Yoshi’s Story (Nintendo 64)

Yoshi's StoryA rapidinha de hoje vai incidir num interessante, porém algo curto, jogo de plataformas para a Nintendo 64. Apelidado de um sucessor espiritual do Super Mario World 2, em Yoshi’s Story muitas dessas mecânicas de jogo são partilhadas com o clássico da SNES, principalmente porque geralmente apenas controlamos os pequenos dinossauros criados pelo Myiamoto. Este meu cartucho foi comprado num bundle de vários jogos de N64 que vieram de uma visita à feira da Vandoma no Porto, algures durante 2015. Custou-me 3€. EDIT: recentemente comprei um completo por 30€ a um particular.

Yoshi's Story - Nintendo 64
Jogo completo com caixa, manuais e papelada

A história do jogo leva-nos novamente à Yoshi Island, onde os Yoshis viviam alegremente sem quaisquer preocupações, até ao baby Bowser fazer das suas e roubar-lhes a Happy Tree. Sem essa árvore da felicidade (imagino o tipo de fruta que dariam…), os Yoshis reúnem-se em busca da mesma, tendo de atravessar 6 níveis até enfrentar Bowser novamente. 6 níveis? Bem… mais ou menos. O mundo de Yoshi’s Island foi também transformado num daqueles livrinhos infantis, onde em cada página que se abre, um mundo se constrói em figuras que se levantam. Cada um desses mundos tem 4 níveis, embora apenas jogamos um nível de cada mundo em cada playthrough. Para desbloquear os restantes, teremos de encontrar um coração especial para esse efeito.

A arte crayon style da introdução poderá induzir em erro do que podemos esperar dos restantes visuais
A arte crayon style da introdução poderá induzir em erro do que podemos esperar dos restantes visuais

A jogabilidade é então algo semelhante à do SMW2, na medida em que controlamos Yoshis que podem comer inimigos, itens e cuspir ovos. A maneira de apontar onde queremos atirar os ovos mantém-se igual ao SMW2 e o objectivo em cada nível é comer 30 frutos. Quer isto dizer que é possível avançar para o nível seguinte sem explorar tudo, até porque há muitos frutos não tão visíveis. A barra de vida é medida por uma flor e as suas pétalas. Sempre que sofremos dano a flor perde umas pétalas, e por outro lado sempre que comemos um inimigo ou um fruto ganhamos algumas. Este é também o medidor de felicidade dos Yoshis, quanto mais pétalas a flor tiver, mais alegre é a música do jogo. De resto, perdendo uma vida, o Yoshi com o qual jogávamos é raptado pelos Shyguys e somos obrigados a jogar com um Yoshi de uma outra cor. É no entanto possível recuperá-lo se encontrarmos um Shyguy secreto algures num nível, passando a poder jogar com ele. Se chegarmos ao fim do nível com o tal Shyguy, poderemos resgatar o Yoshi. De resto, para além do modo história, temos também o modo trial, onde podemos jogar os níveis já desbloqueados em busca de fazer a maior pontuação possível.

Não foi no Kirby's Epic Yarn onde a Nintendo começou por fazer este tipo de experiências
Não foi no Kirby’s Epic Yarn onde a Nintendo começou por fazer este tipo de experiências

Nos audiovisuais, este Yoshi Story é um jogo muito competente. A arte é bastante variada, pois cada mundo tem uma temática própria, não só aqueles níveis mais verdejantes, outros nas cavernas, no céu, debaixo de água e afins, mas também no tipo de “materiais” utilizados. Temos níveis que parecem feitos de papel, outros de tecido, de cabedal e por aí fora. Devo dizer que é um 2D muito bem feito pela Nintendo! As músicas são também muito boas. Apesar de terem uma melodia base semelhante, vamos ouvir imensos arranjos diferentes da mesma melodia, o que na minha opinião também  resultou muito bem.

Pode não ser um jogo muito difícil, mas a sua variedade visual é excelente
Pode não ser um jogo muito difícil, mas a sua variedade visual é excelente

No fim de contas, este acaba por ser um jogo que parece bastante curto, mas se nos dermos ao trabalho de desbloquear os diferentes níveis (e sinceramente é algo que vale a pena) já temos algum conteúdo considerável, embora continue a não ser um jogo muito longo. Ainda assim não deixa de ser um excelente jogo de plataformas como a Nintendo sempre bem nos habituou.

