Tempo (Sega 32X)

É altura de voltar à Sega 32X para explorar um dos videojogos que sempre achei mais interessantes da sua curta biblioteca. Apesar de já cá ter trazido no passado o Tempo Jr.., uma conversão deste mesmo jogo para a modesta Sega Game Gear, esta pequena série teve as suas origens na 32X, mas infelizmente este jogo nunca chegou ao território europeu. No mês passado decidi finalmente comprar um exemplar para a colecção e a melhor oportunidade que me surgiu foi na Vinted, em solo europeu, o que ajudou a minimizar portes de envio e taxas alfandegárias. Confesso que estive indeciso entre comprar a versão japonesa ou norte-americana e acabei por optar pela versão ocidental pela comodidade da língua inglesa. No entanto, essa versão é consideravelmente mais cara, pelo que acabei por escolher este exemplar que, apesar de completo, tem imenso sunfade na sua caixa de cartão. Em retrospectiva devia antes ter comprado a versão japonesa: teria custado o mesmo, estava num estado muito melhor, a arte da sua capa é francamente superior e o jogo possui muito pouco texto de qualquer das formas.

Jogo com caixa e manual

Apesar de todos os jogos desta série terem sido publicados pela Sega, foram no entanto desenvolvidos pela Red Company, estúdio nipónico que não era propriamente estranho ao conceito de jogos de plataforma em 2D. Isto porque foram os criadores da série Bonk / PC-Genjin, na TurbografX-16 / PC Engine, algo que de certa forma até se reflecte em certos aspectos da jogabilidade. O conceito deste Tempo leva-nos a controlar um jovem gafanhoto de mesmo nome que, em conjunto com a sua companheira Katy, uma borboleta, concorre ao concurso de dança Major Minor. No entanto, o vilão King Dirge almeja o troféu para si mesmo, pelo que envia todos os seus lacaios para nos dificultar a vida.

Visualmente o jogo é muito bonito, colorido e bem detalhado!

Esperam-nos portanto toda uma série de níveis de plataforma em 2D, com visuais muito bem detalhados, sprites bem animadas e muita coisa a acontecer em plano de fundo. No que toca aos controlos, o direccional move o Tempo e, se pressionarmos duas vezes seguidas na mesma direcção, começamos a correr. O botão A ataca com um pontapé e, se pressionado depois de correr, faz com que Tempo deslize pelo chão, causando dano a todos os inimigos em que toca, pelo menos enquanto o slide durar. O botão B salta, sendo que saltar em cima dos inimigos também lhes causa dano, e o C faz com que disparemos notas musicais, paralisando temporariamente os inimigos, ou até destruindo alguns pequenos objectos. É também possível saltar entre paredes ao pressionar o botão A imediatamente antes de colidirmos com uma delas, assim como planar ligeiramente ao manter o botão de salto pressionado.

Quaisquer semelhanças com os Bonk/PC Genjin não são mera coincidência. O criador é o mesmo!

Para além de inúmeros power-ups distintos que podemos apanhar, os mais importantes são os ícones com as palavras DANCE ou KATY. No primeiro caso, a acção pára, Tempo começa a dançar e surge uma câmara televisiva no fundo do ecrã a filmar. No fim da música, todos os inimigos presentes no ecrã, que também dançavam ao som da música, são destruídos. Em seguida surge um casulo no ecrã e desse casulo sai Katy, a companheira de dança de Tempo, que nos vai acompanhando ao longo do restante nível, pelo menos enquanto tivermos uma barra de vida suficientemente preenchida. Os ícones KATY apenas podem ser activados quando tivermos a Katy connosco e basicamente servem para que ela consiga destruir certas paredes e desbloquear o progresso. Katy pode também assistir-nos ao atacar certos inimigos, bastando que os atordoemos antes com o ataque que nos permite disparar notas musicais.

