Sam and Max Season One (PC)

A dupla Sam & Max, que depois do excelente Hit the Road! desenvolvido pela LucasArts, entrou num infeliz e prolongado interregno que durou toda a restante década de 90 e acentuou-se com o cancelamento do Freelance Police por parte da Lucasarts em 2004. Felizmente a Telltale pegou na franchise e o primeiro videojogo que lançaram saiu num formato episódico, tal como muitos outros jogos do estúdio. A primeira temporada, também intitulada de “Save the World”, acabou por sair em formato físico para o PC (e Wii também). A minha versão foi comprada na Mediamarkt de Alfragide há uns anos atrás, pela módica quantia de 2.95€.

Jogo com caixa, manuais e papelada diversa. Esta versão traz também uma série de conteúdo bónus em disco.

Esta aventura leva-nos a resolver uma série de casos que à primeira vista não parecem muito ligados entre si, mas vão fazendo parte de uma trama com uma conspiração em crescendo. A história começa com a dupla a receber finalmente um caso policial, de forma a investigar uns distúrbios causados por 3 anões, outrora estrelas infantis de uma sitcom dos anos 70. Ora os irmãos estavam sim sobre efeito de hipnose, algo que vai escalando de episódio para episódio, onde a hipnose e a manipulação da vontade das pessoas fica sempre em destaque. A conspiração cresce de tal forma que Sam e Max têm inclusivamente de derrubar o governo americano! Desculpem lá o pequeno spoiler.

Ao longo do jogo vamo-nos envolvendo em situações cada vez mais ridículas. A certa altura temos de infiltrar na máfia dos brinquedos e no seu casino!

O jogo está repleto de personagens que vão marcando presença ao longo dos vários episódios, onde para além dos 3 anões com personalidades muito distintas, conseguimos também destacar o Bosco, dono cada vez mais paranóico da loja de (in)conveniência próxima do escritório dos detectives. Ou o caso do Jimmy, o rato manhoso que vive com a dupla de heróis, o presidente banana norte americano (que na altura me pareceu uma sátira a George Bush), entre outros. Os próprios Sam e Max mantêm-se iguais a si próprios, com Sam a ter uma identidade mais pacifista e racional, no entanto sem grandes problemas para usar a violência como solução. Já o Max é aquele coelho completamente doido e homicida!

As mecânicas de jogo são as simples de um jogo de aventura point and click, onde vamos ter de dialogar com as personagens que nos rodeiam, interagir com objectos, apanhar itens e usá-los noutros locais, o costume! Mas outra particularidade interessante deste jogo está na possibilidade de podermos conduzir pelas estradas com o nosso DeSoto. Na verdade teremos de fazer isto muitas vezes para progredir na história, seja participar em perseguições policiais, ou mesmo a situação altamente cómica em disparar sobre o farolim traseiro de um condutor completamente inocente, mandá-lo parar, e multá-lo por isso mesmo.

Bosco, cada vez mais paranóico e com geringonças cada vez mais caras para comprar

Felizmente o jogo está repleto de personagens bastante carismáticas e muitas vezes nos vemos em situações muito cómicas, como quando participamos num programa como Juri num programa como os Ídolos, ou a campanha eleitoral com o próprio Abraham Lincoln. Muitas vezes, nos diálogos, só nos dá vontade de dar aquelas respostas que estão nitidamente erradas só para ver quais vão ser as respostas ou o que se vai desenrolar a seguir.

A nível audiovisual é um jogo algo competente para a época. Sinceramente prefiro de longe os visuais inteiramente 2D com aquelas animações e gráficos em pixel art deliciosos, mas aqui apesar das personagens e cenários estarem representados em 3D, pouco realmente muda: não há um controlo de câmara, mas a mesma vai sendo mais dinâmica, seguindo-nos às voltas pelas salas e ruas que exploramos. Os cenários em si estão bem representados, fazendo-me lembrar na mesma o estilo doido de alguns cartoons como Ren & Stimpy. Em relação aos voice actings acho que estão bem conseguidos, e as músicas vão sendo na sua maioria mais ambientais, o que vai resultando bem com a mood agradável que Sam & Max nos tenta passar.

Os diálogos são tão bons que me dá vontade de falhar de propósito só para ver todas as reacções!

Em suma, embora não seja um jogo tão bom ou bonito quanto o Hit the Road, este tão esperado regresso de Sam & Max foi mesmo muito benvindo. A Telltale acabou por fazer um bom trabalho, mantendo o mesmo tipo de humor e boa disposição ao longo de todo o jogo. Tal como referido acima, só mesmo o facto de não ser em 2D como o clássico não me agradou tanto. Mesmo o facto de ter sido lançado de forma episódica não me pareceu mal de todo, pois os diferentes episódios encadeiam bem uns nos outros.

