The Legend of Zelda: Four Swords Anniversary Edition (Nintendo DS)

Por altura dos 25 anos de The Legend of Zelda, a Nintendo ofereceu um presente a todos os donos da Nintendo DSi, uma das últimas revisões de hardware da Nintendo DS que, para além de possuir algumas capacidades de hardware adicionais que foram pouco aproveitadas, tinha também mais funcionalidades online, incluindo o acesso a uma loja onde poderiam ser comprados pequenos jogos digitais. E o que a Nintendo ofereceu nessa altura foi precisamente o jogo que cá vos trago hoje, que é uma adaptação do Four Swords da Game Boy Advance, o primeiro Zelda 100% multiplayer que veio incluido em conjunto com a conversão do A Link to the Past para essa portátil.

Apesar de ter sido um título pensado a 100% no multiplayer, originalmente o Four Swords tinha também uma simples história por detrás. E apesar da sua versão GBA ter sido lançada antes do Minish Cap, certamente esse jogo já estava nos planos da Nintendo pois este Four Swords é uma sequela onde teremos de defrontar Vaati uma vez mais, que escapou da sua “prisão” após ter sido selado no final do Minish Cap. E para isso teremos de usar uma vez mais a Four Sword, que desta vez clona o Link em 2 ou mais sósias com vestimentas de cores diferentes, dependendo do número de pessoas que iriam jogar.

Na sua versão multiplayer, até 4 jogadores poderão jogar em simultâneo e por vezes têm mesmo de cooperar uns com os outros

Esta versão DSiWare traz todo o conteúdo da versão original, mais a possibilidade de jogarmos sozinhos e outras dungeons extra que detalharei mais à frente. E tendo em conta que Four Swords consiste essencialmente em explorar dungeons com layouts aleatórios e de forma cooperativa, mesmo se jogarmos sozinhos temos sempre de controlar 2 Links, para ultrapassar alguns obstáculos, resolver puzzles, ou mesmo enfrentar alguns inimigos que obrigam mesmo a 2 Links cooperarem entre si. Por defeito um dos Links segue-nos, mas com o botão R podemos alternar entre os links, e controlar cada um individualmente, o que teremos mesmo de fazer para resolver alguns dos puzzles, como pressionar múltiplos interruptores ou puxar múltiplas alavancas. E para além de cada Link estar munido da sua espada, à medida que vamos explorando cada dungeon teremos a oportunidade de equipar e usar diferentes itens como as já conhecidas bombas, arco e flecha, capa que nos permite saltar, o boomerang, entre outros, como um chapéu que nos reduz para um tamanho minúsculo, podendo assim esgueirarmo-nos por passagens estreitas. Como no Minish Cap, portanto! A grande diferença perante os outros Zeldas é que só podemos equipar um item de cada vez e por vezes para ultrapassar certos obstáculos temos mesmo de usar múltiplos itens em conjunto, daí o jogo ter mesmo um foco no multiplayer cooperativo. A versão single player é portanto uma emulação da versão multiplayer, mas onde sozinhos controlamos 2 links alternadamente.

Mas o jogo também tem o seu quê de competitivo, pois no final de cada dungeon ganha o jogador que tiver amealhado mais rupees

A primeira playthrough é consideravelmente simples. Começamos numa dungeon que serve de tutorial para nos explicar todas as mecânicas de jogo e depois lá somos largados para a aventura. Aí vamos ter de explorar 3 dungeons com as temáticas de floresta, água e fogo, onde da primeira vez que as jogamos, independentemente da nossa performance, somos recompensados no final com uma chave de prata. Essa chave irá servir para abrir uma das portas da dungeon do Vaati, onde teremos de o derrotar no final. Na rodada seguinte, podemos tentar obter a chave de ouro em cada uma das 3 dungeons base, para por sua vez desbloquear a porta de ouro da dungeon do Vaati. Por fim podemos tentar também obter as chaves “herói” em cada uma das dungeons base, para desbloquear a “ultimate dungeon” do Vaati, com 12 andares e todos os bosses que defrontamos anteriormente. E como desbloqueamos essas chaves? Temos de chegar ao fim de cada dungeon base com pelo menos 3000 rupias para obter a chave de ouro, ou 5000 rupias para obter a chave herói. E aqui começamos a apercebermo-nos que esta vertente single player foi muito mal aproveitada, pois obter 5000 rupias é uma tarefa muito difícil em single player, e obriga a grindings longos, se por acaso encontrarmos alguma sala na dungeon que tenha inimigos que renasçam infinitamente, o que pode não acontecer. Pelo que li, aparentemente no modo multiplayer pode ocorrer o evento “rupee fever” o que realmente simplifica essa tarefa. Portanto se jogarem este Zelda sozinhos e se sentirem frustrados por não conseguir desbloquear a “hero door” do Vaati, deixem lá. É que a história e o final não mudam rigorosamente nada.

