Police Quest: Open Season (PC)

Depois do Police Quest 3, a série mudou de produtor e o seu quarto jogo acabou por ser muito diferente. Em primeiro lugar os audiovisuais consistem todos em cenários e sprites digitalizadas de locais e actores reais, para lhe dar um aspecto mais realista. Para além disso, o protagonista é agora um novo detective e o jogo em vez de decorrer na cidade fictícia de Lytton, decorre em Los Angeles. Curiosamente a série daqui para a frente sofreu ainda mutações maiores ao tornar-se na franchise SWAT que acabou posteriormente por se tornar em FPS tácticos algo como os Rainbow Six. O meu exemplar foi comprado num bundle algures neste ano que continha imensos clássicos da Sierra por um preço muito reduzido.

Tal como referido acima, o jogo muda completamente de localização e de protagonista principal, tendo como cenário vários locais da cidade de Los Angeles para explorar, embora sinceramente não faço ideia se os cenários aqui explorados correspondem à realidade de 1993 daquela cidade. Controlamos agora o detective de homicídios John Carey que irá investigar uma série de homicídios cometidos por um serial killer, ao começar por investigar o assassinato de um colega polícia, aparentemente um dos seus melhores amigos.

O nosso escritório. Devemos ver sempre se há alguma novidade na nossa secretária bem como entregar todas as nossas notas e relatórios ao colega da direita para documentação.

E apesar dos gráficos mais realistas para a época, esta é uma vez mais uma aventura gráfica do estilo point and click, onde com o ponteiro do rato poderemos alternar entre diversos cursores que nos permitirão andar pelos cenários, interagir com e/ou observar pessoas e objectos ou simplesmente utilizar itens do inventário. Até agora a série Police Quest tem apresentado um nível de realismo ao obrigar a seguir sempre que necessário todos os protocolos policiais, e isso aqui também acontece mas felizmente retiraram algumas das coisas que eram um pouco irritantes nos jogos anteriores, como todo o sistema de condução ou patrulhamento. Agora sempre que entramos no carro de John Carey surge um mapa da cidade de Los Angeles com uma série de pontos de interesse que poderemos visitar e basta clicar no mesmo para sermos transportados para lá. Ainda assim temos uma série de procedimentos policiais para ter em conta, como a preocupação de escrever notas no bloco de notas depois de interagir com testemunhas ou alguns objectos chave, bem como entregar essas pistas a um dos nossos assistentes que está a assistir-nos nesse caso para documentação. Teremos então imensos formulários para preencher, mas felizmente estes serão preenchidos automaticamente e com pouco cliques. Ou todos os cuidados no recolhimento e manuseamento de provas, sendo necessário efectuar alguma análise forense ao longo do jogo.

Os diálogos por vezes são muito awkward

A nível audiovisual o jogo foi lançado já em suporte de CD-Rom, o que faz sentido pois todos os cenários e personagens são imagens digitalizadas ou no caso das personagens, são sprites também digitalizadas e animadas, bem como todos os diálogos são falados, pelo que há a necessidade de armazenar imensos diálogos. Mas não deixa de ser um jogo de 1993 e preso às limitações da sua época: tanto os cenários como as personagens são digitalizações mas de baixa resolução, detalhe e riqueza na cor. Não está ao nível das FMVs da Mega CD mas anda lá perto. As animações possuem poucos frames, o que também lhe dá um aspecto muito pouco fluído. Os diálogos também não são nada por aí além infelizmente. Apesar da história ser bem mais sinistra que nos Police Quest anteriores, a narrativa é sempre muito pobre e as personagens acabam por ser bastante desinteressantes, muito por culpa do mau voice acting que possuem. Existem no entanto algumas personagens bastante bizarras, como o assistente da morgue que tem um grande reportório de piadas secas ou o porteiro do depósito de carros da polícia com o seu riso sinistro.

Naturalmente teremos ocasionalmente algumas situações de vida ou morte às que devemos reagir atempadamente

Portanto este Police Quest: Open Season apesar de até ser um jogo sólido, na minha opinião acaba por ficar uns furos abaixo dos seus antecessores na medida em que apesar de representar um notório avanço tecnológico na sua apresentação, a sua implementação acaba por não envelhecer muito bem e o mau voice acting arruina toda a narrativa. Ao menos não tem aquelas secções chatas de condução o que já é muito bom. A partir daqui a série Police Quest foi-se mutando na SWAT que inclui alguns jogos de estratécia e shooters tácticos que sinceramente não planeio jogar.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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