Entrar no interior de um animal num jogo de plataformas 2D? Onde já vi isto…

O meu maior problema com o jogo é mesmo a natureza mais labiríntica dos níveis. Apesar de existirem certas setas que nos vão indicando o caminho a seguir, podemos e devemos também explorar os restantes recantos do nível em busca de power-ups que nos possam dar mais pontos, aumentar a barra de vida ou melhorar o nosso ataque de longo alcance, passando a disparar duas, três ou um máximo de quatro notas musicais em simultâneo, em direcções diferentes. Coleccionar moedas de ouro, largadas por certos inimigos, é também importante, visto que entre níveis podemos visitar uma área reservada a desafios de bónus. Estes consistem num conjunto de três mini-jogos rítmicos, onde teremos de pressionar o botão A no tempo certo para continuar a jogar. Comer fatias de pizza enquanto não somos observados, fazer poses enquanto surfamos ou partir rochas ou troncos gigantes no tempo certo são os mini-jogos aqui envolvidos.

Os primeiros níveis podem ser jogados pela ordem que bem entendermos

Visualmente é um jogo bastante apelativo. Os níveis são bastante diversificados entre si, levando-nos a atravessar cidades, florestas, o interior de uma aparelhagem de som ou até o interior de uma enorme criatura, algo que já é um clássico nos jogos de plataforma da Red Company. As sprites são muito bem detalhadas e animadas, e os níveis bastante coloridos e repletos de animações em plano de fundo. Ainda assim, estas últimas por vezes até são intensas demais e podem atrapalhar um pouco a nossa navegação pelo nível. Alguns dos bosses, neste caso os do primeiro conjunto de níveis, são sprites gigantes pré-renderizadas a partir de modelos 3D, que acabam por ficar bastante bem conseguidas no resultado final. Em relação aos efeitos sonoros, nada de especial a apontar, pois cumprem bem o seu papel. Já a banda sonora é bastante bem conseguida, estando repleta de músicas enérgicas, com bom ritmo e melodias que ficam no ouvido. O jogo tem também a particularidade de começar com um rap repleto de vozes digitalizadas, o que também demonstra as melhores capacidades de som introduzidas pela 32X. Não que o rap em si seja particularmente agradável, mas vale pela parte técnica.

Portanto devo dizer que este Tempo para a 32X foi um jogo que me agradou, apesar de nem sempre ter apreciado o design mais labiríntico dos níveis. Visualmente é um jogo incrível e mostra realmente as capacidades para visuais 2D de alta qualidade que a 32X seria capaz de oferecer. Cá na Europa apenas recebemos o Tempo Jr. para a Game Gear, uma versão impressionante para um sistema de 8-bit, mas muito mais modesta quando comparada com a versão original. Os nossos amigos japoneses tiveram mais sorte, pois em 1998 receberam, exclusivamente no seu território, o Super Tempo para a Sega Saturn. Esse tem um aspecto ainda mais incrível, pena que custe bem mais à nossa carteira. Talvez um dia venha cá parar.

Galaxy Fraulein Yuna 2 (PC Engine CD)

Há já bastante tempo que não trazia cá nada da PC Engine CD, pelo que foi agora tempo de jogar o Galaxy Fraulein Yuna 2, uma visual novel com algumas ocasionais batalhas dignas de um RPG por turnos. É a sequela do primeiro Galaxy Fraulein Yuna que cá trouxe no ano passado e tal como o seu predecessor, foi um jogo criado pela Red Company/Entertainment (Bonks, Sakura Wars) e publicado pela Hudson. E se o primeiro jogo era impressionante por todo o detalhe que tinha, este consegue ser ainda mais, tendo sido também um lançamento algo tardio da PC Engine, de 1995 para ser exacto. O meu exemplar foi comprado há algum tempo na vinted por cerca de 15€ se a memória não me falha.

Jogo com caixa, manual embutido com a capa e papelada diversa

Ora tal como o seu predecessor este é um título exclusivo do mercado japonês, porém o mesmo grupo de fãs que traduziu a sequela acabou por fazer o mesmo aqui e uma vez mais foi um trabalho de luxo, pois o jogo está repleto de cut-scenes narradas em japonês e sem quaisquer legendas, pelo que tiveram também de injectar texto nas mesmas! A narrativa continua no entanto a ser bastante ligeira. Pensem numa espécie de Sailor Moon, onde a protagonista é a jovem Yuna que acaba por se ver envolvida numa trapalhada e terá de impedir o vinda de uma poderosa vilã que irá destruir o planeta Terra. É uma história muito simples, directa e com algum bom humor, mas notoriamente voltada para um público adolescente.

