Racing Spirits (PC-Engine)

Continuando pelas rapidinhas, hoje trago-vos cá um jogo de corridas da PC-Engine. Desenvolvido pela Irem, empresa nipónica com mais fama por alguns lançamentos arcade de culto, como é o caso da série R-Type ou do In the Hunt, este Racing Spirits foi lançado originalmente para a Gameboy algures no primeiro trimestre de 1991. Lá para o verão acabaram também por lançar esta versão PC-Engine que vos trago cá hoje. O meu exemplar foi comprado em lote a um particular algures em Agosto, tendo este ficado por algo em torno dos 15€.

Jogo com caixa, manual embutido na capa e registration card

Ora este é então um jogo de corridas de motos, supostamente baseado num campeonato japonês pois as oito pistas que aqui temos disponíveis estão todas localizadas em regiões nipónicas. E a primeira coisa que chama à atenção mal iniciamos uma partida é que este é um daqueles jogos que estão em constante split screen, mesmo que joguemos sozinhos.

Este jogo não tem assim tanto texto em japonês, mas se quiserem conhecer melhor a equipa que querem representar, estão com pouca sorte

Dispomos então de 3 modos de jogo e todos eles poderão ser jogados sozinhos ou com um amigo. O primeiro é o GP Japan que, tal como o nome indica é o modo campeonato. Começamos por escolher o nível de dificuldade e em seguida qual das 4 equipas queremos representar, presumo que sejam todas fictícias mas naturalmente eu escolho sempre a da Irem. Em seguida somos informados que estamos prestes a começar a primeira pista, qual as condições metereológicas e somos logo levados para um ecrã onde poderemos alterar a nossa moto, nomeadamente escolher o tipo de pneus, travões e motor. A carrossaria também parece ser customizável, mas não temos essa opção. Não sei se será algo desbloqueável com o progresso do jogo ou se a carroçaria está sempre agarrada à equipa que representamos. Depois corremos então as voltas de qualificação, uma vez mais em split screen pois o ecrã de baixo mostra o progresso de algum rival nosso, suponho eu. Uma vez feita a qualificação, seguimos para a corrida a sério, onde teremos inclusivamente de nos preocupar em ocasionalmente visitar as boxes, seja para reabastecer combustível, ou trocar peças desgastadas. E repetir isto tudo para os circuitos seguintes, vence quem tiver mais pontos no final.

Visualmente até que é um jogo colorido e detalhado quanto baste mas aquele split screen obrigatório irrita-me profundamente

O segundo modo de jogo disponível é o Endurance onde começamos por escolher qual o circuito que queremos correr, o nível de dificuldade e em seguida o tempo que queremos competir. Confesso que não perdi muito tempo com este modo de jogo, mas ver a opção de correr por 8h seguidas deu-me alguns arrepios. Em seguida é escolher a equipa, customizar a moto e siga! Por fim o último modo de jogo disponível é o test run que, como o nome indica, nos permite correr corridas treino em qualquer um dos circuitos disponíveis. São modos de jogo suficientes para entreter quem ainda gostar de experimentar estes jogos de corrida mais retro, mas a jogabilidade tem as suas particularidades. É bom conhecer bem os circuitos pois as pistas por vezes têm rampas e quando fazemos uma curva em velocidade de ponta, a mota muitas vezes saiu-me disparada pela pista fora, embatendo nos placards publicitários e custando segundos preciosos.

No modo endurance escolhemos quanto tempo queremos correr num determinado circuito. 8 horas?? É para bravos!

Visualmente, é um jogo minimamente competente visto que corre num HuCard. Mas a decisão de incluir split screen constante é algo que sempre me irritou bastante pois caso joguemos sozinhos, metade do ecrã não interessa para nada e isso poderia ser utilizado para apresentar o jogo gráficos mais trabalhados. As pistas são bastante coloridas e vão tendo backgrounds variados entre si, mas não esperem nada fora do habitual de jogos de corrida desta época em sistemas 8/16bit. Felizmente a banda sonora é bem competente!

Mario & Yoshi (Nintendo Entertainment System)

De volta às rapidinhas, agora com mais um jogo de puzzle da NES, mais um jogo do universo Mario e o segundo videojogo onde Yoshi aparece como protagonista. Bom, na verdade controlamos Mario, mas já lá vamos. O meu exemplar foi comprado a um amigo meu no passado mês de Setembro por 5€ e a razão pela qual este artigo é uma rapidinha deve-se ao facto de já ter trazido cá a versão Game Boy no passado, sendo practicamente idêntica em conteúdo a esta.

