Pole Position (Atari 2600)

Pole PositionTodos os artigos de sistemas pré-NES, ou de computadores anteriores à arquitectura PC x86, terão uma abordagem um pouco mais superficial, porque por muito que eu queira, a verdade é que não vivi essa época e o sentimento nostálgico não é o mesmo. E apesar de já ter aqui falado de jogos algo primitivos como os primeiros Ultimas, cujas origens remontam ao sistema Apple II, hoje chegou a vez da Atari 2600, um dos sistemas mais importantes desta nossa indústria que tanto gostamos. E o jogo que trago cá hoje é uma adaptação surpreendentemente competente de um dos mais importantes jogos de corrida de sempre, o Pole Position. O meu cartucho na verdade é um misprint, dizendo “Pole Positn”. Custou-me uns 5€ na Feira da Ladra, num reseller conhecido há uns meses atrás. De todos os jogos de Atari que ele tinha para venda a esse preço decidi trazer apenas este, devido a ser um jogo clássico e também pela curiosidade do misprint da label.

Pole Position - Atari 2600
Apenas cartucho

Lançado originalmente em 1982 pela Namco para a Arcade, o Pole Position original foi um jogo de corridas revolucionário por apresentar uma perspectiva onde jogávamos ao ver a traseira do carro e a pista a desenrolar-se à nossa frente, contrastando com os outros jogos de corrida da época com a sua perspectiva aérea tal como o Micromachines, por exemplo. E para 1983 o jogo já possuia uns gráficos excelentes, coloridos, e bonitos efeitos de parallax que ajudavam a transmitir uma boa sensação de velocidade e “realismo”. Pois bem, como practicamente tudo o que saia em arcade e fazia sucesso, teria de haver uma versão para a Atari 2600, cuja tarefa de conversão ficou a cargo da própria Atari.

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O ecrã título não nos deixa lá muito entusiasmados

E apesar desta conversão ser bem mais simples, devo dizer que estava à espera de algo muito pior tendo em conta o hardware bastante limitado da plataforma, e acabou por me surpreender bastante, logo a nível gráfico, pois conseguiram replicar a mesma perspectiva. E apesar de o solo ter todo a mesma cor cinzenta ao contrário da versão arcade que distingue o asfalto da erva, a sensação de velocidade e mesmo os efeitos de parallax estão aqui presentes. O carro está bem detalhado, estava à espera de encontrar algo bem mais simplificado, o que acabou por acontecer nos carros dos nossos oponentes nesta versão. O som também está bom, tendo em conta as já referidas limitações.

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Mas eis que entramos no jogo e até ficamos agradavelemente surpreendidos!

As mecânicas de jogo são mais simplificadas devido ao joystick da Atari só ter um botão de acção que aqui apenas serve para travar, pois o carro acelera automaticamente. E isso acaba por prejudicar um pouco porque pouco é preciso travar, mesmo nas curvas mais apertadas. De resto o joystick serve para alternar entre 2 mudanças e naturalmente virar para a esquerda ou direita. O objectivo do jogo consiste em terminar uma volta de qualificação abaixo de uns determinados segundos, passando em seguida para a corrida propriamente dita, que consiste em 2 voltas no mesmo circuito, que supostamente é baseado num circuito Japonês, não fosse este um jogo original da Namco.

No fim de contas é inegável que o Pole Position é uma pedra basilar nos jogos de corrida modernos. É óbvio que é um jogo simples comparando com o que se foi fazendo com o decorrer dos anos, mas a sua influência está lá. E a versão Atari 2600 até acaba por se portar bastante bem, apesar de ser inferior. Mas o que não faltam aí são versões mais fiéis ao original quanto mais não seja nas inúmeras compilações lançadas pela Namco, tornando esta versão em particular apenas num item interessante e pouco mais.

Wario Land II (Nintendo Gameboy Color)

Wario Land IIJá disse que o primeiro Wario Land é muito provavelmente o meu jogo preferido da Gameboy clássica? Pois eu não devo ser o único a ter essa opinião, já que depois desse a série Super Mario Land foi deixada de lado até muito recentemente com a 3DS entrar em cena e a Nintendo decidiu-se focar no antiherói amarelo e ganancioso. E neste jogo acabaram por mudar muitas das suas mecânicas, mas o divertimento continua o mesmo. O meu exemplar foi comprado na cash converters de Alfragide por cerca de 3 ou 4€, já há uns meses. É a versão Gameboy Color, que veio “substituir” a original lançada para o Gameboy Clássico.