Esta é uma tradução feita por fãs, de altíssima qualidade e repleta de atenção ao detalhe!

A nível de mecânicas de jogo esta é uma visual novel onde ocasionalmente teremos de escolher que acção queremos fazer a seguir, como observar algo à nossa volta, falar com alguém ou interagir com alguma coisa. No entanto é extremamente linear pois na grande maioria das vezes apenas temos uma acção disponível para desencadear. Pelo meio da narrativa vamos tendo algumas batalhas que são uma vez mais influenciadas pelos RPGs clássicos de batalhas por turnos. As acções que podemos fazer são dadas por um sistema de cartas, sendo que cada figura representa uma acção específica, como atacar, defender (e posteriormente contra-atacar), insultar a adversária (o que faz com que os seus próximos ataques não sejam tão fortes), regenerar vida, ou pedir ajuda a alguma amiga que toma temporariamente o lugar de Yuna na batalha, enquanto esta descansa e recupera alguns pontos de vida em background. As primeiras batalhas vão ser bastante simples, já as seguintes começam a ser gradualmente mais frustrantes, devido à natureza aleatória das cartas que nos saem. No entanto, usar essas habilidades especiais de insultar, defender, curar ou chamar alguém para nos ajudar terão de ser usadas frequentemente para termos sucesso! De resto o jogo possui também alguns mini-jogos em certos pontos da história, bem como vários segmentos onde temos de percorrer labirintos na primeira pessoa, embora com um scrolling longe de ser tão bom quanto o do Phantasy Star.

A história é simples e nitidamente orientada para adolescentes, mas ao menos tem algum bom humor e visualmente está muito bem conseguida

A nível audiovisual este é um jogo excelente e que uma vez mais tira todo o partido das capacidades adicionais oferecidas pela tecnologia Super CD-ROM², que adiciona alguma RAM adicional à PC-Engine. Temos então várias cut-scenes animadas como se fosse um anime (embora nada de full motion video como na Mega CD), tudo muito colorido e bem detalhado, mesmo durante a narrativa normal. Todos os diálogos, e sublinho mesmo todos, são narrados em japonês e a narração parece estar bastante competente, sendo que não entendo quase nada de japonês. No entanto visto que o CD de jogo está carregado de audio de voz, a grande maioria das músicas não são de qualidade CD-Audio (a excepção vai para os temas de abertura e fim do jogo), pelo que a restante banda sonora é toda ela em chiptune, o que não são necessariamente más notícias, visto que a PC-Engine sempre teve um chip de som competente para a sua idade. Tal como o jogo em si, a banda sonora está repleta de músicas agradáveis e com uma sonoridade algo ligeira.

O problema é mesmo as batalhas que dado à natureza aleatória das acções que podemos desencadear poderão se tornar frustrantes a partir da segunda metade do jogo.

Portanto, apesar de muito simples tanto nas acções que temos para fazer como na própria narrativa, este Galaxy Fraulein Yuna é um jogo (90% visual novel) visualmente bastante apelativo para o sistema em que foi lançado e algo agradável de se jogar, pecando principalmente pela aleatoriedade dos combates, que nos poderá trazer algumas frustrações em batalhas mais adiantadas na história. De resto a série Yuna continuou com alguns lançamentos depois deste de 1995. O sistema (fracassado) sucessor da PC-Engine (PC-FX) recebeu um spin-off que creio que não possui ainda nenhum patch de tradução feito por fãs e a Sega Saturn recebeu mais tarde um remake do primeiro jogo, também sem tradução. A mesma consola da Sega recebe também o Galaxy Fraulein Yuna 3, cujo é relançado pouco tempo depois na Playstation com algum conteúdo adicional. Essa versão foi também traduzida pela mesma equipa, pelo que é um jogo que ficou definitivamente no meu radar!