Cartucho solto

Bom, este é então um jogo de puzzle onde figuras do universo Mario vão caindo no ecrã aos pares. Juntando duas peças idênticas na mesma coluna faz com que as mesmas desapareçam e nos dêm pontos. Ocasionalmente vão também caindo cascas de ovos de Yoshi (casca inferior ou superior). A ideia será também unir duas cascas para que nasça um Yoshi e nos aumente a pontuação. Mas melhor ainda, para ganhar ainda mais pontos, é deixar vários itens diferentes cairem na mesma fila e só depois fechar o ovo. Assim limpamos tudo o que estiver no meio das suas extremidades e quanto mais peças o ovo comer, maior será o Yoshi que de lá nasce e mais pontos recebemos também. Claro que se deixarmos uma coluna crescer mais do que o permitido no jogo, temos um game over, pelo que essas jogadas têm sempre o seu risco. Mas e como controlamos em que colunas queremos que as peças caiam? Na parte de baixo do ecrã vemos o próprio Mario, com os seus braços estendidos, sempre segurando a base de duas colunas contíguas e com o pressionar de um botão Mario roda entre si, trocando a ordem das colunas que estiver a agarrar no momento.

A coluna mais à direita neste momento só se safa se a movermos completamente para a esquerda atempadamente, para que ambos os goombas se juntem e se anulem

No que diz respeito aos modos de jogo, temos o Game A, Game B e multiplayer, tal como na versão de GBA. O modo A é o típico endless onde o objectivo é o de fazer a melhor pontuação possível à medida que a dificuldade vai aumentando com o tempo. O modo B apresenta-nos um ecrã já preenchido com algumas peças e a apenas seguimos para o nível seguinte assim que limparmos o ecrã, demore o tempo que demorar. Naturalmente que os níveis seguintes vão tendo a área de jogo cada vez mais cheia. E por fim temos o modo multiplayer que uma vez mais não cheguei a experimentar.

Na vertente multiplayer, o segundo jogador controla o Luigi e a ideia é ser o primeiro a limpar o ecrã de blocos ou simplesmente garantir que não enchemos nenhuma coluna fora do limite

Do ponto de vista audiovisual este é um jogo extremamente simples e outra coisa não seria de esperar visto este ser um puzzle game num sistema 8bit modesto. As “peças” são inimigos típicos do universo Mario como goombas, boos ou as plantas carnívoras e o jogo possui 3 músicas que podemos escolher qual ouvir antes de cada partida. Infelizmente a banda sonora não é tão boa quanto a do Dr. Mario!

Paranoia (PC Engine)

Lançado nos Estados Unidos para a Turbografx-16 como Psychosis, este Paranoia é um dos muitos shmups da jogoteca do ecossistema PC Engine. Desenvolvido pela Naxat Soft, é também um jogo algo bizarro na sua apresentação, como irei descrever mais à frente. O meu exemplar foi comprado a um particular algures em Agosto num lote, tendo este me custado algo em volta dos 20€.

Jogo com caixa e manual embutido na capa

A primeira coisa que torna esta uma experiência bizarra e original está na sua história. Bom, o manual do Paranoia está em japonês, mas felizmente, visto que a sua varieante norte americana saiu na PC Engine Mini, a Konami disponibiliza de forma digital os seus manuais em inglês. E pelo que podemos lá ler, aqui não temos de combater nenhuma invasão alienígena ou algo que se pareça, mas sim o jogo decorre na mente de alguém insano que luta contra os seus demónios. Daí o nome Paranoia ou Psychosis. Irei explorar um pouco mais este tema mais à frente.

Os cenários rapidamente se começam a tornar algo bizarros

No que diz respeito à jogabilidade, as coisas são relativamente simples, com um dos botões faciais a servir para disparar e outro para rodar as options que eventualmente poderemos encontrar e que voam ao nosso lado. Mas claro, começamos o jogo sem qualquer power up ou satélites e estes terão de ser coleccionados na forma de esferas com várias letras e se perdermos alguma vida também perdemos tudo. Os itens que encontramos são power ups na forma de letras que inicialmente nos dão satélites e depois de termos os satélites equipados conferem-nos diferentes armas, ou mesmo vão as deixando cada vez mais poderosas se conseguirmos apanhar itens com a mesma letra. Outros podem-nos aumentar a velocidade da nossa nave ou dar-nos preciosos escudos. A mecânica de rodar os satélites é bastante interessante pois permite-nos ter uma boa versatilidade no nosso poder de fogo!

