Half-Life (Sony Playstation 2)

Half-Life PS2

Após o recente artigo do Half-Life para PC, deixo agora um pequeno complemento sobre a conversão do mesmo jogo para a consola da Sony. Sendo uma conversão quase directa do original, recomendo também a leitura desse artigo. Contudo, este Half-Life da PS2 tem algo que os distingue dos demais: uma expansão pensada para co-op e lançada exclusivamente para esta versão PS2. Decay é o seu nome e foi esta a razão que me fez comprar este port. Não deixa de ser curioso que das 3 versões originalmente planeadas (PC, Dreamcast e PS2), cada uma teria uma expansão exclusiva. O PC recebeu Opposing Force, a Dreamcast iria receber o Blue Shift, versão que acabou por ser cancelada já com a mesma quase terminada, tendo saído posteriormente no PC. Por fim a PS2 manteve-se com este Decay, que apesar de ter chegado ao PC como um mod, não teve um lançamento oficial. A minha cópia foi comprada há umas semanas atrás na feira da Ladra, em Lisboa, por 5€, estando completa e em óptimo estado.

Half-Life - Sony Playstation 2
Jogo completo com caixa e manual

Em relação ao jogo original, ele está aqui todo representado, com uma ou outra diferença mínima na disposição dos mapas. O jogo controla-se como os FPS convencionais na PS2, com um stick para movimentar a personagem e outro para apontar a arma. Para os que preferem jogar no PC e não se habituam de maneira alguma a este esquema, existe uma opção de se fazer lock-on aos inimigos, facilitando bastante a jogabilidade. De resto, o jogo herda o esquema de quick-save e quick-load em qualquer posição do jogo, ao contrário dos checkpoints e saves fixos habituais nos jogos de consola.

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As med-stations sofreram um redesign

Mas vamos focar mais na expansão Decay, exclusiva para esta versão. Aqui a história decorre mais ou menos ao mesmo tempo que a aventura principal de Gordon Freeman, porém controlamos desta vez 2 cientistas femininas, nomeadamente as doutoras Gina Cross e Collette Green. Este é uma expansão pensada para 2 jogadores em modo cooperativo, apesar de ser possível jogá-la com 1 jogador apenas, controlando uma personagem de cada vez. Ao contrário das outras expansões, esta está dividida em missões, sendo que em cada temos um determinado objectivo a cumprir, geralmente ir do ponto A ao ponto B, resolvendo alguns puzzles e trocando uns tiros pelo meio. Aqui, os puzzles que são apresentados naturalmente requerem a cooperação entre os 2 jogadores para serem solucionados, o que por vezes atrapalha um pouco quando se joga sozinho, alternando constantemente de personagem. No final de cada missão a nossa performance é avaliada, podendo depois desbloquear uma missão bónus, onde jogamos não como um humano, mas sim como um Vortigaunt a atacar humanos, invertendo completamente os papéis. De resto existe também um modo Head-to-Head, que é basicamente um deathmatch limitado a 2 jogadores apenas, o que é pena.

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Uma das personagens jogáveis em Decay

O audiovisual do jogo em si é muito parecido ao original (isto comparando com o pack de “alta resolução” de texturas que saiu para o PC juntamente com a expansão Opposing Force), mas ainda assim existem algumas texturas que ficaram pior na PS2, bem como os tempos de loading são bem maiores na consola da Sony. De resto acho uma conversão competente, valendo essencialmente pela expansão Decay que é bastante interessante, apesar de ter um ou outro inconveniente sendo jogada por um jogador apenas.

