ícones fossem surgindo no mapa do jogo. Infelizmente os controlos e as físicas são terríveis. Muitas missões são relativamente simples, ao incumbir-nos de tarefas típicas de um moço de recados ao transportar ou coleccionar objectos espalhados pelos cenários. Mas muitas destas missões obrigam-nos também a passar alguns desafios de platforming e apesar de Larry poder saltar, duplo salto, e saltar entre paredes à lá Ninja Gaiden, a implementação dos controlos deixa muito a desejar. Eventualmente teremos também de combater alguns inimigos e aqui o sistema de combate uma vez mais é completamente atroz. Mais lá para a frente teremos também alguns segmentos de shooting, e estes apesar de maus, já são um nadinha mais agradáveis.

A ideia de um jogo de acção/aventura open world nem me parece tão descabida, mas a jogabilidade acabou por ficar horrível

Ocasionalmente teremos alguns mini-jogos para participar, muitos deles envolvem QTEs mas, no caso da versão PC, todos os botões que surgem no ecrã são B1, B2, B3 e por aí fora, o que nos obriga a memorizar qual foi o mapeamento de botões que tenhamos configurado. Creio que o mini jogo mais interessante é o de realizar a parte final de alguns filmes, onde teremos de estar especialmente atentos ao diálogo e seleccionar uma de três câmaras disponíveis que melhor representem a acção. Muitas vezes apanhamos coisas estranhas a acontecer em background e, por muito tentador que seja mantê-las no filme, temos mesmo de o evitar fazer.

Ocasionalmente teremos de realizar alguns trechos de filmes, um mini jogo até que divertido

No que diz respeito aos audiovisuais, graficamente é um jogo que possui cenários simples, com texturas limpas, algo cartoony até, mas bem eficazes. É possivelmente o melhor que posso tirar daqui, pois os estúdios de Laffer são bastante diversos, com edifícios com diferentes propósitos e iremos inclusivamente sonhar com alguns filmes, sendo transportados para um Western, um filme de terror e um Titanic, o que acaba por dar uma maior variedade nos cenários a explorar. Por outro lado, quando olhamos para as personagens, quer para as mulheres que teoricamente deveriam ser bem sexy, quer para os homens, todos possuem caras e proporções horríveis, mesmo com o aspecto cartoon que o jogo tenta incutir. Até o próprio Larry Laffer não tem rigorosamente nada a ver com o seu visual clássico. O voice acting até que é bem competente, embora tal como já referi acima a narrativa deixa muito a desejar. O ponto mais positivo disto é mesmo a personagem do actor Damone Le Coque ser protagonizada pelo mesmo actor que dá a voz a Joe Swanson, o polícia paraplégico de Family Guy.

Neste Box Office Bust não há nudez. E sinceramente ainda bem pois todas as personagens são horríveis.

Portanto este LSL Box Office Lust é de facto um mau jogo que merece todas as más críticas que recebeu. Percebo o porquê da Codemasters o querer lançar pois o nome de Leisure Suit Larry ainda era algo popular, mas também percebo porque é que o jogo baixou tanto de preço e tão rapidamente. A ideia de ser um jogo de acção/aventura com mecânicas de open world nem é assim tão descabida quanto isso (seria bem preferível aos mini jogos chatos de Magna Cum Laude), mas a sua implementação foi simplesmente péssima. Certamente que foi mais um jogo inacabado a sair para o mercado.

Call of Duty: Black Ops (PC)

Produzido pela Treyarch, que já nos tinha trazido no passado o Call of Duty World At War, e sendo lançado uma vez mais no meio da série Modern Warfare da Infinity Ward, a Treyarch decidiu desta vez apresentar-nos um jogo que decorre em plena Guerra Fria nos anos 60. O meu exemplar foi comprado há uns bons anos atrás, creio que na Game do Maia Shopping e se bem me recordo custou-me uns 10€.