No ecrã de baixo podemos ver a nossa posição no mapa, a saída da dungeon e à esquerda temos a indicação de alguns power ups que podemos apanhar e que nos melhorarm o ataque, defesa e agilidade

Esta versão traz também 2 conjuntos de dungeons adicionais e a que mais gostei foram as Realm of Memories. Aqui temos um conjunto de 3 dungeons que teremos de conquistar, sendo que cada uma delas vai buscar influências a outros jogos da série, com grafismos próximos do A Link to the Past da SNES, Link’s Awakening da Gameboy clássica ou mesmo o primeiro The Legend of Zelda da NES! Conquistando as 3 dungeons desbloqueamos a master sword e a possibilidade da mesma disparar projécteis quando temos a vida no máximo. O outro conjunto de dungeons exclusivas desta versão são as Hero’s Trial, que possuem um maior foco em combate. E esta é mais uma razão que mesmo sendo possível jogar todo este conteúdo sozinho, o jogo tem mesmo o foco no multiplayer. É que nestes dungeons frequentemente vamos enfrentando ondas de inimigos cada vez mais numerosos e poderosos, e para além disso, nos níveis mais avançados, teremos também obstáculos como buracos ou fogo para evitar em pleno combate. E é muito difícil ultrapassar este desafio sozinhos! É que neste jogo, quando morremos a primeira vez, pagamos 50 rupias para ressuscitar e esse valor vai incrementando de 50 em 50 até um máximo de 500! Portanto será muito fácil nessa dungeon ficarmos sem créditos! Com 2, 3 ou 4 humanos a lutar ao mesmo tempo, acredito que a dificuldade seja bem mais balanceada! Se completarmos as 3 Heroe’s Trials, desbloqueamos o poderoso hurricane attack.

As Realm of Memories são exclusivas desta versão e são um piscar de olhos ao passado!

Portanto este foi um jogo que me deixou com um sabor algo agridoce na boca. Durante anos andei super curioso para o jogar e o facto da versão GBA ser multiplayer only, nem por emulação dava para experimentar. A Nintendo ter “refeito” o jogo adicionando-lhe novas dungeons, um modo single player, multiplayer por wireless e acima de tudo, ter oferecido o jogo durante largos meses foi sem dúvida um gesto bonito. Mas tentar completar o jogo a 100% sozinho é uma experiência incrivelmente frustrante e mesmo que o conseguisse fazer, a recompensa não seria muita. Portanto se estiverem curiosos e o quiserem experimentar sozinhos, joguem a primeira ronda com as chaves prateadas que ficam com a história toda despachada. Experimentem depoi as Realm of Memories pela nostalgia e as Heroe’s Trials se forem sádicos!

Wario: Master of Disguise (Nintendo DS)

Um dos platformers que tinha aqui por jogar na Nintendo DS era precisamente este Wario: Master of Disguise, um jogo muito diferente dos Wario Land que estava habituado! E conforme irei detalhar em seguida, é um jogo competente, mas não tão bom assim quanto isso, infelizmente. Tanto que foi lançado em 2007 e até a agora a Nintendo não voltou a experimentar a mesma fórmula! O meu exemplar foi comprado algures em Novembro de 2016, creio que numa CeX mas não me recordo quanto custou, foi certamente barato.

