Duke Nukem Forever (PC)

DNF PCAh, o Duke Nukem Forever… este artigo podia-se resumir todo numa só frase “Antes tarde Duke Nukem”. O DNF é um jogo que eu fui acompanhando o seu desenvolvimento desde o ano de 2001, onde todos os dias passava pelos fóruns da 3D Realms à procura de notícias ou pequenos detalhes que a equipa que trabalhou no jogo lá ia soltando muito de longe a longe. O DNF acabou por se tornar numa anedota do eterno vaporware, cujo desenvolvimento se arrastou por bem mais de uma década, fruto do perfeccionismo de George Broussard, que por diversas vezes trocou a engine do jogo e refez os mesmos níveis vezes sem conta. O desenvolvimento do jogo foi de tal maneira arrastado que quando foram surgindo mais detalhes a Take 2 (editora do jogo) deixou de financiar o mesmo, o que levou a que o jogo tivesse o seu desenvolvimento interrompido, tendo levado à dissolução da própria 3D Realms. Tudo parecia perdido nessa altura, e começaram a surgir imensos detalhes do jogo, como artwork, modelos 3D e inclusivamente o próprio script do jogo que eu infelizmente li. Nada mais se soube (a não ser um ou outro boato) até que acabaram por voltar a anunciar o jogo novamente com uma nova cara. Os direitos de Duke Nukem (e outras franchises da 3D Realms) foram vendidos à Gearbox que, em conjunto com o recente estúdio Triptych e Piranha Games, que não eram nem mais nem menos que o próprio pessoal que vinha a trabalhar na 3D Realms, terminaram o desenvolvimento do jogo tendo este sido finalmente lançado em 2011. A minha cópia foi adquirida recentemente no ebay por 5libras. Infelizmente a mesma não veio com manual e respectiva CD-Key, eu como não me quis chatear deixei andar e acabei por comprar também uma versão digital posteriormente por 5€.

Duke Nukem Forever PC

Jogo com caixa

Infelizmente eu tinha lido o tal script que foi divulgado após o “fecho” da 3D Realms, e nada mudou face ao jogo final. Dessa forma sabia exactamente o que iria encontrar em seguida, o que foi pena. A história de Duke Nukem Forever decorre no planeta Terra, mais precisamente em Las Vegas, 12 anos após os acontecimentos de DN3D. Duke Nukem ganhou o estatuto de celebridade mundial, e o jogo começa (após uma introduçãozinha com um remake do último nível do Duke 3D original) com Duke a ser convidado a participar num Talk-Show. À medida em que se dirige para o mesmo, dá-se uma nova invasão extraterrestre, desta vez aparentemente pacífica. Eventualmente Duke tem um briefing com o General Graves e o próprio presidente norte-americano que recomendam que não faça nada pois a invasão é pacífica e irão decorrer actos diplomáticos entre as 2 espécies. Duke volta então para a sua “Duke Cave” e vê-se atacado pelos próprios aliens, o que o força a desobedecer às ordens do seu presidente e salvar a Terra mais uma vez.

A jogabilidade é o campo de DNF que mais razões de queixa tenho. Isto porque tentaram tornar um shooter quase arcade e com um sentido de exploração muito forte num “Duke of Duty”, repleto de níveis lineares e “scripted events“. A vida auto-regenerativa é algo que para mim não faz sentido num jogo destes, muito menos o facto de se poder carregar apenas 2 armas, para além dos explosivos. Um dos factores do Duke Nukem 3D ter tido um sucesso brutal é precisamente o seu arsenal variado e inovador para a época. É certo que ter disponível todo o armamento sem limitações poderia tornar o jogo mais fácil, mas poderiam certamente ter colocado mais inimigos no jogo para colmatar isso. Fico sempre triste em ter de optar entre uma devastator e um shrink ray, por exemplo. Ou entre uma shotgun e uma metrelhadora. DNF tem vários pormenores old-school que irei referir, mas isto foi uma grande falha, na minha opinião. Desses últimos vídeos existentes antes do “cancelamento” do jogo via-se que o Duke poderia carregar várias armas, pelo que assumo que terá sido uma decisão por parte da própria Gearbox. É pena. De resto o armamento é idêntico ao de DN3D e continua igualmente divertido. As trip-mines e pipe bombs continuam a ter uma importância estratégica, e utilizar Devastators ou Shrink-Rays continua divertido à brava como antes. Existem sim algumas armas novas, nomeadamente uma sniper-rifle de nome Rail Gun que curiosamente já existia em Shadow Warrior e uma outra alienígena. O Duke’s Mighty Foot infelizmente desapareceu.