Wario Land II - Nintendo Gameboy Color
Apenas cartucho

A primeira coisa que se calhar vemos de diferente nesta sequela é o facto de Wario ser imortal. Levar dano só lhe faz perder algumas moedas, ou então ganhar alguns “poderes” de forma temporária. Sim, essa é a outra diferença, onde antes no jogo anterior poderíamos adquirir novas habilidades com power-ups espalhados no jogo, agora essas novas habilidades são causadas pelos inimigos. Algumas delas não servem para nada, mas a maioria acabam mesmo por ser bastante úteis para progredir em algumas partes. Por exemplo, há uns inimigos que nos chegam fogo. E se por um lado pode parecer sádico olharmos para o Wario a ser carbonizado vivo, por outro é a única forma de se quebrar alguns blocos que de outra maneira seriam indestrutíveis. Há outros inimigos que nos atiram fatias de bolo que nos engordam e restrigem os movimentos. Nessa forma é possível também saltar e partir alguns blocos que também seriam indestrutíveis. Mas há muitos mais, como Wario ficar com a cabeça inchada como um balão e flutuar até bater nalguma superfície, ficar pequeno e conseguir saltar mais alto, ou mesmo tornar-se num zombie com invencibilidade temporária e poder-se esgueirar por outros sítios também.

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algumas das novas habilidades de Wario são necessárias para alcançar outros locais

Para voltar à forma normal, em alguns basta esperar um pouco, noutros basta entrar em contacto com água e no caso do Zombie Wario temos de nos aproximar de umas janelas que deixam entrar luz. O resto das habilidades tradicionais mantêm-se, com Wario a poder atacar os inimigos saltando-lhes em cima, usar o “charge attack“, ou mesmo o “ground pound” que anteriormente só conseguiríamos fazer com o power-up do chapéu de viking. Podemos também pegar nos inimigos e atirá-los uns contra os outros, ou rebolar numa ravina e com isso conseguir destruir uma série de blocos em túneis. Aliás, estas habilidades são necessárias se quisermos atingir os 100% do jogo, pois os níveis estão repletos de passagens secretas com muitas moedas para coleccionar, tesouros e não só. Muitas vezes temos de usar essas habilidades em conjunto, como pegar em inimigos e levá-los para outro lado, saltar em cima deles para conseguir atingir plataformas mais altas, e por aí fora.

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Depois de chegarmos ao fim do jogo pela primeira vez desbloqueamos o “Treasure Map” onde podemos revisitar níveis antigos e descobrir novos níveis e finais alternativos

Outra coisa que parece diferente logo de início é a aparente linearidade do jogo. Inicialmente lá vamos seguindo um caminho linear de níveis, começando pelo castelo do Wario, onde os piratas Gooms o assaltam e roubam a fortuna que Wario lhes “roubou” na aventura anterior, passando por 5 diferentes “mundos” com 5 níveis cada, incluindo um boss. Quando chegamos ao fim lá arranjamos um mapa do tesouro que nos permite ver caminhos alternativos a tomar e diferentes finais a obter, bem como a capacidade de jogarmos o nível que bem entendermos (logo que o tenhamos desbloquado). Isto claro que dá muito mais conteúdo ao jogo, até porque para descobrirmos os caminhos alternativos temos de descobrir saídas secretas, em vez de enfrentar um boss. Existem também alguns mini-jogos. Na prequela, poderíamos encontrar peças de tesouro escondidas nos níveis, isso também se sucede aqui, mas para o fazer temos de vencer um pequeno mini-jogo de descobrir uma determinada figura em 8 imagens tapadas. O grau de dificuldade muda consoante o que estamos dispostos a “pagar”, e o mesmo acontece no segundo mini-jogo onde baseado numa série de telas voltadas para baixo, temos de adivinhar qual o algarismo que formam.

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Apanhar boleia de corujas gigantes e voar entre obstáculos? Sim, acontece algumas vezes.