Jogo com caixa, manual e papelada

Ora o jogo leva-nos inicialmente a acompanhar o Wario, enquanto assistia a um programa de televisão. Nesse programa víamos as aventuras do Silver Zephyr, um ladrão galã que se preparava para assaltar um cruzeiro de luxo. Roído de inveja, Wario cria um aparelho que lhe permite entrar no programa televisivo onde vai ele tentar ser um ladrão de sucesso e roubar o protagonismo de Silver Zephyr. Ora quando Wario entra em cena a primeira coisa que rouba é a varinha mágica do Silver Zephyr, que é na verdade um ser vivo chamado Goodstyle e é capaz de dotar Wario de diferentes disfarces que lhe darão diferentes habilidades. E assim começa uma caça ao tesouro, com a rivalidade de Silver Zephyr e outros ladrões que iremos eventualmente conhecer!

Sempre que apanhamos um novo disfarce temos um tutorial que nos explica como executar as suas habilidades

Este é então um jogo de plataformas com um grande foco na exploração e na resolução de alguns puzzles, pois à medida que vamos avançando no jogo iremos desbloquear diferentes disfarces que por sua vez nos darão diferentes habilidades que teremos memso de usar para progredir no jogo, seja ao resolver alguns puzzles, ou ultrapassar obstáculos até então intransponíveis. O disfarce inicial é o do Purple Wind, a alcunha de ladrão do Wario. É um disfarce que não tem nenhuma habilidade especial, mas é onde Wario é mais ágil e pode dar os seus encontrões típicos para atacar inimigos. Outro disfarce é um de astronauta onde, para além de saltarmos de forma algo mais flutuante, estamos equipados de uma pistola laser, outro disfarce transforma-nos num pintor que pode desenhar blocos que servirão de plataforma ou mesmo para pressionar interruptores fora do nosso alcance, ou um dragão pesado mas capaz de cuspir fogo, entre vários outros disfarces!

Sempre que encontramos um tesouro temos de jogar um mini jogo que usa o touch screen da DS. Neste caso temos de pintar uma figura com as cores correctas e dentro do tempo limite

Agora, este é também um jogo com grande foco no touch screen da Nintendo DS e para algumas coisas confesso que ficou um pouco chato. Para alternar entre cada disfarce temos de desenhar um pequeno padrão à volta do Wario. Por exemplo, para activar o fato de astronauta temos de desenhar um capacete à volta do Wario, enquanto que para activar o disfarce de dragão temos de desenhar uma cauda e por aí fora. Sinceramente é giro no início, mas depois só queremos é que houvesse alguma tecla de atalho! Outra coisa um pouco chata é que cada vez que encontramos um baú de tesouro temos de passar num mini jogo para resgatar o seu conteúdo! Mini jogos como sliding puzzles, pintar figuras, unir pontos para formar outra figura, esmagar um certo número de baratas, etc. São mini jogos um pouco parvos como é normal no universo Wario, mas não são tão divertidos quanto os do WarioWare. E temos de os resolver sempre que abrimos um baú novo…

Este é um jogo com grande foco na exploração e teremos de usar todas as habilidades ao nosso dispor para ultrapassar obstáculos

A nível audiovisual, é um jogo competente pois apresenta níveis bastante diversificados entre si e com um grau de detalhe considerável. Os inimigos são por vezes bastante bizarros também, como golfinhos musculados, ou gorilas flatulentos! O típico humor de casa-de-banho marca uma vez mais então a sua presença, o que não é necessariamente algo mau! De resto, nada a apontar aos efeitos sonoros e às músicas que são agradáveis, cumprem o seu papel, mas também não são propriamente memoráveis.

Portanto este Wario não é um mau jogo, mas está longe do brilhantismo dos Wario Land ou do absurdo dos WarioWare. Se não tivesse tanto foco no touch screen se calhar seria mais agradável! Em suma, não é de estranhar que a Nintendo não tenha revisitado este conceito nos anos que se seguiram!

Last Window: The Secret of Cape West (Nintendo DS)

Vamos voltar a vestir a pele de Kyle Hyde, um antigo detective que um ano após ter resolvido um grande mistério no Hotel Dusk, vê-se agora envolvido em mais uma aventura, agora no próprio complexo de apartamentos onde vive, e irá desvendar alguns crime que lá ocorreram, incluindo desvendar o passado por detrás do desaparecimento do seu pai. O meu exemplar foi comprado a um particular por volta de 2017, creio que me custou uns 10€.