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Uma paródia às gémeas Olsen… tão irritantes como as originais.

Uma das outras coisa que  fizeram sucesso em Duke Nukem 3D era a sua interactividade e a 3D Realms sabia-o. Sempre foi um foco da empresa em tornar o DNF o mais interactivo possível e de facto existe muita interactividade com os cenários, onde podemos fazer o que habitualmente fazíamos em DN3D, seja interagir com interruptores, objectos variados, ou até jogar alguns mini-jogos. A mesa de bilhar faz um regresso, em conjunto com vários outros mini jogos tais como uma máquina de pinball ou hóquei de mesa. Também é possível agarrar em vários objectos e atirá-los para os inimigos, matando-os dessa forma, sendo que alguns deles fazem o mesmo. A “vida” de Duke mede-se na barra de “Ego”. Esta barra quando se encontra vazia é que Duke começa a sofrer dano “a sério”, onde alguns tiros certeiros ou golpes melee bastam para o game over. Contudo, basta estar alguns segundos protegidos de fogo inimigo para encher novamente a barra, o que tira piada ao jogo tal como disse. Essa barra do Ego pode ser aumentada interagindo com o cenário nalguns pontos (ou mini-jogos) chave, ou derrotando os bosses. Existem também alguns níveis onde temos de conduzir veículos, algo que já tinha sido introduzido em Shadow Warrior e usado constantemente nos FPS actuais. A nível de items fica a faltar o regresso do jet-pack, mas com a direcção extremamente linear que o jogo tomou, iria “estragar” tudo. Os steroids voltaram e conferem a Duke uma força sobre humana em ataques melee, aumentando também a sua velocidade. Infelizmente enquanto se está sob o efeito de steroids não se pode utilizar nenhuma arma, o que é pena. Cerveja também pode ser consumida, conferindo a Duke uma maior resistência ao fogo inimigo… tomada em conjunto com os steroids tem um efeito interessante. O holoduke é algo que também regressa, sendo um item interessante para se usar em alguns momentos mais apertados.

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Referência a um antigo jogo de pinball da Apogee

Os inimigos fazem todos o seu regresso (penso que apenas os novos aliens do plutonium pack do DN3D apenas não estejam cá representados), e a sua maioria recebeu facelifts bastante interessantes, nomeadamente os Octabrains que acho sinceramente que estão muito bem conseguidos. Os Pigcops também regressaram e agora estão mais variados, podendo usar várias armas diferentes e ataques melee, os  Spinners continuam chatos e bastante agressivos, já os “face-huggers” acho que poderiam ter sido melhor concebidos. Os bosses claro que não podiam faltar, com o regresso dos Battlelords, o Cycloid Emperor, alguns novos como o Octaking. A Mother Queen faz também um regresso, desta vez com uma forte referência ao filme “Total Recall” – “you make me wish I had three hands“. A inteligência artificial dos inimigos e em especial a dos bosses é outro dos aspectos que tornam o DNF um pouco old-school. Para o bem ou para o mal, a IA não é nada de especial, pelo que as técnicas que usávamos no velhinho DN3D podem ser aqui aplicadas, sem tirar nem pôr.

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Don’t ask.

É óbvio que referências de conotação sexual não poderiam faltar, sendo que em 2011 existem menos pudores em relação a este aspecto. Dessa forma, as strippers puderam andar livremente em topless, bem como as meninas raptadas pelos aliens que não tiveram muita sorte. Como sempre, piadas sexuais estão lá, bem como algumas interacções que podemos ter. Lembram-se do “glory hole” na casa de banho do clube de strip? Pois bem, tentem ver quem está do outro lado do buraco.

