Battletoads (Nintendo Entertainment System)

BattletoadsSe costumam seguir os vídeos do Angry Videogame Nerd, certamente já terão visto o vídeo em que ele fala do Battletoads, mostrando o quão difícil e frustrante o jogo é. E sim, Battletoads é um desafio colossal à nossa paciência, mas no entanto também o acho de certa forma um jogo cheio de estilo e boas ideias por parte da Rare. E sim, sou sincero, apenas consegui chegar ao fim disto na raça do save state em emulador. Não me crucifiquem! Este jogo foi comprado ha coisa de um ou 2 meses atrás na cash converters de Alfragide por 5€, tendo a caixa.

Battletoads - Nintendo Entertainment System
Jogo com caixa e sleeve de plástico

Enquanto umas certas tartarugas ninja ganhavam popularidade na TV, a Rare decidiu criar os seus próprios bichos mutantes. Em vez de 4 tartarugas, temos 3 sapos bombadões e musculados e em vez de uma ratazana como seu mestre, temos um pássaro qualquer. E enquanto os outros viviam no esgoto, estes battletoads são mercenários intergalácticos! A história neste jogo é simples, a princesa Angelica e o seu companheiro battletoad Pimple foram raptados pela sexy vilã Dark Queen. Caberá então aos outros 2 sapos, Rash e Zitz, percorrer uma série de obstáculos para os salvar, derrotando a Dark Queen pelo caminho.

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Possivelmente o rappel mais perigoso de sempre

Este jogo pode ser dividido em uns 2 ou 3 subgéneros distintos, começando por ser um beat ‘em up à moda de um Double Dragon ou Streets of Rage, passando por níveis em sidescrolling, tanto de plataforma, como de corrida. As coisas começam relativamente simples, com os sapos a serem largados na superfície de um planeta e começarem a distribuir pancada por vários inimigos que lhes atravessam à frente. Esta vertente de beat ‘em up resulta bastante bem, sendo possível fazer alguns combos e com os golpes a serem até um pouco cómicos, bem como também é possível pegar em itens do chão (nomeadamente bastões) e usá-los como arma, para uma maior brutalidade. Depois entra um boss bastante original. Um enorme robô/mecha e a perspectiva passa para os “olhos” do próprio piloto. Aqui vemos a mira a mover-se pelo ecrã e quando se fixa nalgum ponto, vemos os canhões a disparar. Depois apenas temos de pegar numa rocha e atirar de volta para o mecha, repetindo o processo até finalmente vermos o seu vidro a rachar-se. Muito original, na minha opinião!

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O terceiro nível é uma das maiores frustrações de todo o jogo.

Depois, para variar completamente, no nível seguinte estamos presos por um cabo a descer um enorme precipício, onde nos vamos ter de ir balanceando e atacar os inimigos que nos rodeiam, ou evitar outros obstáculos. No terceiro nível já temos um infame percurso de moto, onde vamos correr a alta velocidade por uma bem longa pista de obstáculos, com pequenas paredes, muros e rampas a surgirem cada vez mais rápido. Basta bater em uma para se ir uma das nossas vidas. Felizmente vamos tendo alguns checkpoints mas ainda assim é uma secção bem longa e percebe-se perfeitamente o porquê deste jogo ser considerado tão difícil. Cada nível tem um desafio diferente, com níveis de estrito platforming, outro em que vamos ter de nos agarrar a uma série de cobras gigantes enquanto as mesmas vão atravessando uma enorme sala, outros níveis subaquáticos onde estamos rodeados de rochas com espinhos e como devem de adivinhar, basta embarrar num que lá se vai logo uma vida. Mas repito, cada nível é um caso, e mesmo as outras secções de “corrida” não são iguais entre si.

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O jogo está repleto de expressões cómicas, como esta sempre que enfrentamos um boss portentoso

Graficamente este Battletoads é um jogo excelente, tendo em conta que estamos a jogar num hardware de 1983, 8 anos antes deste jogo ter sido lançado. As sprites são muito bem detalhadas, em especial a dos próprios Battletoads e as suas animações também são bastante cartoonescas e cómicas. Os cenários vão sendo também detalhados, embora não tanto coloridos. Ainda assim, aqui e ali, em especial nesses níveis de “corrida” nota-se um efeito de paralaxe muito interessante, ou mesmo o da torre rotativa está muito bem conseguido para uma NES. Ah, e está repleto de cutscenes com óptimas animações, em especial as de início e fim do jogo. As músicas… bom, tanto tem algumas músicas excelentes como a faixa título, cheia de groove e com uma óptima batida, como outras a meu ver não tão boas. É uma questão de gostos, se calhar.

