Turrican (Nintendo Game Boy)

Voltando às rapidinhas e à Gameboy, o jogo que cá trago hoje é uma interessante conversão do primeiro título de uma das mais interessantes séries de jogos de acção que originaram em micro computadores. Lançado originalmente para a Commodore 64 como obra de um homem só, Turrican era um jogo que misturava de uma forma desafiante os conceitos de jogos de plataformas e shooter. Pensem numa espécie de um Contra, mas ainda mais desafiante e com um progresso não-linear. O jogo teve sucesso, o que lhe garantiu várias conversões para outros sistemas. Esta conversão para a Gameboy foi trazida pela Accolade. O meu exemplar veio da Cash Converters do Porto, há uns meses atrás. Creio que me custou uns 8€.

Apenas cartucho

Turrican é o soldado perfeito, geneticamente modificado para ser uma máquina de matança. Turrican foi feito assim pois viria a ter uma missão muito especial: a de recuperar a colónia artificial teresstre há muito perdida de Alterra, que há muitos anos atrás a inteligência artificial que a controlava revoltou-se e com o decorrer dos anos foi tornando as criaturas daquele mundo artificial seres bastante agressivos e vorazes.

Em Turrican muitas vezes não temos muito espaço para respirar!

Turrican é um jogo que nos dá várias opções de disparo. Temos a nossa arma principal, que pode ser actualizada com recurso a vários power-ups, deixando-a mais forte. Mas ao deixar o dedo pressionado no botão de disparo, Turrican solta aquilo que se assemelha aos raios de plasma dos Ghost Busters. Até a forma de os controlar é semelhante! Podemos também transformar-nos numa esfera, à semelhança de Samus Aran, mas com lâminas e que nos deixa invencíveis, mas com a desvantagem de não podermos saltar. É um ataque muito importante para limpar uma sala de inimigos, mas apenas o podemos usar 3 vezes por nível, ou por vida. Outros ataques consistem nas bombas que limpam todos os inimigos no ecrã ou noutros que lançam ondas de dano em todas as direcções. Estes últimos também possuem munições limitadas, pelo que devem ser usados com precaução.

De resto, Turrican é um jogo bastante desafiante, não só pelos inimigos que vão surgindo um pouco por todo o lado, mas também pelos segmentos mais exigentes de plataformas que por vezes temos de fazer. O facto de as áreas também serem bastante amplas podem fazer com que nos sintamos algo perdidos. Mas o mais chato na dificuldade é o facto de, ao contrário da maioria dos jogos de acção, onde ao sofrer dano, ficamos temporariamente invencíveis durante uns curtos segundos, mas costuma ser tempo suficiente para nos colocarmos em segurança. Aqui não, enquanto um inimigo estiver em contacto connosco, estamos continuamente a sofrer dano. Felizmente o Turrican também estimula a exploração, existindo vários powerups e vidas extra para descobrir, o que podem facilitar um pouco as coisas, pois ao morrermos, recomeçamos a aventura no mesmo local, não é necessário recomeçar o nível.

A forma do Buzzsaw é extremamente poderosa e deixa-nos invencíveis. Mas tem a desvantagem de não conseguirmos saltar.

Do ponto de vista técnico, o Turrican original para a Commodore 64 era um portento técnico, mesmo correndo num sistema bastante limitado. A conversão da Gameboy não é má de todo, as músicas são boas, os gráficos é que são algo mais simples devido ao ecrã reduzido da Gameboy. As sprites tiveram de ser sacrificadas ao possuirem um tamanho mais reduzido, mas o ritmo frenético do jogo original está tambem aqui representado, o que é uma boa notícia.

