Golden Sun: Dark Dawn (Nintendo DS)

Golden Sun Dark DawnDesde cedo que me interessei pela série Golden Sun. Joguei os originais de GBA através de emulação logo a seguir um ao outro e lembro-me perfeitamente de ficar babado com o final e as diferentes possibilidades que isso poderia trazer para o futuro da série. Depois apareceu uma notícia num qualquer site japonês que a Camelot estaria a recrutar pessoal para o desenvolvimento de um RPG numa consola caseira, começou-se logo a especular que iria ser desenvolvido um RPG todo fancy para a Gamecube ou mesmo a sua sucessora, mas acabou mesmo por ser a Nintendo DS a recebê-lo. Este meu exemplar foi comprado creio que por 8 ou 10€ a um particular, estando completo e em óptimo estado.

Golden Sun Dark Dawn - Nintendo DS
Jogo completo com caixa, manuais e papelada

Ora este jogo decorre 30 anos após os acontecimentos do seu antecessor, onde a força mágica da Alquimia foi libertada, um poder tremendo que apesar de já ter causado o declínio de civilizações antigas, o facto de ter sido selada estava a causar também a destruição do mundo. Isaac e companhia tinham ficado incumbidos com a tarefa de “supervisionar” a utilização da alquimia de forma a evitar que fossem tomados os mesmos erros que no passado. Mas lá passaram 30 anos e são agora os seus filhos, também adeptos da alquimia, ou seja, com poderes mágicos, que vão começar a tomar conta das coisas e receber os ensinamentos dos seus pais. Mas o mundo tem estado pacífico e após uma inofensiva missão de procurar uma pena de um Roc (uma ave mística) para reparar uma espécie de asa delta que um dos miúdos partiu é que são surpeendidos, com um misterioso e sinistro grupo de adeptos a tramar das suas. Pois é, alguém vai tentar usar o poder da Alquimia para coisas não muito boas e lá teremos de explorar o mundo uma vez mais, que por sua vez está bastante diferente desde a última vez que o deixamos.

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Tal como nos anteriores, os puzzles e a exploração andam de mãos dadas.

Os originais tinham umas mecânicas de jogo muito interessantes e esta sequela mantém-nas. Ao explorar as várias dungeons, cavernas e afins vamo-nos deparar com imensos obstáculos que terão de ser ultrapassados com recurso às capacidades mágicas elementais de cada um. Por vezes temos de mover enormes troncos de um lado para o outro, soprar com a força do vento para algumas plataformas subirem temporariamente, fazer crescer plantas para escalar falésias, entre muitos outros. Isto coloca sempre alguns elementos de puzzle ao longo do jogo, a diferença é que agora somos também obrigados a usar o touchscreen para desencadear estas habilidades, como definir qual a direcção de onde sopra o vento, por exemplo.

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Os summons são sempre bonitos de se ver

Depois temos também os Djinn, as pequenas criaturas mágicas que podem ser encontradas em vários locais ao longo do jogo. De forma análoga ao sistema das Materia no Final Fantasy VII, poderemos alocar livremente os Djinn que encontremos às personagens que bem entendermos, fazendo com que os seus stats e habilidades mágicas se alterem. Durante as batalhas podemos usar os djinn que temos equipados para desencadear alguns golpes mágicos, mas depois eles passam do estado SET para Standby, e no turno seguinte teremos de os voltar a equipar, para ganhar de novo essas habilidades e stat boosts. Mas quando os Djinn estão em standby, podemos deixá-los assim mesmo e desencadear os poderosos summons, sem dúvida os ataques mais poderosos do jogo, mas em contrapartida isso deixará os vários Djinn que foram necessários no estado Recovery, e assim se mantêm durante alguns turnos, deixando as nossas personagens mais indefesas. Então existe aqui uma certa estratégia de gestão de recursos que me pareceu bem interessante.

