The Last Guardian (Sony Playstation 4)

Vamos agora para a Playstation 4 abordar o mais recente projecto da Team Ico. Anunciado originalmente na E3 de 2009 para a Playstation 3, foi um trailer que deixou muitos de queixo caído pelo seu conceito e detalhe gráfico. No entanto o seu desenvolvimento foi bastante atribulado com o jogo a receber sucessivos adiamentos até que a certa altura desapareceu por completo do radar. Com Fumito Ueda a sair da Sony e fundar o seu novo estúdio GenDesign as esperanças de um dia o jogo sair foram esmorecendo, mas na verdade Fumito Ueda continuou a colaborar com a Sony para o desenvolvimento do jogo. Foi novamente anunciado na E3 de 2015 para a PS4 tendo sido lançado no ano seguinte. O meu exemplar sinceramente já nem me lembro onde foi comprado nem quanto custou, mas certamente não terá sido mais de 15€.

Jogo com caixa e papel promocional ao Horizon

Mas em que é que consiste este The Last Guardian mesmo? O jogo vai buscar inspirações aos títulos anteriores, Ico e Shadow of the Colossus, onde mais uma vez nos vemos a explorar um mundo em ruínas de uma antiga civilização agora com gigantes arranha céus feitos de pedra. Tal como Ico, o protagonista é um jovem rapaz que se vê trazido para aquele estranho mundo e procura regressar à sua aldeia. Mas desta vez como companheiros, em vez de uma indefesa rapariga, temos o Trico, uma gigante criatura meio mamífero, meio ave, algo semelhante a um Grifo. Começamos a aventura com o rapaz a acordar no fundo de um castelo em ruínas, ao lado do Trico ferido, acorrentado e faminto. Depois de o alimentar e cuidar das feridas, o bichinho já começa a confiar em nós e começa a acompanhar-nos por todo o lado. Com a ajuda de Trico iremos conseguir combater os soldados fantasmagóricos que nos vão perseguindo e, ao subir para as suas costas, Trico pode-nos transportar ao saltar longas distâncias ou destruir obstáculos. Por outro lado, por vezes teremos de ser nós a explorar passagens pequenas e interagir com alavancas e outros mecanismos para abrir passagens para o Trico. À medida em que o vamos fazendo, também vamos descobrindo um pouco mais do estranho, porém majestoso mundo em que nos situamos.

The Last Guardian possui belíssimos efeitos de luz e partículas

No que diz respeito à jogabilidade, infelizmente os controlos foi o aspecto que me deixou mais frustrado. Nunca vi um rapaz a correr de forma tão atabalhoada como o protagonista e os saltos são horríveis. Ao longo do jogo vamos ter de percorrer caminhos super estreitos em abismos profundos, felizmente o rapaz não cai das estremidades do caminho a menos que pressionemos o botão de salto, por exemplo. Mas ainda assim aconteceu algumas vezes essa “lei” ser desrespeitada e cair em abismos com o jogo a obrigar-me posteriormente a repetir algumas sequências de platforming mais exigentes do início. Geralmente o jogo vai gravando checkpoints regulares, pelo que quando morrermos, ou formos raptados com sucesso por um dos soldados, nunca ressuscitamos muito antes do que progredimos, o que é bom. Mas tive alguns momentos frustrantes de ter de repetir segmentos de platforming inteiros devido aos maus controlos. E a câmara por vezes também atrapalha bastante infelizmente.

Trico ajuda-nos a chegar a locais que de outra forma seria impossível alcançar

De resto, inicialmente não temos grande poder de controlo perante o Trico, inicialmente apenas o podemos chamar para junto de nós, sendo que a qualquer momento também nos podemos encavalitar nas suas costas, fazer festinhas, e esperar que o Trico nos leve a algum sítio. Mas à medida que o jogo vai avançando e a nossa relação com o bicho vai-se estreitanto, já ganhamos algum poder de controlo sobre o animal, podemos obrigá-lo a sentar-se e manter-se no seu lugar, interagir com objectos, saltar, ou direccioná-lo para onde quisermos, algo muito importante para explorar locais que sozinhos não conseguiremos alcançar. Mas a IA não é a melhor e nem sempre o Trico faz o que pedimos. Uns podem dizer que faz parte de lidar com animais, pois eles têm vontade própria e treinar um animal leva o seu tempo. Concordo com tudo isso, mas não deixa de ser um pouco frustrante por vezes eu pedir ao Trico para saltar para uma plataforma distante e ele fazer outra coisa qualquer.

Já noutras vezes teremos de ser nós a abrir caminhos para o bicho. Muitas vezes sob pressão!

No que diz respeito à apresentação, devo dizer que de facto este The Last Guardian é de facto um jogo lindíssimo, com belos efeitos de luz e partículas, como as penas do Trico e a vegetação ao sabor do vento ou as ruínas monumentais, com paisagens belíssimas e um vasto campo de visão para os exteriores. Mas as expressões faciais de Trico e as suas animações como um todo são muito bem feitas, contribuindo bastante para uma relação de empatia perante o animal. As músicas, como seria de esperar roçam temas ambientais ou mais épicos perante os momentos mais tensos. Nada a apontar aos efeitos sonoros e voice acting que, tal como nos jogos anteriores, baseiam-se em linguagens que desconheço completamente se são fictícias ou não. No que diz respeito à performance, eu tenho uma PS4 normal (não a Pro) e muito perto do fim reparei nalguns solavancos, com o framerate a cair drasticamente. Mas tirando isso pareceu-me bem fluído ao longo de toda a aventura. Presumo que a performance numa PS4 Pro seja ainda melhor.

Ao longo do jogo iremos encontrar barris que podemos dar ao Trico para o alimentar.

Portanto devo dizer que acabei por gostar bastante deste The Last Guardian, mesmo com os maus controlso e eventuais problemas de câmara. A relação e a empatia que vamos ganhando com o Trico ultrapassa tudo isso. Para além do mais, sempre gostei do misticismo que os jogos desenvolvidos pela Team Ico nos traziam e neste jogo conseguiram representar muito bem toda uma civilização envolta em mistério, com mega estruturas para explorar e belíssimos gráficos também. A ver o que Fumito Ueda nos traz no futuro.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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2 respostas a The Last Guardian (Sony Playstation 4)

  1. Mike diz:

    Eu também adorei o jogo apesar das clara evidencia das falhas na sua performance. E fiquei tão contente por ser mais Ico que Shadow! Mas diria que este seja o último título dentro deste lore… pelo menos pelas mãos de Fumito. Veremos 🙂

    Mike

    • cyberquake diz:

      Gosto em ver-te novamente por aqui! Sim, veremos o que o futuro nos reserva. Acho que o homem é talentoso e irá continuar a mostrar o seu talento, mas se calhar não em jogos a esta escala. Veremos indeed! Abraço

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