OutRun é um clássico que dispensa apresentações, uma obra prima de Yu Suzuki. E depois de inúmeras conversões para os mais variados sistemas, ou lançamento de várias sequelas espirituais para a Master System, podemos considerar este Turbo OutRun como a primeira verdadeira sequela do clássico das arcades, pois foi produzido também pela AM2. No entanto era uma experiência bem mais linear que o original e infelizmente a conversão para a Mega Drive também não foi propriamente a melhor, mas já lá vamos. O meu exemplar foi comprado a um particular no final de 2016, tendo-me custado 15€.
Aqui o conceito do jogo leva-nos desta vez a participar numa viagem pelos Estados Unidos da América, começando por Nova Iorque e atravessando vários estados até chegar a Los Angeles. A primeira coisa que reparamos é precisamente na linearidade do jogo, não existindo mais bifurcações nos caminhos. Vamos no entanto fazer algumas pausas ao longo do trajecto, onde poderemos escolher um de 3 upgrades disponíveis para o nosso carro: melhor motor, melhores pneus ou um turbo superior. Turbo? Sim, o nosso Ferrari F-40 está equipado com um boost que nos permite atingir velocidades vertiginosas. Deve no entanto ser usado com prudência pois corremos o risco de entrar em sobreaquecimento e depois sermos penalizados a conduzir lentamente até o carro recuperar. Há também outros obstáculos que nos podem atrasar, como sinais de trânsito ou mesmo carros de polícia que se tentam atravessar no nosso caminho.
É então um jogo bem mais linear que o original, onde a única escolha que fazemos é qual o upgrade queremos escolher em cada pausa. Nem a música podemos escolher, pois cada segmento tem a sua própria música. Mas no entanto, mesmo sendo um jogo linear, não deixava de ser tecnicamente impressionante nas arcades. A sua técnica de sprite scaling foi mais uma vez bem usada, resultando em circuitos bem detalhados e uma excelente sensação de velocidade. Para além disso o jogo introduziu efeitos atmosféricos como chuva, neve ou tempestades de areia. Esta versão para a Mega Drive trouxe tudo isso, mas tal como na conversão do OutRun original tiveram de ser feitos alguns sacrifícios, pelo que os gráficos não são tão bons e as músicas infelizmente também não. A certas alturas até parece ser uma conversão que ficou uns furos abaixo da do OutRun original, algo que certamente é explicado por ter sido a Tiertex e não a Sega a tratar da conversão.
Apesar de tecnicamente esta conversão para a Mega Drive não ser a mais desejável, e mesmo este Turbo OutRun ser um jogo bem mais linear que o original, sem o mesmo apelo de uma viagem descontraída, não deixa de ser um bom jogo de corridas. E acreditem, no universo de OutRun há muito pior.



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