1954 Alcatraz (PC)

Já há algum tempo que não trazia cá nenhum jogo da Daedalic. A empresa alemã, para além de publicar imensos trabalhos indie, também produziu várias aventuras gráficas point and click e é, a meu ver, uma das principais responsáveis por nos últimos anos ter havido um certo ressurgimento de videojogos desse estilo. Este 1954 Alcatraz foi um dos seus lançamentos de 2014 e o meu exemplar digital veio parar à conta do steam há alguns anos atrás, certamente por uma bagatela nalguma promoção.

A história leva-nos a encarnar não numa personagem, mas sim em duas, o casal Joe e Christine. Joe foi preso após um assalto a uma carrinha blindada cheia de dinheiro e eventualmente acabou por ser preso na célebre prisão de Alcatraz em São Francisco, Califórnia. Já Christine, que também não é propriamente uma santa, acabou por ficar em liberdade à sua espera. Mas o paradeiro do dinheiro roubado nunca foi descoberto, pelo que a máfia local e outras pessoas não tão idónias andam sempre a sondar e ameaçar ambos a ver se se descosem. Mas Joe está a planear fugir da prisão e conta com a ajuda de Christine, que também não sabe do paradeiro do dinheiro roubado e começa a desconfiar das intenções do seu marido.

A principal mecânica de jogo deste 1954 Alcatraz é a possibilidade de, a qualquer momento, podermos alternar entre Joe e Christine, que exploram locais diferentes

O jogo é então uma aventura gráfica point and click na terceira pessoa, onde teremos de explorar diversos cenários e falar com pessoas, coleccionar objectos, combiná-los no inventário e usá-los para desbloquear algum puzzle e seguir em frente. A grande novidade está mesmo na possibilidade de irmos alternando livremente entre jogar com Joe, cujo movimento inicialmente está restrito à sua cela e áreas comuns da prisão, mas eventualmente ganharemos acesso a vários locais na ilha. Já Christine tem a cidade de São Francisco para explorar, começando pelo seu apartamento, passando por vários outros locais como o restaurante chinês da sua senhoria (que por sua vez é falsificadora de documentos), um café frequentado por artistas seus amigos, um bar gerido por mafiosos, entre outros. No entanto, e creio que inspirado pelos jogos da Telltale, as escolhas que vamos tendo poderão ter diferentes consequências na história, principalmente na relação entre Joe e Christine. Mas pelo que entendi essas diferentes escolhas não trazem assim tantas consequências diferentes, com a última decisão a decidir qual o final que poderemos alcançar.

Joe inicialmente está circunscrito às áreas comuns da prisão, mas eventualmente vamos poder fazer alguns serviços em vários locais da ilha, que nos permitirão ter alguma liberdade, embora sempre sob escolta policial

Graficamente as personagens são renderizadas em 3D poligonal, mas com um aspecto algo cartoon e não tão realista. Os cenários já vão oscilando entre cenários desenhados e pintados à mão, bem como outros em 3D poligonal mas mais cel shaded, coincidindo com o aspecto mais de desenho animado das personagens. Sinceramente não acho que os gráficos sejam o ponto forte do jogo (sempre preferi os visuais 2D bem detalhados que as restantes produções da Daedalic costumam ter, como a série Deponia), mas como devem ter entendido pelo título, a narrativa decorre em 1954 e creio que essa época ficou bem representada, tanto na caracterização das personagens, como nos cenários. A banda sonora também é muito jazz, o que me parece bem e o voice acting (pelo menos o inglês) também está bem competente.

Apesar do aspecto mais cartoon, o jogo aborda supreendentemente alguns temas mais adultos.

Portanto este 1954 Alcatraz é uma aventura gráfica competente e com algumas boas ideias, mas que infelizmente nunca são exploradas em toda a sua plenitude. As escolhas que temos para tomar acabam por ser algo inconsequentes e mesmo havendo máfia envolvida (no caso de Christine), ou guardas ou prisioneiros violentos (no caso de Joe), quase nunca há aquela sensação de perigo iminente como víamos, por exemplo, nos Walking Dead da Telltale. No entanto a mecânica de alternar entre 2 personagens que exploram locais diferentes foi uma boa ideia.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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