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Este é um dos jogos mais bonitos da DS, no 3D que apresenta

No que diz respeito aos audiovisuais este é um jogo inteiramente em 3D, embora com as limitações naturais da DS, esperem por algo mais ou menos no nível da Playstation 1 no que diz respeito aos modelos poligonais. No entanto mantiveram todo o charme dos primeiros jogos e as batalhas continuam a ser bastante dinâmicas e repletas de efeitos especiais, o que já nos jogos da Gameboy me tinha deixado bastante impressionado. A música é variada, tal como acontece em muitos RPGs e bem competente, assim como os efeitos sonoros que não tenho nada de depreciativo a comentar. A narrativa continua bastante acessível e felizmente ao longo do jogo iremos ver várias cutscenes que nos vão relembrar os acontecimentos das prequelas, já tinham passado uns bons anos e muita coisa já não me lembrava, foi uma adição muito benvinda.

Em jeito de conclusão, este Dark Dawn apesar de não ser o RPG “next gen” pelo qual eu tanto ansiava, não deixou de ser um óptimo jogo, herdando todas as mecânicas de jogo que o tornaram conhecido e reinventando o mundo com várias novas localizações a explorar. Só tenho pena que não me tenha parecido um jogo tão épico quanto os seus predecessores, mas também posso ser eu que estou mais velho e exigente.

Mischief Makers (Nintendo 64)

Mischief MakersA Treasure é um dos meus estúdios japoneses de eleição, principalmente pela qualidade dos jogos que debitaram cá para fora durante a época dos 16bit, como Gunstar Heroes, Dynamite Headdy ou Alien Soldier. O jogo que cá trago hoje é o primeiro da Treasure a ser lançado numa consola da Nintendo, um jogo de plataformas com umas mecânicas de jogo muito peculiares. Este meu cartucho foi comprado há uns meses atrás por cerca de 3€ na Feira da Ladra em Lisboa se bem me lembro.

Mischief Makers - Nintendo 64
Apenas cartucho

A primeira coisa que me vem à cabeça é que Mischief Makers é um jogo estranho, logo a começar na sua história. A protagonista é a Marina, uma robot doméstica criação do génio (e tarado) Professor Theo, que por sua vez acaba por ser raptado pelo imperador do planeta Clancer por razões desconhecidas. Até aqui tudo mais ou menos normal, mas depois quando vemos os habitantes de Clancer ficamos logo surpreendidos pela sua estranheza no seu design. Parecem bonecos da Michelin com caras tristes! O resto do jogo coloca-nos como Marina (e não só) no encalço de Theo, defrontando entretanto vários oponentes do Império que parecem ter levado alguma lavagem cerebral. Mas tudo com algum bom humor à mistura.

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Os bosses são o que mais impressiona a nível visual

Mas são nas mecânicas de jogo que Mischief Makers marca a sua diferença. Aqui o foco da acção ao contrário de outras pérolas da Treasure como o Gunstar Heroes ou Alien Soldier não é o de disparar em tudo o que mexe como em Contra, mas sim a exploração e aproveitamento dos inimigos (e não só) em nosso favor. Isto porque podemos agarrar em practicamente tudo o que mexa, abanar e atirar de volta. Sejam NPCs nossos amigos, inimigos, ou mesmo projécteis. Por exemplo, num dos bosses gigantes temos de nos esquivar dos seus murros, mas a chave para o sucesso está precisamente em agarrar o punho no timing certo e atirá-lo de volta para a cara do boss (ou não!!) para lhe causar algum dano. Existem outros níveis em que temos de nos agarrar em objectos que seguem trilhos fixos, obrigando-nos a saltitar de um lado para o outro dessa forma, correndo o risco de cair num abismo sem fundo, entre vários outros exemplos, como adquirir as armas de alguns inimigos (ao abaná-los). Para além disso temos também vários power-ups que poderemos encontrar na forma de cristais coloridos. Servem na sua maioria para regenerar vida, angariar continues ou, no caso dos cristais dourados, para ter acesso a cenas extra no final do jogo. Escusado será dizer que esses são os cristais mais bem escondidos ou de mais difícil acesso.

