Professor Layton and the Spectre’s Call (Nintendo DS)

Professor Layton and the Spectre's CallE para finalizar a série de artigos sobre o Professor Layton, pelo menos até comprar uma 3DS, fica aqui a análise ao The Last Spectre. Embora o Lost Future tenha deixado em aberto uma nova história, a Level 5 decidiu em dar uma de George Lucas e começar uma nova trilogia, que decorre antes dos primeiros 3 jogos, sendo este The Spectre’s Call oficialmente o primeiro jogo na ordem cronológica da série. Ao contrário dos anteriores que foram todos comprados na Radio Popular a 10€, este foi adquirido numa promoção ainda mais cativante. O jogo ficou-me por 3€, tendo sido comprado numa Mediamarkt em Vila Nova de Gaia, por intermédio do amigo Luís Filipe Teixeira, a quem agradeço.

Professor Layton and the Spectre's Call - Nintendo DS
Jogo completo com caixa, manual e papelada

O jogo decorre então 3 anos antes da aventura de Curious Village, onde Layton recebe uma carta aparentemente escrita pelo seu amigo Clark Triton dizendo que a sua localidade de Misthallery está sendo atacada à noite por uma criatura misteriosa conhecida por “Spectre”. Layton entretanto acaba também contratar a jovem Emmy Saltava como sua assistente pessoal na Universidade de  Gressenheller e juntos partem para Misthallery de forma a tentar resolver mais esse mistério. Quando falam com Clark, descobrem que a carta no fim de contas foi escrita pelo seu filho, o jovem Luke Triton que já conhecemos dos jogos anteriores, mas é neste jogo que sabemos como ele e Layton se conheceram. Acontece que o Luke fez o trabalho de casa e descobriu várias pistas para resolver o mistério que assola Misthallery, acabando então por juntar-se a Layton e Emmy nesta aventura. Como é habitual na série, a história depois envereda por outros caminhos, tornando-se mais abrangente e com o mistério inicial a evoluir por outras direcções. Infelizmente, depois de ter jogado o Lost Future, este Spectre’s Call pareceu-me uns furos abaixo na sua história. Mas talvez tenha sido por ter jogado os 4 jogos de tacada.

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Os puzzles seguem a mesma lógica das hint coins e afins

E tal como os outros Professor Layton, a jogabilidade prende-se em 3 frentes: a parte de aventura, onde temos de explorar todos os cenários e falar com todas as pessoas, de forma a encontrar pistas e outros segredos; a parte do puro e duro puzzle solving, sendo puzzles de diversas temáticas, sempre utilizando a interface touchscreen da DS; por fim, o conjunto de minijogos acessíveis a qualquer momento do jogo principal. Não havendo grandes inovações na primeira parte, passemos para os minijogos. Um deles é algo semelhante ao circuito de carros que existe no Lost Future, mas agora com comboios. Desta vez temos de construir um caminho de ferro que leve um comboio de brincar do ponto A ao ponto B, passando por todas as estações, não ficando sem combustível entretanto e evitar colidir com outros carros ou comboios que se movem ao mesmo tempo noutros circuitos já desenhados. Um outro consiste num peixe a mover-se num aquário. O peixe apenas se pode movimentar diagonalmente, numa direcção prédeterminada. O objectivo consiste em fazer com que o peixe capture todas as moedas espalhadas pelo aquário. Para isso dispomos de um número limitado de bolhas de ar em que as temos de espalhar no aquário, de forma a que, quando o peixe vá contra as mesmas, mude de direcção e consiga capturar todas as moedas. O terceiro consiste numa espécie de teatro de marionetas, em que vão construindo pequenas histórias e o jogador deverá completar algumas frases com vocabulário que vai descobrindo ao longo da aventura principal. Infelizmente estes minijogos não são tão originais ou cativantes como os anteriores, mas este Professor Layton tem um trunfo na cartola que infelizmente os europeus não tiveram o prazer de o descobrir. Em todos os outros lançamentos, existe um mini-jogo chamado London Life, em que consiste num pequeno RPG passado em Little London que muito me faz lembrar a série Mother/Earthbound. A desculpa oficial pela qual nós, europeus, não tivemos acesso a esse fantástico minijogo prende-se por falta de tempo em traduzir tudo para as diferentes línguas. Bah, lançavam em inglês e quem não soubesse que fosse aprender.