Teenage Mutant Hero Turtles III: Radical Rescue (Nintendo Gameboy)

TMNT III Radical RescueA rapidinha de hoje mantém-se pelas consolas portáteis, desta vez mais uma incursão no mundo dos videojogos das tartarugas ninja que tantas alegrias nos deram quando éramos mais novos. Por acaso nunca tinha jogado os títulos da Game Boy, e este terceiro revelou-se uma óptima surpresa. O meu cartucho foi comprado há uns meses atrás por cerca de 2€ na Cash Converters de Alfragide.

Teenage Mutant Hero Turtles III Radical Rescue - Nintendo Gameboy
Apenas cartucho

Os dois primeiros títulos para a Gameboy eram sidescrollers que se assemelhavam ao primeiro jogo da série para a NES, nada a ver com os beat ‘em ups que a Konami começou por lançar para as arcades e que acabaram também por receber adaptações para as consolas domésticas da altura. Neste terceiro jogo surpreenderam-me bastante ao apresentar mais um sidescroller, mas desta vez fortemente inspirado pela série Metroid. E então como isso funciona? Vamos começar pela história: coisas acontecem e April, Splinter, Leonardo, Raphael e Donatello foram feitos prisioneiros de Shredder e os seus súbditos. A tartaruga que resta é o Michelangelo que tem a missão de salvar toda a gente. Michelangelo tem uma habilidade especial que lhe permite usar os nunchakus como hélices, tornando os seus saltos bem mais longos. Com essa habilidade pode chegar a um sítio e enfrentar o primeiro boss, que o recompensa com uma chave. Depois somos levados a explorar um pouco mais o mapa até que conseguimos abrir uma cela que alberga uma das outras tartarugas, que por sua vez possui uma outra habilidade especial que lhe permite alcançar outras zonas no mapa. E isto repete-se com todas as tartarugas e, com a possibilidade de alternar de tartaruga em tartaruga sempre que nos der jeito, está lançado o mote para mais um metroidvania.

Surpreendentemente, este jogo é um metroidvania bem competente
Surpreendentemente, este jogo é um metroidvania bem competente

Leonardo consegue quebrar alguns blocos ao rodopiar com as suas espadas, Raphael consegue encolher-se na sua carapaça e atravessar passagens demasiado estreitas para os outros e Donatello tem a habilidade de escalar paredes. De resto, a jogabilidade em si é bastante simples mas funcional, com um botão para atacar e um outro para saltar.

No que diz respeito aos audiovisuais é um jogo relativamente bem trabalhado, tendo em conta as limitações da plataforma. Há variedade nos visuais ao longo do mapa, com o mesmo a atravessar cavernas, florestas ou zonas mais high-tech ou industriais. As sprites também são bem detalhadas tendo em conta as circunstâncias e as músicas agradáveis. Pelo menos espero que gostem da música tema da série de animação televisiva, pois a irão ouvir aqui vezes sem conta.

O mapa do jogo, com vários locais de interesse marcados
O mapa do jogo, com vários locais de interesse marcados

No fim de contas para mim este foi um jogo que me agradou bastante. Primeiro pela surpresa de ser um metroidvania, depois por ter visto que foi um pequeno metroidvania mas bem implementado e com uma boa jogabilidade. Está aprovado!

Final Fantasy Crystal Chronicles: Ring of Fates (Nintendo DS)

FF CC Ring of FatesO Final Fantasy Crystal Chronicles foi o jogo que marcou o regresso da Squaresoft (já na altura com o nome de Square Enix) de volta às plataformas da Nintendo, após uma separação algo litigiosa que resultou no lançamento de Final Fantasy VII na concorrente Sony Playstation. E este Crystal Chronicles era um action RPG algo simples, mas com um charme muito peculiar e que sempre me agradou, sendo para mim um dos jogos de peso da Nintendo Gamecube. A Square Enix decidiu então pegar nesse título e criar uma série de novos jogos baseados no mesmo universo, mantendo-se sempre nas consolas da Nintendo. Este meu exemplar foi comprado na feira da Ladra em Lisboa há uns meses atrás, tendo-me custado 5€.

