TV Sports Basketball (TurboGrafx-16)

De volta às rapidinhas para mais um jogo de desporto, desta vez a um título da Turbografx-16, o TV Sports Basketball, que por sua vez havia sido lançado inicialmente para alguns computadores e no ano de 1991 chegou à consola da NEC. O meu exemplar foi comprado a um particular algures no mês passado de Março, por cerca de 12€.

Jogo com caixa exterior de cartão, manual embutido na capa e papelada diversa

Este é suposto ser um simulador mais realista do desporto, mas como não possui nenhuma licença da NBA, todas as equipas e jogadores são fictícios. No que diz respeito aos modos de jogo, temos o exhibition que é uma partida amigável e pode ser jogado sozinho contra o CPU ou em multiplayer até um máximo de 5 jogadores, algo que eu não experimentei, até porque o multitap que eu tenho é da PC-Engine e não funciona numa Turbografx-16 sem um adaptador… Depois temos o League que seria um modo temporada e um clipboard onde poderíamos explorar as estatísticas de cada equipa e o seu calendário para a temporada desportiva.

Graficamente até que é um jogo que apresenta sprites bem detalhadas e animadas. Pena que o resto não seja tão bom.

A nível de controlos as coisas são aparentemente simples, com um botão para alternar o jogador seleccionado caso não tenhamos a posse da bola e o outro botão para todas as outras acções como passar ou atirar ao cesto ou, caso não tenhamos a posse da bola, o mesmo botão servirá para tentar roubar a bola ao adversário ou bloquear o seu lançamento. Bom, então o que poderia ser simples na verdade começa a ficar complicado com um único botão para muitas acções e o resultado acaba por depender do contexto. Por exemplo, se quisermos passar a bola para alguém, temos de nos virar para um colega e esperar que surja um círculo colorido sobre a sua cabeça. Se o círculo for verde, é possível fazer o passe em segurança, enquanto se o círculo for vermelho ou negro será arriscado ou muito arriscado fazer o passe e o mais certo será perder a posse da bola. Para encestar teremos de manter o botão I pressionado enquanto o jogador que controlamos salta e largar o botão a meio do salto. E encestar não é fácil, pelo que joguei. Mas há aqui outra particularidade que me irritou solenemente. Imaginemos que a equipa adversária tem a bola e está perto do nosso cesto. A câmara mostra o ringue numa perspectiva vertical, com o cesto no centro e a àrea de jogo nas suas imediações visível no ecrã. Caso consigamos recuperar a bola, transitamos para o ataque e quando nos aproximamos do meio campo, a câmara transita para uma perspectiva horizontal que mostra apenas o meio campo e quando chegamos à área adversária a câmara volta a transitar para uma perspectiva vertical, agora mostrando o outro cesto e área adjacente com destaque. Esta transição constante de ângulos irrita um pouco, mas quando estamos na perspectiva horizontal a meio campo, não temos qualquer controlo sobre os jogadores, o que é ainda mais irritante.

Sempre que há uma transição de campo, temos este interlúdio do meio campo, com a câmara a transitar para uma perspectiva horizontal e onde não temos qualquer controlo da acção

De resto, a nível audiovisual, é um jogo simples. No que diz respeito aos gráficos, antes de cada partida temos breves comentários de um apresentador televisivo (a imitar o que a Electronic Arts já fazia). Durante as partidas em si, as personagens até que possuem um bom nível de detalhe e animações para um jogo 16bit, mas depois temos todas aquelas transições algo desnecessárias. Já no que diz respeito ao som, as músicas apenas existem no ecrã título e menus, já durante as partidas apenas ouvimos os sons da bola a bater no solo, o apito do árbitro e algumas vozes digitalizadas para o árbitro poder anunciar os vários tipos de faltas e infracções.

O jogo não possui qualquer licença da NBA pelo que todas as equipas são fictícias, embora os seus nomes e logotipos até sejam originais

Portanto este TV Sports Basketball não é um jogo de basquetebol lá muito divertido. A sua jogabilidade, mesmo para uma consola cujo comando standard possui apenas 2 botões faciais, acaba por ser desnecessariamente complicada e a sua apresentação audiovisual também poderia ser muito melhor, a começar por aquelas transições de câmara irritantes. A ver em breve se o Taking it to the Hoop é uma melhor opção!

Naxat Open (PC-Engine)

Voltando às rapidinhas a jogos de desporto da PC-Engine, vamos ficar agora com o Naxat Open, o último (até à data) jogo de golfe que tenho neste sistema. Tal como os restantes que cá trouxe nos últimos meses, este Naxat Open veio de um lote considerável de jogos PC-Engine que importei em Dezembro do Japão. Ficou-me a menos de 5€, já a contar com portes e alfândega, o que não foi nada mau, mesmo considerando que a maioria dos jogos lá presentes eram de desporto.