Jogo com caixa, manual e papelada

A  história centra-se à volta de Alex Mason, um operativo norte-americano da CIA, que está a ser interrogado e vamos revivendo várias das missões secretas em que participou entre 1961 e 1968, a começar por uma tentativa falhada de assassinato do Fidel Castro em Havana, onde acabou por ser feito prisioneiro e enviado para uma prisão soviética. As restantes missões irão-nos revelar como Mason conseguiu escapar-se da prisão Soviética, bem como outras missões que nos colocarão no encalço de uns certos alvos Soviéticos que estão a preparar um ataque de larga escala nos Estados Unidos. Iremos então visitar vários teatros de guerra como o Vietname, Laos, Hong Kong, mas também algumas localizações no União Soviética. Sinceramente gostei bastante da campanha. Acho o período da Guerra Fria um período muito interessante da nossa história moderna, e todo o conceito de espionagem, contra-informação e os sleeper agents estão aqui bem representados.

O nosso arsenal é bastante vasto. Uma shotgun com cartuchos incendiários? Sim por favor!

Tal como muitos outros Call of Duty modernos, teremos um grande arsenal de armas de diferentes exércitos que poderemos vir a usar, embora apenas possamos carregar com 2 armas de cada vez, mais granadas e ocasionalmente teremos também de usar outro tipo de equipamentos, como os “marcadores” de alvos para artilharia. Vamos tendo missões variadas, umas com um maior foco em abordagens furtivas, outras grandes perseguições de veículos, ou mesmo uma missão onde pilotamos um BlackBird para a estratosfera e estamos a suportar uma missão de infiltração na superfície. Ocasionalmente também vamos tendo outros momentos interessantes, por exemplo adorei quando descemos um rio de barco, a destruir imensas estruturas do exército vietnamita, ao som de Sympathy for the Devil dos Rolling Stones, foi um momento muito Apocalypse Now! De resto, para além da curta campanha o jogo trouxe uma vez mais o seu modo Zombies, que já tinha sido introduzido no World At War, também da Treyarch. Este é um modo de jogo cooperativo, onde teremos de defender uma base de ataques zombies cada vez mais numerosos e agressivos. Sinceramente não perdi muito tempo com isto, até porque não tinha ninguém com quem jogar. O modo multiplayer competitivo também foi algo que não experimentei, mas tradicionalmente os Call of Duty são muito fortes nesse aspecto, ao introduzir vários modos de jogo, pontos de experiência que nos irão desbloquear novas armas e a possibilidade de as customizar ao nosso gosto.

Ocasionalmente teremos de controlar alguns veículos. Felizmente os helicópteros são bem mais fáceis de controlar que no Battlefield

A nível audiovisual, este Black Ops é um jogo que usa um motor gráfico já algo antigo, sendo derivado do próprio World At War. Portanto não esperem por um jogo que possua muita geometria nos cenários e modelos com muitos polígonos, mas ainda assim é um jogo que cumpre bem o seu papel. Os níveis vão sendo algo variados entre si, desde uma cidade de Havana desvastada pela guerra no início da década de 60, passando por vários níveis na Ásia, uns nas selvas de Laos e Vietname, outros mais urbanos como em Hong Kong. Outros níveis na Sibéria em instalações militares Soviéticas ou mesmo a cena do escape da prisão Soviética vão-nos levando ao longo de cenários algo distintos entre si. E sendo um jogo que se passa durante a década de 60, vamos ver imensa tecnologia retro espalhada ao longo dos seus vários níveis. O voice acting e o som no geral é bem competente, já a música possui até algumas músicas de artistas licenciados, como os já referidos Rolling Stones ou Creedence Clearwater Revival, bem como alguns artistas mais modernos nos seus modos multiplayer.

O jogo possui também os seus segredos, como este mini jogo escondido

Portanto este Call of Duty Black Ops, tenho de o analisar apenas pela sua campanha single-player, visto que não perdi tempo com os seus modos multiplayer, que seriam certamente os modos de jogo onde a sua comunidade de jogadores torrou mais tempo. E devo dizer que gostei bastante da sua campanha, mesmo sendo bastante curta. Mas tendo em conta que apenas tinha pago 10€ pelo jogo novo, acho que foi um valor mais que justo tendo em conta o que tirei do jogo. Estou curioso em ver como a Treyarch evoluiu este arco da história nas suas sequelas, mas o próximo Call of Duty que jogarei será mais um jogo da Infinity Ward, o Modern Warfare 3.