Graficamente é um jogo bastante colorido e detalhado. A sprite de Wario é bem grandinha, notando-se todas as expressões faciais malucas que vai fazendo, bem como as suas transformações estão muito bem conseguidas na minha opinião. Os níveis também são bem construídos, repletos de segredos conforme já referi acima. E apesar de ter sido lançado practicamente apenas com 1 ano de diferença após a primeira versão a preto e branco para a Gameboy Clássica, é notório o ganho na qualidade visual é bem notório. Ainda assim acredito que tenha sido uma decisão um pouco polémica pois deixaram os primeiros compradores na lama. As músicas continuam boas, apesar de já não existirem tantas variações assim da faixa título, o que era uma coisa que eu até tinha achado bastante piada.

No fim de contas, este Wario Land 2 apesar de ter várias coisas de diferente, parece-me uma digna sequela do primeiro jogo, sendo também um óptimo platformer. Recomendo vivamente, uma vez mais!

Pokémon Yellow (Nintendo Gameboy)

Pokemon YellowEsta semana vai ser practicamente só rapidinhas, pois é uma semana intensa a nível profissional e o tempo para o resto é curto. E o jogo que escolhi hoje para essa categoria é nada mais nada menos que o Pokémon Yellow, um dos jogos que em conjunto com o Chrono Trigger e o Phantasy Star IV me fizeram definitivamente gostar de RPGs. E apesar do Pokémon Yellow ser de longe o meu jogo preferido desta primeira geração dos bichos da Nintendo, o facto de já ter escrito um artigo sobre o Pokémon Blue não me dá muito mais de novo para dizer. Este meu cartucho foi comprado no mês passado por 5€ a um particular.

Pokemon Yellow - Nintendo Gameboy
Apenas cartucho

Não contando com o Pokémon Blue que saiu originalmente no Japão, como complemento aos já existentes Red e Green, este Yellow Version é o primeiro “terceiro jogo da geração” a ser lançado a nível mundial, algo que se tornou tradição na série pelo menos até ao lançamento de Black e White, e sempre com algum conteúdo extra que complementava os jogos anteriores. Eu pessoalmente sempre esperava o “terceiro jogo” e começava a geração logo com esse. E aqui o que tentaram fazer foi aproximar os jogos de Gameboy  ao anime televisivo. Ao contrário de escolhermos jogar com Bulbasaur, Squirtle ou Charmander, o Professor Oak dá-nos logo à partida o Pikachu, tal como Ash no anime. E também tal como no anime, o Pikachu não anda dentro da pokébola, mas sim ao nosso lado, seguindo-nos por onde quer que andemos. Uma coisa que para mim foi completamente irrelevante, mas certamente outros acharam piada é o estado de humor do bicho se alterar consoante as nossas acções.

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Sempre que quisermos podemos ver o estado de espírito do nosso Pikachu. Sinceramente já não me recordo se isso terá alguma influência no seu comportamento durante as batalhas

De resto a história e objectivos do jogo são idênticos, com algumas mudanças cosméticas, as sprites frontais de alguns pokémons foram alteradas para melhor se reflectirem com as da série televisiva, os membros da Team Rocket chamam-se Jesse e James e os seus pokémon são idênticos, as enfermeiras têm também o mesmo look, e por aí fora. A nível da colecção dos bichos, existem alguns que não podem ser encontrados nesta versão, sendo igualmente necessário trocá-los com as outras versões. Já os starters Bulbasaur, Squirtle e Charmeleon podem ser encontrados em certos pontos do mapa, sendo-nos oferecidos por alguns NPCs que por lá andam.

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Se fosse hoje seria: olha uma SNES! Vai já para o OLX

A nivel gráfico ainda utiliza o mesmo motor gráfico e é sem dúvida um dos últimos grandes lançamentos da Gameboy original. Tudo o resto é essencialmente o mesmo jogo, ainda assim estes pequenos detalhes e mudanças deixaram o Pokémon Yellow como muito possivelmente o meu preferido de toda a série.

Unreal Tournament 2003 (PC)

Unreal_Tournament_2003Vamos lá a mais uma rapidinha porque esta semana é crítica e o tempo é uma incógnita. De qualquer das formas o jogo que trarei cá hoje é um daqueles vocacionados para o multiplayer, coisa que eu não tenho mesmo tempo para me dedicar, principalmente com o backlog gigantesco de jogos single player que tenho ainda por jogar. Ainda assim, já há algum tempo que queria escrever um artigo por semana de algum jogo multiplayer, de forma a reduzir algum desse meu backlog também, e decidi começar por este UT 2003 que já o comprei nem sei quando, nem quanto me custou. Mas creio que terá sido na antiga TV Games no Porto, por um preço muito reduzido.

