Resident Evil Umbrella Chronicles (Nintendo Wii)

Resident Evil Umbrella ChroniclesNa semana passada aproveitei para tirar algum pó à Nintendo Wii. Como eu não gosto quase nada de usar o Wiimote, tenho sempre evitado ligá-la, até porque grande parte dos jogos que possuo não suportam outros acessórios como o Classic Controller ou o fiel comando da Gamecube. No entanto, até que dou o braço a torcer em jogos do estilo de lightgun shooter, em que o Wiimote acaba por se enquadrar muito melhor, não deixando porém de ser algo desconfortável de usar em sessões de jogatana algo mais longas. Este Resident Evil Umbrella Chronicles é na sua essência um jogo deste género e que para ser sincero até me agradou bastante. O meu exemplar foi comprado há uns meses atrás na CEX do Porto, creio que me custou 7€ se a memória não me falha.

Jogo completo com caixa, manual e papelada
Jogo completo com caixa, manual e papelada

Neste jogo, os eventos de Resident Evil Zero, Remake e 3 são resumidos e recontados, na perspectiva de diferentes duplas de personagens, como Rebecca Chambers e Billy Cohen, Chris Redfield e Jill Valentine, ou Jill Valentine e Carlos Oliveira, nos 3 jogos respectivos mencionados acima. É então encorajada uma jogabilidade cooperativa para 2 jogadores, com cada jogador a tomar o papel de uma das personagens referidas. No entanto, na verdade este Umbrella Chronicles é mais que isso. Para além de recontar os eventos principais desses 3 jogos , temos outros novos capítulos que narram alguns acontecimentos com a Umbrella pós o desastre de Raccoon City, bem como outras pequenas histórias, que atravessam os 3 jogos: Como Rebecca Chambers e Richard Aiken chegaram à Spencer Mansion, o que aconteceu ao Wesker após ter sido derrotado na recta final do primeiro Resident Evil, ou como Ada Wong ou Hunk escaparam de morte certa no final do Resident Evil 3 Nemesis eram aperitivos bem apetitosos para qualquer fã de Resident Evil que se preze.

Neste jogo iremos revisitar vários locais familiares, mas por vezes com outros pontos de vista (o de Wesker, por exemplo)
Neste jogo iremos revisitar vários locais familiares, mas por vezes com outros pontos de vista (o de Wesker, por exemplo)

A nível de mecânicas de jogo, estes são bem mais lineares e on-rails do que a série Gun Survivor da Capcom. São muito mais fiéis ao conceito de light gun shooter. Começamos o jogo munidos de um revólver com munição infinita, mas poderemos ir encontrando várias outras armas como diversos tipos de armas automáticas, shotguns, lança granadas e rockets, armas essas que inicialmente não possuem munições infinitas e devem ser usadas com alguma cautela. Granadas normais são também usadas à parte e são extremamente úteis para destruir grandes ondas de inimigos, algo mais comum nos níveis mais avançados. Itens como as ervas e first aid kits podem também ser encontrados e servem para regenerar alguma da nossa vida. No caso das ervas o efeito é instantâneo mal as apanhemos, já os sprays são usados automaticamente se fôssemos perder uma vida. A destruição de objectos nos cenários é fortemente encorajada, tanto para encontrar itens escondidos como as armas e munições acima referidos, mas também para descobrir aqueles tradicionais ficheiros com informações da história e personagens do mundo de Resident Evil.

Por vezes temos alguns QTEs para executar, principalmente nos confrontos com os bosses.
Por vezes temos alguns QTEs para executar, principalmente nos confrontos com os bosses.

Algumas destas missões secundárias apenas podem ser desbloqueadas se tivermos uma boa performance em alguns dos níveis, e o número de objectos destruídos, ficheiros encontrados bem como a quantidade de críticals que conseguimos inflingir (headshots certeiros que “matam” os zombies com um só tiro) são parâmetros tidos em conta! E apesar de ser um jogo on rails, por vezes temos alguma não linearidade, com a possibilidade de explorar salas opcionais (em alguns casos isso apenas acontece se destruirmos certas portas), ou mesmo tomar alguns caminhos alternativos. Mas no geral tudo leva-nos ao mesmo desenrolar da história e como não poderia deixar de ser, temos sempre um boss no final de cada nível. E apesar de não haver nenhum puzzle como nos jogos originais, as referências aos mesmos podem ser vistas ao encontrarmos alguns objectos especiais, que são posteriormente adicionados em galerias.

