Duke Nukem 3D (Sega Saturn)

Duke 3D SaturnÉ tempo de retornar à consola de 32 Bit da Sega, com uma excelente conversão de um jogo de culto. E esse jogo é nada mais nada menos que o Duke Nukem 3D, um first person shooter lendário, com um protagonista inconfundível, repleto de sexo, drogas e rock ‘n roll. Ah, e one liners também, muitas one liners. Duke Nukem era uma personagem com um carisma muito próprio e isso aliado a uma boa jogabilidade, mapas variados repletos de pequenos segredos e humor, tornaram Duke Nukem 3D num jogo muito popular, acabando por ser convertido a todas as plataformas existentes na altura. A Sega Saturn foi uma delas, com esta versão a cargo da Lobotomy Software, estúdio também responsável pelas óptimas conversões de Exhumed e Quake. O jogo chegou-me à colecção por intermédio de um amigo meu, que mo vendeu a 5€, estando completo e em bom estado.

Duke Nukem 3D - Sega Saturn
Jogo completo com caixa e manual

Bom, eu já analisei o Duke Nukem 3D para PC anteriormente, pelo que este artigo irá-se focar mais nas diferenças existentes entre as versões e suas peculiaridades. Aliás, recomendo mesmo a sua leitura pois francamente acho um artigo bem completo. A história coloca Duke Nukem, herói a regressar ao planeta Terra após ter derrotado uns quantos aliens e supostamente impedindo que os mesmos invadissem a Terra, vê-se atacado por mais aliens, despenhando-se assim em plena baixa de Los Angeles. O resto é conversa e afinal, “nobody steals our chicks, and lives“.

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Há coisas que não mudam. A menos que estejamos a jogar numa Nintendo 64

Uma das razões pelas quais o DN3D teve tanto sucesso é mesmo pela sua jogabilidade. Em primeiro lugar pois, para os padrões de 1996 é um jogo bastante interactivo, sendo possível jogar bilhar ou interagir com imensos NPCs ou objectos. O design dos níveis também é algo com um nível de detalhe impressionante para a época, para além de serem variados. Ao longo da aventura vamos percorrendo locais “shady” da baixa de Los Angeles, explorar uma penitenciária, uma enorme estação espacial e regressar a Los Angeles de novo. Os níveis incluem também um grande número de segredos, desde simples passagens secretas para mais goodies, passando por imensas referências a outros videojogos ou ícones da pop-culture de então. A referência “that’s one doomed space marine” para um Marine do Doom é icónica. A acompanhar Duke nesta aventura repleta de violência está um arsenal à altura, algo que também era original para a época. Para além de armas standard como revólveres, caçadeiras, metralhadoras e lança-rockets, neste jogo foram introduzidas diversas outras armas que eram algo inovadoras. Desde as pipebombs e outros explosivos activados ao atravessar um laser que introduziram uma vertente mais estratégica, até aos infames shrink rays que transformam os inimigos no tamanho de um insecto, podendo ser esmagados em seguida e uma arma que também os pode congelar, para que se desfaçam facilmente em pedaços. Isto sem falar claro está no Devastator, uma arma que dispara projécteis explosivos com uma grande cadência de fogo.

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Em alguns pontos o jogo pode ser bastante escuro, mas eu diria que a iluminação está mais realista

Mas após este breve resumo do que é o Duke Nukem 3D, vamos ao que esta versão de Saturn tem de diferente. Em primeiro lugar, tal como outros jogos com o selo da Lobotomy como o Exhumed/Powerslave, aqui existe um mini-jogo para ser desbloqueado: Deathtank Zwei. Este é uma espécie de clone do Worms, mas desta vez com tanques e com as batalhas em tempo real. É um jogo que tira proveito do multi tap, permitindo sessões de jogo de até 7 jogadores em simultâneo. Infelizmente nunca cheguei a jogá-lo, mas está lá. Pode ser desbloqueado ao ter um save do Quake ou Exhumed/Powerslave na memória, ou simplesmente por partir todas as sanitas/urinóis do jogo. Nesse mini-jogo, a ideia é sobreviver a cada round. Inicialmente dispomos apenas de uns simples projécteis, cujas trajectórias devem ser cuidadosamente calculadas para obter o arco perfeito. Contudo com o decorrer do jogo teremos acesso a armas e items que podem tornar as partidas bem mais caóticas e divertidas.