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London Life, o jogo que nós não jogamos

De resto o jogo cumpre com a maestria já habitual no quesito audiovisual. Os artworks continuam excelentes, as personagens bizarras e carismáticas, a animação de excelente qualidade tendo em conta a plataforma em questão, bem como o muito competente voice-acting e músicas no geral. A fórmula poderia já estar a ficar um pouco gasta neste jogo (eu senti isso), mas quem gostou dos jogos anteriores, certamente irá também passar um bom bocado com este Spectre’s Call.

Professor Layton and the Lost Future (Nintendo DS)

Professor Layton and the Lost FutureDe volta para mais um artigo sobre a série Professor Layton para a Nintendo DS, e não será certamente o último pois ainda tenho mais um para falar em seguida  (o Spectre’s Call). Mais uma vez, aconselho a leitura do artigo do primeiro jogo da série (Curious Village) pois este mais uma vez mantém as mesmas mecânicas de jogo e aspecto audiovisual. Também como os outros dois jogos anteriores, este foi adquirido recentemente na Rádio Popular do Norteshopping, por uma quantia próxima a 10€.

Professor Layton and the Lost Future - Nintendo DS
Jogo completo com caixa, manual e papelada

Mais uma vez, o jogo coloca a dupla Layton e Luke no meio de uma trama mirabolante, repleta de vários mistérios para resolver e na minha opinião esta é a melhor história de todas na série. O jogo abre com Layton e Luke a atenderem a uma demonstração de uma máquina do tempo por parte do Dr. Alain Stahngun. Infelizmente a coisa corre para o torto, resultando no desaparecimento do primeiro ministro britânico que lá estava a assistir ao evento. Eventualmente outros cientistas vão desaparecendo gradualmente, até que Luke e Layton recebem uma carta intrigante, endereçada pelo próprio Luke 10 anos no futuro. Ao investigar esta coisa absurda, a dupla depara-se com uma outra máquina do tempo que os transporta a uma diferente realidade, onde conhecem o Luke do futuro e Layton nesse período aparentemente tornou-se líder de um gang mafioso, sendo temido por todos. A história diverge bastante a partir daqui, e como sempre vamo-nos aperceber que nem tudo o que parece é, para além de vislumbrarmos um pouco mais do passado amoroso de Layton.

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A misteriosa máquina do tempo que tanto iremos utilizar

As mecânicas de jogo são essencialmente as mesmas dos jogos anteriores. A aventura principal está assim dividida numa mistura entre a jogabilidade de um jogo de aventura tradicional com a pura resolução de enigmas. A parte de aventura consiste em explorar diversos cenários, para encontrar items ou puzzles escondidos, e falar com as personagens ou interagir com alguns objectos de forma a resolver mais enigmas e progredir na história. Os enigmas são mais uma vez contextualizados com a história ou com os problemas que os habitantes locais se queixam, e continuam a ser variados, desde temas de lógica, matemática ou outros puzzles mais convencionais de tentativa-erro como os de arrastar painéis que eu tanto “adoro”.

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Estes género de puzzles irritam-me solenemente, mas como há quem gosta…

Como vem sendo habitual, existem algumas recompensas em procurar resolver todos os puzzles e explorar os cenários ao máximo, pois para além das hint coins que podem ser utilizadas na resolução dos enigmas, podemos também descobrir outros items que podem ser utilizados em vários mini-jogos, acessíveis a qualquer altura da aventura principal. E nesta aventura contamos diversos mini-jogos, um deles consistindo em coleccionar diversos autocolantes para preencher alguns livros com pequenas histórias, mediante o seu contexto. Um outro consiste em colocar uma série de trampolins em pontos chave de um cenário com alguns obstáculos, de forma a lançar um papagaio do ponto A ao ponto B para fazer entregas. O que eu achei mais piada foi o mini-jogo que consiste em colocar uma série de setinhas num circuito de carros de brincar, de forma a obrigar o carro a virar para onde a seta indicar para que o mesmo se desvie de alguns obstáculos e atinja a meta. Para além do mais existe muito outro conteúdo bónus a ser desbloqueado ao completar-se 100% do jogo, como tem sido habitual na série, bem como alguns enigmas para se fazer download através da estrutura online da Nintendo DS.