No que diz respeito aos audiovisuais, é um jogo que francamente deixa um pouco a desejar, para quem jogou o Remake e o Zero na Gamecube na sua altura de lançamento, como é o meu caso. É verdade que esses jogos possuem gráficos pré-renderizados, o que lhes confere um nível de detalhe muito superior aos que são aqui mostrados. Mas essa degradação do detalhe gráfico é também notória nos modelos das personagens principais, que outrora estavam muito melhor detalhadas que aqui. É certo que Raccoon City está muito mais bonita graficamente neste jogo que as suas versões originais de Playstation, mas no que ao resto diz respeito acho que deixou um pouco a desejar. O Resident Evil 4 para a Gamecube não tinha nada pré-renderizado e mesmo assim tinha melhor aspecto que isto, mas também foi desenvolvido pelas principais equipas de desenvolvimento da Capcom, ao contrário deste Umbrella Chronicles. Mas os gráficos também não são propriamente maus, eu é que sinceramente estava à espera de algo um pouco melhor. No que diz respeito à banda sonora e voice acting não tenho nada a apontar, são ambos competentes. Apenas acho que em algumas situações a música é mais upbeat do que deveria ser, já noutras é tão tensa que acaba por ser bem adequada.

No final de cada nível a nossa performance é recompensada com uma nota. Para além disso são-nos atribuidas estrelas que podem posteriormente ser utilizadas para fazer upgrades às armas que desbloqueamos
No final de cada nível a nossa performance é recompensada com uma nota. Para além disso são-nos atribuidas estrelas que podem posteriormente ser utilizadas para fazer upgrades às armas que desbloqueamos

Sinceramente, mesmo não sendo um jogo que prime pelo seu esplendor gráfico, acho esta uma entrada muito interessante no catálogo da Wii e no da série Resident Evil em geral. Apesar de eu ser um fã de light gun shooters, o que por si só já seria algo não muito imparcial da minha parte, acho que o conteúdo extra que é aqui introduzido para a história da saga já vale a pena para todos os fãs. Este jogo e a sua sequela (Darkside Chronicles, que espero começar a jogar nos próximos dias) foram também lançados numa compilação para a Playstation 3, com visuais um nada melhores (simplesmente com uma maior resolução), pelo que essa versão também vos poderá ser pertinente.

Dead Space Extraction (Nintendo Wii)

Dead Space ExtractionSaindo agora do reino das portáteis, o jogo que cá trago hoje é um exemplo de coisas interessantes também se faziam na época da Wii. Deixando as grandes produções “hollywoodescas” com gráficos fora de série para os sistemas que foram desenhados para isso mesmo, para a Wii, aproveitavam o nome da franchise e traziam jogos secundários. Tal como o Castlevania Judgement ou SoulCalibur Legends, fizeram o mesmo com o Dead Space. E aqui decidiram tornar o jogo num light gun shooter nada arcade, com níveis longos e um foco maior na narrativa. Este meu exemplar foi comprado algures durante o ano passado na Cash Converters de Alfragide, tendo-me custado 7€.

Dead Space Extraction - Nintendo Wii
Jogo completo com caixa, manual e papelada

Em Dead Space Extraction, a acção decorre um pouco antes dos acontecimentos do primeiro jogo, quando a colónia mineira de Aegis VII descobre o “Marker”, o que faz com que toda a sua população enlouqueça e se transforme gradualmente nos monstrinhos disformes que vimos logo no primeiro jogo, os necromorphs. Vamos vivendo várias personagens que procuram fugir de lá e procurar a sua salvação na nave de Ishimura, onde as coisas não estão também muito famosas, cruzando-nos inclusivamente com Nicole, namorada de Isaac, o herói da série principal.

Lexine é uma das personagens centrais do jogo, afinal até serviu de capa!
Lexine é uma das personagens centrais do jogo, afinal até serviu de capa!