Com mais de 10 anos de desenvolvimento é impossível não se falar nos gráficos. Estive sempre à espera que o jogo não tivesse gráficos por aí além, as minhas esperanças no jogo estiveram sempre do lado da jogabilidade. E realmente estas mudanças constantes de engine acabaram por resultar num jogo com gráficos medianos para o ano em que foi lançado. Alguns níveis ainda conseguiram obter gráficos interessantes, com vários efeitos bonitinhos e texturas bem definidas, mas na sua maioria vemos texturas pobres e NPCs pouco modelados. Infelizmente existe muito pouca variedade de modelos de NPCs, parecendo que estamos a falar sempre com as mesmas pessoas. Um defeito que me irritou bastante é o tempo que algumas texturas demoram a carregar. Por várias vezes via os gráficos do cenário com umas texturas muito pobres e “borratadas”, tendo de esperar alguns segundos até que as mesmas fossem correctamente carregadas. A nível de som não tenho nada a apontar, o voice acting é competente e as “one lines” de Duke Nukem continuam cáusticas como nos velhos tempos. A banda sonora confesso que não lhe prestei muita atenção face ao resto do jogo, mas continua com uma vertente mais rock ‘n roll com o tema de Duke Nukem recomposto. Sinceramente acho que a versão dos Megadeth da sua música continua a ser superior, é pena que não a tenham utilizado.

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Referências a outros jogos não poderiam faltar.

O post já vai longo e ainda poderia referir muito mais, pelo que apenas irei abordar o multiplayer brevemente. Sinceramente pouco joguei deste modo, pela razão principal de os servidores estarem practicamente desertos. Mas pelo pouco que vi pareceu-me ser um modo de jogo interessante devido precisamente ao armamento e items que Duke tem ao seu dispor. Existem variantes de Deathmatch e Team Deathmatch, bem como o King of the Hill e uma variante de Capture the Flag, onde na verdade temos de apanhar a menina da base inimiga e trazê-la para a nossa base. Podemos até dar-lhe umas palmadas no rabo se ela se portar mal. O aspecto mais interessante é a progressão da do jogador. À medida em que vamos jogando, matando inimigos e obter vitórias ganhamos vários pontos de experiência. Estes pontos vão desbloqueando vários items para o apartamento de Duke Nukem, que podemos visitar posteriormente.

Resumindo e concluindo, tropeçando e não caindo, não sei se recomendo Duke Nukem Forever. É um jogo ultrapassado tecnicamente, onde retiraram muita da piada que o DN3D tinha, com uma jogabilidade muito “Call of Duty” repleta de momentos chatos em que temos de defrontar várias “waves” de aliens consecutivas. Os níveis estão bastante lineares, sem haver aquela exploração e backtracking do DN3D com níveis repletos de segredos, e o facto de Duke deixar de ser um arsenal ambulante tiraram muita piada ao jogo. Ainda assim existem vários bons momentos e “easter eggs” escondidos. Se forem grandes fãs saudosistas do Duke Nukem 3D como eu sou, então sim, recomendo que o joguem. Para os outros, não irão encontrar muita coisa nova neste jogo. De qualquer das maneiras recomendo sempre a versão PC, visto a que apresenta a melhor performance. As versões para consolas estão menos conseguidas neste aspecto. Antes de finalizar devo referir também que existe um DLC muito interessante “The Doctor who cloned me”. Quem acompanhou o desenvolvimento do DNF ao longo dos anos, certamente saberá que o vilão original deste jogo seria o Dr. Proton, vilão do primeirinho jogo da série. Nesse DLC voltaram a reintroduzir a personagem e pelas críticas que tenho lido dizem que é melhor que o DNF em si. Futuramente, quando aparecer numa daquelas mega promoções malucas do steam comprarei o DLC e depois virei cá fazer um outro artigo.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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2 respostas a Duke Nukem Forever (PC)

  1. O Mighty Foot não desapareceu por completo, é utilizado como finisher quando congelas inimigos ou quando eles ficam de joelhos no chão. 🙂

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