Jogo com caixa, manual e papelada

Este é portanto mais um jogo de aventura onde teremos de usar as múltiplas características do hardware da 3DS para ir avançando no jogo e solucionar os seus puzzles. A começar pelo facto de termos de jogar com a DS na vertical e, tal como no Hotel Dusk, o touch screen apresenta o mapa e o outro ecrã apresenta uma perspectiva na primeira pessoa, completamente renderizada em 3D poligonal. Apesar de podermos usar os botões para movimento e interacção com o texto, como jogamos com a DS na vertical torna-se um pouco incómodo, pelo que o jogo pode ser todo controlado com a stylus. Basta clicar em qualquer zona do mapa que Kyle se começa a mover nessa direcção e no fundo do ecrã temos os mesmos ícones que tínhamos no Hotel Dusk: a possibilidade de consultar o bloco de notas, a possibilidade de ir ao menu e gravar o progresso no jogo, ou ícones que se activam consoante o contexto. Se nos aproximarmos de algum objecto que pode ser interagido ou observado de perto surge um ícone com uma lupa, ou se nos aproximarmos de alguém é então activado um ícone para iniciar o diálogo.

Tal como no Hotel Dusk, o ecrã táctil mostra um mapa e uma série de ícones, já o outro ecrã mostra os cenários numa perspectiva de primeira pessoa.

Uma coisa que me agradou nesta sequela é o facto de alguns puzzles poderem ser resolvidos de mais de uma forma. A história em si é completamente linear, ao contrário do Hotel Dusk que ia decorrendo ao longo de várias horas no mesmo dia, este Last Window vai decorrer ao longo de alguns dias, sendo que o tempo só avança quando activarmos um certo evento que faça com que o relógio avance. Mas ter soluções diferentes para alguns problemas foi uma surpresa algo agradável. De resto temos também muitos puzzles que nos obrigam a usar todas as funcionalidades da Nintendo DS, como o facto de ter 2 ecrãs, o touchscreen e mesmo o microfone. Aquele puzzle da caixa de música achei-o muito inteligente! Existem também alguns puzzles onde temos de tocar em mais que um ponto em simultâneo no ecrã, mas esses já achei um pouc frustrantes, pois a Nintendo DS (pelo menos a minha) não reconhece bem quando tocamos em mais que um ponto em simultâneo.

Os diálogos são uma vez mais apresentados desta forma muito peculiar, mas que resulta bem. Fica só a faltar algum voice acting!

Tal como no jogo anterior também teremos os diálogos, que para além de serem apresentados de uma forma muito agradável, teremos de fazer alguns interrogatórios às restantes personagens e por vezes confrontá-los com provas baseadas em objectos que eventualmente vamos descobrindo. E aqui há um maior desafio pois no Hotel Dusk sempre que alguém se descaía e aparecia a oportunidade de pressionar a pessoa com mais perguntas, eramos sempre obrigados a aproveitar essa oportunidade. Agora por vezes temos de resistir à tentação de irritar demasiado as personagens e deixá-las falar por si mesmas. Nalguns interrogatórios mais importantes, os que têm as questões assinaladas a vermelho, temos de uma vez mais ter especial cuidado na forma como guiamos a entrevista também.

Eventualmente poderemos desbloquear alguns mini jogos opcionais, como esta máquina electrónica à moda antiga. É um jogo que decorre em 1980!

A nível audiovisual é então um jogo muito semelhante ao Hotel Dusk. Como já referi, enquanto exploramos os cenários o ecrã táctil mostra um mapa em 2D enquanto que o outro ecrã mostra uma perspectiva na primeira pessoa com os cenários a serem renderizados em 3D poligonal. A Nintendo DS não tem grandes capacidades em renderizar gráficos 3D mas sinceramente estes pareceram-me um pouco mais bem definidos. Ainda assim se tivessem apostado num visual mais cel-shading provavelmente o resultado teria sido melhor. Já quando falamos com alguém, as personagens aparecem totalmente a preto e branco (embora por vezes também apareçam a cor por breves momentos) com boas animações que mostram bem a expressevidade das suas emoções. Fica a faltar uma vez mais algum voice acting que acho sinceramente que iria enriquecer ainda mais a narrativa. Já as músicas, são practicamente todas jazz, o que se adequa perfeitamente a uma aventura mais do género noir.

