Psychonauts (PC)

Na altura em que o Psychonauts saiu originalmente para o PC, PS2 e Xbox, passou-me completamente ao lado. Em primeiro lugar porque o nome de Tim Schafer ainda pouco me dizia, e por outro só por ter o símbolo da medíocre Majesco na caixa (era a editora do jogo) nem me deu sequer vontade de o explorar mais. Entretanto os criadores (Double Fine Productions) acabaram por comprar os direitos à Majesco e lançaram mais tarde uma versão ligeiramente melhorada para o Steam, de forma independente. E é essa a versão que cá trago hoje, cuja me chegou à colecção digital através do Humble Indie Bundle V que comprei por uma bagatela, contendo diversos excelentes jogos como Amnesia, Super Meat Boy ou Sword & Sworcery que já analisei por cá.

PsychonautsboxA história de Psychonauts é completamente insana. Controlamos o pequeno Razputin “Raz” Aquato, um acrobata circense com poderes psíquicos que fugiu do circo para se infiltrar num campo de férias destinados a crianças com as mesmas habilidades, os chamados Psychonauts. Apesar de Raz ter fugido dos seus pais, os monitores do campo decidem mantê-lo lá durante um fim-de-semana, com o seu pai a vir buscá-lo em seguida. Ainda assim o Coach Oleander decide deixar Raz frequentar o “Basic Training”, que decorre dentro da sua própria mente. Com Raz a ter uma prestação formidável nesse treino, tal impressionou os outros monitores que o foram deixando ter treinos mais avançados nos tempos seguintes, com Raz sempre a superar-se e a adquirir novas habilidades mentais. À medida que o jogo vai decorrendo, Raz vai-se apercebendo que algo de mal se passa no campo e mais tarde ou mais cedo surge um vilão com um plano maléfico e apenas Raz poderá salvar o dia. Não conto mais detalhes pois a história do jogo está muito bem contada e todas as personagens têm um carisma incrível, vale bem a pena viver esta aventura.

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Raz goes Godzilla

De resto Psychonauts é um jogo de plataformas 3D, onde Raz vai adquirindo diversos poderes psíquicos que pode utilizar, desde incendiar objectos/inimigos, telequinese, tornar-se temporariamente invisível, disparar projécteis psíquicos, entre vários outros. Esses poderes conferem-lhe diferentes habilidades que serão necessárias para o platforming ao longo dos vários níveis, bem como coleccionar diversos items que tanto estão espalhados ao longo do campo em si, como na mente das pessoas que Raz vai explorar. A exploração é então uma componente muito forte em Psychonauts. No parque de campismo podemos encontrar cristais que servem de moeda de troca na loja do sítio, psi cards/challenge markers que servem para aumentar o nosso rank, ou items secretos que poderão ser trocados posteriormente por prémios. Já nos níveis em si, que decorrem na sua maioria dentro das mentes de diversas personagens, temos muitos mais items que podemos coleccionar. Desde mental figments, pequenos esboços de memórias de objectos ou pessoas/animais que existem na mente das personagens, várias malas “emotional baggage“, ou vaults onde as personagens guardam os seus segredos e experiências traumáticas. Ao coleccionar todos estes items (o que é difícil em alguns níveis) vamos também aumentando o nosso rank. Ora ao aumentar o rank vamos adquirindo alguns novos poderes, ou melhorar vários dos poderes que já temos. E também ver o background de algumas personagens é sempre muito interessante.

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No final de cada nível é habitual lutarmos contra um boss

Os controlos são agradáveis, mas adaptam-se bem melhor num comando que no teclado, conforme seria de esperar. Digo isto pois podemos “equipar” em simultâneo 3 poderes psíquicos e alguns, como a telequinese, são algo confusos de se executar cuidadosamente utilizando os controlos prédefinidos para o teclado. De resto os níveis são bastante variados, como já irei referir em seguida, e o jogo não é muito difícil até chegarmos aos últimos níveis, que exigem uma destreza muito maior em platforming.

Ora, mas o que tem Psychonauts realmente de especial? Bom, na minha opinião é mesmo o humor sublime que Tim Schafer (Secret of the Monkey Island, Full Throttle ou Grim Fandango) conseguiu incutir na história e no carisma das personagens. Foram várias as vezes em que pensei que estava a jogar um filme interactivo da Pixar, tal era a bizarrice de todas as situações. As personagens estão muito bem caracterizadas, tendo todas elas um aspecto bastante cómico e que se adequa perfeitamente à personalidade que lhes foram incutidas. Desde meninas coscuvilheiras com a mania que são melhores que os outros, passando pela dupla de bullies com poucos neurónios, cheerleaders irritantes, cowboys, putos mafiosos, voyeurs, enfim, há lá de tudo! Para quem jogar Psychonauts suficientemente, digam-me lá se personagens como Linda, Mr. Pokeylope ou todo o nível “The Milkman Conspiracy” não são mesmo fruto de mentes altamente criativas/insanas?

Screenshot

The Milkman Conspiracy é dos segmentos mais originais que já joguei.

Claro que todo este carisma e humor não seria possível sem um voice-acting de luxo. Não tenho mesmo nada a apontar neste campo, todas as personagens têm peculiaridades diferentes que os actores que as representaram fizeram muito bem o seu papel. A banda sonora também é completamente variada e bastante agradável. Num jogo tão bizarro como este, seria o esperado, penso eu de que. Ainda hoje tenho a melodia circense do último nível gravada na minha cabeça. Visualmente nota-se bem que é um jogo que saiu originalmente para a Xbox/PS2, e na versão PC chega mesmo ao cúmulo em que as cutscenes em vídeo têm pior qualidade que o jogo em si. Mas Psychonauts não deve de todo ser julgado pelos seus gráficos. Tendo em conta as plataformas para o qual saiu originalmente, está um óptimo trabalho, mesmo pela direcção de arte e variedade impressionante de cenários e temas ao longo dos diferentes níveis.

Posto isto, recomendo vivamente que joguem o Psychonauts se gostarem de jogos de plataformas, jogos bizarros, jogos com um excelente sentido de humor, ou todas. Para quem não gosta de coleccionar jogos digitais, a versão retail PC ou Xbox seriam as melhores escolhas, com a versão PS2 a apresentar alguns problemas gráficos e de framerate. Ainda bem que isto saiu num Humble Bundle, senão de outra forma dificilmente o iria jogar.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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2 respostas a Psychonauts (PC)

  1. Já experimentei o jogo para o PC. É tal e qual como disseste: parece um filme (que entretém bastante) mas as partes mais collect ‘em up foram um pouco aborrecidas (parar de percorrer o nível para esperar 30 segundos para poder apanhar aquele holograma quase invisível que vai e vem acaba por estragar o “flow” do jogo :/).

    Dito isto, gostava de voltar ao jogo um dia destes que sei que vai valer a pena acabá-lo (isso e o Grim Fandago),

  2. Pingback: Costume Quest (PC) | GreenHillsZone

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