Infelizmente a melhor característica deste jogo para a Saturn não foi trazida para a versão europeia do jogo. Nos Estados Unidos e Japão a Sega Saturn tinha algumas funcionalidades online, através do serviço Sega Netlink. Este aparelho, na verdade um modem que se liga numa das portas da consola permitia à Sega Saturn aceder à internet através de browsers simples ou jogar online num catálogo selecto de jogos. Este Duke Nukem 3D é um deles, permitindo jogar todo o jogo em co-op com mais uma pessoa, ou entrar em Dukematches tal como na versão PC. Multiplayer local em split screen tal não existe, apenas a versão Nintendo 64 inclui essa funcionalidade. Nós, os europeus limitamo-nos a receber o jogo completamente em singleplayer.

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Encontrar aquele alien na casa de banho a tratar do seu serviço, para mim continua a ser um dos momentos mais WTF da história dos videojogos

Outra característica diferente da versão Sega Saturn é a mesma utilizar o próprio motor gráfico da Lobotomy, a SlaveEngine, ao contrário do motor gráfico BUILD no PC. E no que se traduziu essa mudança? Para além de os inimigos e NPCs continuarem a ser sprites em 2D, os restantes cenários ganharam um aspecto 3D mais verdadeiro. É certo que algumas texturas perderam alguma definição, mas no entanto o jogo mantém-se bastante agradável, inclusivamente foram melhorados alguns efeitos de luz e outros como as explosões, fazendo deste e outros jogos que correm esta engine como dos melhores jogos 3D que a Saturn teve. As banda sonora é idêntica, embora incluam alguns remixes ou remasters das músicas originais. De resto o jogo contém quase todos os níveis dos 3 episódios originais para PC, não incluindo o add-on Plutonium Pack e mais uns 3 níveis que faltam. De resto, em conjunto com um nível original (Urea 51) e alguns secretos, existe um total de 30 níveis nesta conversão.

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Esventrar estes bichinhos continua a ser bastante divertido

Posto isto, acho o Duke Nukem 3D para a Saturn como uma excelente conversão, embora não inclua tudo o que a versão PC tem. Para além desta, o jogo saiu também relativamente na mesma altura para a PS1 e Nintendo 64. A versão da Sony é também uma boa conversão embora não possua nenhum modo multiplayer, porém inclui os 3 conjuntos de níveis do original mais um novo conjunto de níveis exclusivo dessa plataforma. Já a versão N64 apesar de ter multiplayer local com splitscreen, possui imensa censura e os níveis bastante alterados, pelo que não é uma versão que recomendo de todo.

Capsized (PC)

De volta aos jogos indie para PC, pois tem sido o que mais tenho vindo a jogar ultimamente, para mais um artigo curto. Capsized é um sidescroller futurista, misturando a jogabilidade de um Metal Slug e Bionic Commando com um interessante sistema de física. Produzido pelo estúdio Alientrap, é um jogo lançado originalmente durante o ano de 2011, tendo sido também lançado para a X360 durante este ano de 2013. A minha cópia digital veio-me parar ao catálogo do Steam por intermédio de mais um Humble Indie Bundle, desta vez o oitavo, em conjunto com jogos como Dear Esther ou Proteus.

Capsized PCA história é simples, tomamos o papel de um astronauta que vê a sua nave a despenhar-se num planeta hostil. Ao longo do jogo teremos de encontrar os restantes companheiros, eventualmente reparar a nave e escapar do planeta, enfrentando imensos inimigos pelo caminho. A jogabilidade é a de um sidescroller, porém com diversas peculiaridades. A personagem pode ir saltitando de parede em parede, utilizar um gancho para se balancear ou puxar inimigos/objectos, ou mesmo atirar com esses objectos para os inimigos. Para além do mais possuimos também um jetpack que permite navegar mais livremente em áreas abertas, contudo o combustível é escasso. O arsenal que vamos encontrando ao longo do jogo é bastante vasto, desde metralhadoras, passando por rockets, lança-chamas e outras armas variadas, cada uma com um modo secundário de disparo e também cada uma indicada para diversas situações. Os controlos é que me foram um pouco confusos. Utilizando um setup de teclado e rato, o teclado é utilizado para movimentar a personagem, bem como utilizar o gancho ou o jetpack. Já o rato é utilizado para apontar a arma e disparar, tanto no modo normal como no secundário. Ora para quem se habituou a jogar sidescrollers deste género como o já referido Metal Slug ou até os Contra, sempre os jogou apenas com um D-Pad para controlar o movimento e a mira, mais uns botões para distribuir lenha. Aqui é frequente eu atrapalhar-me ao andar com o boneco para trás, a pensar que iria disparar nessa direcção e acabo por mandar uns tiros noutra direcção completamente diferente, pois era aí que estava o ponteiro do rato. É certo que é apenas uma questão de hábito, mas old habits die hard.