E apesar de ser um light gun shooter muito linear e on rails, conseguiram de certa forma capturar a essência da jogabilidade tradicional dos Dead Space. Herdamos as mesmas armas, desde o pequeno espeta pregos até ao lança chamas devastador e os pontos fracos dos inimigos continuam a ser os membros, não o torso ou a cabeça. O uso de stasis para os abrandar continua a ser essencial, e os outros conceitos como a telecinese, os segmentos em gravidade zero e até mesmo aquela parte em que equipamos canhões para destruir asteróides estão mais uma vez aqui presentes, assim como os logs que podemos encontrar, que dão sempre mais alguma história de background. Mas esses logs, itens comuns como medpacks e munições e outros extras como novas armas ou upgrades das mesmas, têm de ser capturados rapidamente quando se vêm no ecrã, pois o jogo sendo on-rails poucas oportunidades nos dá para fazer. Eventualmente lá temos alguns segundos onde ficamos parados no local e podemos mover o wii mote para onde pretendermos, rodando o ecrã e podendo explorar mais livremente o que nos rodeia. Ocasionalmente também temos a hipótese de escolher alguns caminhos alternativos, mostrando assim alguma não-linearidade que não vai muito mais além disso, pois o desfecho acaba por ser sempre o mesmo.

Espero que tenham gostado do minijogo de disparar sobre asteróides do primeiro jogo... é que aqui temos de repetir a dose.
Espero que tenham gostado do minijogo de disparar sobre asteróides do primeiro jogo… é que aqui temos de repetir a dose.

Temos também uma série de puzzles para resolver que tiram partido dos wiimote e nunchuck. Desde fazer hacking a terminais de computadores onde teremos de interligar alguns circuitos eléctricos, até pregar tábuas de madeira para barrar a entrada de swarms de criaturas famintas, este último ainda me deu algumas dores de cabeça. Isto porque necessita do modo secundário de disparo (onde temos de inclinar o wiimote, disparando uma arma à gangster) e muitas vezes ao fazê-lo o wiimote perdia o sincronismo por alguns segundos, o que poderia ser tempo demais. Os comandos por movimento eram também utilizados noutras coisas, como os golpes melee pelo nunchuck, ou nos segmentos em que andávamos às escuras teríamos de abanar o wiimote para carregar uma lanterna. O mesmo também era feito em alguns quick time events, quando alguns monstros nos agarravam.

Os pontos fracos dos necromophs mantêm-se: os membros
Os pontos fracos dos necromophs mantêm-se: os membros

Para além do modo de história que se alonga em 10 capítulos tínhamos também o challenge mode, onde as coisas já ficam um pouco mais arcade. Nesse modo de jogo revisitamos vários locais do modo de história, com a missão de derrotar o maior número possível de necromophs, com o único objectivo de ter uma pontuação alta. Apesar de ser interessante, não nos oferece mais nenhuma recompensa. A outra recompensa que vamos desbloqueando a cada nível que completemos são capítulos de uma banda desenhada intereactiva, com direito a voice acting e tudo. De resto, convém também referir que o modo história pode também ser jogado de forma cooperativa com um amigo, o que não é nada má ideia.

Por vezes temos alguns segundos para olhar livremente para o que nos rodeia, permintindo-nos reabastecer os nossos stocks de munições e medkits
Por vezes temos alguns segundos para olhar livremente para o que nos rodeia, permintindo-nos reabastecer os nossos stocks de munições e medkits

Graficamente é um jogo muito mais simples que o original, assim o hardware da Wii o exige. Mas não deixam de ser bons gráficos, com as personagens bem detalhadas. E mantêm a essência do Dead Space, com os seus corredores escuros, os fatos e armas high-tech, a tecnologia holográfica dos menus e afins, a demência causada pela exposição ao Marker e claro, os necromorphs e todo o gore habitual. E apesar de ter na mesma músicas mais tensas, acaba por ser um jogo muito menos assustador que o primeiro, até porque é todo “on rails“, não há aquele medo medo de avançar sabendo que pode não ser boa ideia, aqui o jogo avança sempre e o que tiver de acontecer, acontece. Ainda a nível técnico, o voice acting não é mau de todo.

