Sonic the Hedgehog 2 (Sega Master System)

Sonic_the_Hedgehog_2_(8-bit)Tempo agora de voltar ao ouriço azul mais rápido do bairro, em mais uma incursão 8-bit. À semelhança da sua prequela que já foi analisada neste espaço, Sonic 2 para Master System e Game Gear não foi desenvolvido por um estúdio da Sega, mas sim por um estúdio independente, cujo resultado final é completamente diferente da versão Mega Drive. Embora não tenha a certeza, penso que o estúdio responsável terá sido a companhia Aspect, responsável pelo desenvolvimento de outros jogos como Sonic Chaos e Sonic Triple Trouble, também para consolas 8bit da Sega. Ao contrário de Sonic 1, esta versão acabou por ter saído antes do irmão mais velho da Mega Drive, tendo este sido desenvolvido em parceria com a Sonic Team e o estúdio americano Sega Technical Institute. A minha cópia foi comprada no Jumbo da Maia algures em 1996/1997, tendo sido o segundo jogo a ficar em minhas mãos.

Sonic 2 SMS
A minha cópia do jogo - caixa e cartucho
Sonic 2 sms manuals
Manuais em português, multilingue e restante papelada

Tendo saído mais cedo que a versão 16bit, este Sonic 2 acabou por se tornar o primeiro jogo com a presença de Miles “Tails” Prower, a agradável raposa de 2 caudas. Infelizmente, ao contrário do jogo da Mega Drive, não conseguimos jogar com Tails, pois aqui a pobre raposa faz o papel da Princess Peach, sendo raptado por Robotnik e cabe ao Sonic resgatá-lo. Fora isso, Sonic 2 melhora imenso o primeiro jogo da série (que também não era nada mau). Os gráficos estão melhores, a acção é mais frenética e os níveis estão mais bem construídos. O que melhorou ao certo então? Face ao original, a versão 8bit está tecnicamente mais avançada na medida em que se podem destruir algumas paredes, a introdução de loopings, algo que sempre me tinha fascinado nas versões Mega Drive e a possibilidade de recuperar os anéis perdidos. Infelizmente o Spin Dash ficou de fora, mas tendo em conta que esse movimento foi introduzido mais tarde na Mega Drive, , até que é aceitável. De moeda de troca ganhamos a habilidade de “conduzir” alguns veículos, desde “mine carts“, asas delta e bolhas de ar, algo inédito comparativamente às versões 16bit.

As esmeraldas têm um papel importantíssimo neste jogo, sendo que apenas possuíndo as 6 esmeraldas se pode aceder à ultima zona, derrotar o verdadeiro boss final e obter o final feliz. À semelhança do jogo anterior, as esmeraldas encontram-se espalhadas nos vários níveis, e somos obrigados a explorar bem os níveis para as conseguir encontrar. Falando em níveis, este jogo contém 7 zonas, cada uma composta por 3 actos, sendo que no 3º acto temos sempre um boss. Curiosamente, Robotnik apenas aparece no último nível. Passo então a apresentar as zonas:

Underground Zone passa-se numa zona vulcânica, onde percorremos túneis recheados de lava em carrinhos sobre carris, vários saltos perigosos, etc. Acho que é uma boa introdução para o jogo. Em seguida permanecemos num local montanhoso, mas desta vez bem perto do céu. Em Sky High Zone somos introduzidos a pilotar uma asa delta, percorrer pontes não muito seguras e andar sobre nuvens. Infelizmente esta zona tem um pouco de trial and error, principalmente quando queremos apanhar a segunda esmeralda. São poucas as nuvens que sejam solo seguro e não há maneira nenhuma de as distinguir de nuvens normais. Ainda hoje não decorei o caminho legítimo para apanhar a segunda esmeralda. Sempre abusei de um glitch em que ao saltar para a asa delta inicial, esta levava-me logo para o topo do ecrã e limitava-me a passear até ver a esmeralda debaixo de mim…

Underground Zone
Underground Zone

Aqua Lake Zone, a típica zona aquática dos jogos do Sonic. No primeiro acto somos finalmente introduzidos a um looping, e à habilidade de Sonic correr sob a àgua, se estiver em alta velocidade. Esta zona também tem alguma exploração subaquática, principalmente o 2º acto, que é um autêntico labirinto subaquático. Aqui também temos a possibilidade de entrar numa bolha de água e controlá-la, de modo a guiar o Sonic enquanto sobe alguns desfiladeiros e evita os perigos. Green Hills Zone regressa aqui, embora sem o charme da original. Vários loopings e saltos de execução precisa esperam-nos aqui.