Winds of Thunder (PC Engine CD)

Vamos voltar à PC Engine CD para um dos imensos shmups que fazem parte da biblioteca destes ecossistema da NEC/Hudson, embora este seja possivelmente um dos melhores. É uma espécie de sequela do Gate of Thunder, pois ambos foram desenvolvidos pela mesma equipa da Red e são ambos shmups horizontais. É também conhecido por Lords of Thunder, nome do seu lançamento ocidental da Turbo CD e também na Mega CD, embora essa versão seja um pouco diferente. O meu exemplar foi comprado a um particular na vinted algures no passado mês de Dezembro. Não é um jogo barato infelizmente, mas como tinha lá algum saldo disponível na plataforma, o rombo nas finanças não foi grande.

Jogo com caixa e manual embutido com a capa

Ao contrário do Gate of Thunder que tinha uma temática de ficção científica, aqui somos transportados para um mundo fantasioso, onde controlamos Landis, um guerreiro super poderoso que pretende travar o regresso de Zaggart, uma criatura demoníaca que outrora havia conquistado aquele mundo. Na verdade a história não interssa muito neste tipo de jogos, o que não podia ser mais verdade no caso deste Winds/Lords of Thunder, mal começamos a jogar!

Ao contrário do seu predecessor, este título segue uma temática de fantasia que sinceramente acaba por resultar muito bem

A nível de controlos as coisas não poderiam ser mais simples com um dos botões faciais a ser usado para disparar a nossa arma primária e o outro para usar as bombas capazes de causar dano em vários inimigos em simultâneo. E a primeira coisa que reparamos é que antes de começar o jogo podemos escolher não só o nível onde queremos começar, mas também que armadura queremos equipar. Pois sim, podemos jogar os 6 níveis iniciais pela ordem pela qual bem entendermos, com o último nível a ser desbloqueados apenas quando terminarmos todos os restantes. As armaduras vêm nos sabores dos quatro elementos (Água, Fogo, Ar e Terra) onde mediante a nossa escolha os padrões de disparo e as bombas são completamente diferentes. Para além disto, Landis está também munido de uma poderosa espada, que é usada automaticamente quando atacamos muito próximo de algum inimigo. A espada é sem dúvida bem mais poderosa que as nossas armas, mas para a usar temos de nos colocar em risco devido ao seu curto alcance.

O jogo é completamente não linear, deixando-nos jogar os níveis pela ordem que bem entendermos, excepto o último que apenas fica disponível assim que completarmos todos os outros.

Como é normal neste tipo de jogos, à medida que vamos jogando podemos também apanhar toda uma série de power ups ao destruir inimigos. Os mais comuns são cristais coloridos que servem de unidade monetária. Isto porque antes de começar cada nível, para além de escolher a armadura a equipar, somos também levados para uma loja onde poderemos utilizar esses créditos para comprar itens adicionais desde escudos que nos protejam de dano, bombas extra, continues ou regenerar as nossas barras de vida e “poder”. Se bem que estes últimos são também itens que podem surgir normalmente durante o jogo e convém também referir que quanto maior a nossa barra de poder, mais poderosos serão os nossos ataques! Isto torna as armaduras de água e fogo especialmente poderosas, na minha opinião. Por exemplo, a de água é a única que nos permite disparar em simultâneo para a esquerda e direita!

Antes de cada nível podemos também comprar uma série de power ups, pelo que ir matando inimigos e apanhar os cristais coloridos que largam é importante!