O jogo também inclui uma versão em livro de toda a história, cujos novos capítulos vão desbloqueando à medida que avançamos no jogo

Portanto para quem gostou do Hotel Dusk, irá certamente apreciar este jogo. Tirando alguns puzzles mais frustrantes por nos obrigarem a usar multi-touch, o que a meu ver não resulta bem na Nintendo DS, devo dizer que até gostei mais deste jogo do que o anterior, principalmente pela narrativa ser melhor. Gostei mais da história que nos apresentaram aqui, as personagens são mais interessantes, uma vez mais cheias de segredos e sinceramente o final fica com muito menos pontas soltas que no jogo anterior. É curioso que este jogo não chegou a sair na América, tendo-se ficado apenas pelo Japão e Europa. Talvez por isso que o seu preço actualmente não seja o mais convidativo!

Hotel Dusk: Room 215 (Nintendo DS)

Depois de a Cing ter produzido o interessante Another Code: Two Memories para a Nintendo DS, no ano seguinte lançaram mais uma aventura gráfica para a mesma portátil da Nintendo, uma história diferente, com outro protagonista e diferentes mecânicas de jogo também. Sinceramente já não me recordo muito bem onde e quando comprei o meu exemplar, mas creio que o tenha comprado algures em 2017 a um coleccionador meu conhecido que me fez um óptimo negócio nuns quantos jogos da sua colecção.

Jogo com caixa, manual e papelada diversa

E o jogo leva-nos mesmo perto do final do ano de 1979, ao encarnar no papel de Kyle Hyde, outrora um polícia de Nova Iorque mas que um evento traumático que envolve o seu parceiro leva-o a abandonar a força policial. Trabalha agora para a empresa Red Crown como vendedor ambulante e o seu trabalho mais recente leva-o até ao Hotel Dusk, um pequeno hotel nas imediações de Los Angeles, onde irá supostamente receber uma encomenda com o material para vender e mais algumas instruções. E é lá que vamos conhecer uma série de personagens, todas com carácteres diferentes e à medida que vamos interagindo com as mesmas vamo-nos apercebendo que todas elas possuem um passado repleto de mistérios. Naturalmente que iremos revelar esses mistérios aos poucos, incluindo o do próprio Kyle e dos eventos que o levaram a abandonar a polícia.

Hotel Dusk chamou logo à atenção pela forma em que as personagens eram representadas nos diálogos

A nível de mecânicas de jogo este é mais outro que tenta utilizar as características da Nintendo DS para uma experiência mais imersiva, a começar pelo facto que temos de virar a Nintendo DS de lado, com o touchscreen à direita e o ecrã normal à esquerda. Vamos começar com a parte da exploração dos cenários: o ecrã da direita mostra uma espécie de mapa da sala onde estamos e com a stylus vamos guiando o Kyle para onde queremos e, ao mesmo tempo, o ecrã da esquerda mostra uma perspectiva de primeira pessoa, onde vemos a sala e os seus objectos e mobília renderizados em tempo real. No ecrã touch, temos também alguns ícones que podemos clicar. Um deles é um bloco de notas onde poderemos literalmente escrever notas com a stylus, outro leva-nos a um menu onde poderemos, entre outras coisas, consultar o inventário ou salvar o progresso no jogo. Quando nos aproximamos de algum objecto que podemos observar mais de perto, ou de alguma pessoa com a qual podemos falar, dois ícones adicionais tornam-se visíveis, o da lupa para inspeccionar objectos e o de uma pessoa para iniciar o diálogo com a pessoa mais próxima.