Os bosses até que estão bem detalhados

A nível visual é também um jogo estranho, mas até que bem competente, tendo em conta que corre num HuCard. O primeiro nível começa por atravessar paisagens naturais mas rapidamente começamos a ver “falhas” nos cenários que não fazem muito sentido. No segundo esse surrealismo ainda se vai acentuando, já o terceiro nível leva-nos para uma aparente floresta, com vários dos inimigos a herdarem influências da cultura nipónica. No quarto temos alguns temas hindus, e por fim o quinto e último nível já é um pouco mais sinistro. Mas convém também referir os interlúdios. Os níveis, aqui chamados de Causes são acompanhados por um ecrã cheio de estática e entre níveis temos também uma visita do tal demónio que vive na nossa mente. E aqui entra o pormenor mais interessante: nesta versão japonesa, o demónio faz-nos um pirete e diz “fuck you!”, embora com uma qualidade de voz digitalizada muito má. Na versão norte-americana isto foi naturalmente censurado, o gesto foi substituído e em vez do insulto temos um “come on!” A banda sonora sinceramente é algo variada e agradou-me bastante e os gráficos também não são nada maus. Gosto particularmente do design e detalhe gráfico dos vários bosses que iremos enfrentar.

No terceiro nível (segundo na versão americana) temos alguns inimigos de clara influência nipónica

Portanto este Paranoia, apesar de ser um jogo algo curto, até é um shmup bastante competente, tanto a nível de jogabilidade como a nível audiovisual. E apesar de ser um jogo curto, naturalmente que é também desafiante e para além disso, para chegar ao final verdadeiro temos de o terminar duas vezes seguidas, sendo que a segunda volta é muito mais difícil que a primeira.

Spirou (Sega Mega Drive)

Vamos voltar às rapidinhas, mas desta vez na Mega Drive, para mais um jogo de plataformas da Infogrames que, como era habitual nos seus jogos para consola nos anos 90, este é um jogo de plataformas baseado numa banda desenhada franco-belga. Nomeadamente o Spirou, claro! E esta é uma conversão directa do mesmo jogo da Super Nintendo que já cá trouxe no passado, daí este artigo ser mais curto visto que o jogo é muito similar. O meu exemplar foi comprado a um particular no passado mês de Setembro por cerca de 25€.

Jogo com caixa e manual. Falta-lhe o poster!

Ora como referi acima esta é uma conversão da versão SNES do mesmo jogo, onde controlamos Spirou numa série de níveis de plataformas em 2D com o objectivo de impedir a robot Cyanida de alcançar os seus planos de escravizar a raça humana. Os controlos são simples com um botão para correr, outro para saltar e um outro para usar a arma que eventualmente vimos a desbloquear. Arma essa que é a única forma de atacar inimigos, enquanto que se saltarmos para cima deles sofremos dano. Se bem que algumas criaturas podem servir de plataformas também…

O jogo começa por nos levar a Nova Iorque e desde cedo

Graficamente é um jogo muito bem detalhado e com níveis bem variados entre si, embora sejamos sinceros, a versão Super Nintendo leva a melhor até porque provavelmente foi a versão desenvolvida originalmente. Na SNES os níveis são mais coloridos, possuem mais detalhe a alguns efeitos gráficos adicionais, como o parallax scrolling da cutscene inicial. O ecrã de transição de níveis é também muito mais bonito na Super Nintendo. Mas atenção, a versão Mega Drive não fica muito atrás e é também um jogo muito bem detalhado. Infelizmente a banda sonora não é grande coisa mas eu também já me tinha queixado do mesmo na versão SNES.

Pelo meio temos direito a um nível com mecânicas de shmup para variar na jogabilidade. E com bonitos efeitos de parallax scrolling!

Portanto este Spirou é um jogo de plataformas tecnicamente muito competente, embora a versão SNES seja superior nesse aspecto. A nível de jogabilidade é muito semelhante: é um jogo de plataformas com níveis que por vezes se tornam algo labirínticos e teremos de resolver pequenos puzzles para progredir. Os inimigos aparecem muitas vezes em locais indesejáveis pelo que também pode causar algumas frustrações. Mas não deixa de ser bem competente.

