Hotline Miami (PC)

De volta aos jogos indie, desta vez com um jogo bastante stylish. Hotline Miami, produto do pequeno estúdio Dennaton Games é um jogo bastante violento, viciante e com uma apresentação audiovisual soberba. Sem dúvidas das melhores surpresas de 2012, na minha opinião. É daqueles jogos que por muito que o descrevamos, não lhe conseguimos fazer justiça. Este jogo saiu-me num sorteio, lembro-me que na altura não andava muito interessado em comprá-lo, mas depois de algum tempo a jogá-lo vi que estava redondamente enganado.

Hotline_Miami_coverA história é completamente surreal. O jogo decorre em Miami, Florida durante o ano de 1989 onde encarnamos numa personagem anónima envolvida numa situação completamente mindfuck. Para além de por vezes termos visões com personagens estranhas com máscaras de animais que divagam acerca da nossa identidade e crimes que cometemos, vamos recebendo diversos telefonemas bizarros e cheios de mensagens subliminares para partirmos para mais uma carnificina. Fica aqui o exemplo de um dos diálogos: “Hello, it’s ‘Linda’… I need a babysitter right away. Got a few kids that need to be disciplined here. I’m at East 7th Street. Make sure you have a long talk with them, I really need someone to get through to these rascals. And like last time… Please be discreet!“. E o jogo vai prosseguindo dessa forma ao longo de vários capítulos, que começam (quase) sempre com a personagem principal a receber um destes telefonemas, passando para toda a carnificina desenfreada e caótica que o jogo oferece. A história vai ficando cada vez mais bizarra e surreal à medida em que vamos avançando no jogo, com os eventos a acontecerem também de uma forma não linear.

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A história vai ficando cada vez mais bizarra

A jogabilidade neste jogo encaixa-se perfeitamente na expressão “primeiro estranha-se, depois entranha-se”. Podemos utilizar um gamepad, ou o conjunto teclado mais rato, com o esquema de botões como se um fps se tratasse. O “problema”, é que o jogo não tem nada de FPS, sendo jogado numa perspectiva “overhead“, como se um dos primeiros Grand Theft Auto se tratasse. Os botões “WASD” servem para movimentar a personagem, com o rato a servir para atacar e controlar a “mira”. Este esquema no início pode ser um pouco confuso, e o ritmo acelerado com que o jogo está sempre a decorrer também não ajuda muito de início, mas mais tarde ou mais cedo dá-se o “click” e tornamo-nos máquinas assassinas, frias, calculistas e eficazes. Delicioso.

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Coitadas das senhoras da limpeza no dia seguinte.

No início de cada nível temos uma máscara de um animal para escolher. Incialmente apenas começamos com o Richard, a máscara do galo, mas eventualmente com o progresso no jogo vamos desbloqueando outras máscaras e novas armas que podemos utilizar. As máscaras têm diversas habilidades diferentes, seja mais munições para as armas que apanhamos, mais velocidade, resistência a dano, entre muitos outros. Depois é só percorrer os níveis de fio a pavio e estourar com tudo o que mexa. O jogo é extremamente violento, existindo imensas armas que podemos utilizar, a começar pelas portas, passando por bastões de baseball, tacos de golfe, pés-de-cabra, facas, shotguns, metrelhadoras, entre muitas outras armas. Existem também diferentes maneiras de se “finalizar” os inimigos utilizando os punhos ou armas melee, todas elas bastante sangrentas. A maior parte dos inimigos morrem com uma pancada bem dada com uma arma, ou com um tiro, mas lá para a frente iremos encontrar alguns que demoram mais algum tempo a ir abaixo. Já o jogador, a menos que esteja a utilizar uma máscara que lhe dê mais resistência, basta um golpe para morrer. Ora isto quer dizer que o jogador vai morrer imensas vezes, pois para além de reflexos rápidos para matarmos os inimigos rapidamente, também é exigido alguma estratégia de como abordar certos níveis, tendo em conta as posições dos inimigos e as suas armas. Visto que é possível disparar através de algumas paredes (nomeadamente os vidros), isto requer um cuidado extra.

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No final de cada capítulo a nossa performance é avaliada. Quantos mais pontos se fizer, mais armas e máscaras são desbloqueadas

Mas toda esta dinâmica de tentativa-erro é sempre recompensada, seja pelo espectáculo gore que vamos protagonizando, pelas luzes psicadélicas ou mesmo pela banda sonora. A banda sonora é algo de fenomenal, repleta de músicas electrónicas, mas com uma toada muito 80’s que se encaixam perfeitamente no jogo, seja naqueles momentos mais calmos entre cada nível, ou em pleno massacre quando enchemos os corredores de sangue e cadáveres. A banda sonora, que pode ser comprada à parte, contém diversos artistas, entre os quais Jasper Byrne, autor de Lone Survivor. Os visuais são muito 16-bit, com um pixel-art muito característico e bizarro. No entanto não deixa de ser um jogo psicadélico, com néons para tudo o que seja canto, e letras tremidas.

É a junção de todos estes elementos que tornam o Hotline Miami num jogo fora-de-série. Seja a jogabilidade metódica, a violência excessiva, os visuais ou a música homicida, Hotline Miami é sem dúvida um jogo a experimentar, para quem gostar de shooters. Faz-me lembrar de certa forma os Loaded e Re-Loaded dos tempos da Saturn/PS1, mas muito melhor.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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