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Entre os níveis vamos vendo o desenrolar da história com estes diálogos

Em suma, Battletoads pode ter um pouco de má fama devido à sua enorme dificuldade e quanto a isso sinceramente não há como dar a volta, o jogo é bem durinho. Mas tudo o resto é excelente e a Rare para mim está de completos parabéns por ter incluido tanta variedade num só jogo. E as coisas até que são bem feitas, se conseguirmos ver para além do óbvio grau de dificuldade. Acho que merece sem dúvida alguma uma oportunidade. Ou então joguem antes a versão Mega Drive que é igualmente difícil, mas com uns looks 16bit.

Donkey Kong Country (Nintendo Gameboy Color)

Donkey Kong CountryO artigo que escreverei hoje será em formato de “rapidinha”, pois considero este uma conversão algo desnecessária. O Donkey Kong Country original foi um jogo de plataformas de bastante sucesso na SNES, principalmente pelos seus gráficos prérenderizados em modelos 3D, que lhe davam de facto um aspecto muito sofisticado para a altura. Para a velhinha Gameboy começaram também a série Donkey Kong Land, que serviam de follow-up dos originais da SNES para a Gameboy monocromática, embora não fossem de todo conversões. Em 2000 a Nintendo resolve lançar uma conversão a cores do primeiro DKC para a Gameboy Color, mas na minha opinião o resultado não é o melhor e poucos anos depois este mesmo jogo acabou por ser convertido uma vez mais para a Gameboy Advance, desta vez com melhores resultados. E este DKC entrou na minha colecção após ter sido comprado há umas semanas atrás na feira da Vandoma do Porto por 1€.

Donkey Kong Country - Nintendo Gameboy Color
Jogo, apenas cartucho

A história é semelhante ao original da SNES. O stock de bananas da família Kong foi roubado pelo vilão King K. Rool e os seus Kremlings, então Donkey Kong e o seu sobrinho Diddy Kong vão atravessar meio mundo até reaverem todas as bananas e derrotar K. Rool.  A jogabilidade também herda as mecânicas do jogo original, onde poderemos controlar Donkey ou Diddy Kong, podendo alternar entre ambos. Donkey é mais poderoso e consegue derrotar alguns inimigos mais facilmente. Já Diddy o que perde em poder de ataque, ganha na agilidade. De resto este é um puro jogo de plataformas onde temos de chegar ao fim de cada nível, atravessando uma série de obstáculos e inimigos. As bananas são o item coleccionável que nos vai dando novas vidas a cada 100 que coleccionamos, os barris também são um elemento de jogabilidade importante, na medida em que podem servir de arma de arremesso, ou outros barris especiais que servem de checkpoint ou mesmo de canhão, existindo vários momentos em que temos de atravessar desfiladeiros a ser disparados de barril em barril. Outros animais também podem ser “invocados”, como um poderoso rinoceronte, um sapo gigante, um peixe-espada nos níveis subaquáticos, entre outros. A variedade de inimigos é grande, existindo alguns que apenas podem ser derrotados com o uso de barris, ou destes animais. Para além do mais, podemos também desbloquear uma série de níveis de bónus e passagens secretas que nos levam a mini-jogos onde poderemos ganhar mais vidas.

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Todos os malabarismos e extravagâncias do original estão também aqui, mesmo os minecarts.

E enquanto o platforming em si continua bom, é no aspecto audiovisual que esta conversão do DKC perde. O facto de a Gameboy Color ser um sistema 8bit portátil, com um ecrã de baixa resolução e sem retro iluminação não abona nada o facto de quererem converter todos os assets pré-renderizados do original da SNES para este jogo. O resultado na minha opinião foi mau, com um esquema de cores muito abaixo da média, especialmente nos próprios macacos. De resto as adaptações dos níveis vão sendo relativamente fiéis aos originais, existindo por vezes algumas mudanças. Os efeitos sonoros e música são OK e pelo que investiguei foram reciclados dos próprios Donkey Kong Land lançados anteriormente para a GB.

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Infelizmente os gráficos pré-renderizados não se portaram muito bem na GBC

No fim de contas, apesar de continuar a ser um jogo de plataformas convincente, o facto de ter ficado tão feiinho numa Gameboy Color obriga-me mesmo a dizer que esta não é uma conversão que faça justiça ao original. Mesmo a conversão lançada poucos anos depois para a GBA ainda me deixa um pouco a desejar, embora todo o conteúdo adicional já o compense.