Half-Life (PC)

Half-LifeNo panorama dos First Person Shooters, a chegada do Half-Life foi um autêntico divisor de águas, mudando por completo o paradigma do género. Antes deste jogo, tirando uma ou outra excepção como o primeiro System Shock, os FPS eram bem mais “in your face”, directos à acção e carnificina non-stop, sem grande ligação a uma narrativa ou história por detrás. Half-Life veio mudar tudo isso, apresentando uma história cuidada, imersiva, uma progressão linear no jogo que faz todo o sentido, bem como puzzles mais adequados ao meio ambiente. Claro que temos também a questão de ter sido a base de mods de sucesso como o Team Fortress, Day of Defeat ou o Counter Strike, que levou inclusivamente à implementação da plataforma de jogos digitais Steam.  Portanto sim, Half-Life levantou a barra bem alto. Esta minha versão “Game of the Year” chegou-me às mãos após ter sido comprada salvo erro na TVGames no Porto, por uma quantia não superior a 5€, certamente. A memória começa a ficar muito difusa nestas coisas. Para além da versão física, possuo também uma versão digital no Steam, pois a key desde jogo obviamente já tinha sido usada. Essa versão da Steam foi também baratíssima, comprada numa steam sale qualquer.

Half-Life PC
Jogo completo, com caixa, manuais e papelada

Quem não conhece a história de Half-Life? Para quem tem andado a viver todo este tempo no deserto do Sahara sem qualquer contacto com a civilização, o jogo conta-nos a história de Gordon Freeman, um cientista brilhante no seu primeiro dia de trabalho em Black Mesa. Black Mesa é um gigantesco centro de investigação secreto, enfiado no subsolo em pleno deserto do Novo México, nos E.U.A..  Gordon Freeman tinha como objectivo participar num projecto sobre portais e teletransporte e como sempre nestes jogos, a coisa não corre bem. Ao contrário de Doom em que é aberto um portal para o Inferno, aqui abre-se um portal para uma civilização alienígena chamada Xen, que toma toda a Black Mesa de assalto, infectando a maior parte dos cientistas e seguranças locais. Assim sendo, Gordon Freeman acaba por se ver envolvido num duplo conflito para garantir a sua sobrevivência. Por um lado deve defrontar os aliens de Xen, por outro as forças HECU (Hazardous Environment Combat Unit), que ao contrário do que os cientistas de Black Mesa queriam, não vieram para os resgatar, mas sim para eliminar todos os Xen invasores e todas as testemunhas do incidente.

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Desde cedo que o misterioso G-Man vai aparecendo no jogo. Quem é ele? Qual o seu papel no meio desta confusão toda?

A jogabilidade é também bastante fluida. Ao contrário dos outros shooters de então, este é um jogo com uma componente bem maior de exploração e resolução de puzzles inteligentes e com sentido, ao contrário dos habituais “vai buscar esta chave, clica numa série de alavancas” até então. Aqui foram introduzidos vários novos conceitos: uma porta está encravada e não abre? Parte-se o vidro da janela e siga. Não se consegue subir para um certo corredor? Uma escadinha com caixotes resolve. Claro que as coisas não se ficam por aí, muitas vezes somos obrigados a percorrer longas secções de uma zona de forma a activar alguns equipamentos que nos permitam andar para a frente com a história. Mas é claro que Half-Life é também um jogo de combate. Para além do icónico pé-de-cabra, Gordon Freeman tem acesso a um vasto arsenal baseado tanto em armas reais como revólveres, espingardas, metralhadoras e demais explosivos, como armamento alienígena ou mesmo “high-tech“, desenvolvido em Black Mesa (muitas destas armas com modos secundários). Para além do mais, é possível também disparar turrets ou mesmo o canhão de um tanque, para além de conduzir pequenos veículos em carris. Ocasionalmente existem também combates com alguns “bosses“, mas mais uma vez a abordagem a essas criaturas é algo diferente dos outros shooters de então. Aqui nem sempre é suposto derrotar esses inimigos colossais com poder de fogo apenas, mas sim resolver alguns puzzles “no terreno” que nos dêm vantagem.

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Esta arma pode ser utilizada com a mira telescópica, para matar silenciosamente inimigos com tiros certeiros

