Sylvester and Tweety in Cagey Capers (Sega Mega Drive)

Voltando às rapidinhas da Mega Drive, o jogo que cá trago hoje até que é algo original nas suas ideias e jogabilidade. Certamente que todos nos lembramos dos desenhos animados dos Looney Tunes e de todas as aventuras das suas personagens. O típico cenário de “gato e rato” estava aqui também representado, não só com o gato Sylvester e o rato Speedy Gonzalez, mas também com o passarinho Tweety. Neste jogo encarnamos o papel de Sylvester, que tem de perseguir e apanhar o Tweety através de uma série de cenários. O meu exemplar veio da Cash Converters de Alfragide, algures no ano passado, tendo-me custado uns 7€ se bem me recordo.

Jogo com caixa e manuais

Ao longo do jogo iremos percorrer diferentes níveis onde o objectivo é sempre o mesmo: apanhar o Tweety! O irritante pássaro amarelo fofinho começa por estar sempre na mesma posição, mudando de sítio sempre que o Sylvester se aproxima, até chegar a um beco sem saída, ficando finalmente indefeso. Para isso teremos de ultrapassar alguns obstáculos, evitar inimigos como a velhota, o cão ou o gato de rua e rival do Sylvester, ou mesmo juntar e empilhar alguns objectos para conseguir alcançar alguns locais de outra forma inacessíveis. Temos algum platforming pela frente e vários power-ups para nos ajudar, desde comida de gato que restabelece alguma vida ao Sylvester, relógios que nos dão mais tempo para terminar o nível, armas que nos permitem derrotar temporariamente os inimigos que nos perseguem, ou itens como Pogo-Sticks ou guarda-chuvas que nos ajudam no platforming. Também nos podemos esconder de quem nos persegue, o que é uma adição interessante ao jogo.

Aqui tanto podemos perseguir como ser perseguidos, podendo também esconder-nos em vários locais.

Do ponto de vista técnico, este é um jogo muito interessante, com cenários bem detalhados e gráficos coloridos. Os níveis vão sendo variados, começando pela casa da velhinha, as traseiras, no bairro, em comboios ou navios, ou mesmo num laboratório, onde os papéis se invertem temporariamente, com Tweety a assumir uma forma monstruosa e perseguir o Sylvester. As animações também são muito boas, assim como as músicas que possuem na sua maioria ritmos e melodias jazz, o que me surpreendeu bastante.

Champions of Europe (Sega Master System)

311219_frontContinuando pela Master System com mais uma rapidinha, o artigo que cá trago hoje é de um jogo que corro o sério risco de lhe ser injusto. Isto porque sinceramente pelo que joguei não me agradou, embora tenha lido muitas opiniões em que é um jogo que se demora a habituar à sua jogabilidade e eu não lhe dei tanto uso assim. Este meu exemplar foi comprado na feira da Ladra em Lisboa, algures durante o mês de Agosto, por 5€.

Jogo com caixa e manual
Jogo com caixa e manual

Tal como no nome do jogo indica, refere-se ao campeonato europeu de futebol de 1992, e dá-nos a possibilidade de participar no torneio, jogar partidas amigáveis ou participar em sessões de treino, onde podemos practicar os penalties, ou simplesmente correr pelo campo e practicar os controlos. E isso acaba por ser uma função muito importante pois os controlos deste jogo são muito diferentes. Controlar a bola é uma tarefa hercúlea, pois ao contrário dos jogos de futebol normais, onde o jogador que leva a bola se tem de preocupar em fugir aos adversários de forma a não perder a bola, aqui o simples facto de correr com posse da bola é uma arte por si só. É perfeitamente normal, principalmente se estiverem 2 jogadores humanos a jogar um contra o outro, ver a bola parada no campo e fails consecutivos de ninguém a conseguir controlar decentemente.

A interface do menu principal tenta ser original para a época, mas acho-a desnecessariamente complicada
A interface do menu principal tenta ser original para a época, mas acho-a desnecessariamente complicada

Para além dos controlos adversos, o jogo deixa-nos com uma série de opções, algumas mais interessantes que outras. No caso de jogarmos o modo torneio, muitas dessas tornam-se aleatórias de partida para partida, como é o caso das condições meteorológicas, velocidade do vento, ou o critério do árbitro (há 7 árbitros, supostamente cada qual com diferentes critérios de arbitragem mas no fim de contas parece-me tudo algo aleatório). Outras opções são sempre alteráveis, como é o caso do posicionamento do radar do jogo ou a duração de cada parte. A estratégia pode também ser alterada a qualquer altura nas partidas ao pressionar os botões 1 e 2 em simultâneo.