Um dos puzzles que temos de resolver. Soldar circuitos enquanto temos necromorphs à nossa volta
Um dos puzzles que temos de resolver. Soldar circuitos enquanto temos necromorphs à nossa volta

Se não gostarem da Wii poderão também encontrar este jogo na PSN para a PS3. Por acaso até tinha sido o meu primeiro contacto com o Dead Space Extraction, na altura em que comprei a PS3 diverti-me a fazer o download de várias demos para experimentar e este jogo era uma delas. Também vinha incluído gratuitamente para quem comprasse uma edição especial do Dead Space 2 para a PS3. Tenho a ideia que essa versão para a PS3 tinha gráficos um pouco melhores, mas podem ser as memórias a pregarem-me partidas. De qualquer das formas não deixa de ser um jogo interessante para quem gosta de light gun shooters, embora de arcade tenha muito pouco.

Ghost Squad (Nintendo Wii)

Ghost SquadDesta vez lá tirei algum pó à Wii, e sinceramente nem sei porque a deixei desligada tanto tempo, com tanta coisa boa que tenho para jogar do seu catálogo. Bom, na verdade sei, o Wiimote e Nunchuck acabam por se tornar bastante desconfortáveis ao fim de meia hora de jogo, mas neste caso como é um light gun e apenas usei o Wiimote, acabou por ser bem mais divertido. Não é por acaso que a Wii recebeu uma série de light gun games da Sega, inclusivamente compilações de alguns clássicos de arcade como a série The House of the Dead, ou Gunblade N.Y./L.A. Machineguns.  Este meu exemplar veio da CEX de Gaia, algures no mês de Novembro ou Dezembro do ano passado. Custou-me 5€.

Ghost Squad - Nintendo Wii
Jogo completo com caixa, manual e papelada

E ao contrário do que o nome do jogo indica, este não é propriamente um jogo onde andemos à caça de fantasmas, mas sim pertencemos a um grupo de elite que luta contra ameaças terroristas. No modo arcade dispomos de 3 níveis diferentes para atravessar, no primeiro temos de invadir uma mansão onde o Presidente Norte Americano mais alguns líderes mundiais estavam a ser feitos reféns, o segundo é passado inteiramente a bordo do Air Force One, onde mais uma vez temos de resgatar o presidente norte-americano. Já o último nível é passado numa floresta tropical, onde temos de resgatar um CEO de uma grande empresa que tinha sido raptado por guerrilheiros… mas apesar de termos só 3 níveis para explorar, os mesmos vão sendo bastante dinâmicos e repletos de caminhos alternativos. É que para conseguirmos completar o jogo a 100% teremos mesmo de o jogar várias vezes, pois vamos desbloqueando outros caminhos alternativos, para além de novos uniformes ou armas que podemos usar.

Uma das opções é a de não vermos a mira no ecrã, tornando-se mais difícil mas também mais recompensador em pontos
Uma das opções é a de não vermos a mira no ecrã, tornando-se mais difícil mas também mais recompensador em pontos

Quando me refiro a níveis dinâmicos é porque existem alguns segmentos com alguns mini-jogos, que, com as suas mecânicas de jogo diferente lá quebram um pouco a monotonia. Se bem que monotonia não é a palavra certa pois com tanto tiroteio e câmaras dinâmicas, este jogo não é nada monótono. Esses referidos mini jogos consistem em coisas como combates corpo a corpo onde temos de apontar o wiimote para uma certa parte do corpo dos agressores e carregar no A,  ou desactivar bombas onde temos de cortar fios coloridos por diferentes ordens, desactivar minas terrestres, salvar reféns entre outros. Também ocasionalmente podemos ter segmentos jogados com visão nocturna ou térmica.

Depois ainda há mais conteúdo adicional… ao completar o modo arcade somos presenteados com pontos de experiência que por sua vez desbloqueiam novas armas e uniformes, e a cada vez que completemos um dos níveis com sucesso desbloqueamos uma versão mais complicada do mesmo. Para além disso e de um modo de treino, temos ainda o Party Mode, que nos permite multiplayer com até 4 jogadores, enquanto a versão arcade permite apenas dois. E dentro do Party mode podemos desbloquear dois modos de jogo adicionais: o Ninja mode que substitui as nossas armas e vestimentas por shurikens e um fato de ninja respectivamente. O mesmo acontece com os inimigos e decorações que parecem todas retiradas do Japão Feudal. A injustiça é que os inimigos estão na mesma equipados com metralhadoras… O outro modo é semelhante a este mas é chamado de Paradise Mode. Qual a diferença? Todos os nossos inimigos, excepto os bosses, são raparigas de bikini. E nós estamos equipados com pistolas de água na forma de golfinhos. Nas cutscenes fica hilariante, assim como nos bosses que também se apresentam vestidos de uma forma no mínimo bizarra.