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Estas caras tristes em todo o lado são sem dúvida alguma o que menos gostei.

O jogo está dividido em 5 mundos bem distintos entre si, com uma média de 10/11 níveis por mundo, incluindo bosses e mid-bosses. Tirando esses embates, a maioria dos níveis normais consistem precisamente em procurarmos a saída, onde para isso teremos de activar uma série de teleportes na forma de estrelas até alcançarmos o que nos leva para a saída, mas também existem outros níveis que apresentam algo mais que o simples platforming, como alguns mini-jogos ou outros puzzles. Para além disso, poderemos revisitar níveis antigos para aumentar a nossa pontuação e performance, embora sinceramente isso nunca me tenha cativado.

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Se me abstrair das caras feias, até consigo gostar do jogo e das suas mecânicas originais

Graficamente é um jogo simples. O design de Marina, Theo e o de outras personagens tem o mesmo traço presente em jogos como o Gunstar Heroes, e isso agradou-me bastante. Já os tais “Michelins” é que não achei mesmo piada, e isso também afecta grande parte dos níveis, pois os blocos que os compõe também têm essa cara estúpida, o que é pena. Fora isso é um jogo colorido e apesar de possuir gráficos 3D em jogabilidade 2D, acho que se o jogo saísse para uma SNES não seria algo muito descabido. Excepto claro no que diz respeito aos bosses, aí as coisas já ficam visualmente bem mais “puxadas”. Relativamente à banda sonora não achei que o jogo estivesse mal, mas sinceramente também não me ficou nada gravado na memória o que quer dizer que as músicas não eram propriamente empolgantes. Existem alguns pequenos clips de voz e esses sim, ficaram gravados na minha mente, em especial o “Shake! Shake!” que Marina dizia sempre que abanássemos algo.

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Por vezes temos direito a várias cutscenes deste género que vão progredindo a história

No fim de contas achei este Mischief Makers um jogo que me dividiu. Se por um lado não gostei de algumas escolhas no design de personagens e de alguns objectos, por outro as mecânicas de jogo eram bem originais para a época. Ainda assim, a Treasure tem jogos bem melhores no seu catálogo, ou pelo menos que mais me agradaram. Mas não deixa de ser um jogo que eu recomende precisamente pela sua originalidade nas mecânicas de jogo.

Wario Land 4 (Nintendo Gameboy Advance)

Wario Land 4Voltando para a Gameboy Advance para mais um jogo do anti-herói da Nintendo, o Wario. Enquanto que o primeiro é o meu jogo preferido da Gameboy clássica, as suas 2 sequelas também acabaram por ser bons jogos, embora o original continue ainda a ser o meu preferido. Com o lançamento da Gameboy Advance, a Nintendo ainda lançou este Wario Land 4, antes de focar  a personagem nos seus Wariowares. Este meu cartucho já foi comprado há algum tempo, talvez no ano passado ou mesmo ainda em 2013, nalguma cash converters na zona de Lisboa se a memória não me prega partidas. Terá custado algo entre os 3 e 4€.

Wario Land 4 - Nintendo Gameboy Advance
Jogo completo com caixa, manuais e papelada

Tal como nos outros Wario Lands aqui também controlamos Wario na sua busca por tesouros. Desta vez isso acontece pois Wario lê num jornal que foi descoberta uma misteriosa pirâmide repleta de tesouros. No entanto nenhum conseguiu ser resgatado devido a estranhos incidentes… ainda assim, Wario nada teme, que quase que atropela um gatinho na sua ganância de chegar ao seu destino o mais rápido possível! E quando lá chega acaba por lá ficar aprisionado bem no centro da pirâmide, não tendo outra alternativa senão explorá-la. Pelo meio lá acabamos também por ajudar uma certa princesa, mas deixo esses detalhes para quem for jogar.