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O gancho pode ser utilizado em qualquer superfície, objecto ou mesmo inimigo e é fulcral ao longo do jogo.

Ainda assim, acho interessante toda a física que está envolvida no jogo. Utilizar o Jetpack tem uma certa aceleração, o “swing” com o gancho requer ganhar balanço, inimigos que aumentam a sua forca gravítica de forma a “sugar” todos os objectos (e projecteis) à volta para depois os cuspir novamente para o jogador, entre outros. A variedade de armas também é benvinda e em conjunto com uma munição restrita faz-nos sempre pensar 2x antes de puxar o gatilho. O modo campanha do jogo decorre ao longo de 12 níveis, cujos podem ter diferentes objectivos, desde simplesmente encontrar a saída, como resgatar todos os colegas, encontrar objectos ou destruir uns certos inimigos. Em todos os outros casos é até possível finalizar os níveis sem matar mais ninguém sequer – embora seja difícil. Esses objectivos estão marcados no ecrã, com uma “bússola” tal como é utilizada em FPS como Call of Duty, indicando com setinhas a posição do(s) objectivo(s). Para além do modo campanha existem também outros modos de jogo. Dentro do menu “Arcade” podemos encontrar um modo cooperativo local que nos permite jogar toda a campanha a 2, onde um jogador utiliza o teclado e rato, outro um gamepad. Um deathmatch em splitscreen está também presente, bem como outros modos como timetrials, survival ou o “Armless fighting“, onde jogamos sem qualquer arma.

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De notar o círculo no fundo, à direita, que nos indica o objectivo do nível

Graficamente é um jogo interessante. Desde as cutscenes claramente inspiradas em banda-desenhada, até pelo mundo vibrante em que nos encontramos. Desde os nativos que nos atacam com lanças e tudo o resto, passando pela inofensiva fauna local ou outros insectóides mais agressivos – que até me fazem lembrar de certa forma os Metroids – é um jogo visualmente bem conseguido e com bonitos efeitos de luz. A banda sonora é que me passou de certa forma ao lado.

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Não se pode dizer que Capsized não tenha uns bonitos visuais

No fim de contas Capsized é um sidescroller que pode agradar aos fãs do género, contudo a mim não deixa assim grandes recordações. Algumas armas são bastante interessantes, assim como a física que implementaram no jogo. Contudo aqueles controlos acho que poderiam ter sido melhor adaptados. Ainda assim, tendo em conta o preço reduzido a que o comprei, e provavelmente mais tarde ou mais cedo fará parte de mais algum Humble Bundle, poderá ser um jogo a ter em conta para quem gosta.

Streets of Rage (Sega Master System)

Streets of Rage Master SystemFazer uma análise a um port 8bit de um dos maiores clássicos da Mega Drive tem o que se lhe diga, pois um dia que venha a possuir o jogo original a sua análise já será um pouco menos detalhada. Ainda assim acho que a conversão para a Master System tem o seu mérito, por ter sido muito bem conseguida tecnicamente, na minha opinião. A série Streets of Rage surgiu durante o ano de 1990, com a SEGA a capitalizar sobre o grande sucesso que jogos como Double Dragon ou Final Fight tinham feito nas arcades. A Sega antecipou-se assim à Capcom com a conversão do Final Fight para SNES, lançando este jogo na Mega Drive em primeiro lugar. Infelizmente, a versão Sega Master System deste Streets of Rage apenas chegou às lojas já no ano de 1993. A minha cópia do jogo chegou-me às mãos por volta de 2005, onde me custou uns 7.5€ num leilão no Miau.pt. Está completa e em bom estado.

Streets of Rage - Sega Master System
Jogo completo com caixa e manuais

A história é o cliché do costume. Um enorme gangue de criminosos toma de assalto uma grande metrópole norte-americana, tornando a cidade bastante insegura para todos os seus cidadãos. Um grupo de jovens polícias fartaram-se da situação e decidem fazer justiça pelas suas próprias mãos, distribuindo pancada por todos os bandidos que encontrarem pela frente, desde o “soldado raso”, até ao kingpin lá do sítio. Pode ser um cliché, mas a verdade é que nestes jogos o que um gajo quer é encher a bandidagem de pancada, o resto é bónus. Os polícias que podemos jogar são Axel Stone, Adam Hunter, ou a menina Blaze Fielding, cada um com as suas peculiaridades, com Blaze ser mais fraca porém mais ágil, Adam mais forte e lento, e Axel como uma personagem “all around“.

