Forbidden Siren (Sony Playstation 2)

918848_26800_frontForbidden Siren é um interessante survival-horror produzido pelos estúdios japoneses da  Sony, chegando ao nosso mercado por volta de 2004. Para além de uma história macabra e complexa, foi a sua jogabilidade diferente que o demarcou dos demais, numa altura em que o género já se encontrava algo saturado, para além dos seus visuais claramente inspirados no cinema de terror asiático. Sinceramente já não me recordo como veio parar-me às mãos, mas suspeito que tenha sido através do ebay UK. Provavelmente não me terá custado mais de 10€.

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Jogo completo com caixa, manual e papelada

Falar acerca dos eventos que estão por detrás de Forbidden Siren é um pouco complicado, pois sinceramente ainda não compreendi totalmente alguns dos acontecimentos. Ao longo do jogo vamos tomando o papel de diferentes personagens que se encontram numa misteriosa e sinistra aldeia japonesa, cuja comunidade é “conhecida” pela sua estranha religião e rituais que adoram divindades de outros mundos. O jogo começa no papel do adolescente Kyoya Suda, um fanático pelo sobrenatural e mitos urbanos, que decide visitar a remota aldeia de Hanuda e tentar presenciar alguns desses eventos. Na altura em que Kyoya chega a Hanuda, está precisamente a decorrer um estranho ritual envolvendo os habitantes locais. Sem querer Kyoya interrompe o ritual e, sendo descoberto, tenta fugir. Nessa altura dá-se um terramoto, a água dos rios e lagos torna-se vermelha como sangue, e os outrora habitantes de Hanuda tornam-se em Shibitos, uma espécie de zombies imortais. Para além de Kyoya, vamos também controlar várias outras diferentes personagens, algumas delas habitantes locais de Hanuda, outros forasteiros, mas todos com o objectivo comum de sobreviver e descobrir os segredos de Hanuda.

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Conheçam Miyako Kajiro, uma menina cega de 14 anos, personagem chave para a estranha religião de Hanuda

A história não seria tão confusa se Forbidden Siren não tivesse uma progressão tão não-linear. O jogo está dividido em “scenes“, cada uma decorrendo em certos intervalos de tempo com um determinado protagonista. Essas cenas vão-nos sendo apresentadas de uma forma não cronológica, com a narrativa a ser alvo constante de analepses e prolepses. Cada cena tem um determinado objectivo, geralmente chegar do ponto A ao ponto B, sendo que por vezes temos os tradicionais puzzles de survival horror, com interacção de objectos. Com a exploração dos cenários por vezes também temos algumas interacções que influenciam futuras missões com outras personagens, ou mesmo gerando percursos alternativos para algumas outras missões que tenhamos concluído previamente. A narrativa não é a única coisa de diferente em Forbidden Siren, mas a forma como abordamos os Shibito. Neste jogo os Shibito são zombies imortais. Embora tenhamos acesso a armas de fogo e outras brancas, os Shibito acabam por voltar à vida alguns mitutos depois de os termos abatido. Assim sendo, o jogo encoraja muito mais uma abordagem mais “stealth”, oferecendo uma mecânica muito interessante chamada Sightjack.

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Isto é um Shibito. Uma, neste caso.

Todas as personagens com as quais jogamos adquiriram algumas habilidades psíquicas que lhes permitem “invadir” a mente dos que os rodeiam, vendo o mundo através dos seus olhos. Com esta habilidade, podemos sentir os Shibito (e outros humanos) que nos rodeiam, monitorizando os seus movimentos e rotas de patrulha. A maneira como essa habilidade se faz é algo análoga a sintonizar canais de TV através de radio-frequências, podendo gravar 4 “canais” referentes aos botões “faciais” do Dualshock. Várias vezes encaramos mais do que 4 Shibitos ao mesmo tempo, pelo que essa escolha deve ser feita com alguma calma. Para além do sightjack também é possível distrair alguns Shibitos para que nos possamos esgueirar À vontade pelos caminhos que os mesmos estavam a guardar. Isso pode ser feito através da interacção de alguns objectos, ou simplesmente chamar por eles. O jogo é maioritariamente escuro, com grande parte das cenas decorrerem à noite. Contudo os protagonistas possuem uma lanterna que podem utilizar livremente, sob o risco de serem detectados pelos Shibito.

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Vista dos olhos de um shibito, através do sightjack. As cruzes azuis e verdes ao fundo correspondem à posição da personagem principal e NPC que o acompanha

Para um jogo originalmente lançado em 2003 para a PS2, apresenta alguns gráficos interessantes, principalmente nas animações faciais que se encontram bastante realistas para o que é habitual. Mesmo para alguns Shibitos, que ficaram muito bem representados. Também gostei bastante do setting em que o jogo decorre, apresentando uma aldeia japonesa em ruínas, onde parece que tudo ficou parado no tempo desde os anos 70, o que não é por acaso. Por outro lado acho que estragaram tudo ao alterarem o voice acting para inglês. Geralmente prefiro sempre o voice acting original com legendas se necessário, e neste caso num jogo tão “japonês”, quase que é um crime arruinarem a experiência ao trocarem o voice acting. Por outro lado, os efeitos sonoros estão muito bons, é excelente ouvir os grunhidos dos Shibito quando estamos na mente deles, e a banda sonora está muito bem conseguida também, apresentando vários temas desconcertantes e dissonantes quanto baste para aumentar a tensão.

Ainda assim achei que o jogo teve algumas falhas. A história ficou demasiado segmentada, pareceu-me bastante interessante, mas muita coisa acabou por passar despercebida. Mas por outro lado, ao longo do jogo vamos descobrindo vários documentos que depois podem ser consultados numa galeria de arquivos, esses que contêm diversas outras pistas sobre os protagonistas, os mitos de Hanuda, a sua religião e outras pequenas surpresas como referências a sites de boatos que foram criados propositadamente para promover o jogo. Mas continuando com as falhas, Forbidden Siren é um jogo que recomendo vivamente que seja jogado com a ajuda de um guia. Isto porque muitas vezes é difícil sequer orientarmo-nos no cenário, devido ao nevoeiro constante e a um mapa com muito pouca utilidade. Para além do mais, é constante estarmos sem saber muito bem o que fazer ao certo para desbloquear os próximos níveis ou caminhos alternativos, pois os puzzles que temos de resolver nem sempre são evidentes. Outra falha está na interação de objectos, ou outras acções. Em vez de as mapearem para botões específicos, temos de abrir um menu e escolher a acção a desenvolver, seja recarregar uma arma, abrir uma porta, pedir a um NPC que se esconda, etc.

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Esta freira também tem um papel importante na história.

O jogo recebeu uma sequela em 2006, cuja irei começar a jogar em seguida. Acho que melhoraram alguns destes problemas, logo verei quando começar a escrever o seu artigo. Mas também saiu uma espécie de remake deste jogo para a PS3, chamado Siren: Blood Curse. Para além de visuais bem mais avançados, reestruturaram a progressão do jogo, dividindo-o em episódios. Não joguei essa versão, mas penso que seja uma óptima alternativa a este jogo.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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