No que diz respeito ao audiovisual, este é o jogo mais bem conseguido dos 3 primeiros, na minha opinião. Em parte pela história que acaba por ser muito bem elaborada, noutra nota pela capacidade de armazenamento deste jogo ter quadruplicado face aos primeiros. Aqui temos mais de meia hora de animações de alta qualidade, tendo em conta a baixa resolução da DS e capacidade de armazenamento limitada. E isto é também válido tanto para as músicas que estão excelentes, bem como para o voice-acting que mantem o mesmo nível de charme e peculiaridades das diferentes personagens que vão surgindo. O mesmo pode ser dito para o artwork no geral que, como já referi nos anteriores, mantém um estilo banda desenhada europeia que tanto gosto.

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Layton e ambos os Lukes

No fim de contas este pode ser “mais um Professor Layton”, com poucas novidades de grande relevo. Na verdade não inova muito para além dos novos minijogos, mas possui uma história que a meu ver está muito boa e quem gostou dos anteriores, certamente irá também gostar deste Lost Future, como foi o meu caso.

Professor Layton and Pandora’s Box (Nintendo DS)

Professor Layton and Pandora's BoxE vamos para mais um artigo da série Professor Layton, desta vez será um pouco mais curto (assim como os restantes), pois as mecânicas de jogo permanecem idênticas, com algumas mudanças para melhor. Assim sendo o artigo do primeiro jogo da série (Curious Village) acaba por ser recomendável para uma leitura com maior detalhe. De qualquer das formas, este segundo jogo da série Professor Layton chegou-me à colecção da mesma maneira que o Curious Village, foi comprado por sensivelmente 10€ na Rádio Popular do Norteshopping.

Professor Layton and Pandora's Box - Nintendo DS
Jogo completo com caixa, manual e papelada

O jogo coloca a dupla Layton e Luke a caminho de visitar o mentor de Layton, o Dr. Schrader. O motivo da sua visita prende-se com a notícia que Schradher alegadamente veio a possuir a misteriosa Elysian Box, uma caixa mística cuja lenda diz que sempre alguém a abre, morre. E na verdade, quando Layton e Luke encontram o Dr. Schrader, o homem estava em completamente paralisado, mas sinais da Elysian Box nem vê-los. As únicas pistas estão no bilhete do comboio Molentary Express que Schrader possuia, para além das informações no seu diário, que indicam que a Elysian Box teria a sua origem na cidade de Folsense. A dupla (acompanhada depois por Flora, uma personagem que viemos a conhecer no primeiro jogo) parte assim para Folsense mas, ao contrário do primeiro jogo, aqui a exploração não se restringe a uma localidade apenas. Desde o próprio Molentary Express que até tem um capítulo unicamente dedicado ao mesmo, passando pelas localidades de Dropstone, Folsense e mesmo vários pontos de Londres. E mais uma vez a história está sempre repleta de mistério e com alguma fantasia pelo meio. Mas essa magia faz parte do universo Layton.

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A história é contada mais uma vez em capítulos, tendo o jogador muitas vezes de completar “n” puzzles para progredir

Assim sendo, mais uma vez o jogo divide-se no modo aventura, onde se comporta quase como um point and click se tratasse, de forma a explorar os cenários e falar com todas as personagens, no puzzle solving literal de diversos enigmas que vão surgindo, e também com vários mini-jogos. Nesta aventura dispomos de um mini-jogo em que temos de ajudar um hamster balofo a emagrecer, colocando diversos objectos que se vão obtendo ao longo da aventura em circuitos de forma a que ele consiga correr uma série de passos. Um outro é montar uma máquina fotográfica, peça a peça, de forma a usá-la posteriormente para tirar fotos de alguns cenários e descobrir as diferenças. Mais uma vez, com base em objectos que podemos adquirir ao longo do jogo, um outro mini-jogo consiste em obter ingredientes para chá e posteriormente misturá-los de forma a obter diferentes receitas. O objectivo está em oferecer o chá certo a vários personagens que vão tendo “sede” ao longo do jogo. Por fim, reconstruir um diário especial. Mais uma vez, completar estes mini-jogos dão direito a jogar-se mais uns quantos enigmas bem mais avançados de forma a obter-se 100% de conclusão do jogo e desbloquear mais uns quantos conteúdos bónus, como artwork, perfis das personagens, os filmes, música e vozes do jogo.