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Antes do ecrã título também existe uma “cutscene” toda fancy como no original

Antes do Streets of Rage ter sido lançado para a Master System, a Game Gear recebeu também uma conversão. Ao contrário de practicamente todos os outros jogos que existem tanto para a Master System como a Game Gear que têm muito poucas diferenças entre si, devido ao hardware das 2 plataformas  ser muito semelhante, estes Streets of Rage são uma excepção. Na versão Game Gear, para além dos gráficos serem diferentes, a jogabilidade foi modificada, com as personagens a perderem alguns golpes, o Adam não pode ser seleccionado e como seria de esperar não existe nenhum modo multiplayer. A versão Master System inclui todos os 3 personagens e os seus combos na totalidade, mas infelizmente também não incluiu nenhum modo multiplayer. A jogabilidade, apesar de herdar todos os combos  do parente 16bit da Mega Drive, não é das melhores infelizmente. Existem alguns bugs de detecção de colisões, especialmente quando o jogador agarra numa arma. A dificuldade do jogo também é muito maior na versão 8bit, na minha opinião, por culpa também destes problemas. O botão de ataque especial, na falta de mais botões no comando, acabou por ser o botão de pausa da Master System, cujo sempre foi bastante incomodativo, mas é o que há.

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Ecrã de escolha da personagem com que queremos jogar, notem as diferenças

Visualmente a conversão para a Master System está muito competente. É certo que as sprites das personagens e objectos no geral estão muito mais pequenas e com menos detalhe do que a versão Mega Drive, é perfeitamente normal, embora os bosses continuem com sprites bem grandinhas e que pouco ficam a dever às suas incarnações originais. Mas os cenários variados e as cores garridas do original também estão aqui presentes. Logo no icónico primeiro nível, com todas as lojas repletas de letreiros de neon coloridos, dá para perceber que foi feito um enorme esforço por parte da Sega na conversão deste jogo. Ao contrário da versão Game Gear, que naturalmente corre a uma resolução inferior, esta apresenta um maior detalhe e número de objectos nos níveis, para além de ter os 8 níveis originais, ao contrário dos 6 da Game Gear. As músicas são remixes das originais do Yuzo Koshiro para a versão da Mega Drive, embora a qualidade do chip de som da Master System deixe muito a desejar neste aspecto.

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Sempre achei piada ao ataque especial. E com o carro do E-Swat!

Ainda assim, mesmo com as suas falhas, acho o Streets of Rage para a Sega Master System uma conversão muito boa, tendo capturado todo o “charme” do original da Mega Drive num sistema nitidamente inferior. Óbvio que a versão de 16bit continua a ser a melhor escolha, mas a Master System tem uma conversão muito bem conseguida. A Master System viria também a receber uma conversão do Streets of Rage 2 mais tarde, embora não seja tão fiel ao original.

Serious Sam: The First Encounter (PC)

Serious Sam é uma interessante série de FPS desenvolvida pelo estúdio Croata Croteam. Digo interessante, embora se tenha tornado extremamente repetitiva com os vários lançamentos. Serious Sam é um FPS onde nada mais interessa a não ser os tiroteios constantes, a história existe mas é totalmente posta em segundo plano. Os jogos Serious Sam são então conhecidos por apresentarem níveis gigantescos (com uma vasta área para explorar) em conjunto com grandes números de inimigos no ecrã, tornando-se numa carnificina constante. São também apontados como sendo jogos com alguma sátira, à lá Duke Nukem 3D, mas pelo menos falando neste jogo, não concordo. Este jogo veio-me parar às mãos (bem como todos os outros jogos da série) através de um Humble Bundle qualquer, comprado por uma bagatela, como habitual.