Como não poderia deixar de ser, no final de cada nível temos um boss para enfrentar
Como não poderia deixar de ser, no final de cada nível temos um boss para enfrentar

No que diz respeito aos audiovisuais, bom, é um jogo de Wii! Acho que apresenta cenários bem detalhados para uma consola que para todos os efeitos tecnicamente é equiparável à geração sua predecessora. Em especial a primeira missão na mansão, onde todas as divisões apresentam-se bem compostas e repletas de objectos que podem ser destruídos, desde janelas, monitores, taças de fruta ou garrafas de vinho, por exemplo. Obviamente que no meio da selva já não temos tanta interacção assim, já no Air Force One não sei pois nunca estive num! As músicas têm um ritmo sempre acelerado, tal e qual como se quer num jogo arcade deste género, e geralmente têm todas uma sonoridade mais electrónica. Quanto ao voice acting, é tradição em light gun shooters o mesmo ser o pior possível, mas sinceramente neste Ghost Squad nem achei muito mau.

Benvindos ao Paradise mode. Aquele ser ali no meio é o segundo boss.
Benvindos ao Paradise mode. Aquele ser ali no meio é o segundo boss.

Ainda me faltam jogar uns quantos light gun shooters na Wii, mas devo dizer que fiquei bastante satisfeito com este Ghost Squad. A Sega ainda tinha mais uns quantos que poderia também ter lançado na Wii, foi pena que tal não tenha acontecido com o Confidential Mission ou o Virtua Cop 3, por exemplo.

MadWorld (Nintendo Wii)

MadWorldJá há bastante tempo que não fazia nenhum artigo sobre algum jogo da Nintendo Wii. Não é pela consola ter poucos jogos interessantes, o que na minha opinião nem é verdade, mas sim pela sua maioria usar e abusar dos controlos de movimento, algo que eu abomino, ainda por cima com comandos tão desconfortáveis de usar como os da Wii. Infelizmente este MadWorld é um dos que pertence a essa categoria, pelo que levei imenso tempo até finalmente ter conseguido chegar ao fim, já que a vontade de lhe pegar não era muita precisamente por essa razão. No entanto não deixa de ser um jogo bastante original, como irei referir mais à frente. Este meu exemplar custou-me 5€ na CEX do Porto, já há uns bons meses atrás.

MadWorld - Nintendo Wii
Jogo completo com caixa, manual e papelada

Bom, Madworld é um jogo extremamente violento – mas de uma maneira que até acaba por ridicularizar a coisa e com uns gráficos bem estilosos que nos remetem de imediato para o Sin City de Frank Miller, pois é tudo em tons de preto, branco e vermelho de todo o sangue que vamos acabar por espalhar. Mas na realidade, de que se trata então este jogo? Qual o propósito de tanto caos e violência desenfreada? Bom, tudo começou com um aparente atentado terrorista de larga escala que isolou uma cidade de todos os contactos com o mundo exterior. Logo depois foi largado um vírus mortífero que infectou toda a população e os terroristas disseram que dariam o antídoto a todas as pessoas que assassinassem outras. Ficou assim lançado o mote para todo o caos e violência que mais tarde acabou por se tornar no DeathWatch, um “desporto” televisivo de combates até à morte, uma espécie de gladiadores dos tempos modernos e com o financiamento de grandes tubarões financeiros. O nosso herói é o Jack Cayman, que se infiltra na tal cidade de Varrigan para participar nos jogos, mas com outras intenções por detrás, que acabam por ser reveladas à medida que vamos progredindo.

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A motosserra é a nossa melhor amiga!