Final Fantasy Crystal Chronicles Ring of Fates -Nintendo DS
Jogo com caixa, manual e papelada

No Crystal Chronicles original, o mundo estava infestado de Miasma, uma substância tóxica que afectava todas as populações. A única maneira de sobreviverem era com recurso aos cristais mágicos, que serviam de escudo e impediam o Miasma de entrar nas aldeias e cidades. Mas todos os anos era necessário sair numa expedição para procurar Myrhh de forma a recarregar as energias do cristal. Neste Ring of Fates, a narrativa decorre muito antes desses acontecimentos, com o mundo a ser ainda um local normal. Os protagonistas são os irmãos gémeos Yuri e Chelinka, que se vêm envolvidos numa conspiração por parte de um culto religioso em ursupar o reino de Rebena Te Ra e usar os cristais mágicos para poderes nefastos.

Os Mogs continuam a ser presença obrigatória na série
Os Mogs continuam a ser presença obrigatória na série

E enquanto o original era um jogo que podia ser jogado sozinho, mas também poderia ser jogado cooperativamente com recurso ao cabo de ligação da Gamecube à Gameboy Advance, nesta prequela para a Nintendo DS a Square Enix decidiu separar a vertente single player e multiplayer com diferentes histórias, com o jogo a seguir uma abordagem de “cumprir quests” nessa vertente. De resto as mecânicas base de jogo mantêm-se muito semelhantes entre si e com o primeiro Crystal Chronicles. Existem na mesma as 4 raças distintas de humanóides, mas os seus atributos mudaram um pouco. Temos então os Clavats, aquela raça que mais se assemelha aos humanos normais, outrora com atributos razoáveis em todos os campos, mas agora com predominância em ataques físicos, os Selkies, arqueiros das florestas com a agilidade como ponto forte, os Yukes que se mantêm como os feiticeiros do jogo e por fim os Lilties, outrora fortes guerreiros como os anões, mas neste jogo a ganhar o papel de alquemistas. Os ataques mágicos continuam a assentar em combinações de diferentes tipos de magicites, com os ataques a serem desencadeados ao arrastar o alvo para a área em questão. A nossa party, que vem a ter uma personagem de cada raça no modo história principal partilha também de uma pool de magicites, e diversos itens como poções que podem ser arrastados com a stylus para a personagem em questão.

De resto é também um jogo com alguma ênfase no equipamento que podemos comprar, com as personagens a mudarem o seu aspecto cada vez que alteremos uma armadura, capacete e afins. Para além do mais, devo dizer que o modo multiplayer também me surpreendeu bastante, pois a Square Enix deu-se ao trabalho de fazer uma coisa com pés e cabeça, ao criar uma espécie de história paralela. Aqui até 4 amigos poderiam criar a sua personagem e jogar em conjunto, embora também seja possível jogar este modo de jogo adicional sozinho.

Para não variar, o touch screen serve para funções de menus
Para não variar, o touch screen serve para funções de menus

A nível gráfico acho que é um jogo muito bem conseguido para a Nintendo DS. Esta portátil tem um potencial bastante limitado no que diz respeito aos gráficos em 3D, mas a Square Enix apresentou aqui um motor gráfico bastante robusto, permitindo personagens e cenários bem detalhados. O Crystal Chronicles original tinha um charme muito característico a nível gráfico, principalmente com a direcção de arte utilizada e conseguiram replicar muito bem aqui essa experiência. As músicas também são competentes, assim como o voice acting que vai dando o ar da sua graça aqui e ali. No geral, acho que a narrativa está muito boa para um RPG mais ligeiro como este e devo dizer que este Ring of Fates me parece um jogo bem mais sólido que o seu sucessor, o Echoes of Time, um outro action RPG híbrido, lançado em simultâneo para a Nintendo DS e a Wii, partilhando do mesmo motor gráfico em ambas as versões. Mas isso é conversa para um outro artigo, a partir do momento em que adicione esse jogo à minha colecção. No fim de contas, este é um action RPG com um balanço muito positivo para mim.

Pilotwings 64 (Nintendo 64)

Pilotwings 64A rapidinha de hoje é sobre um jogo que até acabou por me surpreender pela sua diversidade. As memórias que tinha do Pilotwings 64 era de ver no saudoso Templo dos Jogos alguém a bater numa espécie de Mount Rushmore com a cara do Wario lá esculpida e a mesma ser substituída pela do Mario. Após jogar 5 minutos do Pilotwings original em emulação, estava convencido que este era um simulador de voo convencional, mas felizmente enganei-me e já explicarei o porquê. Este meu cartucho custou-me 3€ na feira da Vandoma no Porto, algures durante o ano passado. Foi um pequeno bundle de vários cartuchos que comprei.