Unreal Tournament 2003 - PC
Jogo completo com caixa, 3 discos e manual

Back in the day, joguei bastante o original, e por muito que me custasse admitir, visto eu sempre ter sido um grande fanboy da id Software, achei o primeiro Unreal Tournament um jogo melhor e mais completo que o seu rival Quake III Arena, que por sua vez era mais bonitinho. O facto de haver uma maior variedade de armas, maior customização no geral e um gameplay excelente tornou o Unreal Tournament original num jogo de peso entre os entusiastas dos FPS competitivos. Infelizmente a sequela acabou por deixar muito a desejar entre os fãs, embora sinceramente eu não o tenha jogado tempo suficiente para ficar com uma ideia completamente clara da questão.

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A dose saudável de gore não poderia faltar

Aparentemente é dada uma maior importância à história, embora no fim de contas se torne nos clichés do costume neste tipo de jogos: Há um torneio qualquer de matança e é isso. Existem várias personagens, algumas com rivalidades entre si, outros aliens e por aí fora mas o que interessa é mesmo ganhar cada combate. E o modo campanha acaba por ser tal como no anterior, uma série de combates pré-estabelecidos que vão abrangindo os vários modos de jogo que podem também ser jogados no multiplayer. E aqui começam algumas das queixas, pois existem menos modos de jogo, ou alguns adulterados. A maior parte são variantes do deathmatch, como o Team DM, Last Man Standing onde temos um número de vidas limitado, ou o Mutant que é uma espécie de King of the Hill, onde um jogador joga com uma personagem super poderosa e tem de matar o máximo de inimigos possível e se morrer, quem o matou passa a ser o Mutant. Os outros modos de jogo são variantes do Capture the Flag, incluindo a novidade do Bombing Run que é nada mais nada menos que um Capture the Flag invertido, onde o objectivo é levar uma bola até à base do adversário.

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Reza a lenda que a mudança de “Unreal Tournament 2” para “Unreal Tournament 2003” seria para tornar a série com lançamentos anuais, tais como os jogos desportivos da EA. Bom, pelo menos um modo de jogo com bola já temos.

As armas continuam variadas e com modos secundários de fogo, mas algumas das originais foram omitidas e outras modificadas para darem menos dano, balanceando-as um pouco mais. É verdade que no UT original algumas armas causavam demasiado dano, mas isso também fazia parte do frenesim louco em frags. Um outro problema que não reparei por já ter pegado neste jogo bem tarde prende-se com a sua performance. Aparentemente quando o mesmo foi lançado, muitos jogadores queixavam-se do lag. Mas o lag não era necessariamente da rede, mas também da performance do novo motor gráfico, que apesar de bem bonito para os padrões de 2003, causava mossa em todos os PCs que não tivessem configs da NASA, mas como referi, já não tive essa “sorte”. Mas que tem uns bonitos visuais para a época tem, e o design dos mapas está excelente, com arenas bem variadas, desde paisagens naturais, outras mais futuristas, ou mesmo aqueles níveis no Egipto que apesar de parecerem um pouco deslocados de tudo o resto eram realmente bem desenhados.

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E arenas de gravidade reduzida? Também há!

Sinceramente continuo a achar este Unreal Tournament 2003 um FPS competitivo sólido, apesar de hoje em dia as coisas se terem encaminhado para os sistemas de “experience points” e ir desbloqueando conteúdo à medida em que vamos jogando, ou simplesmente nos modelos mais “pay 2 win“, e estes FPS mais directos acabaram por sair da mó de cima. Ainda assim continuo a achá-los bem divertidos para umas partidas rápidas, mas mesmo sendo um jogo mais bonitinho, continuo a preferir o UT original. A ver se instalo em breve o UT 2004 a ver o que mudaram.

Pick ups #06 – Março de 2015

Distraído como sou, já me ia esquecendo de partilhar aqui também o meu último vídeo de aquisições!

Infelizmente foi mais um vídeo super longo, que por falta de tempo não consegui gravar um segundo take para tentar encurtar um pouco a coisa. E também estava num dia um pouco “não”, pelo que irão notar um discurso não muito famoso. Peço-vos muita desculpa por isso. Mas hey, em contrapartida tem bons jogos!