WWF Superstars (Nintendo Gameboy)

WWF SuperstarsSiga lá para mais uma rapidinha, desta vez para a lendária portátil monocromática da Nintendo. Como já referi no artigo do Wrestlemania para a SNES, wrestling não é de todo algo que me interesse, este jogo em particular não é nada de especial, e como apenas entrou na minha colecção por oferta de um colega de trabalho, não terei lá assim muito com que escrever.

WWF Superstars - Nintendo Gameboy
Jogo com cartucho

Este é um jogo de 1991 para a velhinha Gameboy. Como muitos jogos desta plataforma nos seus primeiros anos de vida, é bastante simples, tanto a nível gráfico como de conteúdo. Essencialmente temos 2 modos de jogo, o Championship e um multiplayer, com recurso ao cabo próprio para ligar a uma outra Gameboy de um amigo, coisa que eu naturalmente não experimentei, apesar de possuir o dito cabo. Existem apenas 5 lutadores que podemos escolher, entre os quais Randy Savage e Hulk Hogan (os fãs de wrestling que me perdoem, mas são os únicos nomes que me dizem alguma coisa). No modo Championship resta-nos então lutar contra os outro 4 wrestlers e é isso. Game over.

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Entre cada combate temos um diálogo do anunciador e a novela do costume entre os lutadores

Apesar do leque reduzido e de controlos também com apenas 2 botões faciais, existem uma panóplia de diferentes golpes que podemos executar, muitos deles dependendo se o adversário estiver no chão, a levantar-se ou nós estivermos a correr. Podemos vencer cada combate de duas formas, ao lançar o adversário fora do ringue e conseguirmos mantê-lo lá tempo suficiente, ou provocar-lhe dano suficiente, mandá-lo para o chão e impedí-lo que se levante. O típico, portanto. Graficamente o jogo possui as arenas bem detalhadas, já os lutadores nem tanto, algo que o ecrã monocromático da Gameboy também não ajuda. As músicas são OK, a música título até que é bem catchy, mas nos combates acaba por ser algo repetitiva (é sempre a mesma música).

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A arena até que está bem detalhada

No fim de contas, este é daqueles jogos que apenas recomendo a quem for um grande fã de wrestling, e mesmo para esses existem jogos melhores, mesmo na própria gameboy, como o Superstars 2 ou o War Zone.

Starfox Adventures (Nintendo GameCube)

coverInicialmente pensado como Dinosaur Planet, Starfox Adventures é um ponto de viragem na série, bem como demarca a despedida da Rare como 2nd party da Nintendo. A minha cópia foi comprada na Worten do Marco de Canavezes, já não me recordo do ano, talvez 2004? Sei que foi numa altura em que eles estavam a limpar o stock de jogos GameCube, um primo meu vive lá e avisou-me. Meti-me num comboio e trouxe este jogo novo a 10€, juntamente do Super Smash Bros. Melee e do Super Mario Sunshine ao mesmo preço. Pena que não tinha mais dinheiro na altura, ainda deixei lá ficar o Luigi’s Mansion que também me interessava (e até hoje ainda não o comprei).

Starfox Adventures
Jogo, manuais e disco

Starfox Adventures começou o seu ciclo de desenvolvimento ainda na Nintendo 64, com o nome de Dinosaur Planet. A Rare, para além da própria Nintendo, era o estúdio que practicamente mantinha a plataforma viva, e inclusivamente com o lançamento de jogos como Perfect Dark ou Conker’s Bad Fur Day, conseguiram ficar à frente de vendas de consolas bem mais potentes como a Sega Dreamcast. Dinosaur Planet era um jogo de aventura com várias personagens incluindo as raposas Sabre e Krystal (a última veio a fazer parte do jogo). Como Sabre tinha várias parecenças com Fox McCloud da franchise da Nintendo StarFox, a Nintendo começou a pressionar o estúdio britânico para tornar Dinosaur Planet num jogo do universo StarFox. Com esta mudança, e o facto de a Nintendo 64 estar a chegar ao fim do seu ciclo de vida, Dinosaur Planet foi então movido para a GameCube com o nome de Starfox Adventures: Dinosaur Planet. Eventualmente o nome Dinosaur Planet acabou por cair mesmo. Dizem as más línguas que foi o facto de a Nintendo ter metido o bedelho no design do jogo da Rare que os levou a ficarem descontentes com a Nintendo, tendo a Rare acabado por ser comprada pela rival Microsoft. Para os fãs de Nintendo como eu, foi um duro golpe. Na altura estavam anunciados vários outros jogos para a GameCube incluindo Donkey Kong Racing, Perfect Dark Zero e Kameo. Estes 2 últimos acabaram por sair para a XBox 360.