The Walking Dead Season 2 (Sony Playstation 3)

Já há algum tempo que não trazia cá nada da Playstation 3, e o último jogo que vim jogando “às prestações” que o tempo não tem sido muito, foi mesmo este Walking Dead, a Season 2. Na altura em que o comprei, poderia ter optado antes pela versão PS4, mas visto que joguei o primeiro na PS3, e queria importar o save para a nova aventura (se bem que não muda muita coisa), acabei antes por levar esta versão. O meu exemplar, tal como o da primeira temporada, veio da Worten, da secção dos usados, custando-me 10€. Foi comprado algures durante o ano passado.

Jogo com manual

Ora o primeiro The Walking Dead foi um jogo que gostei bastante pela sua narrativa bem construída e por nos colocar diversas vezes em situações críticas, onde teríamos de tomar decisões difíceis e alombar com as suas consequências ao longo do jogo, sejam salvar uma personagem em detrimento de outra, ou no meio de alguma discussão mais acesa, sermos obrigados a tomar lados que podem deixar parte do grupo bem chateado connosco e mais tarde isso a vir ao de cima. Estava entusiasmado por pegar no jogo, principalmente depois do final da primeira temporada, mas no fim de contas, acabei por ficar um pouco desiludido com o resultado final, mas já lá vamos. Aqui a personagem principal acaba por ser a menina Clementine, que cresceu muito psicologicamente depois das aventuras no jogo anterior. Iremos ver algumas caras conhecidas da primeira temporada, mas não me quero alongar muito na história, é um apocalipse zombie e basta!

Mais uma vez temos várias hipóteses de escolha nos diálogos e pouco tempo para reagir.

Para quem jogou a primeira temporada, já sabe com o que contar a nível de mecânicas e estrutura de jogo, ou seja, a aventura está dividida por episódios e com mecânicas de jogo similares aos jogos de aventura point and click, misturando alguns quick time events e diálogos com escolhas, onde temos um tempo limite para escolher o que queremos dizer ou fazer. Caso passe o tempo limite, o jogo assume que optamos por ficar calados ou não fazer nada, o que geralmente nunca é muito bom. A parte de aventura consiste em andar de um lado para o outro e com o cursor apontar para objectos ou pessoas que poderemos falar ou interagir com os mesmos, o habitual. Por vezes temos é segmentos de acção, onde poderemos ter de participar nalguns quick time events, que agora possuem mais algumas possibilidades diferentes do jogo anterior, usando os analógicos direccionais enquanto pressionamos um botão, para simular acções com movimento. Nos segmentos de acção temos de por vezes entrar em lutas com zombies e/ou humanos, envolvendo combates com armas brancas ou pistolas. Na verdade, isto acaba também por serem quick time events mascarados, a diferença é que temos de guiar o cursos para um ponto chave e depois pressionar um botão para atacar. Por exemplo, num close encounter com um zombie e connosco indefesos no chão, poderemos ter de primeiro guiar o cursor para uma arma que esteja no chão, pressionar um botão para a apanhar, e depois levar o cursor de novo para o zombie, de forma a pressionar um outro botão para atacar. Quando temos de disparar, entra o mesmo raciocínio.

Nas partes de acção, muitas vezes temos alguns quick time events para participar

O meu problemas com este jogo passam pela história e pelas escolhas que temos de fazer. Apesar de aqui ser a pequena Clementine que passa por uma série de situações complicadas e que a obrigam a crescer, no geral não gostei tanto da história como no anterior. Isto porque por um lado, apesar de haverem na mesma algumas reviravoltas no decorrer da história, a maior parte delas não foram tão surpreendentes assim e já estava à espera que viessem a acontecer. As maiores surpresas para mim foram mesmo aquele episódio com o cãozinho, logo no início da aventura, e um dos acontecimentos mesmo na recta final que prefiro não divulgar para não estragar a surpresa. A outra coisa que não gostei foram as escolhas que temos de fazer, pois tirando uma ou outra situação, onde somos forçados mesmo a escolher quem salvar e podemos fazer a diferença, a maior parte das outras escolhas não têm grandes consequências para o resto do jogo. E mesmo havendo 3 finais diferentes, os mesmos são determinados nas duas últimas escolhas, pelo que não há grande vontade em voltar a pegar no jogo, para explorar outras alternativas.