Serious Sam: The First EncounterA história de Serious Sam é simples: num futuro próximo, a humanidade descobriu no nosso planeta ruinas de uma civilização extraterreste bem mais avançada que permitiu à humanidade muito rapidamente desenvolver-se tecnologicamente e ir conquistando os confins do universo. Contudo a certa altura seres de uma outra dimensão começam a atacar ferozmente os humanos que, mesmo com toda a tecnologia disponível vêem-se a perder batalha atrás de batalha. A última esperança recai num artefacto deixado por essa antiga civilização, que permite a uma única pessoa viajar no tempo. A escolha caiu em Sam “Serious” Stone, uma lenda vida da resistência humana, tendo sobrevivido a imensos confrontos sangrentos com os aliens, basicamente o Rambo lá do sítio. Assim sendo Sam foi transportado para o passado, em alturas da antiga civilização egípcia, à procura de alguma forma alterar o futuro, prevenindo o ataque alienígena. Contudo quando lá chega, os outros também o acompanharam. História algo cliché, mas felizmente esse não é o foco do jogo.

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Os visuais com a temática egípcia são uma constante. Pena é não haver quaisquer humanos para além do Sam

É na jogabilidade agressiva e caótica provocada pelas waves constantes de inimigos que o jogo tem a sua fama. Basicamente o fluxo do jogo é entrar num espaço bastante amplo, derrotar dezenas de inimigos (lá mais para os últimos níveis é comum ter mais de 40 inimigos no ecrã), quando derrotamos os inimigos uma porta abre-se e repete-se o processo. Ok, não é só isto, tem um ou outro puzzle básico de carregar em botões ou coleccionar alguns artefactos de forma a progredir no jogo, mas esses são segmentos simples, aqui o que importa mesmo é o combate frenético. E para combater tanto bicho, Serious Sam tem um arsenal à altura. Desde revólveres, shotguns, metralhadoras, até ao armamento mais pesado como os tradicionais lança-rockets e granadas, armas laser, ou mesmo um canhão ridiculamente grande e poderoso, mesmo como manda a lei neste género de shooters. Infelizmente esta pouca variedade acaba por tornar o jogo algo repetitivo, sendo recomendável ser jogado com moderação. Para além da campanha single-player, Serious Sam: The First Encounter conta também com alguns modos multiplayer, a começar por duas variantes do já velho conhecido Deathmatch, até um modo cooperativo, onde podemos jogar níveis à escolha, ou mesmo o jogo principal na totalidade.

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Infelizmente alguns inimigos ficam estáticos, a IA deixa algo a desejar.

Tecnicamente era um jogo impressionante para a época (lembrar que foi lançado em 2001). Para além de gráficos bem detalhados – todos os visuais egípcios foram muito bem implementados, na minha opinião – o jogo apresenta cenários com uma área muito grande, sem loadings visíveis, com imensos inimigos no ecrã ao mesmo tempo e com muita fluidez no jogo, mantendo um framerate constante. De vez em quando temos também de combater bosses e estes são também titânicos. O jogo possui também efeitos de luz muito bem implementados para a época, pelo que no quesito eye-candy, a CroTeam esteve de parabéns. Infelizmente a inteligência artificial deixa muito a desejar, com os imigos a investirem constantemente contra o jogador, porém compreende-se que com tanto inimigo no ecrã ao mesmo tempo, alguma coisa teria de ser sacrificada. O voice acting é mediano, tentaram tornar Serious Sam numa personagem algo à lá Duke Nukem com as suas one liners sarcásticas e pelo menos neste jogo não acho que tenha sido bem conseguido. Nos jogos seguintes já me parece que se tenham esforçado mais nesse aspecto. Já a banda sonora acho mais interessante, pois varia desde melodias mais atmosféricas com muitas influências egípcias, passando para um heavy metalzinho à maneira naqueles combates mais caóticos.

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Este nem é um número assim tão grande de inimigos em simultâneo, mas já dá para ter uma ideia

De resto Serious Sam traz também com o jogo imensas ferramentas para a comunidade modding, com editores de níveis para criar novos mapas ou mesmo um editor de modelos para criar novos objectos. Confesso que não prestei atenção a essas ferramentas, pelo que não sei o quão user-friendly são e as suas features. Assim sendo, Serious Sam: The First Encounter é um bom jogo para se ir jogando de vez em quando. A sua jogabilidade mais oldschool é muito benvinda, embora o jogo seja repetitivo com as waves constantes de inimigos, em cenários imensamente grandes. A história ficou a meio, sendo contada no jogo seguinte, o Serious Sam: The Second Encounter. Ainda assim este jogo viu também um remake HD em 2009, com o jogo a ser refeito de raiz utilizando a engine do Unreal 3, introduzindo também alguns novos modos de jogo. Mas sobre essa versão escreverei mais à frente.