Winter Challenge (Sega Mega Drive)

48405_frontSe já repararam anteriormente, os jogos da Electronic Arts, CodeMasters ou Accolade possuem cartuchos e/ou embalagens diferentes dos habituais na Mega Drive e não só. Isto porque as três empresas arranjaram acordos especiais com a Sega que as deixavam produzir os seus próprios cartuchos e embalagens, pagando dessa forma menos de licenciamento à própria Sega. O caso da Accolade foi o mais peculiar pois gerou uma série de julgamentos que deixou a Accolade em maus lençóis por uns meses, sendo que depois lá chegaram a um acordo com a Sega e puderam lançar jogos licenciados ou não, sem haverem novas consequências. Antes desse acordo com a Sega os seus jogos para além de possuirem um cartuho maior, lembrando os da EA, vinham também em caixas de cartão, fazendo lembrar os jogos de PC da época, até porque era esse o mercado da Accolade. E é isso que se passa com este Winter Challenge, um jogo de DOS algo antigo que acabou por ser relançado para a Mega Drive.  O meu exemplar veio de um bundle na Feira da Vandoma no Porto, ficando-me por 2.5€ por cada.

Jogo com caixa em cartão
Jogo com caixa em cartão

Os jogos olímpicos de Inverno não são muito famosos por cá e aqui neste jogo podemos participar em 8 diferentes modalidades. Uns envolvem percorrer circuitos apertados com trenós, como é o caso do Bobsled ou do Luge. Outros como o Downhill Skiing ou o Slalom colocam-nos a descer encostas geladas e a passar por uma série de obstáculos ou checkpoints. Ainda no ski temos também o Cross Country Skiing que é uma prova que exige maior resistência física o famoso Ski Jump onde os atletas saltam a grandes distâncias com o seu ski ou o Biatlo, que mistura o Ski com tiro. Por fim sobra o Speed Skating que é basicamente colocar os atletas a correr o mais rápido possível com os seus patins de gelo. Como muitos jogos deste género, a maior parte das modalidades exigem bastante button mashing para ganhar velocidade e naquelas provas em que a gestão de fatiga é crucial, também temos uma barra de stamina com que nos preocupar, pelo que o button mashing tem de ser mais doseado. De todos os desportos aquele que possui controlos mais complicados é o do salto em Ski, mas felizmente existe uma opção de treino que pode ser usada em todas as modalidades. Depois lá avançamos para a vertente de torneio, onde poderemos customizar o nosso atleta e também o dos nossos oponentes.

Graficamente parece um jogo impressionante, mas em movimento nota-se que a Mega Drive tem dificuldade em acompanhar.
Graficamente parece um jogo impressionante, mas em movimento nota-se que a Mega Drive tem dificuldade em acompanhar.

O jogo é uma adaptação de PC, visualmente, pelo menos em screenshots, é impressionante para uma Mega Drive pois os cenários vão sendo representados em 3D poligonal, e as sprites são digitalizadas. Só que infelizmente o framerate sofre bastante com isso, e naquelas provas que exigem mais velocidade, torna-se por vezes um pouco frustrante controlar o atleta. De resto, a nível audiovisual, é um jogo bem competente na minha opinião. Sinceramente eu prefiro aquele visual mais tradicional em plataformas 16bit, como a U.S.Gold conseguiu fazer no Olympic Gold, por exemplo, ao invés de gráficos num 3D ainda rudimentar. Mas isso é só a minha opinião.

Cada evento pode ser treinado vezes sem conta no modo treino.
Cada evento pode ser treinado vezes sem conta no modo treino.

Para mim, este é um daqueles jogos porreiros para se experimentar uma vez ou outra e depois encostar, pois não sou grande fã do género e apesar de ser um jogo bonitinho com gráficos pseudo 3D, a jogabilidade e o framerate acabam por sofrer um pouco.

Gods (Sega Mega Drive)

GodsMais uma rapidinha para a Mega Drive, a um jogo que quando era mais novo e o joguei pela primeira vez em emulador nunca me deixou muito entusiasmado. Mas com o burburinho que tenho visto por aí em vários sítios ao apelidá-lo de uma hidden gem, despertou-me novamente a curiosidade e quando finalmente tive a oportunidade de o comprar a um bom preço, acabou por me desiludir uma vez mais. Mas não é um jogo mau. Entretanto o meu exemplar foi comprado algures durante o passado mês de Dezembro na Player (antiga Virtualantas), no Porto por 3€, após ter servido de moeda de troca de um outro jogo que eu tinha repetido para a Mega Drive.