Leisure Suite Larry: Magna Cum Laude (PC)

Depois do fantástico Leisure Suit Larry 7: Love For Sail, Al Lowe e companhia já tinha uma boa ideia do que quereria fazer com o novo jogo da saga. Entretanto, na indústria, coisas maiores aconteceram: a Sierra foi adquirida por um grupo maior, que acabou por ser acusado num dos maiores escândalos de fraude do seu tempo. Como fallout, a Sierra foi uma das empresas que sofreu, ao ter de despedir muita gente e Al Lowe foi um dos que abandonou a empresa. E com ele a sua sequela, até porque o mercado para os jogos de aventura point and click já era cada vez menor. Anos mais tarde, e mais uma série de compras, fusões, restruturações e afins, o que sobrava da Sierra acabou por ficar a pertencer à Vivendi, que decidiram então fazer uma nova sequela do Leisure Suit Larry. Com o foco nas consolas (embora naturalmente uma versão para o PC também foi lançada), e como o mercado dos jogos de aventura tradicionais era ainda um mercado de nicho, decidiram então fazer um jogo que sai completamente fora do que a série nos tinha habituado até então. O meu exemplar foi comprado há uns bons anos atrás, não sei precisar quando ao certo, nem quanto custou, mas tenho a ideia de ter sido comprado na extinta Game do Maia Shopping, eles iam tendo sempre uma série de jogos de PC interessantes a preços bem convidativos.

Jogo com caixa e 4 CDs. Manual nem vê-lo e sinceramente não sei se é suposto pois não me recordo se o comprei novo ou usado, mas pelo que vi em anúncios de ebay parece ser mesmo assim.

Este Magna Cum Laude começa por se diferenciar do seu legado precisamente ao introduzir uma nova personagem, o jovem Larry Lovage, sobrinho de Larry Laffer, ao focar-se nas suas aventuras em tempos de faculdade. Tal como o seu tio, Lovage é um grande pervertido, mas também algo impopular. E depois de nos termos apercebido que o mais recente dating show universitário está a preparar-se para gravar uma edição naquele campus universitário, Larry decide tentar a sorte e participar. Para progredir no programa, Larry terá de adquirir uma série de objectos de afecto de várias raparigas, pelo que, tal como o seu tio, teremos de correr mundos e fundos para as tentar engatar, o que resulta na maioria das vezes, em situações hilariantes e humilhantes para Larry.

Os diálogos são muito engraçados, mas porque temos de jogar este mini jogo estúpido? Era muito melhor se pudéssemos escolher as respostas que queríamos dar…

A primeira fase do engate é sempre a da conversa com uma miúda nova. E enquanto Larry vai inventando histórias mirabulantes para a manter interessada, nós temos de estar atento a um mini-jogo que decorre no ecrã de baixo. Basicamente controlamos um espermatozóide num segmento de scrolling horizontal onde teremos de tocar nos corações verdes que vão surgindo, para aumentar o interesse da rapariga em nós mas também evitar os objectos de cor vermelha, que fazem precisamente o efeito contrário. Não seria bem mais agradável se tivessemos diálogos dinâmicos onde poderíamos escolher as nossas respostas? Depois a miúda lá nos pede alguma coisa mais, que irá resultar noutro mini jogo diferente, desde misturar bebidas alcoólicas, que é tipicamente uma sequência de quick time events onde teremos de pressionar os botões que vão surgindo no ecrã, ou saltos num trampolim, onde teremos umas mecânicas de jogo semelhantes aos jogos rítmicos, pois teremos de também pressionar uma série de botões no timing certo para ir fazendo uma coreografia enquanto saltamos. Ou jogar um jogo tipicamente universitário de atirar moedas para dentro de um copo, mas infelizmente com os piores controlos de sempre. Ou outros mini jogos onde teremos de fugir de alguém, enquanto vamos coleccionando uma série de tokens pelo caminho. Existem mais exemplos de outros mini jogos, mas nenhum é propriamente interessante.