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Os puzzles são mais uma vez resolvidos unicamente com a interface touch da DS, com o ecrã superior a servir apenas para apresentar o problema e as suas dicas

Algo que eu me esqueci de referir em Curious Village é o facto de ambos os jogos possuirem também uma série de puzzles disponíveis para download através da rede online da Nintendo. Não cheguei a experimentar esta funcionalidade. Mas voltando aos enigmas que são a mais forte componente deste jogo, desde já é possível observar-se uma grande melhoria que se arrastou para todos os outros jogos da série. Desta vez os enigmas (pelo menos a grande maioria deles) fazem sentido de acordo com o seu contexto em que estão inseridos. Desde simples puzzles “mecânicos” para se abrir uma porta, aos vários puzzles lógicos inseridos no contexto das falas das personagens, ou mesmo dos eventos do jogo. De resto existe uma grande variedade nos tipos de puzzles, incluindo aqueles que eu não gosto por nada, bem como o sistema de hint coins que continua implementado.

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As cutscenes continuam com uma animação fantástica. O que me levra a pensar que tenho de ver o filme de Layton.

Graficamente é mais uma vez um jogo soberbo. A qualidade das cutscenes está ligeiramente superior, apesar de o jogo possuir um cartucho com a mesma capacidade de armazenação que o anterior. Mais uma vez as personagens possuem um carisma muito forte, e a qualidade do desenho é algo que eu já disse no outro artigo que me agrada bastante. Enquadra-se perfeitamente com o estilo de jogo e onde o mesmo se passa, tanto nos locais, como no tempo. Apesar de ser produzido por um estúdio japonês, o jogo é todo ele europeu, por assim dizendo. O voice acting está igualmente excelente, e estes eram dos poucos jogos em que eu fazia questão em jogar com som na Nintendo DS. O mesmo posso dizer da banda sonora que é muito bem adequada para o jogo em questão.

Em jeito de conclusão, Professor Layton and Pandora’s Box é uma sequela que melhora em todos os aspectos sobre o primeiro jogo. Oferecendo mais uma vez uma boa história com personagens muito bem conseguidas, bem como uma exploração mais variada com mais locais a explorar. Os enigmas estão bem mais contextualizados e continuam a ser bastante inteligentes, muitos deles oferecendo desafios lógicos que bem me agradam. Já aqueles puzzles que consistem em arrastar telas de um lado para o outro, não comento.

Professor Layton and the Curious Village (Nintendo DS)

Professor Layton and The Curious VillageA série Professor Layton é possivelmente a minha franchise preferida que a Nintendo DS nos introduziu. Produzida pela Level 5, o estúdio japonês que já nos presenteou diversos RPGs como Dragon Quest VIII ou Rogue Galaxy, apresenta este jogo com uns visuais e animações fantásticas para os padrões da Nintendo DS. Mas os jogos da série não são RPGs, mas sim uma bela mistura entre jogos de aventura do estilo point and click com a resolução dos mais variados quebra-cabeças. Este jogo veio-me parar à colecção há poucas semanas atrás, após ter visitado a Radio Popular no Norteshopping e ter encontrado os primeiros 3 jogos da série a sensivelmente 10€ cada um.

Professor Layton and the Curious Village - Nintendo DS
Jogo completo com caixa, manual e papelada