Tudo isto é muito bonito para um jogo de 8bit, mas a jogabilidade desnecessariamente complicada mata tudo. Isso e o facto de existirem aqui mais uns erros crassos. Não há qualquer informação no ecrã do tempo de cada partida nem do seu resultado, ocasionalmente lá aparece um balão de fala do árbitro que vai indicando o tempo (real) que falta para terminar a parte respectiva e ainda mais ocasionalmente o resultado. Custava assim tanto colocar essa informação no ecrã? Depois não há qualquer música durante as partidas, nada de ruídos de fundo, nem sequer quando se marca um golo. Tudo o que ouvimos são os apitos do árbitro e os ressaltos da bola no chão, que soam a tudo menos ao que deveriam. As únicas vezes que temos música é durante a intro do jogo e quando vencermos o torneio. Depois há aqui uns bugs bastante ridículos, como faltas completamente estúpidas ou pior ainda, se marcarmos um auto golo, o golo conta a nosso favor. Sim, é verdade.

As indicações do árbitro são dadas pela forma destes balões de diálogo
As indicações do árbitro são dadas pela forma destes balões de diálogo

Para mim é o pior jogo de futebol que já joguei na Master System. Pior ainda que o World Soccer, que por si já é um jogo extremamente simples, no entanto tem uma jogabilidade muito melhor que este. Mas o que é mais incrível é que para além de ter recebido óptimas notas, tanto nas revistas oficiais da Sega como nas outras, ainda hoje vejo aqui e ali algumas boas críticas independentes ao jogo, onde se queixam um pouco da jogabilidade mas que acaba por ser uma questão de hábito. Não sei onde esta gente tem a cabeça ou então sou eu que estou muito errado…

Pac-Mania (Sega Master System)

PacMania-SMS-EU-mediumDe volta para a Sega Master System para mais uma “rapidinha”. Antes de Donkey Kong ter feito furor nas arcades por todo o mundo fora, foram jogos como Space Invaders ou Pac-Man que tiveram um sucesso tremendo, com conversões para practicamente todos os sistemas de videojogos da altura. Pac-Man, com a sua personagem bastante peculiar foi o primeiro videojogo a utilizar o conceito de mascote, com o semicírculo amarelo a figurar no mais variado merchandising. O sucesso de Pac-Man fez surgir imensos clones e sequelas, uns tentando fazer algo completamente diferente (como Pac-Land), outros simplesmente evoluíram a jogabilidade do original, onde este Pac-Mania se enquadra. A minha cópia do jogo entrou na minha colecção há algum tempo atrás, não sei precisar quando, tendo sida comprada num excelente bundle que me ficou baratíssimo no já saudoso miau.pt.

Pac-Mania - Sega Master System
Jogo com caixa

A grande diferença entre Pac-Mania e o original está mesmo na perspectiva do jogo que passou a ser quase isométrica, dando assim a impressão que o jogo é em 3D. Para além disso, o Pac-Man tem agora a habilidade de poder saltar sobre os fantasmas, mais uma manobra evasiva ao nosso dispor. De resto o objectivo é o mesmo do jogo clássico: comer todas as bolinhas amarelas espalhadas pelo nível, fugindo ao mesmo tempo de uma série de fantasmas que nos perseguem ao longo dos corredores labirínticos. Há fantasmas mais rápidos que outros e inclusivamente existem uns novos que saltam ao mesmo tempo que nós, sendo assim bem mais difíceis de evadir do que os restantes. Também tal como no clássico existem umas bolas amarelas maiores que ao comê-las dão-nos invencibilidade temporária, onde nos poderemos vingar dos fantasmas que nos perseguem e engoli-los também. As frutinhas que aparecem temporariamente também existem neste jogo e com uma maior variedade, atribuindo-nos mais pontos de bónus se as conseguirmos comer. No entanto uma outra novidade está na inclusão de mais dois power-ups temporários: um torna-nos mais rápidos, o outro duplica a pontuação obtida.

screenshot
Desta vez podemos enganar os inimigos ao saltar por cima deles

Pac-Mania é um jogo colorido e bem detalhado. Os níveis estão bem representados, com um efeito 3D convincente. No entanto, com esta nova perspectiva deixamos de ter vista completa para todo o nível, tornando as coisas um pouco mais confusas, mas é algo que faz parte. Existem 4 diferentes variedades de níveis, um conjunto de labirintos feitos por blocos de plástico semelhantes a Legos, outros representações em 3D das arenas do jogo clássico (Pac-Man Park), uma outra num mundo de areia em que as paredes são pirâmides, e por fim temos os Jungly Steps, onde os labirintos não têm paredes, estão divididos por abismos e os fantasmas andam mais rápido que nunca. A versão Master System dispõe ainda de um nível secreto composto apenas por moedas. Os efeitos sonoros são bastante simples, tais como os do jogo original. As músicas também são OK, mas nada que fique propriamente na memória.

screenshot
Gostei do design destes níveis em particular.

Em suma Pac-Mania é uma boa conversão da arcade, certamente muito melhor que as conversões que chegaram aos computadores 8bit no mercado. É um jogo simples, mas continua viciante e as coisinhas novas que acrescentaram dão um bom tom ao jogo. Existe também uma versão para a Mega Drive e Amiga que naturalmente são tecnicamente superiores, mas para o jogo que é, a Master System dá bem conta do recado.