Solstice: The Quest for the Staff of Demnos (Nintendo Entertainment System)

A rapidinha de hoje leva-nos novamente para a NES, desta feita para um interessante jogo da Software Creations que nos remete logo para os clássicos do Spectrum como o Knight Lore, que se tornou bastante popular devido ao seu grafismo pseudo 3D com recurso à perspectiva isométrica. O que infelizmente tem as suas desvantagens, mas já lá vamos. O meu exemplar foi comprado algures no mês passado numa feira de velharias no Porto, tendo-me custado 7.5€.

Apenas cartucho

A história segue um cliché muito habitual, o da “damsel in distress“, vulgo “vamos salvar a princesa”, desta feita das garras de um feiticeiro que aproveita o solstício de Inverno para a sacrificar, tornando-se assim muito mais poderoso. Nós encarnamos num outro feiticeiro, o Shadax, que tenta salvar a princesa. Para isso tem de se infiltrar no castelo, procurar as 6 partes que compõe a Staff of Demnos, a única arma com poder suficiente para derrotar o bruxo e assim resgatar a princesa.

Ao pressionar no Select vemos um ecrã que nos mostra o mapa, as vidas dispomíveis, quantas chaves temos, as poções, e os pedaços da Staff of Demnos que já encontramos

Mas apesar de sermos um feiticeiro, os seus poderes deixam muito a desejar, pois temos de evitar os inimigos a todo o custo, para além de outros obstáculos como os típicos espinhos no chão. Este é então um jogo que preza bastante a exploração e a resolução de puzzles de forma a obter os mais variados itens e abrir caminho para outras salas. Temos centenas de salas a explorar, muitas delas secretas, pelo que um mapa é algo muito importante. A carregar no Select podemos ver um mapa, mas infelizmente as salas vão desaparecendo do mesmo ao fim de algum tempo após a última visita. Temos também de esquivar de vários obstáculos e inimigos, mas também usar os objectos na sala para nossa vantagem. Por exemplo, podemos apanhar blocos que por sua vez podem ser largados a meio de um salto, servindo de plataforma intermédia para alcançar alguma zona que de outra forma seria difícil de alcançar. Nalgumas salas temos de fazer isto de forma repetida, o que requer alguma práctica.

Apesar de graficamente ser um jogo muito interessante, sofre do mesmo mal da maioria dos jogos em perspectiva isométrica. Por vezes é difícil perceber em que local está mesmo a plataforma que queremos saltar.

Para nos facilitar a vida, para além de vidas extras, podemos também encontrar várias poções coloridas que podem ser usadas a qualquer altura, mas cujos efeitos apenas duram enquanto permanecermos na mesma sala. Temos poções verdes que revelam blocos secretos nas salas, outras amarelas que congelam os inimigos e plataformas nas suas posições. As azuis deixam-nos invencíveis contra os inimigos, permitindo-nos inclusivamente usá-los como plataformas e as roxas destroem todos os inimigos presentes no ecrã, bem como algumas plataformas e itens que ainda não tenhamos apanhado, pelo que deve ser usado com algum cuidado.

Tudo isto torna o jogo bastante não-linear devido à natureza labiríntica do castelo, permitindo-nos explorar as diferentes saídas de cada sala de uma forma algo livre. Mas para além da exploração ser exigente, os controlos também demoram um pouco a serem habituados, devido à perspectiva isométrica não ser a melhor num jogo que exige muita precisão nos saltos de plataformas. É fácil a perspectiva enganar-nos quanto à posição exacta de uma plataforma ou inimigo, mas compreende-se o porquê deste tipo de gráficos serem tão apelativos na década de 80.

No início e fim temos algumas interessantes cutscenes para ver.

E se por um lado os gráficos até que são bastante coloridos, com os inimigos a terem designs interessantes e algo variados, o que mais me impressionou foi mesmo a música. Composta por Tim Follin, a banda sonora do jogo não é lá muito diversa pois existem poucas músicas, e durante a aventura principal vamos estar a ouvir sempre a mesma música repetida em loop, mas felizmente a banda sonora é excelente, indo buscar influências a música folk de diversas culturas e a rock progressivo. Sugiro mesmo que a vão ouvir!

Portanto este Solstice apesar de ser um jogo bastante exigente na sua jogabilidade e dificuldade no geral, acaba também por ser muitíssimo competente dentro do seu género. Possui uma sequela para a SNES chamada Equinox, que sem dúvida vou querer ir expreitar.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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