NBA Jam (Sega Mega CD)

Tempo de continuarmos com as rapidinhas, mas agora com um jogo de desporto na Mega CD. Mas este não é um jogo de desporto normal, mas sim uma das muitas adaptações de NBA Jam, um clássico arcade da Midway que se demarcava pela jogabilidade absolutamente frenética e repleta de afundanços impossíveis. NBA Jam também se destacava pela estrutura das partidas, com equipas de dois contra dois, e pela utilização de gráficos pré-renderizados, uma técnica que a Midway utilizava frequentemente, particularmente após o sucesso de jogos como Mortal Kombat. Já cá trouxe no passado a versão Mega Drive deste jogo, pelo que este artigo vai incidir sobretudo nas diferenças introduzidas pela versão Mega CD.

Jogo com caixa e manual

E as maiores diferenças estão, claro, no som. A banda sonora de NBA Jam contém poucas músicas, porém bastante enérgicas e agradáveis. Esta versão inclui uma adaptação gravada em formato CD Audio, com instrumentos reais, o que a torna ainda mais empolgante. Os samples de voz digitalizada possuem também melhor qualidade, sendo mais nítidos que os da versão Mega Drive, e a versão Mega CD tem algumas vozes adicionais que antecedem as partidas. No entanto, e por incrível que pareça, esta versão tem menos vozes durante as próprias partidas, o que é algo que não esperaríamos que acontecesse num sistema com as características da Mega CD. A jogabilidade frenética, associada a uma banda sonora cativante e a um comentador desportivo em esteróides, sempre foi uma das imagens de marca de NBA Jam, e as partidas na Mega CD acabam por soar mais silenciosas, para além dos loadings ocasionais entre partidas e respectivos intervalos.

Visualmente é um jogo idêntico à versão Mega Drive, com o extra de ter tempos de loading sempre que um dos períodos de cada partida termine

Já no que toca aos visuais, esta versão é em tudo idêntica à versão Mega Drive, com a adição de vários novos clipes de full motion video que vão sendo reproduzidos nos intervalos das partidas, assim como de uns clipes maiores na sequência de fim de jogo. É pena que as melhorias visuais desta versão Mega CD se tenham ficado por aí, pois o NBA Jam original de arcada utiliza técnicas de scaling para criar os seus efeitos de zoom, algo que o hardware da Mega CD suportava nativamente e que teria sido interessante explorar nesta conversão. De resto, esta versão possui também um leque de jogadores actualizado, provavelmente já tendo em conta a época desportiva de 1994/1995, visto que a versão Mega CD foi lançada no final de 1994.

Estas cenas nos intervalos dos jogos incluem mais clipes de full motion video nesta versão

Portanto, esta versão de Mega CD, apesar de bastante competente e de manter intacta a jogabilidade que tornou NBA Jam tão popular, não deixa de ser um tanto desapontante. Eu, pelo menos enquanto consumidor de 1994, não veria grandes motivos para fazer o upgrade caso já tivesse a versão de Mega Drive. A banda sonora é, de facto, muito melhor, mas a sensação que fica é que esta conversão poderia ter ido um pouco mais além e tirado maior partido do hardware adicional que a Mega CD oferecia.

Androids (Timex Computer 2068)

Vamos ficar com uma super rapidinha a um título que há muito estava aqui esquecido numa gaveta, pelo menos desde que comprei um exemplar do Timex Computer 2068 na feira da Vandoma, no Porto, há mais de 10 anos. Enfiado na entrada de cartuchos que este microcomputador possui, estava este exemplar do Androids, um dos jogos lançados para este sistema no formato de cartucho.

Cartucho solto

Para quem não conhece os Timex Computers, estes computadores foram desenvolvidos e produzidos pela divisão portuguesa da Timex durante a década de 80, na sequência da parceria da empresa com a Sinclair, e foram comercializados tanto em Portugal como noutros mercados. O Timex Computer 2068 é a versão portuguesa do Timex Sinclair 2068 norte-americano, embora com algumas alterações destinadas, entre outras coisas, a melhorar a compatibilidade com o ZX Spectrum. A Timex Portugal continuou a desenvolver e fabricar estes computadores mesmo depois de a divisão norte-americana ter abandonado o mercado dos microcomputadores em 1984. O TC2068 possuía ainda uma particularidade bastante interessante para a época: uma entrada própria para cartuchos, com vários títulos a serem lançados neste formato. Já este Androids é bastante simples e, do que consegui averiguar, existem duas versões distintas deste software: uma para o ZX Spectrum de 16K e outra para os computadores TC2068. Honestamente, pelo que entendi, ambas me pareceram praticamente idênticas.

Androids não é o jogo mais bonito do mundo.

Mas em que consiste então este Androids? É um jogo muito simples, na verdade, onde teremos um grande labirinto para explorar e procurar a sua saída, encontrando pelo caminho uma série de inimigos que deveremos evitar ou combater. Temos pontos de vida e munições limitados, mas felizmente iremos também encontrar inúmeras telas coloridas que nos permitirão restabelecer ambos. As telas azuis com uma letra G servem para restabelecer a nossa barra de vida, enquanto as telas azuis com uma letra S restabelecem as munições da nossa arma laser. Ao longo dos labirintos iremos também encontrar telas azuis de uma tonalidade mais clara. Estas servem de portas, o que é um facto importante de reter, pois os inimigos são incapazes de as atravessar. De resto, confesso que não joguei Androids o tempo suficiente para saber se tem um final, mas tendo em conta que cada labirinto é gerado aleatoriamente, eu diria que não, sendo o objectivo fazer a melhor pontuação possível, algo bastante comum nos videojogos da primeira metade dos anos 80.

Existe também uma versão portuguesa deste jogo, mas que apenas foi distribuída em cassete.

Visualmente é um jogo incrivelmente simples: a nossa personagem é um mero stickman e os monstros não são muito mais detalhados. Os labirintos são simples corredores cinzentos sobre um fundo negro e o som é também muito minimalista, pelo que não há muito a acrescentar aqui. Também não me pareceu haver uma grande variedade de inimigos e níveis, pelo menos durante o tempo que joguei. Os labirintos, gerados aleatoriamente, são é surpreendentemente grandes!

E é isto para o Androids. Um jogo incrivelmente simples que tinha aqui para vos trazer num dia destes, e cá ficou a oportunidade de estrear um sistema novo aqui no blogue. Infelizmente, já há muito tempo que não me cruzo com cartuchos de Timex Computer 2068 em feiras de velharias e, sinceramente, também não é um sistema que procure afincadamente, pelo que tão cedo não trarei cá mais nada desta plataforma.