Para engatar uma miúda teremos de vencer uma série de diferentes desafios, que são tipicamente vários mini jogos distintos

E teremos 15 raparigas para conquistar, onde teremos de meter conversa com elas (enquanto jogamos o tal jogo do espermatozóide), vencer um desafio que elas nos acabam por propor (outro mini jogo), mais outra sessão de conversa e tipicamente mais outro desafio, o que sinceramente acaba por se tornar algo aborrecido, o que é pena. Digo isto porque sinceramente até gostei dos diálogos e sentido de humor. Este Magna Cum Laude é mais obsceno, e com um sentido de humor que faz lembrar bastante os filmes American Pie, até porque os protagonistas são todos jovens universitários. Mas ser obrigado a jogar uma série de mini jogos chatos só para avançar na história acaba por ser uma desilusão. Temos também de estar atentos à nossa economia, pois por vezes teremos de comprar coisas em máquinas de vending e em algumas lojas peculiares, quanto mais não sejam novas roupas e acessórios, o que será um requisito para podermos sequer conseguir falar com algumas raparigas. Para isso poderemos explorar os cenários em busca de dinheiro escondido, mas também jogar alguns mini jogos (outra vez) a troco de alguns trocos. Ou tirar fotografias aleatórias e trocá-las por dinheiro numa certa discoteca, e claro, se as fotografias forem mais quentes ou escandalosas, valem mais. Para além de conquistar as miúdas, teremos também algumas side quests opcionais (que claro, envolvem o mesmo tipo de desafios da história principal). E para além de dinheiro, podemos também encontrar os secret tokens, que são uma unidade monetária em lojas mais shady, onde poderemos comprar, entre outros, imagens das miúdas nuas que vamos conquistando.

O Quarters, com os piores controlos de sempre

Graficamente é um jogo minimamente competente, tendo em conta que, apesar de ser de 2004, ainda foi desenvolvido a pensar principalmente em consolas como a PS2 e Xbox. Os gráficos são algo cartoony, o que sinceramente me agrada, e para além da universidade e seu campus, como dormitórios e fraternidades estudantis, também vamos poder explorar as zonas urbanas à sua volta, onde se incluem um clube de strip (tinha de ser!) ou um bar muito manhoso chamado Leftys Too. Mas o Leftys Too não é a única referência aos Larry clássicos, pois Larry Laffer vai aparecendo ocasionalmente na história como mentor de Larry Lovage e outros detalhes, como o ecrã título de Larry 4: The Missing Floppies, o tal jogo que nunca aconteceu, a surgir no PC de Larry Lovage. Ao menos a High Voltage Software ainda foi prestando este tipo de homenagens aos Larry clássicos! De resto o voice acting é bem competente e bem humorado.

Pelo menos no PC, a versão Europeia não vem com qualquer censura, daí ter Uncut no nome.

Portanto este Magna Cum Laude é uma desilusão por um lado, mas por outro também me fez esboçar uns quantos sorrisos. Apesar de ser bem mais vulgar e obsceno que os Larry clássicos, tem na mesma um excelente sentido de humor. Pena mesmo que a jogabilidade não seja nada de especial, ao forçar-nos constantemente a jogar uma série de mini jogos aborrecidos para poder prosseguir na história. Mas o legado de Larry Lovage não se fica por aqui, embora o seu segundo título, Box Office Bust, possua ainda críticas muito piores. Veremos como se comporta pois será um dos próximos jogos que irei jogar.

Leisure Suit Larry 7: Love for Sail! (PC)

Para fechar a saga dos Leisure Suit Larry clássicos, trago-vos agora cá o Love for Sail, o último Larry a ter sido finalizado antes da Sierra ter sido comprada e muitas das suas franchises terem ido por água abaixo. E como o último dos lançamentos clássicos, este Love for Sail é também facilmente um dos melhores! O meu exemplar já não consigo precisar ao certo quando o comprei, mas recordo-me que foi numa das minhas idas ou à feira da Ladra, ou à Vandoma e foi certamente uma pechincha.