Jogo com caixa, manual embutido na capa e registration card

Vamos começar pelo básico: os modos de jogo. Logo no ecrã título dispomos 2 opções, a segunda é o round play, onde poderemos jogar partidas com 1 até 4 jogadores, incluindo o match play que é um modo de jogo exclusivo a multiplayer com 2 jogadores. O primeiro é um modo torneio, onde teremos de competir no mesmo circuito de golfe ao longo de 4 dias. Ou seja, cada circuito tem 18 buracos, pelo que teremos de competir ao longo de 72 buracos. Quem tiver uma melhor pontuação (tacadas abaixo de par) vence a prova. Infelizmente só há mesmo um circuito e mesmo assim isso traz-nos alguns problemas, mas já lá vamos.

Coisas boas: a barra para definir a potência e precisão da tacada é super intuitiva

As mecânicas de jogo são simples e funcionais. No ecrã dispomos a informação sobre qual buraco estamos a competir, qual a força e direcção do vento bem como qual é o par daquele buraco. Ao iniciar a tacada temos primeiro de definir a sua direcção ao mover um cursor, depois definir qual a zona da bola de golfe que queremos atingir e por fim lá nos aparece a típica barra de energia a dois tempos, onde definimos a potência e precisão da tacada. Este medidor é bastante intuitivo pois surge como uma barra circular, envolvendo um boneco de um golfista. Quanto mais para cima sobe o ponteiro, mais levantado está o taco, logo mais força a tacada terá. Para definir a precisão temos de acertar no centro da zona vermelha, assinalada na parte inferior da tal barra semi-circular. Até aqui tudo bem, mas este jogo desiludiu-me um pouco em vários motivos. O primeiro é existir apenas um circuito, o que não é necessariamente mau, pois este é um jogo de 1989 e vem num HuCard de baixa capacidade para armazenamento. O problema é que todos os buracos do circuito de golfe aparecem representados no mapa genérico do circuito e estão todos emparelhados uns com os outros. Suponho que seja mais realista dessa forma, mas isto pode-nos confundir durante o jogo, ao vermos secções do mapa adjacentes e que seriam para competir num outro buraco.

Coisas más: o mapa do jogo mostra todos os buracos, o que nos poderá confundir.

Depois a nível técnico também não é um jogo lá muito bom. Tirando a tacada inicial, onde a câmara se posiciona nas costas do jogador, todo o resto do jogo é apresentado numa perspectiva vista de cima. Mas visualmente não é um jogo muito apelativo, pois tenta ser um pouco mais realista. Comparando com outros títulos lançados no mesmo ano, como o Ganbare! Golf Boys ou Winning Shot, que possuem visuais mais simples, acabam a meu ver por resultar melhor. Por outro lado, a música também não é nada de especial. O problema agrava-se bastante visto que vamos ouvir a mesma música ao longo de todo o jogo!

Portanto este Naxat Open foi um jogo que me desiludiu um pouco. A nível de jogabilidade até tem boas ideias, como a barra semi circular para definir a potência e precisão de cada tacada, que é bastante intuitiva. Mas o facto de os buracos estarem todos misturados uns com os outros no mapa pode atrapalhar um pouco as coisas e visualmente também não é o jogo mais apelativo. As duas sugestões que referi no parágrafo acima acabam por ser bem mais interessantes.

World Class Baseball (Turbografx-16)

Vamos continuar pela Turbografx-16, mas agora para uma super rapidinha a um jogo que comprei mesmo só por puro coleccionismo. Encontrar jogos de Turbografx-16 não é tarefa fácil, pelo que quando consigo apanhar algum a um preço convidativo geralmente não escapa, mesmo que seja um jogo de baseball, o que é o caso. Mas por menos de 15€, super completo com a sleeve exterior de cartão, porque não?

Jogo com caixa exterior de cartão, jewel case, manual embutido na capa e livrete de estatísticas para os jogadores das equipas aqui representadas

Para quem estiver habituado a comprar jogos de PC-Engine, este World Class Baseball corresponde ao primeiro Power League em solo nipónico. A série “power” de jogos de desporto foram produzidos e/ou publicados pela própria Hudson e em particular os Power League foram especialmente bem sucedidos no Japão. Isto porque contaram com inúmeras sequelas lançadas ao longo dos anos, inicialmente para a PC-Engine, posteriormente para outros sistemas também como a Super Famicom ou outros.