Segue-se Gimmick Mountain Zone, uma zona industrial, onde as coisas começam a aquecer. Aqui Sonic tem de evitar vários espinhos espalhados pelos níveis, enquanto percorre passadeiras rolantes, plataformas rotativas tanto verticais como horizontais, entre outros. Em Scrambled Egg Zone, o level design começa a ficar algo demoníaco. Os níveis são enormes, e encontram-se vários tubos por onde Sonic tem de passar (tipo os que se vê em Super Mario Bros, mas muito “piores”). Os tubos possuem percursos com muitos zig-zags e existem múltiplos caminhos que devemos ter em conta. Ao passar entre encruzilhadas temos de estar atentos e carregar na direcção em que queremos que Sonic percorra, caso contrário arriscamos a voltar a um ponto bem anterior do nível. Ah, e escusam de perder montes de tempo à procura da esmeralda aqui, posso já poupar-vos o trabalho e informar que a mesma só é adquirida ao derrotar o boss desta zona no acto 3. Este boss é o Silver Sonic, um Sonic robótico que também aparece no jogo da Mega Drive. Esta é uma zona crítica. Se já possuirmos as 5 esmeraldas, Silver Sonic após ser derrotado nos deixa com a 6a esmeralda e podemos prosseguir com o jogo. Caso contrário, o jogo termina aqui com o “bad ending“.

Silver Sonic
O encontro com Silver Sonic

Finalmente, chegamos à ultima zona. E se Scrambled Egg foi um autêntico inferno, então esta zona final deve ser muito pior, não? Por acaso… não é. Em Crystal Egg Zone, os níveis decorrem num mundo feito de cristal. Os níveis são um pouco longos, e apesar de existir uma ou outra parte que requiram alguns saltos com alguma precisão, esta zona tem muito poucos inimigos, pelo que se passa bem. Mas quando chegarmos ao boss final, Dr. Robotnik, vemos que Crystal Egg Zone foi na verdade “a calma antes da tempestade”. O boss final requer bastante prática para se derrotar. Apesar de haver uma safe zone, o timing que temos para acertar no Robotnik e voltar para a safe zone é um pouco complicado de se habituar. Pelo menos foi o que eu achei quando tinha 10 anos.

Boss final
Boss final, preparem-se para ver este ecrã várias vezes

Concluindo, acho que Sonic 2 é um dos melhores jogos de plataformas existentes para uma consola de 8bits, tendo melhorado em todos os campos face ao original. A versão PAL da Master System é possivelmente um dos jogos mais fáceis de se encontrar para a plataforma, pelo que não faria mal nenhum em fazer parte da vossa colecção.

Sonic the Hedgehog (Sega Master System)

Sonic 1 capa
Sonic the Hedgehog (capa Sega Master System)

Na primeira crítica deste blog, apresentei a minha primeira consola, a Sega Master System III Compact. Esta consola traz um jogo embutido na consola, o Sonic the Hedgehog, tendo sido este o meu primeiro jogo. No ano passado comprei no miau.pt uma cópia física deste jogo, infelizmente não veio com o manual, mas complementei com o manual que vinha com o Sonic da consola.

Enquanto a Sonic Team se preparava para lançar para a Mega Drive aquele que provavelmente é o jogo mais importante da sua carreira, a Sega relegou para o estúdio independente Ancient Corp. a versão 8-bit do Sonic the Hedgehog. A Ancient é uma companhia liderada por Yuzo Koshiro, uma personalidade bem conhecida na indústria devido aos milagres que fez com o chip de som da Mega Drive (vão ouvir as músicas dos Streets of Rage).

A versão 8-bit saiu também em 1991, uns meses depois do seu “primo” de 16Bit, para as consolas Sega Master System e Game Gear. A versão Game Gear saiu em todos os mercados, enquanto que a Master System, por já estar nas horas da morte em quase todo o lado excepto na Europa e Brasil, saiu para esses 2 mercados e também para os Estados Unidos, onde foi o último jogo da Master System lançado oficialmente por lá. O Japão ficou de fora. As versões Master System e Game Gear são idênticas, diferindo apenas na resolução bem como alguns pequenos detalhes.