Este é então o primeiro jogo em que somos apresentados a dupla dinâmica do Professor Hershel Layton e o seu aprendiz Luke Triton, embora não seja a primeira aventura de ambos, cronologicamente falando. Layton é um arqueologista e professor universitário da área, sendo também um verdadeiro gentleman e com um imenso gosto em resolver puzzles e quebra cabeças, tal como o seu jovem aprendiz Luke. Nesta primeira aventura Luke recebe uma carta da Lady Dahlia, recém viúva do Barão Augustus Reinhold, o homem mais rico da vila de St. Mystére. O Barão indicou no seu testamento que apenas quem resolver o enigma da Maçã Dourada é que herdará toda a sua a sua fortuna, pelo que Lady Dahlia solicita a ajuda da maior autoridade de puzzles e quebra-cabeças: Hershel Layton. A vila de St. Mystére, como o próprio nome indica é bastante misteriosa, estando repleta de gente bizarra, locais sinistros e muitos segredos para descobrir. Mas uma coisa une os habitantes de St Mystére com Layton e Luke: a sua paixão em resolver puzzles. Na verdade esta vem a ser uma categoria que acompanhará toda a restante série. Não me vou alongar muito mais na história, pois a mesma merece ser vivida, apenas refiro que já neste jogo surgem diversas outras personagens que irão aparecer ao longo da série, como Don Paolo, o auto-proclamado arqui-inimigo de Layton, ou o Inspector Chelmey, detective vindo directamente de Scotland Yard, Londres.

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Na fase de exploração, o ecrã de cima serve como mapa, o de baixo para interagir com as pessoas e objectos através do touchscreen

Como já referi acima, a jogabilidade é um misto de um jogo de aventura point and click e puro puzzle solving. Normalmente controlamos a dupla ao longo de um mapa, onde podemos visitar diversas localidades, falar com pessoas ou inspeccionar os cenários, ao clicar em objectos e afins à procura de mais pistas, tudo isto utilizando a stylus da DS e o seu ecrã tactil. Esta é a parte do jogo em que nos armamos em detectives, ao falar com as pessoas ou tentar obter mais pistas. Ainda assim, nem todas as localizações estão inicialmente “desbloqueadas”, para as visitar é necessário progredir na história, ou resolver um determinado número de puzzles. E puzzles é o que todas as diferentes personagens de St. Mystére nos vão dando: “Ai querem uma pista? Então resolvam-me lá este enigma.”. E esses enigmas são bastante variados entre si, desde simples puzzles de lógica, alguns até matemáticos, e como não poderia deixar de ser existem também os puzzles de arrastar blocos, cujos eu tenho sempre um ódiozinho de estimação. Mas comum a todos os puzzles, é que os mesmos são resolvidos com o ecrã tactil apenas. Assim como os próprios menus e tudo o resto. Este é daqueles jogos que não necessitamos mais nada a não ser a interface touch.

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Ao resolver puzzles, o ecrã de cima mostra a descrição do problema, o touch serve para o resolver, onde podemos até escrever se pretendido

Para resolver cada puzzle podemos dispor também de algumas ajudas. Existem 3 dicas para cada desafio, contudo as mesmas têm o custo de uma hint coin. E essas moedinhas podem ser descobertas ao clicar em certos pontos chave nos diversos cenários, estando naturalmente escondidas. Mas não são apenas essas moedas que podemos tentar descobrir ao clicar em tudo o que pareça suspeito. Para além de puzzles secretos podemos também encontrar peças para construir um cão mecânico, cão esse que posteriormente nos ajuda na aventura ao farejar puzzles escondidos e hint coins. Os jogos Professor Layton possuem sempre alguns mini jogos a acompanhar a aventura principal e o primeiro jogo da série não é excepção. Para além do cão mecânico que podemos construir, alguns habitantes de St Mystère nos vão premiando com peças de mobília, que podemos utilizar para decorar os quartos de Layton e Luke, ou pedaços de uma pintura que podemos posteriormente reconstruir. Estes mini jogos ou side quests se lhes queremos chamar assim desbloqueiam no final do jogo uma série de novos puzzles bastante complicados, necessários para completar 100% o jogo, sendo que depois também somos recompensados com diverso artwork e perfis de todas as personagens do jogo.

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As cutscenes têm uma qualidade de animação fantástica

O audiovisual é certamente um dos pontos mais fortes de toda a série e este Curious Village não é uma excepção. O voice acting é exemplar para uma consola como a Nintendo DS, e tanto Layton com as suas boas maneiras dignas de um “sir”, o espírito irreverente do jovem Luke e a bizarrice dos habitantes de St Mystère tornam as personagens com um carisma muito próprio e que me deu sinceramente um enorme gozo de as conhecer. Sem mencionar o sotaque britânico que é bastante fancy, claro está. A arte do jogo, quer das personagens quer dos próprios cenários faz-me lembrar bastante a animação/banda desenhada europeia clássica, como Tintin, por exemplo. O que a meu ver é algo bastante incomum vindo de um estúdio japonês. As cutscenes têm uma óptima qualidade, tendo em conta a baixa resolução do ecrã da portátil da Nintendo e a baixa capacidade de armazenamento dos seus cartuchos. Mas geralmente todos os jogos que utilizem o codec  “ActImagine” costumam ter bons resultados nas cutscenes.