Dispomos de 12 equipas jogáveis, todas fictícias, no entanto deram-se ao trabalho de produzir estatísticas para cada um dos seus jogadores

Aqui dispomos de vários modos de jogo. O versus corresponde ao multiplayer onde 2 equipas podem jogar entre si, já o Open Mode permite-nos também jogar uma partida rápida, mas contra o CPU. O Pennant é um modo campeonato onde teremos de defrontar todas as outras equipas. Para quem não tiver nada mais interessante para fazer (tipo observar relva a crescer) pode sempre explorar o watch mode, onde vemos o CPU a jogar entre si. Por fim temos o edit mode que nos permite fazer algumas customizações às equipas. Pena é que eu continue sem entender muito bem o que estou a fazer neste tipo de jogos!

Podemos posicionar o batedor livremente dentro da sua área e com o uso do d-pad também poderemos influenciar o tipo de tacada

Graficamente é um jogo simples. As sprites tentam ser um pouco realistas, pelo menos para os padrões de 1988/1989. A acompanhar a acção temos alguns efeitos sonoros genéricos e também algumas vozes digitalizadas que sinalizam termos simples como safe, out ou home run. Mas estas vozes têm uma qualidade muito baixa e home run soa a homo o que até se torna um pouco engraçado. Felizmente as músicas são agradáveis e um detalhe que reparei é que, quando um jogador está na segunda ou terceira base, a música muda para outra bem mais tensa o que até resulta bem.

Portanto temos aqui um jogo de baseball aparentemente simples e que pelos vistos é o único título deste desporto que chegou à Turbografx-16. Eu sei a plataforma teve pouco sucesso comercial nesse continente, mas visto que, para o bem ou para o mal, ainda foram sendo lançados alguns jogos em solo americano até 1993 (pelo menos no formato HuCard, em CD ainda houve um ou outro lançamento em 1994), é de estranhar que ninguém se deu ao trabalho de lançar nenhum dos muitos Power Leagues que foram entretanto saindo no Japão.

Splatterhouse (Turbografx-16)

Produzido pela Namco, originalmente para as arcades em 1988, Splatterhouse é um beat ‘em up simples nas suas mecânicas de jogo, porém a sua estética de filmes de terror, aliadas à sua extrema violência e gore foi sem dúvida o que mais chamou à atenção. Em 1990 sai uma conversão para a PC-Engine / Turbografx-16, sendo esta última a versão que tenho na coleção. Infelizmente não é um jogo barato e o meu exemplar custou cerca de 80€ a um particular a quem comprei um lote considerável de bons jogos algures em Março passado.

Jogo com caixa e manual embutido na capa

Confesso que nunca entendi bem a história por detrás deste jogo, mas o que interessa reter é que somos um gajo corpulento, equipado com uma máscara aparentemente amaldiçoada e temos de atravessar uma mansão repleta de diversos monstros e outras criaturas paranormais. O objectivo é o de resgatar a nossa suposta namorada e derrotar a criatura demoníaca que estará por detrás de toda esta confusão.

A jogabilidade até pode ser simples, mas os cenários e criaturas grotescas chamaram mesmo à atenção

A jogabilidade é simples. Pensem neste Splatterhouse como um beat ‘em up à antiga, onde apenas poderíamo-nos mover para a esquerda ou direita e com controlos muito simples: um botão para saltar e outro para atacar. A nossa personagem não é nada ágil, pelo que os saltos nunca serão muito altos nem longos, embora por vezes seja necessário fazê-los. Tal como em beat ‘em ups mais tradicionais poderemos encontrar várias armas no chão, como barrotes de madeira, cutelos, uma caçadeira, ou outras armas de uso único como facas ou pedras que poderão ser arremessadas. O que faz mesmo a diferença é mesmo toda a violência e gore. Quando acertamos em algum monstro com o barrote ele é projectado para a parede e desfaz-se numa poça de sangue e carne, quanto os atacamos com o cutelo partem-se em dois e por aí fora.

Usar um barrote para estatelar os monstros na parede foi sempre muito satisfatório!