O elenco deste jogo inclui uma ou outra cara conhecida da primeira temporada e do DLC 400 Days

A nível técnico já sabem com o que contar. O jogo utiliza o mesmo estilo gráfico que se assemelha a um cell shading, o que acaba por resultar muito bem em alguns detalhes, como o das expressões faciais, algo muito importante num jogo deste género onde temos de tentar agradar a toda a gente. No entanto, não acho que os zombies fiquem muito bem com este estilo gráfico. O voice acting continua bastante bom, como seria de esperar.

Portanto, esta segunda temporada do The Walking Dead da Telltale deixou-me um pouco desiludido por ser um jogo mais curto, pela história não ser tão empolgante quanto no primeiro jogo e pelas escolhas que tomamos trazerem poucas consequências para a narrativa. Ainda assim não deixa de ser um jogo de aventura competente e não posso negar que tenha passado um bom bocado enquanto o joguei.

The Walking Dead GOTY (Sony Playstation 3)

The Walking DeadMeus senhores, estamos aqui perante aquele jogo que muito possivelmente é o melhor jogo de aventura deste milénio. Não estou a exagerar, tirando alguns problemas com os controlos, este The Walking Dead pela Telltale Games apresenta uma narrativa excelente, com bastante peso emocional e aqueles que serão sem dúvida os Quick Time Events melhor executados até à data. A minha cópia chegou-me às mãos no início deste ano, tendo sido comprada na secção de usados da Worten do Arrábidashopping, custava inicialmente 20€, mas após ter usado um vale de desconto que tinha ficou-me por 12€. Estava com algum receio que não viesse com o DLC 400 Days em disco e que porventura pudesse ter sido utilizado com o primeiro dono do jogo, mas felizmente estava tudo ok. Sendo assim na altura não me pareceu um mau negócio e não me arrependo nada da compra.

The Walking Dead GOTY - Sony Playstation 3
Jogo completo com caixa, manual e papelada

Confesso que nunca cheguei a ler a comic original por onde a conhecida série televisiva se baseia, pelo que irei ter sempre por base de comparação a série de TV e não a comic. Sendo assim, este jogo decorre nos EUA, onde uma enorme praga zombie assolou toda a população. Mas ao contrário da série televisiva, os protagonistas aqui são completamente diferentes, embora algumas personagens como Hershel ou Glenn fazem uma breve aparição. Nós controlamos Lee Everett, um professor condenado à prisão por assassinar o amante da sua mulher. O dia em que estava a ser transportado por um polícia para o levar à prisão coincidiu com o dia em que a pandemia estourou pela Georgia. Como não poderia deixar de ser, há um acidente com o carro, o polícia não sobreviveu e Lee consegue escapar, não deixando de ter um primeiro encontro imediato com o zombie do polícia. Ferido, procura abrigo numa casa próxima, onde se encontra com uma menina que estava a aguardar que os pais chegassem de férias. Mais conflitos com zombies e Lee resolve tomar conta da criança (Clementine), encontram alguns sobreviventes imediações daquele bairro e juntam-se a um grupo de sobreviventes.

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Nas fases de acção, quando corremos risco de vida o ecrã começa a ficar vermelho.

A aventura fica assim lançada, muito mais poderia dizer mas não quero mesmo estragar a experiência a quem ainda não jogou. Basicamente ao contrário dos point and clicks tradicionais o foco do jogo não está nos puzzles, que aqui existem, mas num tom muito mais ligeiro. O grande trunfo do jogo está no desenvolvimento do carácter das personagens, das relações que elas vão tendo connosco, com os outros e do destino que lhes escolhemos. A história está construída de tal forma que nos vamos afeiçoando a várias personagens e a certo ponto somos confrontados com difíceis escolhas, onde temos de favorecer uma pessoa em detrimento de outra, ou mesmo escolher quem deveremos salvar numa situação de pânico. Os diálogos que vamos tendo também têm influência na relação das personagens connosco. Temos sempre umas 4 hipóteses de resposta, e precisamos de responder durante um certo tempo. Caso deixemos esse tempo expirar, o jogo assume que preferimos ficar calados e isso poderá ter influência negativa na relação com essa personagem em questão. O mesmo se passa noutras decisões mais críticas, como por exemplo se salvamos uma pessoa ou outra. Se deixarmos o tempo expirar ou é game over ou outras personagens tomam a iniciativa por nós, deixando-nos mal vistos perante o restante grupo.

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Exemplo de um diálogo e várias hipoteses de escolha. Screenshot da versão Xbox porque por estranho que pareça não consegui encontrar nada de jeito para a PS3.