Concluindo, acho Professor Layton and the Curious Village uma excelente estreia de uma série que sempre me prendeu e muito provavelmente me vai fazer comprar uma 3DS mais tarde ou mais cedo. É certo que não é um jogo perfeito e a sequela melhora logo nalguns aspectos que posteriormente irei referir, mas não deixa de ser um jogo excelente. Os seus puzzles, especialmente aqueles de pensamento lógico deixam-nos a pensar horas e horas até que no momento mais inoportuno conseguimos chegar à solução. O charme de todas as suas personagens, a sua história envolvente e intrigante e o estilo gráfico que tanto me agrada convenceram-me de imediato a jogar esta série de rajada.

Luigi’s Mansion (Nintendo Gamecube)

Luigi's MansionDe volta para a consola cúbica da Nintendo para uma análise a um dos jogos de lançamento da consola. Enquanto a SNES teve no seu lançamento o Super Mario World e a Nintendo 64 o excelente Mario 64, a Nintendo decidiu que era finalmente altura de dar o merecido destaque ao número 2 da família Mario, o seu irmão Luigi. E foi assim que surgiu o Luigi’s Mansion, que ao contrário dos tradicionais jogos de plataforma de Mario, a Nintendo decidiu enveredar por uma abordagem inteiramente diferente, colocando Luigi como ghostbuster numa mansão assombrada. É certo que não é um jogo assustador (faz parte do universo Mario…), mas pisca o olho aos survival horrors que tanto estavam em voga na altura, por razões que irei referir mais tarde. Este jogo só veio parar à minha colecção muito recentemente, apesar de já o ter terminado há uns bons pares de anos, através de um empréstimo. Foi comprado na feira da ladra durante o mês de Agosto por 5€, um bom preço tendo em conta os valores que hoje em dia pedem por ele por aí. Está completo e em estado razoável (algum shelfwear na capa).

Luigi's Mansion - Nintendo Gamecube
Jogo completo com caixa, manuais e papelada

Neste jogo, Luigi ganha misteriosamente uma enorme mansão. Entusiasmado com a notícia, conta ao seu irmão Mario que por sua vez chega lá primeiro que ele. Quando Luigi chega finalmente à mansão, não vê Mario em lado nenhum, porém rapidamente encontra outros ilustres anfitriões fantasmagóricos e chega à conclusão que a casa está assombrada. A apoiar o medroso Luigi está uma nova personagem no universo Nintendo, o professor E. Gadd, investigador paranormal que prontamente coloca Luigi de volta à mansão para a limpar de todos os fantasmas que por lá andam. Para isso o ghostbuster Luigi é equipado de um aspirador especial – o Poltergust 3000 para capturar os fantasmas e uma Gameboy Horror, uma interessante modificação da portátil da Nintendo que permite comunicar com E. Gadd, visualizar o mapa da mansão e servir de câmara fotográfica paranormal. Então o jogo consiste no Luigi navegar pelas várias divisões do casarão, aspirando os fantasmas que lhe surgem à frente, de forma a desbloquear o acesso a outras divisões até conseguir encontrar o seu irmão Mario, por fim.