Ora Jack possui uma motosserra embutida na armadura do seu braço direito, logo só por aí já dá para perceber que poderíamos vir a passar um bom bocado. E de facto MadWorld é bastante violento pois os cenários estão repletos de armadilhas como paredes com espinhos gigantes, prensas, comboios a passar, sanitas (sim, leram bem) bem como imensos objectos que podemos utilizar para ajudar à festa como pneus, caixotes do lixo ou sinais de trânsito. Porque uma coisa é matar um oponente à pancada ou coma  motoserra, mas outra é prendê-lo com um pneu, atravessar-lhe um sinal de trânsito pelo pescoço, pegar nele e atirá-lo para um caixote do lixo em chamas. Este tipo de combinações são precisamente as coisas mais encorajadas neste jogo, pois tão mais pontos e os inimigos não páram de surgir enquanto não estabelecermos um certo número de pontos para desbloquear a luta contra o boss daquele nível. Outra das coisas que é desbloqueada por pontos em cada nível são os Bloodbath Challenge. Esses são desafios onde dispomos de um curto intervalo de tempo para matar o máximo número possível de oponentes de uma certa forma: tanto temos de atirar inimigos para debaixo de uma enorme prensa, ou abanar uma enorme garrafa de champanhe, enfiá-la num olho de algum bandido e atirá-lo para um alvo longínquo… como podem ver, as possibilidades são imensas!

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Os bloodbath Challenges são desafios bem originais… acompanhados por comentadores bem sarcásticos

Agora os problemas… infelizmente e na minha modesta opinião, o maior problema deste MadWorld são precisamente os seus controlos. É que como referi no primeiro parágrafo, este é daqueles jogos que apenas suportam o Wiimote e o Nunchuck, sendo que eu acho o Wiimote o comando mais desconfortável de todo o sempre. Nem preciso de fazer grande espalhafato em movimentos, basta segurá-lo por algum tempo que a mão começa logo a dar de si. De resto, temos botões para tudo e mais alguma coisa, sendo que teremos de abanar o Nunchuck para fazer Jack desviar-se de ataques dos oponentes e o Wiimote, em conjunto com o botão B que activa a motoserra para desferir os golpes na direcção pretendida. Por vezes temos também alguns quick time events, em especial nos combates contra os bosses, que realmente exigem que repliquemos alguns movimentos indicados no ecrã. Isso é tudo muito bonito, mas eu trocava toda essa inovação pelo suporte ao comando da Gamecube ou do Classic Controller.

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Quanto mais violentos formos, maior é a pontuação e mais rápido podemos acabar o nível

Graficamente é um jogo bastante estiloso, ao apresentar gráficos quase monocromáticos onde as únicas cores que vemos para além do preto e branco é o vermelho de todo o sangue derramado e uma ou outra indicação em amarelo. Na minha opinião foi algo que resultou muito bem, como aliás já tinha resultado em Killer 7, embora aí essas experiências não tenham sido exactamente idênticas. Claro que este grafismo permitiu disfarçar algumas imperfeições gráficas, mas no geral acho que ficou um jogo com uns visuais muito bem conseguidos. As músicas é que já não são muito do meu agrado pois há um grande foco no hip-hop. Por outro lado o voice acting parece-me bem competente, em especial o dos comentadores televisivos que nos vão acompanhando o nosso progresso no concurso do DeathWatch, sempre com grandes tiradas de humor negro. Se chegarem a ver os créditos finais do jogo… então é um fartote!

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Os níveis são de exploração livre, temos é um tempo limite para atingir os pontos necessários para enfrentar o boss e derrotá-lo.

Para além do mais, o jogo ainda nos recompensa um pouco para o jogar várias vezes ao desbloquear outras armas como uma katana ou uma motosserra dupla, bem como ao adicionar novos Bloodbatch Challenges ao modo história. Para além disso possui uma vertente multiplayer que sinceramente não cheguei a experimentar.

Em alguns sítios foi bastante criticado pela sua violência extrema, tendo até sido banido em alguns locais. No entanto, apesar de violento, todas essas mortes acabavam por ser bastante cómicas, até porque a certa altura apareceram zombies e ETs lá à mistura… De resto é um bom jogo da Platinum Games, esse excelente estúdio nipónico que quando esteve juntamente com a Sega nunca conseguiu obter o sucesso que deveria. Só é pena mesmo não haver um modo “normal” onde o possamos jogar com os controlos normais, no conforto do nosso sofá.