Já no que diz respeito aos audiovisuais, este é um jogo excelente. Os cenários são bastante diversificados entre si, atravessando florestas, cavernas, zonas repletas de gelo, castelos, etc. E mesmo durante cada nível há sempre coisas interessantes a acontecer, sejam os cenários a mudar, seja algum obstáculo ou inimigo algo surpreendente a surgir do nada. E graficamente é também um óptimo jogo, com os níveis muito bem detalhados, repletos de bonitos efeitos gráficos como parallax scrolling e claro, bosses gigantes e com um design artístico fantástico. A acompanhar toda esta acção está uma das melhores bandas sonoras de sempre. Sim, são guitarradas de heavy metal, com riffs e solos bem orelhudos! Se conhecem as bandas sonoras da série Guilty Gear esperem pelo mesmo estilo e nível de qualidade neste jogo! E claro, sendo este um jogo em CD, as músicas são todas em CD Audio. Para além disso ocasionalmente temos algumas cut-scenes muito bem detalhadas e animadas, sob a pena de a versão ocidental deste jogo ter cortado os seus diálogos.

O que dizer do design dos bosses? São excelentes!

Portanto este Winds/Lords of Thunder é um excelente shmup na biblioteca da PC Engine. A sua acção frenética, aliada a uma boa jogabilidade, excelentes gráficos e uma banda sonora de bradar aos céus tornam este jogo um grande clássico. Em 1995 acaba por sair uma conversão para a Mega CD que traz algumas diferenças a nível gráfico e de jogabilidade, embora seja também uma óptima versão. A grande diferença da versão Mega CD é a banda sonora ter sido toda regravada e bem mais produzida, soando agora bem mais limpa. As músicas são as mesmas, mas na PC Engine o som é bem mais cru.

Galaxy Fräulein Yuna (PC Engine CD)

Continuando por exclusivos nipónicos, vamos agora voltar à PC Engine CD para um jogo da Hudson e Red que tira todo o partido das capacidades deste sistema, em particular da memória extra que a tecnologia Super CD-ROM² inclui. É que este é uma aventura gráfica / visual novel repleta de vozes, animações e gráficos coloridos e bem detalhados. Para um lançamento de 1992 é impressionante e sim, felizmente existe uma tradução feita por fãs que eu aproveitei. O meu exemplar foi comprado na vinted a um particular algures em Janeiro de 2022, já não me recordo quanto custou ao certo, mas foi barato.

Jogo com caixa e manual embutido com a capa

A história leva-nos a controlar a jovem Yuna Kagurazaka, que havia recentemente vencido um concurso de “beleza galáctica” ou algo do género, tornando-se então bastante popular pelo universo fora. A certa altura Yuna é visitada por Elner, um pequeno robot algo semelhante a uma fada que lhe diz que ela é a salvadora do Universo, que estava prestes a ser invadido pelas forças das trevas. Elner confere-lhe também alguns poderes e uma armadura toda sci-fi, pelo que lá teremos então de salvar o universo. E por salvar o universo entenda-se explorar vários planetas e combater várias outras adolescentes da mesma idade da Yuna que teriam sido corrompidas pelos poderes das trevas.

Esta é uma visual novel / aventura bastante simples na sua história e exploração

O jogo é então, na sua maioria, uma aventura gráfica / visual novel, onde, tal como em títulos como o Snatcher, vamos poder explorar vários locais e interagir com diversas pessoas com base num menu com várias acções que poderemos tomar em cada situação. Tipicamente essas resumem-se a “observar”, “falar” ou “mover”, se bem que em situações específicas vamos tendo outras acções que poderemos tomar. É uma aventura simples onde muitas vezes apenas conseguimos avançar para o ecrã seguinte enquanto não exaustamos todas as opções. Mas para além da exploração vamos tendo toda uma série de combates contra as restantes fraulein. E estes combates são travados como se um RPG por turnos se tratasse, onde poderemos atacar de diversas formas (incluindo através do insulto!) ou defender entre turnos. Tipicamente os nossos ataques causam sempre mais dano que os dos nossos oponentes, portanto creio que seja difícil perder esses combates também.

Para além de todo o texto, vamos tendo algumas batalhas por turnos que mais parecem um anime!