O que nos leva a falar invariavelmente dos gráficos. É um jogo extremamente violento e repleto de criaturas bizarras e desconcertantes, como um feto deformado rastejante, ou um boss que é um crucifixo invertido rodeado por cabeças sangrentas e deformadas. Bom, pelo menos na versão japonesa que esta norte-americana foi ligeiramente censurada: todos os crucifixos e outras referências religiosas (como um altar de igreja) foram removidas, mas toda a outra violência mantém-se intacta. Outra das diferenças entre as versões japonesa e norte-americana está na cor e formato da máscara de Rick, que é vermelha na versão TG16. Essa é uma decisão que se compreende pois a máscara original é muito semelhante à do Jason dos filmes Sexta-Feira 13. Ainda assim, independentemente das diferenças regionais, o lançamento original arcade consegue ser ainda mais grotesco! De resto a banda sonora também vai sendo algo variada entre si e com algumas músicas bem agradáveis.

Alguns inimigos possuem designs fantásticos!

Portanto este Splatterhouse é um clássico. É, na sua essência um beat ‘em up algo primitivo na medida em que jogamos num único plano e onde teremos de memorizar o surgimento dos inimigos e seus padrões de ataque para melhor sobreviver. Mas toda a estética de terror, violência e gore acabam mesmo por fazer a diferença! A série recebeu durante os anos 90 mais alguns lançamentos a começar por um spin off para a NES/Famicom que se ficou apenas no Japão e mais duas sequelas que se tornaram exclusivas da Mega Drive, embora a última, infelizmente, não tenha saído em solo europeu. Em 2010, para as PS360, sai um reboot que sinceramente nunca joguei mas a crítica não foi muito boa.

Sherlock Holmes Consulting Detective (PC Engine CD)

Mais uma super rapidinha a um jogo de PC Engine porque sinceramente o tempo disponível para jogar não tem sido muito. E hoje resolvi cá trazer a versão PCE-CD do Sherlock Holmes Consulting Detective Volume 1 que já cá tinha abordado na sua versão para a Mega CD. O jogo parece-me ser rigorosamente o mesmo, pelo que recomendo a leitura desse artigo para mais detalhes. O meu exemplar foi comprado a um particular num lote de vários jogos PC Engine, TurboGrafx-16 e Saturn que comprei algures no mês passado. Este em particular custou menos de 5€.

Jogo com caixa, infelizmente não me apercebi que não trazia manual

Ora este Sherlock Holmes Consulting Detective é um jogo produzido por uma empresa norte-americana, a ICOM Simulations (responsável também por clássicos como Shadowgate), embora o Wikipedia refira que a primeira versão deste jogo tenha saído no FM-Towns, um computador inteiramente japonês, o que sinceramente tenho algumas dúvidas. É um jogo em full motion video, um dos percursores daquela moda que assolou o ocidente na primeira metade da década de 90, em todos os sistemas que possuíssem tecnologia em CD. A Mega CD foi muito afectada por isto e ganhou má fama ao longo dos anos, embora possua outros jogos bem interessantes na sua biblioteca que acabam por passar mais despercebidos. A Turbo CD também poderia passar pelo mesmo caminho, não fosse o sistema ter sido um fracasso completo no mercado norte-americano e ainda assim receberam alguns jogos FMV, este é um deles, pois acabou por receber conversões para uma série de diferentes plataformas.

O vídeo é, tal como na versão da Mega CD, altamente comprimido e numa resolução muito baixa. Mas ao menos tem mais cor!

Neste jogo teremos 3 casos policiais para resolver e por resolver entenda-se visitar vários locais e pessoas, ouvir o que têm para dizer, ler notícias em jornais, usar os “Baker Street Irregulars” para obter mais informações e, quando acharmos que temos informações suficientes para resolver um caso, visitamos um Juíz, que nos faz uma série de perguntas em relação ao culpado, suas motivações e afins. Se acertarmos nas perguntas, caso resolvido! Embora tudo isto seja construído com base em testemunhos, sem qualquer evidência que as sustente.

Não se deixem enganar por screenshots. Apesar de vários menus estarem em inglês, as vozes estão todas em japonês e muitos dos textos também.

Mas vamos às diferenças. Tecnicamente, a versão PC Engine CD / Turbo CD é muito similar à conversão da Mega CD, com vídeos bastante comprimidos e com uma resolução muito diminuta, embora se note uma melhor definição de cor, particularmente em cenas com maior luminosidade. A versão norte-americana da Turbo CD está integralmente em inglês, com o mesmo acting de qualidade acima da média para a altura. Já a versão PC-Engine CD, todo o voice acting foi dobrado para japonês. Alguns dos menus mantêm-se em inglês, como os locais ou pessoas a explorar, mas o conteúdo de certos menus, como notícias de jornais, telegramas, notas tiradas pelo detective ou até as questões colocadas pelo juíz foram todas traduzidas também para japonês. Portanto sim, a versão PC-Engine CD não é um jogo nada import friendly ao contrário do que inicialmente até esperaria.