Mario Kart Wii (Nintendo Wii)

Mario Kart WiiVamos lá para mais uma rapidinha, desta vez voltando à Nintendo Wii que tem sido algo ignorada nos últimos meses. E vocês devem estar a exclamar: “uma rapidinha num Mario Kart? uma série que tem sido sempre tão divertida e viciante?”. E não deixam de ter razão, mas sinceramente não foi um jogo com o qual eu perdi assim tanto tempo, e muito menos no multiplayer que tenho sempre outras prioridades e outros jogos para abater no backlog. E na verdade este nem era um jogo que eu fazia questão em ter, mas quando o vi, naquela sleeve de cartão do pack que vinha com a consola na Feira da Ladra por 50 cêntimos eu não pude dizer que não. O “volante” veio de um outro negócio à parte também na feira da Ladra, mas uns meses antes. Tinha vindo num bundle com 2 wiimotes e nunchucks oficiais que levei também por um bom preço.

Mario Kart Wii - Nintendo Wii
Jogo em caixa de cartão, originalmente de bundle com a consola mais o acessório volante
Versão em caixa normal

E o que traz de novo este Mario Kart para além os motion controls que a Wii nos introduziu? Bom, para além de termos várias novas pistas (e muitas antigas também), vários modos de jogo com multiplayer online (até que enfim Nintendo!), 12 concorrentes em pista ao contrário dos habituais 8, podemos também conduzir motos, para além dos tradicionais karts. Como sempre temos vários modos de jogo para experimentar, mas para aqueles que preferem jogar sozinhos no conforto do seu sofá o foco vai sempre para o Grand Prix Mode, onde podemos participar em diversos campeonatos de 4 pistas com 3 voltas cada, em diferentes categorias de cilindrada. Para além das habituais Mushroom, Flower, Star e Special Cups, poderemos depois jogar as Shell, Banana, Leaf e Lightning, contendo circuitos dos Mario Kart anteriores. É sempre bom ver algumas pistas conhecias do MK64 com uns visuais renovados. Para além desse modo campeonato temos o Time Trial cujo objectivo passa por fazermos o melhor tempo possível e por fim os Versus e Battle, que podem ser jogados sozinhos, em multiplayer local ou online. O primeiro é um modo de corridas onde as mesmas podem ser customizadas e por fim o battle é uma espécie de deathmatch – mas com karts!

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Mesmo no single player há muito conteúdo para explorar

A nível dos controlos este Mario Kart oferece-nos imensas opções: tanto podemos usar o wiimote deitado, ou o wiimonte e nunchuck, o bloco de plástico na forma de volante ou, felizmente, ambas as versões dos Classic Controller ou o fiel comando da Gamecube, algo que sinceramente prefiro sempre que seja possível utilizá-lo num jogo de Wii. Os Classic Controllers não são maus, mas precisam do Wiimote para serem “ligados” à Wii e não acho piada nenhuma. Mas cheguei a experimentar um pouco esses setups que exigem os controlos por movimento e sinceramente prefiro de longe a precisão do analócigo da Gamecube. Outra coisa que infelizmente não cheguei sequer a experimentar foi mesmo o modo online que já tinha sido descontinuado algures no ano passado. É capaz de haver alguns servidores piratas, mas não explorei muito isso. De resto, e apesar de não ser um jogo que eu passe muito tempo a jogar, é inegável que possui uma jogabilidade bem divertida em especial no multiplayer local, com os vários itens que poderemos usar para criar o caos na pista.

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Cada personagem tem vários tipos de veículos para escolher, cada um com as suas características

Graficamente falando este é um jogo competente. Os circuitos são bastante coloridos e bem detalhados tendo em conta as limitações de uma Wii. Todos os circuitos são naturalmente inspirados em pequenos mundos ou locais dos jogos das personagens da Nintendo que por cá passam, gosto especialmente daqueles circuitos repletos de obstáculos, como os circuitos inspirados no castelo de Bowser, onde temos lava por todo o lado e aqueles blocos chatos a atrapalharem-nos o caminho. As músicas são o típico da Nintendo, bastante agradáveis e inspiradas nos vários jogos e localidades ali representadas. Só não gosto é dos “barulhos” em demasia que as nossas personagens vão fazendo ao longo das corridas. São demasiados “aha!”, “yupiii”, “ooooh” a serem debitados por minuto para o meu gosto.

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Os powerups podem lançar o caos na pista, em especial a blue shell que não deixa ninguém seguro!

Mas pronto, Mario Kart Wii não deixa de um jogo bem divertido como é habitual nesta série, em especial quando é jogado com um grupo de amigos, o que infelizmente nem sempre acontece por estas bandas. É que ninguém gosta do Wiimote e não tenho comandos de GC para toda a gente…