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O professor E. Gadd e a sua máquina que transforma os fantasmas novamente em retratos

Para capturar os fantasmas, eles primeiro têm de ser “assustados”. Nos fantasmas normais, basta apontar-lhes a lanterna, ficando o seu coração exposto. Quando isso acontece, é tempo de pegar no aspirador e fazer o que ele faz de melhor. Quando começamos a sugar um fantasma aparece um contador por baixo do seu coração. O fantasma tenta escapar e o objectivo é nós puxarmos Luigi na direcção contrária, de modo a que esse contador diminua o mais rápido possível. Chegando a zero, o fantasma é capturado. Contudo, não são apenas fantasmas “normais” que habitam o sítio. Existem vários outros que requerem diferentes estratégias para serem capturados. Lá mais para a frente podemos equipar elementos no aspirador, como fogo, água ou gelo, onde podemos atacar certos fantasmas elementais com um elemento contrário, e só depois é que os poderemos aspirar. Ainda assim existem outros fantasmas especiais que pertenciam a umas certas pinturas/retrato, esses mesmo com feições humanas, como famílias inteiras, a babysitter ou até o cãozinho do sítio. Esses fantasmas requerem estratégias especiais para serem capturados, não basta iluminá-los primeiro. Alguns desses acabam mesmo por ser bosses que separam o jogo em vários capítulos. E como se não bastasse, existem ainda os já velhos conhecidos Boos dos outros jogos do Mario. Ao derrotar todos os fantasmas “normais” em cada sala, a mesma ilumina-se, não sendo mais necessário utilizar a lanterna. É nessas salas iluminadas que os Boos aparecem, estando escondidos em vários objectos. Mais uma vez o Gameboy Horror entra em acção, servindo de radar para detectar a posição desses Boos. Uma vez descobertos, eles podem ser aspirados normalmente.

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Estes fantasmas mais detalhados pertencem a retratos e têm diferentes estratégias para serem aspirados

Outra coisa relevante para se mencionar é a enorme quantidade de notas, moedas, ouro e pedras preciosas que se podem encontrar, revistando todos os cantos da casa, ou apanhando alguns fantasmas especiais. Infelizmente esses items servem apenas para aumentar a pontuação, quando eu acho que poderiam ter sido utilizados para comprar novas funcionalidades para o Poltergust 3000 ou Gameboy Horror, por exemplo. No final do jogo desbloqueamos uma “Hidden Mansion”, que reverte a posição das salas e aumenta um pouco a dificuldade do jogo. No início do artigo mencionei também que este jogo pisca o olho ao Resident Evil clássico em certos pontos. Afirmo isso pois em primeiro lugar o jogo passa-se igualmente numa mansão abandonada e o detalhe das animações em abrir as portas também o evidencia.

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Para os fantasmas serem aspirados, temos de empurrar Luígi na direcção oposta à deles

Visualmente não é o jogo mais bonito de sempre da Gamecube, até porque é um dos seus títulos de lançamento. No entanto ainda cumpre bem o seu papel. A mansão está bastante detalhada para a época, contudo nota-se perfeitamente que os modelos não são os mais bem trabalhados e há alguma falta de polimento em alguns detalhes. Ainda assim, para um jogo de lançamento em 2001, cumpre bem o seu papel. As músicas, apesar de existir um ou outro remix de faixas bem conhecidas do universo Mario, a maior parte do tempo o que vamos ouvir anda à volta de uma melodia incrivelmente viciante. Murmurada pela voz de um Luigi petrificado de medo, é a melodia que nos acompanha practicamente ao longo de toda a aventura, enquanto andamos a vaguear pela casa. Em salas/corredores que estejam iluminados, Luigi deixa de murmurar a música de forma medrosa e assobia-a alegremente, um detalhe interessante. No entanto a música não se fica por aqui, ao longo do jogo podemos ouvir imensos outros estilos musicais, muitos deles nem por isso comuns a jogos do Mario. Desde músicas que mereciam estar num filme dos Ghostbusters com as suas melodias assombrosas, passando por belos acordes em acústico, músicas com um feeling mais funk, retro ou coisas tão dissonantes que nunca achei possível estarem num jogo da Nintendo, Luigi’s Mansion tem uma banda sonora muito variada.

Posto isto, acho Luigi’s Mansion um conceito muito interessante por parte da Nintendo, apesar de não ser de longe o platformer que todos ansiavam. Ainda assim ponho-lhe um defeito grande: A sua curta duração. De resto, acho que é um jogo não muito difícil, mas com umas excelentes ideias. Custa a crer que a Nintendo tenha demorado todo este tempo a pegar na franchise para desenvolver uma sequela, mas por fim o fez. Ainda não joguei este novo jogo, estou curioso por ver o que a Nintendo implementou de novo na série.