Vamos ficar com uma super rapidinha a um título que há muito estava aqui esquecido numa gaveta, pelo menos desde que comprei um exemplar do Timex Computer 2068 na feira da Vandoma, no Porto, há mais de 10 anos. Enfiado na entrada de cartuchos que este microcomputador possui, estava este exemplar do Androids, um dos jogos lançados para este sistema no formato de cartucho.
Para quem não conhece os Timex Computers, estes computadores foram desenvolvidos e produzidos pela divisão portuguesa da Timex durante a década de 80, na sequência da parceria da empresa com a Sinclair, e foram comercializados tanto em Portugal como noutros mercados. O Timex Computer 2068 é a versão portuguesa do Timex Sinclair 2068 norte-americano, embora com algumas alterações destinadas, entre outras coisas, a melhorar a compatibilidade com o ZX Spectrum. A Timex Portugal continuou a desenvolver e fabricar estes computadores mesmo depois de a divisão norte-americana ter abandonado o mercado dos microcomputadores em 1984. O TC2068 possuía ainda uma particularidade bastante interessante para a época: uma entrada própria para cartuchos, com vários títulos a serem lançados neste formato. Já este Androids é bastante simples e, do que consegui averiguar, existem duas versões distintas deste software: uma para o ZX Spectrum de 16K e outra para os computadores TC2068. Honestamente, pelo que entendi, ambas me pareceram praticamente idênticas.
Mas em que consiste então este Androids? É um jogo muito simples, na verdade, onde teremos um grande labirinto para explorar e procurar a sua saída, encontrando pelo caminho uma série de inimigos que deveremos evitar ou combater. Temos pontos de vida e munições limitados, mas felizmente iremos também encontrar inúmeras telas coloridas que nos permitirão restabelecer ambos. As telas azuis com uma letra G servem para restabelecer a nossa barra de vida, enquanto as telas azuis com uma letra S restabelecem as munições da nossa arma laser. Ao longo dos labirintos iremos também encontrar telas azuis de uma tonalidade mais clara. Estas servem de portas, o que é um facto importante de reter, pois os inimigos são incapazes de as atravessar. De resto, confesso que não joguei Androids o tempo suficiente para saber se tem um final, mas tendo em conta que cada labirinto é gerado aleatoriamente, eu diria que não, sendo o objectivo fazer a melhor pontuação possível, algo bastante comum nos videojogos da primeira metade dos anos 80.
Visualmente é um jogo incrivelmente simples: a nossa personagem é um mero stickman e os monstros não são muito mais detalhados. Os labirintos são simples corredores cinzentos sobre um fundo negro e o som é também muito minimalista, pelo que não há muito a acrescentar aqui. Também não me pareceu haver uma grande variedade de inimigos e níveis, pelo menos durante o tempo que joguei. Os labirintos, gerados aleatoriamente, são é surpreendentemente grandes!
E é isto para o Androids. Um jogo incrivelmente simples que tinha aqui para vos trazer num dia destes, e cá ficou a oportunidade de estrear um sistema novo aqui no blogue. Infelizmente, já há muito tempo que não me cruzo com cartuchos de Timex Computer 2068 em feiras de velharias e, sinceramente, também não é um sistema que procure afincadamente, pelo que tão cedo não trarei cá mais nada desta plataforma.