Jogo em caixa de jewel case, com manual embutido na capa

A aventura começa como muitas outras. Larry acaba por ser uma vez mais escurraçado pela sua última conquista, nomeadamante a Shamara do LSL 6, pelo que começamos a aventura precisamente a tentar escapar da penthouse do hotel La Costa Lotta que acidentalmente começa a arder. Uma vez são e salvos, Larry decide viajar num cruzeiro, onde acaba por se ver envolvido num concurso onde o vencedor terá o direito de passar uma semana inteira na companhia da capitã boazona do navio. Naturalmente que Larry é um desajeitado tremendo, pelo que teremos de arranjar maneiras não convencionais para que Larry vença as várias provas que terá pela frente.

Tal como muitos outros Larries, começamos a aventura com a nossa conquista anterior a fartar-se de nós

Para além dos visuais, que irei abordar mais tarde, a outra grande diferença introduzida neste jogo está mesmo na sua interface. É na mesma um point and click, com o ponteiro do rato a assumir uma forma de um preservativo enrolado, mas que se desenrola quando podemos interagir com algo no cenário. E ao clicar nesse ponto de interesse, surge ao lado do ponteiro do rato um submenu com as diferentes acções que poderemos efectuar, como falar, pegar, interagir, usar um item do inventário, entre outras acções. Convém referir que as acções disponíveis são variáveis consoante o contexto, o que é uma adição inteligente. Quando estamos a falar com algumas pessoas de interesse, teremos também vários tópicos à escolha, bem como uma linha de comandos onde poderemos usar algumas palavras chave e assim desbloquear alguns tópicos adicionais, que geralmente nos podem recompensar com alguns easter eggs, ou outras pistas para resolver os vários puzzles que teremos pela frente. E o navio é enorme, com imensas salas para explorar, repletas de objectos para interagir e pessoas para falar, pelo que felizmente temos uma funcionalidade de fast travel através do ecrã do mapa.

Agora quando falamos com NPCs poderemos escolher livremente os tópicos de conversa, bem como usar uma linha de comandos para tentar falar de outros temas

No que diz respeito aos audiovisuais, este último dos Larry clássicos é sem dúvida o melhor nesse departamento. Todos os cenários e personagens possuem uma vez mais um aspecto cartoony, mas as próprias animações são mesmo puros desenhos animados, o que a meu ver resulta bem. Temos música “a sério” a acompanhar a aventura, muitas delas focadas em temas jazz, com o próprio Al Lowe a interpretar alguns temas no seu saxofone, e muito voice acting, onde o narrador e o próprio Larry mantêm as mesmas vozes do jogo anterior. E sim, continua a ser um jogo extremamente bem humorado e com imensas referências sexuais, com algumas cenas de nudez pelo meio (mas temos de trabalhar bem para as conseguirmos desbloquear). Mas para além disso, é acima de tudo um jogo muito bem humorado. As miúdas que temos de conquistar são paródias de personalidades reais, como o caso de Drew Baringmore, Dewmi Moore ou Jamie Lee Coitus. Até um espectáculo de stand up comedy do Bill Clinton podemos assistir, com ele a contar algumas piadas um bocadinho más, muitas delas a ridicularizar a própria Hillary Clinton. Ou a sidequest onde teremos de encontrar os 32 dildos vestidos de Wally e perdidos no meio da multidão! É um jogo de facto muito bem humorado.

Vamos ter acesso a algumas cenas de nudez, mas algumas temos de nos esforçar bastante para a desbloquear. O que não é o caso desta aqui ilustrada

Portanto, é uma pena que as coisas não tenham corrido pelo melhor com a Sierra, pois acho que o Al Lowe, após alguns altos e baixos na série Larry, conseguiu finalmente chegar a um nível de muita qualidade com este último jogo. Os próximos já foram produzidos pela Vivendi e sinceramente estou um pouco reticente em decidir se os jogo de seguida, ou se aproveito antes para continuar a explorar o restante catálogo da Sierra, visto que tenho aqui também os Quests e os Gabriel Knight para jogar. Mas fiquei muito contente por ter descoberto recentemente o mais recente remake do Land of the Loung Lizards (com a colaboração do próprio Al Loew), e do Wet Dreams Don’t Dry de 2018. Esses irei certamente jogar assim que os apanhar numa boa promoção.