O jogo está dividido em 10 capítulos que irão narrar os acontecimentos dentro de um certo período do dia, se bem que o relógio apenas avança quando certos eventos chave tiverem sido atingidos

Ao interagir com objectos, os mesmos tanto podem ser apresentados em modelos 3D poligonais, ou imagens estáticas em 2D. Isto no touchscreen, para que, com a stylus, possamos interagir com os objectos que nos são apresentados. Teremos então alguns puzzles para resolver, sendo que muitos utilizam o touchscreen ou mesmo a possibilidade de fechar a tampa da Nintendo DS para os resolver e geralmente, tirando um puzzle já perto do final do jogo, costumam ser também simples de resolver. Por vezes temos de encontrar objectos numa sala e usá-los noutros objectos mais tarde, o normal num jogo de aventura portanto. Passando para os diálogos, e sendo Kyle um antigo detective, muitas vezes os diálogos vão-se tornando em autênticos interrogatórios. Kyle vai memorizando algumas frases que vão sendo ditas para depois podermos questionar mais tarde ou, por vezes, as personagens descaem-se e temos a possibilidade de as pressionar para revelarem algo mais. Ocasionalmente teremos diferentes opções de diálogo mas, tirando alguns diálogos mais tensos onde poderemos mesmo chegar a um game over se não escolhermos as opções correctas nos diálogos, essas opções são tipicamente intuitivas e mesmo que nos enganemos teremos a possibilidade de as repetir. Excepto nalgumas situações mais sensíveis como já referi acima.

O movimento é dado pela stylus no ecrã da direita, enquanto o ecrã à esquerda apresenta uma perspectiva de primeira pessoa em 3D poligonal

A nível audiovisual, esse é sem dúvida o aspecto do jogo que chama mais à atenção, particularmente nos seus diálogos. Isto porque Kyle e as restantes personagens com as quais vamos interagindo são apresentadas como desenhos a preto-e-branco, mas de uma forma muito bem animada e bem expressiva das suas emoções. Já a explorar os cenários, sinceramente aí o jogo já não é tão apelativo assim. A Nintendo DS possui sérias limitações na sua capacidade de renderizar gráficos em 3D, pelo que esperem por ver salas com polígonos e texturas simples e de baixa resolução. Acho que o jogo teria muito mais a ganhar se tivessem apostado unicamente nos visuais 2D, que lhe daria certamente um aspecto mais noir. Já no que diz respeito ao som é uma pena que não exista qualquer voice acting, pois confesso que até gostei da personalidade de algumas personagens, especialmente o carácter por vezes mais sarcástico de Kyle. As músicas são na sua maioria agradáveis e muito jazzy, o que se adequa bem no estilo de jogo.

Os diálogos possuem também algumas mecânicas de jogo interessante onde poderemos questionar as personagens com base nas suas respostas ou com base em pistas e itens que tenhamos recolhido

Portanto este Hotel Dusk é um jogo de aventura com uma história interessante, se bem que o final ainda tenha deixado algumas coisas por responder. Tendo em conta que a Cing lançou anos mais tarde o Last Window que é uma sequela directa deste jogo, estou curioso em ver o que irá abordar a próxima aventura de Kyle. Já a nível de jogabilidade, não desgostei das mecânicas de jogo, embora ache que algumas coisas poderiam ser um pouco melhoradas, como os diálogos terem uma maior ramificação de respostas ou simplificar algumas tarefas aborrecidas da exploração, como a necessidade de seleccionar uma porta e depois clicar no puxador sempre que queremos entrar numa nova divisão. Já a nível gráfico gostei bastante da forma como apresentaram as personagens, já a navegação creio que teria mais a ganhar se tivessem optado pelos mesmos visuais 2D dos diálogos.

Yoshi’s Island DS (Nintendo DS)

O Yoshi’s Island original, apesar de já ter saído algo tardiamente no ciclo de vida da Super Nintendo, foi um jogo bastante original na sua jogabilidade e confesso que inicialmente não lhe achei muita piada, mas acabou por crescer. Em 2006 acabamos por receber uma sequela directa para a Nintendo DS, sendo que o meu exemplar foi comprado numa CeX algures no norte do país. Já não me recordo ao certo onde e quando o comprei, mas recordo-me não ter custado mais de 10€.