Mas onde o jogo impressiona mesmo é na sua qualidade visual. Isto porque o mesmo está repleto de cutscenes animadas e diálogos com vozes, para além de termos a possibilidade de visitar diversos planetas bastante distintos entre si, o que resulta numa grande variedade de cenários que nos são apresentados. Até tem uma cut-scene de abertura como se um anime se tratasse! As batalhas também são graficamente bem animadas e detalhadas e não posso deixar de dar os meus parabéns à equipa que trabalhou na tradução não oficial deste jogo. Isto porque o jogo possui imensas cut-scenes com voz apenas (sem legendas) e tendo em conta as limitações técnicas da PC Engine, conseguir fazer um hack para adicionar legendas nesses trechos é um feito que não está ao nível de muitos. De resto, nada de especial a apontar às vozes que me parecem bem competentes para um jogo de 1992. A banda sonora é também composta de vários temas agradáveis e, como o jogo tem imensos clipes de voz, a maior parte da banda sonora é composta por músicas chiptune para economizar espaço no CD. A PC Engine tem um bom chip de som, portanto nada se perdeu!

O jogo está repleto de cutscenes muito bem detalhadas e que foram cuidadosamente traduzidas, com legendas adicionadas

Portanto este primeiro Yuna é um título que apesar de ser bastante simples na sua história e mecânicas de jogo, não deixou de ser bastante agradável de se jogar, quanto mais não seja por todos os “luxos” que o mesmo tem na sua apresentação. Apesar deste Yuna ter sido uma propriedade intelectual criada especialmente pensada para videojogos, ainda teve um sucesso considerável no Japão, com várias sequelas e relançamentos a surgirem para diversos sistemas, assim como animes ou CDs de música. O Galaxy Fraulein Yuna foi traduzido para inglês pela mesma equipa e planeio jogá-lo em breve!

Chou-Genjin 2 (Super Nintendo)

Por fim, chegou a hora de analisar aquele que foi o último jogo da série Bonk a sair numa consola doméstica, não contando claro com compilações ou remakes. Depois do sucesso do primeiro Super Bonk, a Hudson e a Red não perderam muito tempo em lançar uma outra sequela, que infelizmente se ficou apenas pelo Japão, visto que foi lançado por lá já em 1995, numa altura em que no ocidente já muito mais foco se dava na próxima geração de consolas. O meu exemplar veio do mesmo particular que me vendeu a sua prequela, tendo sido comprado em conjunto também no passado mês de Setembro.

Jogo com caixa, manual e imensa papelada. Adoro versões japonesas!

E apesar de eu até ter gostado bastante do Super Bonk e ter achado que a transição para a SNES foi a melhor decisão que a Hudson e a Red poderiam ter tomado devido ao Bonk 3 já ter dado alguns sinais de estagnação, esta sequela consegue ser, a meu ver, ainda melhor. Apesar de a jogabilidade base ser idêntica, um botão para saltar, outro para o Bonk dar cabeçadas que são a sua forma normal de atacar ou até para outras acrobacias como saltitar entre paredes, por exemplo, todo o conceito das transformações mudou, particularmente com as transformações que são agora bem distintas. Antes de as detalhar, convém também mencionar que foi também acrescentado um botão para correr, que nos dá a possibilidade de alguma acrobacias extra, como fazer um slide e assim esgueirarmo-nos por túneis estreitos.

O Sonic 3 manda lembranças!