Leisure Suit Larry 6: Shape Up or Slip Out! (PC)

Voltando às rapidinhas no PC, vamos ficar agora com mais um jogo da saga Leisure Suit Larry, nomeadamente o quinto (sim, porque nunca houve um LSL 4) que foi lançado originalmente em 1993. E aqui Al Lowe e companhia voltam aos básicos: o único objectivo de Larry é o de engatar várias mulheres e falhar miseravelmente. Não há super vilões para derrotar, nem sequer teremos de partilhar o protagonismo com Patti, que se encontra missing in action neste jogo. O meu exemplar, tal como todos os outros que escrevi até agora, veio na compilação LSL Great Hits and Misses, que comprei no GOG há uma porrada de anos por menos de 2.5€.

Tal como referi acima, a história é muito mais simples e um regresso às raízes de Larry. Até partilha algumas semelhanças com eventos que decorreram em jogos anteriores! Isto porque começamos o jogo com Larry a entrar acidentalmente num concurso televisivo, daqueles para encontrar o par ideal. Larry desta vez não ganha, mas recebe o prémio de consolação, passar duas semanas num resort à beira mar, repleto de mulheres para conquistar. Como Larry não é um cliente pagante na sua estadia do hotel, acaba por ser algo mal tratado pelo seu staff e, quando tentamos engatar as miúdas, acontece o habitual: primeiro falamos com elas, elas querem algo em troca antes de sequer pensarem em partilharem momentos connosco, pelo que teremos de ir explorar os cenários, interagir com outras pessoas e objectos, resolver alguns puzzles até que temos o item que a mulher em questão precisa. Depois de lho dar, lá nos envolvemos num encontro amoroso que tipicamente não acaba bem.

Como é habitual na série, o jogo está repleto de situações caricatas e bem humoradas

E o progrsso é uma vez mais não linear, poderemos abordar qualquer rapariga a qualquer momento, mas existem certos itens que apenas ficam disponíveis após completar o encontro com outras mulheres. As mecânicas de jogo são as características de um point and click, onde teremos diferentes cursores do rato que exemplificam diferentes acções, como mover, observar, falar, tocar e claro, o já tradicional fecho zipper das calças de Larry que tipicamente traz resultados hilariantes (tentem usá-lo no depósito de chaves da recepção!).

Ao contrário do jogo anterior, aqui Larry corre uma vez mais perigo de vida

No que diz respeito aos audiovisuais, convém referir que este jogo foi lançado em 2 versões distintas. A primeira foi a versão VGA, que possui um motor gráfico similar ao de LSL 5 (ou do remake VGA do LSL 1), pelo que esperem por gráficos coloridos, uma caracterização muito cartoon dos cenários à nossa volta e claro, do próprio Larry. Mas um ano depois a Sierra lançou uma versão actualizada deste jogo já em CD-ROM e com suporte a sistemas SVGA. Esta versão, para além de incluir voice acting em practicamente todas as falas e narrações, também assenta num motor gráfico mais recente, apresentando gráficos com maior resolução, e cenários e personagens bem mais detalhados. Sinceramente por um lado gosto bastante do original VGA pelo melhor pixel art, mas é inegável que a imagem como um todo está melhor na sua versão SVGA. Já o voice acting sinceramente achei-o um bocadinho forçado por vezes, mas também sejamos sinceros, em 1994, salvo algumas excepções, ainda não se investia tanto neste campo como nas grandes produções actuais.

Para além da versão SVGA que saiu mais tarde e com suporte a CD ROM, o lançamento original de 1993 possui ainda o motor gráfico do jogo LSL5

Portanto este LSL 6 é mais uma sólida e bem humorada aventura gráfica da Sierra. O facto de ter um progresso não linear, uma narrativa que retorna Larry às suas raízes e até algumas death scenes engraçadas (não tão frustrantes como nalguns dos LSL mais antigos) foram sem dúvida factores benvindos. Mesmo que se note alguma falta de originalidade aqui e ali, com algumas piadas recorrentes e situações muito semelhantes a outras que já experienciamos em LSL anteriores.