Pilotwings 64 - Nintendo 64
Apenas cartucho

E sim, na sua essência este é um simulador de voo, mas não é lá muito convencional, pois os equipamentos de voo são uma asa-delta, um jet pack e um gyrocopter, aqueles helicópteros pequeninos e ultra-leves. Cada um destes 3 veículos possui diferentes controlos e mecânicas de jogo que serão explorados devidamente nas várias provas que teremos de realizar. Isto porque o modo principal de jogo consiste em obter vários tipos de licenças de voo, desde a mais básica de principiantes até à mais avançada para um piloto a sério. Para isso teremos de cumprir várias missões. Inicialmente as coisas são bem simples, ideiais para nos habituarmos aos controlos, com as missões a pedirem simplesmente que passemos pelo meio de vários anéis aéreos no menor tempo possível. Depois as coisas começam a ficar mais interessantes e o tipo de missões mais abrangentes. Nas asas deltas por vezes pedem-nos que tiremos algumas fotos a certos objectivos, no jetpack teremos de rebentar balões gigantes no céu ou empurrar bolas gigantes para um certo local, ou no girocóptero por vezes teremos de disparar mísseis, seja em alvos espalhados um pouco por todo o lado, seja para repelir algum robot gigante de atacar uma cidade.

Muitos destes anéis teremos de atravessar!
Muitos destes anéis teremos de atravessar!

Os controlos felizmente são bem implementados e adequam-se bem ao estilo de jogo. Para nos auxiliar nas missões temos de ter especial atenção ao radar que nos vai indicando os próximos pontos de interesse bem como se estão mais alto ou mais baixos que nós pela cor que aparecem no radar. No gyrocopter ou jetpack temos de ter também atenção ao combustível disponível para terminar a missão, já na asa delta como apenas estamos a planar pelo ar devemos planear bem o nosso percurso. Geralmente existem alguns locais (também marcados no radar) com correntes de ar quente que nos voltam a colocar lá em cima. De resto, e para além destas 3 modalidades, existem ainda outras 3 de bónus que podemos experimentar, como o Human Cannonball (onde o objectivo é acertar o mais próximo possível do centro do alvo), o Sky Diving, onde temos de fazer algumas acrobacias enquanto caimos em queda livre e o Jumble Hopper, onde temos calçado umas botas especiais que nos permitem saltar incrivelmente alto. O objectivo é chegar à meta com o mínimo de saltos possível.

A draw distance deste jogo era muito boa, comparando com outros das consolas concorrentes
A draw distance deste jogo era muito boa, comparando com outros das consolas concorrentes

Graficamente é um jogo bastante colorido e detalhado para a época. É de salientar que este era um jogo de lançamento para a Nintendo 64 e aqueles pormenores técnicos que a consola tinha como falhas ainda não eram propriamente notórios nesta época. Contem com vários diferentes cenários a explorar, várias ilhas em diferentes alturas do dia e condições climatéricas, bem como pequenas cidades norte-americanas em miniatura, como New York ou Hollywood, por exemplo. As músicas são bastante calmas e com melodias alegres.

Em suma, este Pilotwings foi um jogo que me impressionou com a sua diversidade de missões, pois estava à espera de encontrar um simulador de voo algo chato. Fica é a faltar um modo multiplayer.

Golden Sun: The Lost Age (Nintendo Gameboy Advance)

Golden SunEste artigo é só uma breve referência para um outro artigo que já tinha escrito para a Revista PUSHSTART, numa altura em que apenas escrevíamos em suporte digital. Poderão ler o artigo na íntegra aqui. O meu exemplar veio de um colega de trabalho que mo vendeu por 15€, completo e em bom estado.

Jogo completo com caixa, manuais e papelada
Jogo completo com caixa, manuais e papelada

Basicamente a ideia que dá é que o Golden Sun 1 e 2 deveriam ser apenas um único jogo, um pouco como a Sega fez com o Sonic 3 & Knuckles. A história pega logo no final do jogo anterior, onde desta vez o foco está na party de Felix, em vez de Isaac e o seu grupo de amigos. Não é a primeira vez que a Camelot envisiona um RPG gigantesco e com a história vista por diferentes lados do conflito, o mesmo também foi feito com o Shining Force III da Sega Saturn, por exemplo. Assim sendo, para quem jogou o primeiro Golden Sun e tenha gostado das mecânicas que misturam puzzles na exploração das dungeons, com batalhas tradicionais por turnos e o uso dos Djinns e Summons, sabe o que esperar desta sequela, pois a nível de mecânicas de jogo é muito semelhante.