Warhammer 40000 Fire Warrior (Sony Playstation 2)

A série Warhammer 40000, que tem as suas origens como um jogo de tabuleiro que mistura conceitos de ficção científica com os de fantasia, já há muito que me interessava nos videojogos, precisamente pelo universo que apresentam. Mas até então poucos eram os jogos dessa saga que não eram de estratégia, pois mesmo o SpaceHulk, apesar de ser um shooter na primeira pessoa, tinha também uma componente táctica. Este Fire Warrior já é um first person shooter mais tradicional e acabou por ser a minha porta de entrada neste universo. O meu exemplar foi comprado por 2€ já há uns anos atrás na feira da Vandoma no Porto, ainda no recinto antigo, nas Fontainhas.

Jogo com caixa, manual e papelada diversa

Neste jogo nós encarnamos num jovem guerreiro da raça Tau, uma raça pacificista que se vê subitamente atacada pelo Império humano, por razões ainda desconhecidas, mas cujo seu líder foi raptado. As nossas primeiras missões são então missões de resgate onde somos levados a resgatá-lo e aos poucos vamo-nos apercebendo dos reais motivos por detrás desse rapto.

As mecânicas de jogo são as típicas de um FPS da época. Vamos ter acesso a um enorme arsenal de diversas armas, sejam mais convencionais realidade como metralhadoras ou shotguns, mas também muitas futuristas, que disparam diferentes tipos de projécteis de energia. Temos também granadas, lança-rockets, sniper rifles, entre outros. No entanto podemos carregar apenas 2 armas de cada vez, e uma delas tem de ser forçosamente uma arma Tau, que se especializam mais em projécteis de energia. A vida é restaurada através de medkits, já a armadura regenera automaticamente ao fim de alguns segundos. Com a armadura em baixo, naturalmente sofremos mais dano caso sejamos atingidos. O jogo está também dividido por diversos níveis/missões cujos possuem diferentes objectivos a cumprir e caso morrermos em plena acção, somos levados para o último checkpoint, pois o save apenas é feito no final de cada nível. O problema é que por vezes os checkpoints são bastante separados entre si e principalmente na recta final os inimigos atacam-nos com tudo e é fácil ficarmos metidos em situações de algum aperto.

Os Tau são seres frágeis, mas tecnicamente avançados, de tal forma que ultrapassam essas limitações

A nossa performance é avaliada no final dos níveis, critérios como o tempo que levamos a terminar o nível, a nossa pontaria, a percentagem de inimigos que derrotamos, ou se concluímos os objectivos secretos de cada nível. À medida em que vamos terminando o jogo nos níveis de dificuldade de Normal para cima, e a nossa performance também vá sendo boa, vamos desbloqueando vários extras como imagens de artwork para uma galeria, as cutscenes ou mesmo alguns cheat codes. De resto, para além do modo campanha, temos também uma vertente multiplayer que suportava combates online. Naturalmente não cheguei a experimentar, mas pelo que apurei os modos de jogo restringiam-se a variantes do deathmatch e capture the flag. Para uma consola como a PS2 não se pediria muito mais, mas tendo em conta que o jogo saiu também para os PCs, seria interessante ver algo mais neste campo.

O jogo tem uma vertente multiplayer que chegou a incluir um modo online. Interessante, para um FPS que não saiu na Xbox

A nível audiovisual este é um jogo competente, embora a versão PC seja largamente superior, como seria de esperar. Não só pela capacidade de debitar resoluções maiores, as texturas e os inimigos no geral estão mais bem detalhados. Ainda assim gostei de explorar esta parte do universo Warhammer 40K, em especial o Império Humano, cujas naves espaciais e cidades misturam arquitecturas futuristas com medievais, assim como os uniformes de algumas das suas tropas, como os Space Marines, Ultra Marines e os agentes do Chaos. No que diz respeito à música, efeitos sonoros e voice-acting não tenho nada a comentar, é um jogo sólido nesse aspecto. Gosto particularmente dos gritos de agonia que saem sempre que disparamos numa Chaos Bolter!

Algumas das armas possuem um design fabuloso!

Portanto temos aqui um FPS sólido, pelo menos para uma PS2, e que no meu caso serviu para me deixar bem empolgado para a saga Warhammer. Quem sabe não irei espreitar os jogos de estratégia também?

Battalion Wars (Nintendo Gamecube)

Battalion Wars GamecubeA Famicom Wars é uma série de estratégia por turnos desenvolvida pela Intelligent Systems, um estúdio da Nintendo, também responsável por séries como Paper Mario ou Fire Emblem. No entanto, apenas com o lançamento do Advance Wars para GBA é que os jogos dessa série chegaram ao Ocidente. Quando chegou a vez da Gamecube a Nintendo decidiu passar o desenvolvimento desse jogo para o estúdio europeu Kuju Entertainment. O resultado foi este Battalion Wars que alterou radicalmente as mecânicas de jogo da série, para uma mistura de um jogo de acção com estratégia em tempo real. A minha cópia do jogo foi comprada no eBay UK algures em 2011, tendo-me custado algo em torno dos 10€ e está completa e em bom estado.