DLC Quest (PC)

DLC Quest é um jogo de plataformas indie que, tal como o nome o sugere, é uma sátira a uma das “inovações” recentes no mercado dos videojogos, sendo muitas vezes abusada por certas empresas (Capcom coff coff). Desenvolvido pelo estúdio Going Loud Studios, DLC Quest saiu originalmente para o serviço XBLA na X360 no ano de 2011, tendo sido convertido para PC e Mac no ano seguinte. Recentemente, ainda neste ano, foi lançado uma “expansão” – ou DLC – intitulada “Live Freemium or Die”, que veio junto com o DLC Quest. Este jogo veio parar à minha colecção através de uma promoção da Steam, onde consegui “comprá-lo” por menos de 1€. Digo “comprá-lo” pois na verdade gastei apenas saldo que tinha na conta ao vender cartinhas virtuais. You gotta love steam.

DLC QuestA história é do mais cliché que existe, o que até é ok, tendo em conta que isto se trata de uma sátira. O nosso herói vê a sua namorada raptada por um vilão qualquer e parte para a salvar. Ok, até aqui tudo visto, até pelos próprios desenvolvedores que satirizam toda a situação. É quando começamos o jogo que as coisas começam a ficar interessantes. Ora o “pacote base” do jogo não nos permite andar para a esquerda ou saltar, pausar o jogo, emitir qualquer som, sendo que para isso temos de adquirir os respectivos DLCs. Felizmente ao andar para a direita coleccionamos moedas suficientes para adquirir o primeiro DLC: movement pack. E basicamente o jogo é isso, andar a percorrer o cenário de ponta a ponta, de forma a obter o maior número de moedas possível para comprar uma enorme variedade de DLCs estapafúrdios que são necessários para terminar o jogo (ou não). Os DLCs incluem armas, chapéus, o sexy pack que torna todos os NPCs a usar um bikini pixelizado – mesmo os masculinos, ou habilidades como o double jump.

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A loja virtual onde se podem “comprar” os vários DLCs

A segunda parte do jogo – Live freemium or die é uma continuação do jogo anterior, embora os “poderes” e todos DLCs do primeiro jogo – à parte do movimento básico, pausar, sons e animações, foram perdidos. Aqui existem novos DLCs para coleccionar, como saltar de parede para parede ou outros DLCs sem mais nenhum propósito a não ser o coleccionismo. É um jogo cujo ponto forte é a sua sátira e diálogos nonsense entre o herói e os restantes NPCs, pois no que diz respeito à jogabilidade acaba por ser um jogo de plataformas bastante simples e curto, o que justifica o seu muito baixo preço base.

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A moda dos zombies também chegou a este jogo

Graficamente é um jogo completamente pixel-art, embora as personagens e objectos no geral tenham um aspecto muito invulgar propositadamente. Por algum motivo os visuais do jogo me fizeram lembrar o Alex Kidd in Miracle World. As músicas são também todas retro, sendo compostas em chiptune e até que são agradáveis. Infelizmente, e eu quero acreditar que seja apenas problema do meu computador, a performance do jogo é terrível. Sendo um jogo originalmente desenvolvido para a X360, através da Xbox Live Indie Games (XBLIG), utiliza as bibliotecas XNA, que já em jogos como Breath of Death VII ou Cthulhu Saves the World me tinham dado imensos problemas. Aqui o jogo estava constantemente a crashar, contudo no primeiro capítulo é possível fazer save a qualquer altura, o que atenuava um pouco a coisa. Já no capítulo Live Freemium or Die o sistema de save não é assim, funcionando por checkpoints (cujos devem ser desbloqueados por DLC, já agora). Ou seja, ao passar em certos pontos do mapa existe um objecto que marca o checkpoint. Ao fazer save, o jogo é recomeçado nesse checkpoint, o que me levou o triplo do tempo para terminar o jogo, com os crashs constantes que me obrigaram a refazer as coisas várias vezes.

Sendo assim o jogo é uma ideia interessante, criticando com humor o rumo que a indústria tomou recentemente com todos os DLCs e conteúdo pay-to-win, com os abusos que algumas empresas tomam em relação a isso. No entanto, sendo um jogo algo simples e curto, compensa apenas comprá-lo a um preço baixo. Se tiver os mesmos problemas de performance que experienciei no meu PC, então mais vale jogá-lo numa X360 mesmo.