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Desta vez Wario não é invencível, temos uma barra de vida medida em corações

Este Wario Land 4 acaba por herdar muitas mecânicas que tornaram os seus predecessores populares. Mais uma vez Wario consegue-se transformar temporariamente em várias formas diferentes, como molas que lhe permitem saltar mais alto,  ter a cabeça inchada que nem um balão e poder flutuar, ficar super gordo e com o peso poder quebrar alguns blocos de outra forma inquebráveis, entre muitos outros. Estas transformações não vêm por intermédios de powerups que possam ser apanhados, mas sim ao sofrer certos ataques de alguns inimigos. O uso destas habilidades é fulcral para a exploração dos níveis pois permite-nos aceder a várias zonas que têm itens secretos como CDs de música, ou uns triângulos que nos permitem posteriormente desbloquear o boss da zona onde estamos. Os CDs são opcionais, já os outros acabam por ser obrigatórios e no caso das jóias triangulares existem 4 por nível.

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A pequena pirâmide dourada é o último local que desbloqueamos, onde enfrentaremos o boss final

 

Também para desbloquear o nível seguinte é preciso fazer algo mais. Para entrar em cada nível entramos num portal, e após o explorar acabamos por encontrar uma chave voadora, que nos desbloqueia a porta que nos levará ao nível seguinte. Para isso teremos de a trazer connosco até ao portal, tendo um tempo limite para o fazer. Caso não o consigamos, somos cuspidos para fora de qualquer das formas, sem nenhum dos tesouros que tínhamos encontrado. Outra das diferenças neste jogo perante os 2 anteriores é que aqui Wario não é completamente imortal. Wario pode sofrer dano, existindo uma barrinha com vários corações que representa a sua vida. Caso chegue a zero, somos também cuspidos do nível sem trazer nada que tenhamos encontrado, mas também poderemos encontrar vários coraçõezinhos para recuperar alguma saúde ou mesmo extender a barra de “energia”. De resto, a jogabilidade continua excelente, e quem gostou da forma de jogar nos anteriores irá mais uma vez sentir-se em casa com este Wario Land 4.

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Os bosses geralmente são grandes e muito bem detalhados!

Existem ainda outras novidades, como as item shops onde poderemos comprar itens poderosos que nos irão ajudar contra os bosses, que por sua vez são grandes e muito bem detalhados. Esses itens são comprados com recurso às frog coins, cujas podem  ser ganhas ao participar em vários mini-jogos. Ao longo da nossa aventura iremos encontrar salinhas com 3 mini-jogos diferentes que poderemos participar, um baseado em basebol onde temos de marcar homeruns, um outro onde temos de construir a cara do Wario com ele sentado numa cadeira de barbeiro e por fim um mini-jogo onde temos de saltar por cima de obstáculos, com o ritmo a ser muito importante.

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A cutscene inicial é bem groovy e um bom indício do que está para vir

No que diz respeito aos audiovisuais, este jogo aproveita da melhor forma as capacidades da Gameboy Advance, ao nos apresentar mundos bastante coloridos, variados, muito bem detalhados e com sprites bem animadas, tornando Wario numa personagem bem engraçada com todas aquelas expressões faciais agora ainda melhor definidas. O level design continua muito bom, o que é excelente quando se conjuga com uma óptima jogabilidade. As músicas também são muito diferentes do que estaria à espera, fiquei agradavelmente surpreendido. Temos temas com vocalizações (a música de abertura), e outros que abrangem diversos subgéneros musicais, desde música electrónica, pop, folk, ou mesmo alguns mais blues ou rock. A cacofonia sonora que ouvimos quando entramos nas contagens decrescentes para sair do nível também me agradou bastante.

Posto isto, Wario Land 4 é mais uma excelente entrada nesta série Wario Land. Melhor que qualquer Super Mario Advance na minha opinião, apenas por ser conteúdo original e não conversões de jogos já bem conhecidos. Excelente jogo de plataformas, e chega!