Existem agora diversos nacos de carne de cores distintas que nos permitem fazer diferentes transformações e usar outras habilidades. O naco de carne normal torna o Bonk furioso e agora quando mandamos uma cabeçada no chão depois de saltar lançamos bolas de fogo à nossa frente. De notar que desta vez ao comer um segundo naco de carne igual não nos transforma naquela outra forma ainda mais poderosa. Nacos verdes transformam-nos num bandido com um ataque especial que atira as carinhas sorridentes que vamos coleccionando, servindo estas agora apenas para nos dar vidas extra e para munição para esta transformação em específico. Carne cor-de-rosa transforma o Bonk numa bailarina capaz de duplo salto. Comer um ovo transforma-nos num pássaro e logo aí poderemos voar, enquanto que comer uma pá adiciona-nos uma broca na cabeça, podendo assim quebrar alguns blocos que de outra forma seriam indestrutíveis. Comer uns óculos transformam-nos num lagarto que pode usar a sua língua para atacar e alcançar itens/objectos longínquos e por fim comer um doce torna Bonk minúsculo, onde tal como no jogo anterior poderemos gritar uma palavra que sai da sua boca como letras físicas que poderão ser usadas como plataformas temporárias. A transformação de gigante é aqui então descartada e deixou de ser possível combinar power ups, cada um resulta numa transformação diferente. Existem no entanto outras transformações como uma minhoca caso sejamos esmagados por uma plataforma, ou outras surpresa que apenas acontecem em níveis específicos. Por exemplo, um dos níveis é um cemitério que começa precisamente com Bonk a ser atacado por um raio, a sua alma sai do seu corpo e controlamos Bonk como um zombie. À medida que vamos apanhando itens regenerativos lá eventualmente recuperamos a nossa humanidade. Outro exemplo acontece mais próximo do final do jogo onde somos transformados no vilão, o próprio Krool e ganhamos a possibilidade de cuspir fogo. Pena que dure apenas num único nível!

Algumas das novas transformações são hilariantes, como é o caso do Zombie Bonk, que é acompanhado da sua alma no topo do ecrã

Em relação aos níveis em si, estes estão uma vez mais repletos de segredos para descobrir, com muitas passagens e áreas que são apenas acessíveis se conseguirmos manter algum power up específico (isto porque basta sofrer dano uma vez para voltar ao Bonk normal). Outro conteúdo que poderemos encontrar são as pequenas flores que nos levam a níveis de bónus e aqui temos primeiro de rodar uma roleta que nos irá transformar numa das muitas formas que mencionei acima para um nível específico onde tenhamos de utilizar essas habilidades. O objectivo acaba por pontuar o máximo possível e eventualmente amealhar vidas extra. De resto convém também mencionar que se formos às opções temos também direito a um nível de treino, onde muitas destas mecânicas de jogo nos são apresentadas.

Alguns inimigos possuem designs bastante hilariantes. Como esta criatura com uma pistola naquele sítio…

Já no que diz respeito aos audiovisuais estes são também bastante bons. As sprites são um pouco menores que no jogo anterior mas isso não é necessariamente mau, pois continuam bem coloridas, detalhadas e animadas. E sim, todas estas diferentes transformações estão muito bem conseguidas e o Bonk continua a apresentar bastantes expressões bem cómicas. Os níveis e inimigos apesar de variados, não são tão variados como no jogo anterior, onde até no espaço jogamos. Ainda assim, o jogo apresenta agora uma espécie de mapa mundo à lá Super Mario World, decorrendo inteiramente numa ilha. E tirando um ou outro nível mais fora do normal como westerns, outros, mesmo que sejam mais tecnológicos, continuam a manter aquela pegada mais pré-histórica muito característica. Tipo os desenhos animados dos Flintstones! As músicas continuam bastante agradáveis, tirando bom proveito do chip de som da Super Nintendo e os efeitos sonoros são também bastante competentes.

Agora temos um mapa à lá Super Mario World mas infelizmente não podemos revisitar níveis já terminados

Em suma este é mais um excelente jogo de plataformas e uma bela despedida da série Bonk. Devido ao seu lançamento tardio no Japão, o mesmo acabou por não sair fora desse território, o que é uma pena. Existe no entanto um patch de tradução feito por fãs que traduz parcialmente o jogo, particularmente os seus diálogos, pelo que é o suficiente para entenderem o que se está a passar (o nível de tutorial está também traduzido). Depois desta aventura tivemos um remake do primeiro jogo, lançado apenas no Japão para a PS2 e Gamecube (ainda a ponderar se compro isto ou não), alguns spin offs para telemóveis (uma vez mais exclusivos ao território nipónico) e um novo jogo (Bonk: Brink of Extinction) que acabou por ser cancelado. E ainda bem, pois tinha um aspecto horrível. Agora que não há mais Hudson, talvez a Konami se lembre em um dia produzir algo do mesmo nível de qualidade destes últimos dois jogos.