O facto de não podermos agradar a toda a gente devido às decisões difíceis que nos vão sendo colocadas vão contribuindo para um mau estar dentro do grupo que mais tarde ou mais cedo acabará por gerar outros conflitos, devido aos temperamentos muito diferentes de cada um. Mas voltando às restantes mecânicas de jogo, quando não estamos a falar com alguém, existem 2 ambientes distintos. O de exploração e os eventos de pânico. Nos primeiros o jogo comporta-se como se um point and click tradicional se tratasse, onde podemos interagir com diversos objectos ou iniciar conversas com outras pessoas. Os puzzles aqui são muito simples, consistindo essencialmente em procurar ferramentas ou outros objectos para resolver algum problema em específico. Os eventos de pânico acontecem quando somos atacados por zombies ou mesmo outros humanos. Aqui tanto podem ser Quick Time Events muito bem pensados, como outros segmentos mais de acção.

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Em alguns momentos de pânico o cursor torna-se vermelho, geralmente temos de agir rápido

Nos primeiros, os QTEs tanto podem ser mais tradicionais, como pressionar várias vezes num botão para fechar uma porta cheia de zombies do outro lado, por exemplo, ou bem mais dinâmicos. Nesses mais dinâmicos temos de mover o cursor para um certo ponto e carregar no X para desempenhar uma acção, enquanto nalguns casos também nos podemos ir movendo com o direccional. Um exemplo: Um zombie vindo do nada deita-nos ao chão. Atordoados, temos de fugir, utilizando para isso o botão direccional e também temos de nos defender dos ataques dos zombies, levando o cursor para um ponto de acção, geralmente a sua cabeça ou braços e ao carregar no botão respectivo o Lee vai lhe dar um pontapé, ou um tiro ou whatever. Os segmentos com mais acção também vão utilizando estas mecânicas. Temos alguma liberdade de nos mover, inclusivamente entre covers, e com o cursor vamos desempenhando algumas acções, seja interagir com objectos ou disparar em primeira pessoa em zombies ou outros humanos. No geral achei estas sequências bem feitas e mesmo estes QTEs que não envolvem button mashing à maluco não deixam de ser QTEs, pois na maior parte do tempo temos mesmo de nos despachar.

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No final de cada episódio é nos dado um resumo das acções mais importante que tomamos e compara com o que o resto dos jogadores optaram. Imagem editada por razões óbvias.

Graficamente é um jogo que tenta replicar o feeling das comics, apresentando uns visuais algo semelhantes ao cel-shading, mas que não deixa de ser muito bem detalhado. As expressões faciais estão óptimas e ajudam sem dúvida nenhuma a colocar um peso psicológico ainda maior em toda a aventura. Os zombies é que têm um aspecto mais cartoonesco que não gostei muito. No entanto o jogo tem momentos de gore quanto baste, em especial quando temos de decepar alguma coisa. As músicas vão sendo bem colocadas e bem variadas, tal como se da série televisiva se tratasse. No entanto é mesmo o voice acting que está soberbo neste jogo. Aliás, toda a história está muito bem escrita e vão aparecer vários plot twists bem inesperados ao longo do jogo. E quem dá a voz às personagens safam-se realmente muito bem. O único senão é alguma quebra de framerate que se nota na passagem de algumas cenas, suponho que sejam loadings.

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O DLC 400 Days leva-nos a visitar o background de 5 personagens distintas que nada têm a ver com o primeiro jogo.

The Walking Dead, o videojogo, é daqueles produtos em que o jogo ultrapassa por completo a obra cinematográfica/televisiva (mais uma vez relembro que não estou de todo familiarizado com a comic original). É certo que muitas destas decisões difíceis nós as vemos na série, sendo tomadas pelo Rick ou seus companheiros. Mas não sei se será pela história e representação deste jogo estar tão bem feita, ou pelo facto de sermos nós a ter de tomar as decisões, para mim este jogo é muito mais envolvente, e essas decisões por vezes deixam-nos a sentir completamente miseráveis. Adorei. Para além da Season 1, esta versão GOTY traz um DLC – 400 Days. Esse DLC parece-me ser um prelúdio à sequela, onde vamos jogando pequenos capítulos na vida de diferentes personagens que aparentemente figuram na Season 2. Apesar de a sequela já estar à venda, prefiro mais uma vez aguardar que saiam todos os episódios e eventuais DLCs para depois comprar um pack que inclua tudo de uma vez. Mas volto a salientar, este é um jogo obrigatório para todos os amantes de adventure games e não só.