Jogo com caixa, manual e papelada

A história anda uma vez mais à volta dos Yoshi e de uma série de bébés. Os minions de Bowser raptaram uns quantos bébés, sendo que o bébé Mario acaba uma vez mais às costas dos Yoshis, que vão carregar Mario de nível para nível até ao Castelo de Bowser e resgatar Luigi e os restantes bébés. Mas desta vez vamos interagir também com outros bébés diferentes: Peach, Donkey Kong e até Wario e Bowser, todos eles com mecânicas ligeiramente diferentes. Yoshi pode devorar inimigos e cuspi-los ou consumi-los e produzir um ovo, sendo que podemos carregar uns 5/6 ovos connosco em simultâneo. Esses ovos podem ser arremessados de forma mais controlada, seja para atacar inimigos, ou mesmo para apanhar itens. Agora todos os bébés acrescentam mecânicas de jogo ligeiramente diferentes. O bébé Mario é o único que nos dá a habilidade de correr, e é o único que pode consumir as estrelas que os transformam no super Mario com invencibilidade temporária e durante esse tempo é o bébé Mario que carrega Yoshi. Já Peach é a personagem mais leve e, com o seu guarda chuva podemos aproveitar alguns túneis de vento para alcançar passagens elevadas. Já Donkey Kong permite-nos escalar lianas e atira os ovos com tanta força que explodem no impacto, causando mais dano. Wario e Bowser só serão jogáveis em menos níveis, mas Wario tem um íman que atrai moedas e outras plataformas metálicas, já o Bowser cospe fogo.

Tal como no original da SNES, temos aqui também uma longa cutscene de abertura

Também tal como no primeiro Yoshi’s Island, ocasionalmente Yoshi vai-se poder transformar em veículos como um helicóptero ou uma escavadora. Outras vezes poderemos mesmo usar alguns veículos como um canguru gigante para nos ajudar a atravessar algumas secções dos níveis. Portanto teremos aqui 5 mundos distintos para explorar, com 8 níveis cada um mais 2 de bónus que poderão ser desbloqueados posteriormente. Naturalmente, teremos de usar todas as habilidades de Yoshi e respectivos bébés para os atravessar e tentar apanhar todos os coleccionáveis (são imensos), que por sua vez nos irão desbloquear os níveis extra. Para além disso vamos tendo acesso a vários mini jogos ao decorrer do jogo que nos poderão recompensar com vidas extra.

Tal como no original, Yoshi não morre se for atingido por algum inimigo, mas perde o bébé que estava a carregar e teremos apenas alguns segundos para o apanhar de volta.

No que diz respeito aos audiovisuais, sinceramente acho este jogo excelente. Mantém a mesma estética visual do clássico da Super Nintendo, com os cenários variados mas com um esquema de cores bem agradável e que fazem de certa forma lembrar pinturas a lápis de cera, embora não tão óbvios como no original. Os inimigos gigantes que eram impressionantes na SNES estão também de volta! As músicas são também bastante variadas e com melodias muito agradáveis e que ficam retidas na nossa memória. De resto, visto que estamos perante um jogo produzido para a Nintendo DS deveríamos contar com uma série de funcionalidades específicas para esta plataforma. Mas felizmente não há grandes geringonças que nos obrigam a usar o touch screen, todo o platforming (que possui alguns segmentos bem exigentes especialmente nos níveis de bónus) é todo jogado de forma tradicional e a única coisa que a Nintendo DS traz de realmente novo aqui é o uso dos 2 ecrãs que é usado para renderizar os níveis em simultâneo, dando-nos um maior campo de visão vertical. Infelizmente temos é um vazio entre os 2 ecrãs e isso por vezes pode atrapalhar um pouco.

Visualmente estamos perante um jogo muito bem detalhado, mas o vazio entre ambos os ecrãs pode atrapalhar um pouco

Portanto este Yoshi’s Island DS acabou por ser uma óptima surpresa. Estamos perante um jogo de plataformas bem sólido e que felizmente não necessita do touch screen e outras particularidades da Nintendo DS para além do uso dos 2 ecrãs. É um óptimo jogo de plataformas, as novidades na jogabilidade pelo uso dos diferentes bébés foram muito benvindas e não se deixem enganar pelo seu aspecto bem colorido e infantil. O jogo é um bom desafio, particularmente se quisermos explorar os níveis a 100% e descobrir todos os seus segredos. A Artoon está de parabéns pois conseguiu pegar no conceito do original e fazer uma sequela à altura.