Gods - Sega Mega Drive
Jogo com manual multilínguas. Infelizmente o cartucho está cheio de stickers, era de algum videoclube. A artwork é óptima, embora esta versão esteja algo censurada, faltando as espadas nas mãos do nosso herói

O jogo é levemente baseado na mitologia grega, onde 4 guardiães de qualquer coisa invadiram a cidade dos deuses e os mesmos oferecem uma recompensa, na forma de concederem um desejo ao mortal que conseguir derrotar os guardiães e reconquistar a cidade. Pois bem, um herói chegou-se à frente e o seu único desejo é o de se tornar num próprio deus iguais aos restantes do Olimpo. O seu nome é Hércules.

screenshot
O sistema de inventário apenas nos deixa carregar 4 coisas de cada vez

A jogabilidade é provavelmente a coisa mais interessante deste jogo, visto ser o misto de um platformer, shooter e com puzzles para resolver. O jogo está dividido em quatro áreas diferentes, incluindo a tal cidade, um templo ou um labirinto, todos eles divididos em vários níveis com um boss final, um dos tais guardiães. O objectivo acaba sempre por ser o de chegar à saída de cada nível e derrotar os bosses, mas a maneira como é feita é que é o diferencial neste jogo. De platformer temos claro os conceitos de saltos de plataformas, saltos esses que por vezes são até algo exigentes. De shooter temos o facto de podermos comprar e equipar até 3 diferentes armas  a serem usadas em simultâneo, com vários projécteis que fazem o nosso herói parecer uma nave do R-Type com 2 pernas. A parte dos puzzles existe pois temos um inventário que pode albergar até 4 items, como chaves que nos permitam abrir portas, ou outros objectos que poderão servir também para desbloquear acesso a passagens secretas com itens que nos aumentam a pontuação/dinheiro e para além disso também temos várias alavancas para interagir. Isto faz com que exista algum backtracking em cada nível.

screenshot
Existem lojas onde podemos comprar vários powerups, como armas melhores

Depois temos a dificuldade e a forma como a mesma se comporta. Aparentemente o jogo consegue ser um pouco mais gracioso para os jogadores mais rookies, recompensando-os com mais itens que regenerem a nossa “barra de energia” ou mesmo vidas extra, mas sinceramente não o joguei vezes suficientes para reparar nesse aspecto. Depois a posição dos inimigos e o momento em que os mesmos surgem no ecrã são todas activadas com base nas nossas acções e para onde nos vamos movendo. Por essa razão, este Gods é um jogo que recompensa quem tenha paciência e vá avançando de forma mais lenta e cuidadosa ao longo dos níveis. Isto porque podemos ser logo rodeados de vários monstros que não morrem logo de um momento para o outro e podem-nos fazer a vida muito negra.

screenshot
Os bosses também costumam ser grandinhos e chatinhos

Mas o que não gostei neste jogo, para além do movimento não tão fluído da nossa personagem, foi mesmo da pouca variedade de gráficos. Não que seja um jogo muito feio, mas estar a ver sempre os backgrounds demasiado parecidos entre si acaba por cansar um pouco. Por outro lado temos músicas excelentes, e sinceramente cada vez mais começo a notar essa particularidade na maioria dos jogos desta época e de origem britânica que tenho jogado até agora, muitos têm músicas muito boas.

Depois temos também alguns pormenores interessantes, como o sistema de dicas que o jogo nos vai dando, ou a maneira não convencional que temos em tentar apanhar alguns itens que não conseguimos alcançar: esperamos que apareça um ladrão, apanhe o loot, e depois temos uma curta margem de tempo para o apanhar. No fim de contas acho este Gods um jogo original, não lhe retiro esse mérito, mas como um todo acaba por não me agradar assim muito. Tal como referi acima, teria muito mais a ganhar se houvesse uma maior variedade nos visuais e também controlos mais fluídos.