Super Mario Bros. 2 (Nintendo Entertainment System)

Super Mario Bros 2Há algum tempo atrás escrevi um artigo sobre o primeiro Super Mario Advance, um remake / conversão musculada do Super Mario Bros 2 da NES. Nesse artigo referi que inicialmente não gostava muito deste jogo. Afinal desde quando tirar nabos da terra e atirá-los contra os inimigos faz parte de um jogo do Mario? Nabos? E eu que nem gosto nada de nabos! Mas é precisamente por detalhes como esse que se tornou no meu jogo preferido da série clássica do canalizador. Este meu exemplar foi comprado a um particular por 10€, embora seja apenas o cartucho. Update: recentemente ofereceram-me uma caixa novinha em folha e o manual!

Jogo com caixa em estado impecável
Jogo com caixa em estado impecável

Creio que nesta altura do campeonato, com toda a informação a circular na Internet apenas à distância de poucos cliques, todos já devem saber que este jogo é na verdade um “sprite hack” do Doki Doki Panic, já que o Super Mario Bros 2 original apenas se ficou em território nipónico. Essa decisão aconteceu porque alguém na Nintendo achou que não havia nada de novo no SMB2, todos os assets são os mesmos, mas a dificuldade é que era mais elevada e isso poderia alienar o público ocidental. Surgiu então este Doki Doki Panic modificado, repleto de diferentes mecânicas de jogo, tal forma radicais que toda a aventura se passa no decorrer de um sonho, onde Mario, Luigi, Toad e Peach (aqui ainda chamada de Toadstool) visitam um estranho mundo aparentemente com o único objectivo de derrotar Wart e os seus minions.

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Bowser? Quem é esse?

Tal como referi acima, as mecânicas de jogo são estranhas. Mario tem uma “barra de energia” que pode ser aumentada ao encontrar os cogumelos vermelhos, podemos puxar cenas da terra, como os tais falados nabos, mas que também podem ser outros objectos como os cogumelos, bombas que nos permitem rebentar com algumas rochas e assim abrir novos caminhos (bem como derrotar inimigos), ou mesmo saltar para cima dos inimigos, pegar neles e atirá-los contra os outros. Por vezes podemos também encontrar umas poções que nos levam uma outra dimensão onde podemos encontrar muitos desses power-ups, vidas extra ou mesmo zonas que nos teletransportam para níveis bem mais à frente. Este jogo está dividido em 7 diferentes mundos, cada qual com diferentes temáticas como as habituais paisagens verdejantes, desertos, neve, nos oceanos, à noite, entre outros sítios mais estranhos, e os níveis vão tendo também muito que explorar, pois podemos entrar em várias portas, ao contrário de descer tubos (mas também podemos entrar dentro de jarros que se tornam gigantes por dentro! Eventualmente vamos também defrontar vários bosses que nos vão por à prova todas estas novas mecânicas de jogo. As diferentes personagens que podemos escolher para jogar em cada nível diferenciam-se entre si nos seus movimentos, com Luigi a conseguir saltar mais alto, Peach a cair mais lentamente e Toad… bem… esse não me lembro! Mas quem é que jogava com o Toad??

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Estas poções servem para nos transportar para uma dimensão paralela, onde poderemos encontrar vários bónus

A música é excelente. Adoro o chiptune de NES e as músicas deste jogo são muito possivelmente das minhas preferidas da plataforma. Uma delas acaba mesmo por ser uma das minhas músicas preferidas de sempre nos videojogos (já agora ouçam lá a interpretação dos Estradasphere desse tema). Os efeitos sonoros cumprem bem o seu papel e a nível gráfico também gostei bastante, principalmente por toda a estranheza dos níveis, dos inimigos, de tudo!

Apesar de o jogo ter sido remasterizado na SNES com o Super Mario All-Stars, ou posteriormente na Gameboy Advance com uma conversão de luxo, ainda continuo a gostar bastante da versão original de NES. E ainda hei-de um dia destes arranjar o Doki Doki Panic para a Famicom, só por causa das coisas!