Battalion Wars - Nintendo Gamecube
Jogo completo com caixa, manual e papelada

O jogo coloca-nos numa versão distorcida do nosso planeta onde mais uma vez 2 grandes nações estão em clima de guerra fria – a Western Frontier e a Tundran Territories, onde quaisquer semelhanças com os E.U.A. e União Soviética são meramente coincidência, ou não. O jogador toma o papel de um comandante do exército da Wester Frontier e, no momento em que Battalion Wars começa, os sovié- err, os Tundran Territories decidem finalmente tomar o primeiro passo e atacar-nos, dando assim início ao conflito. Mas como nisto das guerras quem tem culpa é a Alemanha, mais tarde o exército da Xylvania acaba por dar mais uma perninha ao conflito, bem como os orientais Solar Empire também têm uma palavra a dizer. Ao longo do jogo vamos interagindo com várias personagens que, pertencendo às nossas tropas, vão-nos dando algumas dicas de como devemos abordar as batalhas que se seguem, ou no caso dos líderes inimigos, vão-nos provocando ou simplesmente fugir com o rabinho por entre as pernas no caso de derrota. Personagens como a Brigadier Betty, General Herman, Tsar Gorgi ou Kaiser Vlad ou Countess Ingrid vão ilustrando a história que se vai desenrolando ao longo do jogo, cada personagem com os seus clichés e esteriótipos das nações nos tempos da Guerra Fria, ou mesmo 2ª Guerra Mundial, mas tudo doseado com uma dose saudável de humor.

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O jogo tem um radar à Call of Duty, com os objectivos primários marcados com estrelas douradas e os secundários com estrelas prateadas

O jogo mistura uma jogabilidade de estratégia em tempo real com a de um jogo de acção. Temos ao nosso dispor um conjunto de unidades, em que as podemos comandar para dar variadas ordens, seja para defender uma posição, atacar outra, ou atacar unidades específicas. Cada uma dessas unidades tem naturalmente as suas vantagens e desvantagens, não vamos mandar um conjunto de infantaria de assalto abater um tanque inimigo, mas se for um conjunto de infantaria com bazookas já não é uma má ideia. Ao longo do jogo vamos ganhando a diferentes unidades, sejam veteranos de guerra, infantaria com lança-chamas, tanques ligeiros e pesados, baterias anti-aéreas, helicópteros, caças, bombardeiros, entre outros. Para além do mais, podemos a qualquer momento do jogo encarnar num determinado soldado ou veículo e controlá-lo individualmente, como um jogo de acção se tratasse. Para facilitar um pouco as coisas nesta abordagem, é possível fazer um lock-on aos inimigos, o que nos permite desviar melhor do fogo inimigo, sem nunca perder o alvo de vista. Ainda assim, Battalion Wars embora não sendo tão exigente como jogos da Intelligent Systems como os Fire Emblems, acaba por oferecer alguns desafios mais exigentes, principalmente nos níveis mais avançados, onde temos mesmo de jogar com mais algum cuidado e comandar as nossas tropas da melhor forma possível. No final de cada missão a nossa performance é avaliada com um nível, se formos bastante eficientes iremos desbloquear ao longo do jogo algumas missões bónus que nos permitem jogar com os exércitos inimigos.

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Mapa de selecção de missões, podemos rejogar as anteriores sempre que quisermos para aumentar o rating

Os Advance Wars apresentam uns visuais bastante coloridos, mas com uns traços orientais mais à anime. Este Battalion Wars, também apresenta um visual muito cartoonesco, mas visto o jogo ter sido desenvolvido no ocidente, isso também é representado no aspecto dos soldados e dos próprios veículos, que quase parecem retirados de uma boa banda desenhada belga. A banda sonora está repleta de melodias tipicamente militares, o que sinceramente me foi sempre passando um pouco ao lado. O voice acting é competente, onde exageraram propositadamente nos diferentes sotaques para evidenciar mais alguns esteriótipos, mas a voz da Brigadier Betty… sem dúvida a coisa mais irritante no jogo para mim. Os gráficos estão bem detalhados, tendo em conta a largura de alguns mapas que temos pela frente, embora não tenham muita variedade entre si.

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Abrindo o mapa podemos ver as posições inimigas no geral, bem como qual o seu tipo, de forma a podermos comandar as nossas tropas da melhor maneira

No fim de contas, Battalion Wars é um jogo interessante para quem gosta de jogos de estratégia em tempo real (o que não é o meu caso), bem como para quem gosta de shooters em 3a pessoa (onde já me incluo mais). Pena ter saído já algo no final do ciclo de vida da Nintendo, onde os seus fãs estavam mais à espera do Twilight Princess do que outra coisa. Ainda assim deve ter tido um relativo sucesso, visto uma sequela ter saído pouco tempo depois para a Nintendo Wii.