El Viento (Sega Mega Drive)

Adoro o que a retro-bit tem vindo a fazer ultimamente com jogos de Mega Drive. De alguma forma eles conseguiram obter os direitos de certos jogos que a norte-americana Renovation lançou nos Estados Unidos, sendo que a esmagadora maioria desses títulos lá lançados por eles são jogos que nunca chegaram cá à Europa e, pelo menos até agora, têm escolhido bem o que relançar. Foi assim com os Valis, Gaiares e mais recentemente este El Viento. Desenvolvido pela Wolfteam, este El Viento é o primeiro de uma trilogia de jogos que também se incluem o Earnest Evans e Anetto Futatabi, este último exclusivo de Mega CD em solo japonês. O meu exemplar foi comprado na loja Xtralife, tendo-me chegado às mãos algures no passado mês de Janeiro.

Jogo com sleeve exterior de cartão, manual a cores e certificado. Relançamento da retro-bit.

A história coloca-nos no papel de Annet Myer, uma feiticeira que está no encalço de um misterioso culto que procura reviver uma divindade qualquer diabólica, Hastur. Aparentemente sim, é o mesmo Hastur do universo de Cthullu de H.P. Lovecraft. Annet e Restiana são descendentes de Hastur, mas Restianna é uma das vilãs, enquanto que Annet está do lado da raça humana e o jogo vai-nos providenciar toda uma série de cutscenes que ilustram o progresso da história, que decorre algures nos anos 20 (1920) nos Estados Unidos, onde iremos percorrer toda uma série de locais conhecidos.

O culto está a ser ajudado por uma organização mafiosa. Na versão original nipónica, este Vincente é nada mais nada menos que o Al Capone

No que diz respeito à jogabilidade, este é um jogo de acção 2D sidescroller com alguns elementos de plataformas também. O direccional serve para Annet se mover enquanto que o botão B salta (pressionando baixo e B fazemos um slide que também nos permite atravessar precipícios pequenos). O botão A serve para despoletar o nosso ataque principal, que são uma série de bumerangues atirados por Annet. Felizmente podemos atirar bastantes destes bumerangues em simultâneo e por vezes poderemos até encontrar alguns power ups que lhes dão algum movimento teleguiado para inimigos perto da sua trajectória. O botão C serve então para despoletar ataques mágicos, cujos vão consumindo uma barra de magia sempre que são executados e que se vai regenerando rapidamente quando não os utilizamos. O primeiro ataque mágico que desbloqueamos são bolas de fogo, seguindo-se uma serpente de água que atravessa o ecrã à superfície de onde a lançamos, passando por uma onda de ar capaz de causar dano com uma amplitude vertical considerável, ou bolas de fogo que explodem quando entram em contacto com algum inimigo. Por fim, o último ataque mágico que desbloqueamos são projécteis teleguiados que vão sendo disparados automaticamente ao longo de vários segundos. Para usar todos estes feitiços teremos no entanto de manter o botão C pressionado o suficiente para a selecção ir “rodando”. No entanto essa selecção não volta ao início enquanto não largarmos o botão (e assim despoletar o ataque seleccionado no momento), o que às vezes irrita um pouco.

Alguns bosses possuem um design bastante interessante, como é o caso desta criatura gelatinosa. Os seus pontos vulneráveis estão, naturalmente, dentro da gelatina.

Este não é apenas um jogo puramente de acção, pois à medida em que vamos atravessando os seus variados níveis vamos também encontrar vários desafios de platforming algo exigentes ou até algumas alturas onde teremos de utilizar alguns destes poderes para conseguir avançar no jogo e abrir caminho. No final de cada nível temos também um boss para enfrentar e estes tipicamente até que têm uma barra de vida consideravelmente larga. O último nível é um salto de dificuldade bastante grande, pois iremos constantemente ser atacados por pequenos morcegos que surgem constantemente em grande número e são bastante agressivos.

Não sei o que é que andar nas costas de um golfinho tem a ver com evitar a invocação de uma divindade demoníaca, mas a Wolfteam saberá certamente.

A nível audiovisual sinceramente acho o jogo um bocado fraco. É verdade que há uma grande variedade de níveis pois tanto atravessamos cidades norte-americanas dos anos 20, como passamos pelo famoso monte Rushmore, outros níveis passados em montanhas, cavernas ou desfiladeiros (como o Grand Canyon), culminando no Empire State Building que aparentemente estava ainda em construção. Um dos níveis é passado em Detroit, outrora o motor da construção automóvel Norte-Americana, pelo que o nível é passado… numa fábrica de carros! Mas tirando algum efeito gráfico interessante que vai surgindo aqui e ali, considero os gráficos deste jogo no geral como algo fracos. Há qualquer coisa no design dos níveis que não me agrada, mas isto é algo bastante comum nos jogos da Wolfteam nas consolas da Sega. Por outro lado alguns dos bosses estão muito interessantes. Entre cada nível teremos também toda uma série de cut-scenes (na verdade uma colecção de imagens algo estáticas) todas no estilo anime e que vão contando a história. A imagem que nos apresentam no final do último boss é um pouco desconcertante, no bom sentido, pelo menos para mim! De resto a banda sonora acho que até é bastante agradável, já os efeitos sonoros nem por isso.

Portanto este El Viento até que se revelou uma surpresa interessante. Não é um jogo muito bom, longe disso, mas é suficientemente original e interessante para me ter despertado o interesse. Fico ainda mais curioso para voltar jogar no o Earnest Evans, que já havia jogado em emulação há cerca de 25 anos atrás e ficou-me na memória como uma experiência bastante desagradável. Pode ser que a retro-bit o relance em breve!

Desconhecida's avatar

Autor: cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.

3 opiniões sobre “El Viento (Sega Mega Drive)”

  1. A trilha sonora da abertura do jogo me marcou na infância e até hoje acho uma das melhores do Mega Drive.

Deixe uma resposta para Anónimo Cancelar resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.