Starshot: Space Circus Fever (Nintendo 64)

Starshot Space Circus FeverMais uma rapidinha, agora para a Nintendo 64 para mais um dos seus jogos medíocres que cá vieram parar às minhas mãos após terem sido comprados num bundle de vários jogos por apenas 15€. Este Starshot é um jogo de plataformas 3D produzido pela antiga Infogrames que infelizmente os seus controlos e má câmara lhe ditaram a sua mediocridade e quanto a isso não há muito a fazer.

Starshot Space Circus Fever - Nintendo 64
Apenas cartucho

Este é um jogo que decorre algures no espaço e Starshot, a nossa personagem, é um membro do circo espacial Space Circus, que se preparava para mostrar o seu espectáculo no planeta paradisíaco de Tensuns, quando são atacados por um conjunto de robots que lhes destroem o equipamento. Após investigar quem esteve por detrás desses ataques, descobrimos que foram os robots do Virtual Circus, rivais do nosso Space Circus e liderados pelo infame Wolfgang Von Ravel. Entretanto coisas acontecem e lá teremos de explorar vários planetas em busca de artefactos insólitos para o nosso circo, sempre com Von Ravel e suas tropas à pega.

Este é um jogo de plataformas em 3D, onde nos podemos mover livremente, saltar à vontade mas também disparar para vários inimigos que nos atravessem no nosso caminho. Mas nem todos os inimigos podem ser derrotados desta forma, e por vezes o jogo apresenta-nos formas mais inteligentes de dar a volta à situação, como colocar alguns inimigos a combater outros, ou participar em pequenos puzzles para completar os nossos objectivos. Não é um jogo assim tão linear, os níveis são grandinhos e podemos sempre visualizar um mapa que nos indica onde estamos e a localização do próximo objectivo a cumprir. Starshot tem vidas infinitas, mas nem por isso torna este jogo num passeio de crianças. Existem vários checkpoints espalhados nos níveis e sempre que morramos recomeçamos logo ali, mas ainda assim por vezes as coisas ficam frustrante devido aos controlos e à câmara.

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A nossa munição também é algo limitada, embora os power-ups azuis acabem por reaparecer ao fim de algum tempo

Nos controlos há um problema qualquer com o saltar, nem sempre as coisas resultam bem e como existem várias zonas com abismos sem fundo, um salto mal dado é logo uma dor de cabeça. O outro problema está com o controlo de câmara que é simplesmente horrível. Muitas vezes coloca-nos numa perspectiva tão má que não conseguimos ver nada do que está a acontecer, obrigando-nos a controlar a câmara manualmente, muitas vezes com a pressão de estarmos a levar no pelo. De resto as mecânicas de jogo são simples, existindo alguns powerups espalhados nos planetas para os apanhar. Os azuis são munições para a nossa arma, os verdes restabelecem a nossa vida, os amarelos são combustível para usarmos um jetpack (cujo se perde todo ao perder uma vida) e os vermelhos são “mega combustível”, necessário para conseguirmos posteriormente visitar outros planetas, incluindo a Terra que é o mais longínquo.

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Se visitarem o planeta Terra, encontrarão lá este senhor.

Graficamente é um jogo assim-assim. Por um lado é bastante colorido e tudo tem um design muito cartoonesco que eu tanto gosto. Por outro existem várias zonas onde os cenários poderiam estar melhor detalhados, bem como algum slowdown acaba por ser notório. As músicas são agradáveis mas não ficaram na minha memória. Os diálogos são dados em balões de texto, com as vozes a serem apenas pequenos sons sem sentido, o que se compreende dado à pouca capacidade de armazenamento de um cartucho, mas também se adequa bem à temática mais “cartoon” do jogo.

Posto isto, chegamos ao mesmo que tinha referido logo acima no início, Starshot Space Circus Fever é um platformer medíocre pelos seus maus controlos e câmara, o que num jogo de plataformas em 3D é algo que acaba por ser crucial. E isto numa Nintendo 64, onde podemos também encontrar coisas como Super Mario 64 ou ambos os Banjos acaba por ser óbvio que a nossa escolha dificilmente passará pelo pobre Starshot.