Se forem da minha faixa etária, então certamente um dos vossos desenhos animados preferidos do fim de semana eram as Tartarugas Ninja. Eu até cheguei a gravar o segundo filme quando deu na TV pela primeira vez numa cassete VHS que tinha um evento familiar qualquer! E como sempre, quando algo da TV ou cinema faz tanto sucesso em especial pelas camadas jovens, uma adaptação para o mundo dos videojogos acaba sempre por sair. As Tartarugas Ninja não foram excepção, a começar pelo lançamento de um jogo modesto na NES pela Konami. Mas foi com o lançamento do segundo jogo na Arcade (e posteriormente na NES) que a série de videojogos atingiu o merecido estrelato, pois era um excelente beat ‘em up à lá Final Fight, e os jogos seguintes seguiram-lhe o exemplo. Este Turtles In Time também começou a sua vida na Arcade, tendo sido posteriormente convertido para a Super Nintendo. A minha cópia foi adquirida no final do ano passado, na Cash Converters do Porto pela módica quantia de 2.20€.

A história é simples. As tartarugas estavam no seu esgoto a ver a sua amiga April no noticiário, quando de repente aparece o Krang e literalmente rouba a Estátua da Liberdade. Sem tempo para as Tartarugas engolirem o bocado de pizza que estavam a mastigar, aparece também o Shredder a desafiar as tartarugas para o seguirem se quisessem a estátua de volta. Sem achar que estariam a ser conduzidos para uma armadilha, começamos mais uma vez a distribuir pancada pelos becos de Nova Iorque até entarmos finalmente na Technodrome do Shredder, participar numa boss battle fenomenal, onde vemos Shredder de costas a ocupar grande parte do ecrã e a tentar nos acertar com as suas armas, enquanto vamos andando ao murro uns com os outros. E isto é apenas o “início”, pois logo Shredder nos manda muito atrás no tempo, para a pré-história, com os restantes níveis a atravessarem vários períodos da nossa História, indo até ao futuro.

A jogabilidade é excelente, e embora o original da arcade permita que joguemos com mais três amigos em simultâneo e na SNES isso não acontece. Mas temos alguns modos de jogo extras, como o Time Trial e um versus básico para 2 jogadores. O Time Trial é um modo de jogo onde jogamos pequenos trechos de níveis e temos um tempo limite para bater. De resto é um excelente beat ‘em up, onde cada tartaruga tem os seus pontos altos e baixos, como melhor ataque ou defesa, maior ou menor ataque. E os níveis vão sendo variados, com um ou outro nível de bónus que não existe na versão arcade (pelo menos não como bónus) onde estamos num skate e tentamos derrotar o máximo de inimigos possível.

Graficamente é um jogo excelente, os cenários são bastante coloridos e detalhados, mas onde o jogo perde em relação ao original da arcade são nas sprites das tartarugas, inimigos e bosses, que aqui são um pouco menores e com menos animações. De resto o jogo utiliza bem os efeitos especiais pelos quais a SNES ficou bem conhecida, nomeadamente as ampliações de sprites (em especial quando atiramos algum inimigo em direcção ao ecrã), rotação das mesmas ou o uso do mode-7 em alguns níveis. Algo que sinceramente nunca fui o maior dos fãs, mas tem os seus méritos. Uma coisa que já não gostei tanto foi da pouca variedade de inimigos. Em qualquer que fosse a época temporal em que estávamos, practicamente só tínhamos outros ninjas a nos atacar. Nos níveis mais high-tech já teríamos também alguns robots a nos chatear, e apenas os bosses aparentavam ser do período temporal em questão.

No campo sonoro este é também um jogo tecnicamente excelente. As músicas são quase todas bem rock ‘n roll e apesar de nunca ter achado o chip de som da SNES o mais apropriado para este tipo de som (o som mais “arranhado da Mega Drive sempre foi melhor para este estilo na minha opinião), aqui até se safa muito bem. O jogo está também repleto de voice samples e que apesar de não serem tão nítidos como na versão arcade, são também óptimos. Pizza time!

No fundo, este é mais um excelente jogo da era dos 16bit. Só tenho pena que este tenha sido o primeiro videojogo clássico das tartarugas ninja que eu cá trouxe ao burgo, mas geralmente não andam aí ao preço da chuva como este me apareceu. Claro que é um jogo que eu recomendo vivamente e tal como o primeiro jogo que saiu na arcade também podemos desbloquear um port numa outra versão das Tartarugas Ninja mais recentes, nomeadamente o Mutant Nightmare para a PS2, Xbox e Gamecube. Confesso que nunca dei muita atenção à nova onda das Tartarugas Ninja, se calhar devia fazê-lo. Há também um remake digital only para a dupla PS360, mas apesar de ser totalmente em 3D, não me parece ter metade do carisma deste.
Não queiras dar atenção a esta nova onda de TMNT, é muito má quando comparada à que nós vimos e vivemos. Até os jogos envergonham os antigos, especialmente o remake do Turtles in Time, que é baseado na versão de arcada (inferior à de SNES, imo) e foi retirado faz tempo da PSN/Live.
Olha nem sabia que o remake já nem estava disponível. Eu joguei um pouco de um dos TMNT da Gamecube e não desgostei de todo… mas não é a mesma coisa.