Dinosaur planet
Sabre, em Dinosaur Planet para Nintendo 64

Starfox Adventures como o próprio nome indica é um jogo de aventura. Para quem conhece a série e estava à espera de um shooter 3D, desengana-se. Este jogo é um “clone” de The Legend of Zelda, embora existam alguns níveis intermédios em que conduzimos a Arwing de Fox durante a viagem de um “planeta” para o outro, em que os elementos clássicos da série estão presentes. Fora isso, a mecânica do jogo é semelhante a um “The Legend of Zelda”, como foi referido acima. Fox ganha uma vara mágica para combate corpo-a-corpo, ao invés da espada de Link. O botão A serve para funções principais, seja ataque, como para ataque, o botão B para “largar” algo, e um outro botão para atribuir ao uso de um item. Outra mecânica herdada de Zelda é o “Z-Targeting” embora seja feito automaticamente à medida que nos aproximemos de algum inimigo. Em Starfox Adventures também existem as transições de noite para dia. Existem também uma série de dungeons com bastante exploração, puzzles e um imponente boss final para cada uma.

A história segue mais ou menos isto: Uma raposa azul de nome Krystal segue em rumo ao dinosaur planet (de nome Sauria) para tentar desvendar o mistério do assassinato dos seus pais e destruição do seu planeta nativo. Já quase no seu destino, Krystal é atacada pelo General Scales e seu exército, onde perde a sua vara mágica e mais à frente acaba por ficar aprisionada num templo. Em seguida a acção remete para o Fox McCloud e sua equipa, que recebe uma missão de ir investigar estranhos acontecimentos que estão a acontecer em Sauria, cujo planeta está a desfazer-se todo. Na verdade Fox chega lá e encontra o planeta dividido em vários continentes pelo espaço fora. Fox encontra também a vara mágica de Krystal que passa a ser a sua arma durante o jogo. Várias raças de dinossauros existem em Sauria e logo no início Fox estabelece contacto com a rainha da tribo “EarthWalker” – formada por uma raça de triceratops, que põe Fox ao corrente do que se está a passar e autoriza o seu filho Tricky a participar na aventura. Esta é uma outra mecânica interessante do jogo: Tricky ajuda Fox em várias partes do jogo, seja para pressionar botões para abrir portas, desobstruir caminhos, etc. Fox terá então de derrotar o General Scales que se encontra a aterrorizar todo o planeta, viajar aos outros continentes na busca de 4 “spellstones” para voltar a unir o planeta e, finalmente, salvar Krystal.

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Batalha contra grunts do exército Sharpclaw

Graficamente para um jogo de 2002 da GameCube, pode-se afirmar que é fenomenal. Cores vivas, óptimos efeitos de água, modelos bem detalhados, mas o que realmente impressionou na altura foram as técnicas de “Fur Shading” aplicadas em Fox McCloud, o movimento de Fox e a reação dos seus pelos ao vento e água dava uma maior sensação de realismo. A nível de som, também está um bom trabalho. Inicialmente as personagens de Sauria falam num dialecto local, embora legendado em inglês. Posteriormente passam a falar inglês com o belo do sotaque britânico que eu tanto aprecio.

fur shading
Exemplo de utilização de fur shading no modelo de Fox

A nível de pontos negativos, eu já não jogo este jogo à bastante tempo, mas pelo que me recordo não o achei muito difícil (excepto o último boss), nem muito comprido, pois tem poucas dungeons a explorar. Mas sem dúvida o que afastou muita gente deste jogo foi o facto de o mesmo marcar uma mudança muito grande na jogabilidade da série. Quando falamos de StarFox vem logo à cabeça o combate frenético de StarFox64, ou da sua versão SNES, e isso aqui não acontece. StarFox Adventures é também um daqueles exemplos que eu chamo de “tesão de mijo”, tendo vendido 200 000 unidades na semana inicial no Japão, e pouco depois as vendas baixaram bastante. O meu veredicto final é: se têm uma GameCube ou Wii e gostam de Zelda, então comprem este jogo sem medo, mas joguem-no sem pensar que é um StarFox. Eu gostei bastante deste jogo e é um dos jogos de maior qualidade do catálogo da GameCube, na minha opinião.