Bakushou Yoshimoto Shinkigeki (PC Engine CD)

Vamos voltar à PC Engine CD para um interessante jogo de plataformas. Lançado em 1994 pela Hudson e com a tecnologia Super CD-Rom², esta parece ser uma adaptação para videojogo de um qualquer programa televisivo de comédia nipónico. Apesar de ter muitos diálogos em japonês, creio que o jogo acaba por ser bem jogável mesmo com essa barreira linguística. O meu exemplar foi comprado em bundle a um coleccionador francês algures em Julho passado. Creio que me terá custado algo em volta dos 12€.

Jogo com caixa e manual embutido com a capa

O jogo começa com uma cutscene do protagonista a levar uma autêntica sova (se bem que de uma forma algo cómica) de muitas outras personagens. Uma vez terminada a pancadaria, presumo que a vingança vem a seguir e assim começa este jogo de plataformas.

As mecânicas são super simples, com o d-pad para mover a personagem e um dos botões faciais para saltar, sendo que para atacar os inimigos temos de lhes saltar em cima, Mario style. Os níveis são super simples, se bem que ocasionalmente paramos para alguns mini-jogos que podem contar alguma piada. Por exemplo, logo no primeiro nível chegamos a uma ponte onde estão 4 mulheres de costas, de rabo empinado. Uma é bonita, duas são feias e outra é na verdade um homem. O desafio será então o de escolher a mulher certa e caso escolhamos a bonita somos recompensados com uma vida. Intercalados entre os níveis estão também outros mini-jogos. O primeiro é uma sequência de quick time events onde temos de dançar com outra mulher, enquanto que o segundo já é uma batalha de pedra-papel-tesoura onde o perdedor leva com uma pizza escaldante na cara, por exemplo.

Sendo este um jogo baseado num programa televisivo de comédia, esperem por uns quantos momentos bem humorados

Há também uma boa variedade de cenários. Os primeiros níveis decorrem num ambiente urbano e moderno, enquanto que o mundo seguinte já nos leva ao Japão feudal. O terceiro conjunto de níveis já nos leva ao Oeste Selvagem dos cowboys, enquanto que o quarto já é um mundo gelado com o protagonista a usar roupa de esquimó e um pingo de ranho no nariz. O quinto conjunto de níveis é passado numa selva com a temática dos exploradores enquanto que o sexto e último levam-nos de volta aos cenários mais urbanos e modernos. Em toda esta variedade de cenários vamos tendo várias situações cómicas e variadíssimos mini-jogos para completar entre níveis também. A barreira linguística pode ser um problema nalguns segmentos, mas felizmente há um guia no GameFAQs que nos ajuda a entender esses segmentos.

Intercalados pelos níveis vamos tendo uns quantos mini jogos, como este de pedra-papel tesoura com batalhas de comida à mistura

Graficamente é um jogo extremamente bem colorido e detalhado. Os cenários são bastante diversificados como referi acima e em cada um a sprite do protagonista também se altera ligeiramente para melhor condizer com o nível em questão. Os mini-jogos também possuem um bom nível de detalhe e o jogo tem um ambiente bem humorado que, em conjunto com o bom detalhe gráfico, acaba por resultar muito bem. No que diz respeito ao som, para além de diálogos escritos na forma de balões de banda desenhada, temos também muito voice acting e que, apesar de inteiramente em japonês, parece-me bem competente. Fico com pena da barreira linguística não me permitir entender na totalidade o que está a acontecer! De resto, as músicas são todas em formato CD audio e bastante variadas consoante o cenário em questão. São músicas agradáveis no geral, embora não sejam propriamente as músicas mais memoráveis de sempre.

O jogo tem também uma boa variedade de cenários, para além de graficamente ser um jogo muito bem detalhado e colorido

Portanto estamos aqui perante um jogo de plataformas simples, porém bem interessante e bem humorado. Os seus mini jogos nem sempre são fáceis de entender tendo em conta a barreira linguística, mas felizmente encontramos informação suficiente na internet para ultrapassar esses desafios. Espero no entanto que em certo dia alguém decida traduzir o jogo para lhe dar nova oportunidade! Apesar de ter passado uns bons momentos, ainda houve muita coisa que me passou ao lado.