A nível de performance, a Master System é nitidamente uma geração atrás da Mega Drive, o jogo é bem mais simples e lento. Ainda assim, é um dos melhores jogos da consola. Fica a faltar os loops e o design de níveis mais “insano” que a versão 16bit é conhecida, mas isso foi corrigido no Sonic 2. Este jogo é constituído por 6 zonas, algumas delas também presentes na versão Mega Drive. Cada zona tem 3 actos, 2 de exploração e um de boss.

Green Hills zone, é a primeira zona em ambas as versões, famosa pela sua flora verdejante e rocha quadriculada (não é por acaso que escolhi este nome para o blogue…). Segue-se a Bridge Zone, uma zona ligeiramente semelhante à Green Hills onde se sobe um rio ao longo de uma série de pontes. Entra-se de seguida na Jungle Zone, que como o nome indica é uma zona passada na selva. É uma das zonas mais elaboradas do jogo, principalmente o 2º acto, onde se tem de subir uma enorme cascata.

Em seguida mais uma zona igualmente presente na Mega Drive. A Labyrinth Zone, uma área inteiramente subaquática passada nas ruínas de um templo qualquer. Quem já não disse montes de vezes “f0d@-se, fiquei sem ar!”? E eis que se chega à “civilização”, com uma zona altamente industrializada chamada “Scrap Brain”. Mais uma zona igualmente presente na Mega Drive, onde teremos de escapar a vários perigos “tecnológicos”. A zona final é a Sky Base Zone. Mais uma zona inédita na versão 8-bit, é uma espécie de “aeródromo”, onde está localizado um Zeppelin do Dr. Ivo Robotnik. É sem dúvida a zona mais complicada do jogo. No primeiro acto temos de ter cuidado com uma série de cabos electrificados que dão choque a cada intervalo de tempo, tendo em conta que muitas vezes tem de se deslocar em plataformas móveis sobre as quais não temos nenhum controlo, é normal perder algumas vidas aí. No 2º acto já não há toda essa “trovoada”, mas é um acto sem qualquer “ring”, o que quer dizer que cada erro é fatal. O boss final deu-me algum trabalho em derrotá-lo nas primeiras vezes, mas depois de se lhe apanhar o jeito é simples.

Os níveis seguem uma progressão lógica, consegue-se perceber bem a transição das diferentes zonas, onde um riacho em Bridge Zone se transforma num enorme rio em Jungle Zone e num templo aquático em Labyrinth Zone. À semelhança da versão Mega Drive o jogo dá a sensação de se passar todo ao longo de um dia, onde em Green Hills Zone é de manhã e vai entardecer progressivamente até chegar à Sky Base Zone, onde é “escuro como o breu”.

Ao contrário das versões 16bit, em quase todas as versões 8bit dos jogos de plataforma do Sonic (e neste não é excepção), as esmeraldas fazem algum sentido ao serem coleccionadas. Aqui, as esmeraldas não fazem parte de níveis de bónus, elas estão espalhadas pelos níveis e têm de ser encontradas (1 por zona). Mas isso não quer dizer que não existem níveis de bónus neste jogo, existem sim e são uns níveis bastante coloridos repletos de molas e outros obstáculos semelhantes às máquinas de “pinball”. Estes níveis servem para adquirir montes de anéis, vidas e continues.

Durante vários meses foi o único jogo que eu tive e já lhe perdi a conta das vezes que o acabei. Uma curiosidade é que o final do jogo nas suas versões cartucho e embutido na consola é ligeiramente diferente. Na versão cartucho, após a pontuação é mostrado este ecrã onde aparece uma imagem do Sonic a cantar. Ora, eu na minha inocência de criança, após terem-me dito que aparecia esse ecrã final cheguei a estar cerca de meia hora a olhar para o ecrã da pontuação a ver se isso acontecia…

Sonic 1 Credits
Ecrã final dos créditos

Concluindo, para quem gosta dos Sonic clássicos, as versões 8bit geralmente também são bastante boas e esta não é excepção. Peca apenas por uma jogabilidade mais lenta e com menos manobras “mirabolantes” que se encontram presentes noutras iterações da série, como Sonic 2 e Sonic Chaos. As músicas são muito boas (Yuzo Koshiro style). Este jogo encontra-se também disponível na Virtual Console da Nintendo Wii, e, na versão Game Gear, nalgumas compilações como Sonic Mega Collection Plus para Xbox e PS2, ou no Sonic Adventure DX para Gamecube.