Golgo 13: Top Secret Episode (Nintendo Entertainment System)

Golgo 13 é uma manga nipónica com as suas origens na primeira metade da década de 70, que tem como protagonista o assassino Duke Togo, e sendo uma série iniciada em plena Guerra Fria, o que não faltam são teorias de conspiração pelo meio. O primeiro videojogo baseado nesta série a chegar ao ocidente foi precisamente este Top Secret Episode para a NES, desenvolvido pela Vic Tokai. É um jogo que não chegou até à Europa, pelo que o meu exemplar é norte-americano. A minha cópia custou-me 25€, tendo vindo de um leilão online algures no mês passado.

Jogo com caixa e manual

O jogo decorre após um helicóptero da CIA, que transportava uma arma biológica desenvolvida pela própria agência, é abatido por um tiro certeiro de uma sniper rifle M-16, a mesma usada pelo Golgo 13. A CIA atribui as culpas ao assassino profissional, de estar aliado ao KGB nesse incidente. Por outro lado, uma outra agência de inteligência acredita que é a organização terrorista Drek que está por detrás do incidente e contrata Golgo 13 para o investigar.

Por acaso gosto mais do ecrã título americano que o original Japonês

Este Top Secret Episode é um jogo algo confuso, até pelos diferentes modos de jogo que oferece. Começamos a vaguear pelas ruas de Berlim oriental (sim, antes da queda do muro) e poderemos entrar em várias localidades como edifícios ou estações de metro, onde poderemos falar com NPCs e avançar a história. Nesses segmentos de exploração o jogo assume-se como um sidescroller, onde a nossa vida (que começa com 200 pontos de vida) vai diminuindo automaticamente com o tempo. A única maneira que temos de regenerar a nossa vida (e recuperar munições) é mesmo a de matar inimigos, o que nem sempre é assim tão fácil. Depois também temos alguns “encontros aleatórios” como nos RPGs, onde a perspectiva passa para a primeira pessoa e teremos uma série de inimigos a surgir no ecrã que teremos de derrotar. Aqui os inimigos oferecem menos luta (excepto claro, nos níveis mais avançados), pelo que estas batalhas aleatórias podem ser uma boa fonte de vida e munições. Temos também segmentos subaquáticos onde teremos de nadar do ponto A ao ponto B, sendo muitas vezes rodeado de mergulhadores inimigos. Ainda nos sidescrollers, vamos tendo alguns segmentos onde Golgo 13 conduz um helicóptero, com as mecânicas a serem muito semelhantes às de um shmup. Tanto nos segmentos subaquáticos como nos aéreos teremos também as batalhas aleatórias para nos preocupar. Mas o que causa mais polémica é mesmo os segmentos de jogo onde teremos de explorar labirintos em primeira pessoa como um dungeon crawler da velha guarda. Aqui, para além de vários inimigos humanos, também teremos de nos preocupar com raios laser que nos impedem o progresso, buracos que nos levam para pisos mais abaixo, ou paredes que se atravessam à nossa frente. Mas estas, se tivermos granadas na nossa posse, podem ser demolidas.

Sinceramente até gostei dos diálogos

Portanto há toda aqui uma mistura de diferentes géneros de jogos, o que por um lado até é interessante para haver uma maior variedade na jogabilidade, no entanto acabam por ser algo desconexas e confusas. Sinceramente gosto mais dos segmentos em sidescroller, já os de primeira pessoa parecem-me algo desnecessários, a não ser que fossem usados para combater os bosses, algo que acontece no boss final, todo ele derrotado em primeira pessoa. A jogabilidade também não é a melhor, pois não conseguimos disparar agachados, enquanto os inimigos conseguem, o que acaba por ser um pouco injusto num jogo já por si difícil. No entanto a história até me pareceu interessante e “adulta” o suficiente, mantendo-se fiel ao feeling da manga ou anime, o que me surpreendeu bastante pela positiva devido a ser um jogo da NES.

Também temos um pouco de shmup, sinceramente pareceu-me algo forçado. E os encontros aleatórios aqui não fazem muito sentido.

Aliás, mantendo-nos nesse ponto, convém relembrar que a Nintendo naquela altura, principalmente nos Estados Unidos, o que também acabava por influenciar os jogos que chegavam à Europa, era bastante restritiva nas temáticas dos seus videojogos. Exigia a remoção de símbolos religiosos, tabaco, álcool, sexo e violência excessiva, pelo que muitos jogos de NES e SNES acabaram por ser algo censurados quando comparados com as suas versões japonesas. Aqui também houve alguma censura, mas ainda assim houve muita coisa que escapou. Nos segmentos labirínticos em primeira pessoa, quando atingimos um inimigo, vemos sangue a sair disparado das suas cabeças. Há um segmento específico onde temos de assassinar alguém através de uma sniper rifle, nunca antes visto num jogo da NES. É possível ver o Golgo 13 a fumar ocasionalmente e temos pelo menos 2 cenas de sexo, quando Golgo se encontra com 2 agentes num hotel. É verdade que a versão ocidental não é tão explícita quanto a versão japonesa, mas ainda assim não deixa de ser impressionante como a Nintendo deixou passar tanta coisa “impune”.

Uma das infames cenas de sexo. São só silhuetas, mas toda a gente sabe o que insinuam. Ah, e a vida de Golgo é regenerada.

Portanto eu vejo este Top Secret Episode como um jogo que tinha bastante potencial para ser muito melhor do que o que saiu. Acho interessante a Vic Tokai ter introduzido tantos segmentos com jogabilidades tão distintas entre si, mas a sua execução ainda deixa um pouco a desejar. Também dos mesmos produtores saiu uma sequela deste jogo, conhecida nos Estados Unidos como The Mafat Conspiracy. Estou bastante curioso em ver como se sairam, mas visto que o jogo uma vez mais não saiu cá na Europa, tão cedo não o deverei comprar.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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