Carmageddon (PC)

carmageddonAntes de mais, devo avisar que estarei offline durante cerca de uma semana, pelo que não esperem por novos posts até então. Adiante, o jogo que trago hoje é um jogo que foi bastante polémico na altura em que foi lançado, tendo sido censurado em muitos países ou até mesmo proibida a sua comercialização. Estou a falar de Carmageddon, um jogo de corridas demasiadamente insano, onde o objectivo é vencer a corrida, de uma das várias maneiras possíveis: Chegar em primeiro lugar (boring!), destruir todos os carros dos adversários, ou então atropelar toda a gente no circuito. O facto de se poder atropelar os peões (e tal ainda ser encorajado – atropelar dá pontos) foi o que mais chocou neste jogo. A minha cópia ainda está em bom estado, foi adquirida no natal de 1997 e custou o equivalente a 20€ (deste eu lembro-me!). Infelizmente a caixa grande de cartão deitei-a fora quando era mais novo…

Carmageddon PC

Jogo com caixa jewelcase e manual

Carmageddon teve um percurso interessante. Inicialmente era para ser um jogo baseado no Destruction Derby, depois adquiriram a licença da franchise “Mad Max” e mudaram o jogo para algo mais sinistro. A licença acabou por não ir em frente e então adquiriram a licença do filme “The Death Race 2000” e começaram a tornar Carmageddon na carnificina que acabou por sair. Mais uma vez as coisas não bateram certo e o estúdio que já tinha o jogo em estágios avançados de desenvolvimento decidiu renomeá-lo para Carmageddon. Carmageddon foi censurado em vários países europeus, no reino unido os peões foram substituídos por zombies com sangue verde, na Alemanha os peões foram substituídos por robots! Aqui em Portugal o jogo passou completamente sem censura (apesar de ter sido alvo de notícias sensacionalistas na TV). Carmageddon não tem uma história a sério, pelo menos no manual não vem nenhuma indicação nesse sentido. Carmageddon preza pela liberdade, tendo sido um dos primeiros jogos em sandbox 3D, onde temos a liberdade de fazer o que quisermos numa grande área.

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É melhor arrumares-te, menina.

As corridas à partida parecem decorrer como um jogo arcade, temos um temporizador em contagem decrescente sendo atribuído mais tempo sempre que passemos num checkpoint. Mas ninguém joga assim, nem sequer os adversários. Sempre que atropelamos alguém ou batemos num outro carro também somos recompensados com tempo (e dinheiro). Esta condução agressiva é fortemente encorajada, sendo mais recompensados combos de vários atropelamentos seguidos ou manobras perigosas/invulgares. Os carros sofrem danos com as colisões, sendo que o dinheiro que vamos angariando pode ser usado para reparar o carro logo no momento. Ao longo dos circuitos existem também diversos powerups com diferentes “sabores”. Para além de bónus de tempo, ou dinheiro, temos também turbo, congelar inimigos/polícia, bem como doces como raios eléctricos que matam todos os peões perto do carro, ou powerups que permitem escalar paredes. Alguns powerups têm um efeito um pouco negativo, desde porem o carro a saltar descontroladamente, transformar o carro numa bola de pinball, ou mesmo “drogas” que põe o ecrã todo às cores.

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Combos são sempre recompensados

No início do jogo dão-nos a escolher entre dois pilotos/carros. Max Damage é o piloto demente que tem estado na capa dos vários jogos da série, já a alternativa seria a Die Anna. Ambos os carros são muito parecidos, embora o carro de Max seja um pouco mais lento, mas mais robusto para distribuir pancada. O carro de Die Anna é mais leve. Uma das coisas que sempre gostei neste jogo é o facto de existir uma câmara apontada à cara do condutor. Para além de ouvirmos muitos palavrões em inglês, podemos ver as expressões faciais dos condutores quando atropelamos alguém, quando caímos num precipício, etc. São muito cómicas. Mais cómicos são também os carros (e caras) dos inimigos, que vão desde carros funerários a desportivos japoneses conduzidos por cyborgs. Às vezes, após eliminarmos um oponente da corrida conseguimos ficar com o seu carro. No fim de cada corrida é também possível gastar dinheiro em novas peças para o carro para o tornar numa máquina ainda mais assassina. Os circuitos baseiam-se em circuitos urbanos, rurais, industriais e até subterrâneos. Em cada circuito tem também uma enorme área a ser explorada, com vários pedestres e powerups espalhados. Muitos circuitos têm também direito a carros da polícia altamente blindados, também os podemos destruir.

Graficamente o jogo ainda era algo fraco na altura em que saiu. O número de cores era reduzido, os carros tinham poucos polígonos e as texturas no geral ainda eram muito mázinhas. Os peões e items ainda eram sprites. Pouco tempo depois foi lançado um patch para as placas 3Dfx (bons tempos da Voodoo) que melhoravam o aspecto geral. Actualmente é possível emular o jogo com o suporte a 3DFX em versões modificadas do Dosbox com suporte a Glide, infelizmente é algo que requer um pc um pouco poderoso (embora nem tanto com os standards actuais) para correr o jogo a uma boa velocidade. Uma alternativa melhor seria configurar uma máquina virtual de Windows 95/98 de propósito para correr alguns destes jogos que não correm nativamente em SOs desde o Windows XP. A nível de som, o som do jogo é agradável, principalmente o “praguejar” que os nossos pilotos constantemente fazem. O som dos carros, colisões e afins ouvem-se, mas o barulho da sirene da polícia é irritante como o raio. A banda sonora incide mais no metal/industrial, sendo as principais músicas instrumentais de Fear Factory, do álbum Demanufacture.

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Tudo ao molho!

Em jeito de conclusão, Carmageddon é um jogo que apesar de muito controverso é bastante divertido de se jogar. O seu pioneirismo de jogos em sandbox é evidente e terá servido de influência para muitos jogos que se seguiram. Toda a controvérsia como sempre apenas serivu para que o jogo tivesse sucesso, tendo sido lançado pouco tempo depois um add-on que acrecenta mais veículos e circuitos, adaptações para Gameboy Color, Playstation e Nintendo 64, bem como 2 sequelas para PC num espaço de 2/3 anos. O último jogo Carmageddon 3 The Death Race 2000 foi um flop, e a série estagnou até então. Entretanto ao longo dos anos a licença Carmageddon pertencia à SCi, foi sendo adquirida por várias outras empresas (tendo chegado até à Square Enix Europe – antiga Eidos). Actualmente a licença está nas mãos do próprio estúdio que desenvolveu os jogos principais, a Stainless Software e estão a planear um novo jogo a sair no próximo ano. A ver como se safam!

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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Uma resposta a Carmageddon (PC)

  1. Este nunca joguei mas o 2 foi daqueles jogos que me fez passar tardes livres em casa dos amigos a viciar-me no PC. É completamente braindead mas altamente divertido.

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