A narrativa é algo que me agrada bastante neste jogo. Com uma introdução fantástica, onde somos de imediato colocados na pele de Gordon Freeman a bordo de um teleférico que vai passando por vários pontos de Black Mesa, este jogo ficou também conhecido pela sua continuidade na acção. Aqui não há níveis ou “missões” que dividam, mas sim uma divisão fluída por capítulos que não interrompem a acção. A história é sempre contada através de eventos pré-programados em certos locais, não existindo qualquer cutscene. Todas as interacções com NPCs ou “momentos mortos”, temos sempre a liberdade de movimentar Gordon Freeman e ver sempre o mundo pelos seus olhos. As únicas paragens só mesmo os pequenos loadings ao atravessar de uma certa área para a outra. Os efeitos sonoros são bastante convincentes, tornando Black Mesa num local bem mais imersivo, desde os laboratórios hightech, passando pelos armazéns ou zonas mais industriais. O voice acting é competente, para os padrões até então estabelecidos na altura. A música nem sempre existe, entrando de rompante nos momentos certos do jogo. Graficamente é um jogo que obviamente a sua “idade” já pesa, mas temos de ter em conta que o motor do jogo é totalmente derivado do mesmo motor gráfico que nos trouxe o primeiro Quake, tendo sido utilizado com sucesso numa panóplia enorme de mods. Sinceramente eu estive a jogar e acho que os visuais ainda são agradáveis, notando infelizmente algumas texturas que em resoluções muito altas para os padrões da altura ficaram distorcidas. Mas para quem seja grande entusiasta a nível gráfico, então existe a conversão feita por fãs de nome “Black Mesa”, correndo no motor gráfico Source, que serviu de base a jogos como Half-Life 2 ou os Portal.

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Podemos interagir com alguns NPCs, desde cientistas que nos abram portas que de outra forma não teríamos acesso, ou seguranças que para além de fazerem o mesmo, ainda nos ajudam a combater

Concluindo, Half-Life é na minha opinião um dos melhores videojogos de sempre, sendo sem qualquer dúvida um dos meus first person shooters preferidos. O seu conceito inovador, com um cuidado muito maior na narrativa e apresentação, com uma experiência fluída e sem grandes pausas, misturando também puzzles inteligentes com a acção típica deste género, representaram uma grande mudança no paradigma dos first person shooters. A sua enorme comunidade de mods que surgiu à volta do jogo é também um grande valor. Para além dos mods existem também algumas expensões e conversões deste jogo, que escreverei sobre as mesmas muito em breve.

PUSHSTART #35

A PUSHSTART de Agosto já está disponível para leitura, contendo:

Old Vs New:  Castlevania 3D Vs CASTLEVANIA 3D

– Preview – Killzone Mercenary; Stealth inc. A Clone in the Dark

– 4×4:  Darkwing Duck

– Reviews: Mario & Luigi Dream Team Bros; Deadpool; DMC HD; The Walking Dead 400 Days; Army Of Two – The Devil’s Cartel; Aqua Moto Racing 3D; Urban Trial Freestyle; Pulse; Despicable Me: Minion Rush; Alien 3; Samurai Shodow IV – Amakuza’s Revenge; Wings of Fury; Flying Shark

 – Visão: Videojogos – os eternos maus da fita

– Gamer em Tempos de Crise (Warframe; inverto; Skylands)

– Audiovisual – Man of Steel – Realismo vs Estardalhaço

Da minha parte, podem ler uma review ao saudoso Alien 3 da Mega Drive, bem como uma outra a Pulse, para Android. Para ler aqui.

Dear Esther (PC)

Recentemente escrevi para a PUSHSTART o que penso sobre o Dear Esther, um interessante produto indie que nos faz repensar o conceito de gaming e e a linha cada vez mais ténue que o separa da arte. Este jogo veio parar à minha colecção através do Humble Indie Bundle 8, em conjunto com outros grandes jogos como Awesomenauts, Hotline Miami, ou Thomas Was Alone. Mais uma vez, um excelente bundle a um preço bastante apetecível.

O resto podem ler aqui.

F-Zero GP Legend (Nintendo Gameboy Advance)

F-Zero GP LegendE já há imenso tempo que não trazia cá nada da primeira portátil 32-bit da Nintendo, a Gameboy Advance. F-Zero é uma das mais reconhecidas séries da Nintendo, apesar de infelizmente o último jogo ter saído já em 2004 e apenas com lançamento japonês. Os F-Zero são jogos de corrida futuristas, inspirando outras séries como Wipeout. Este GP Legend é baseado no anime do mesmo nome, com Captain Falcon e outras personagens à mistura. A minha cópia foi comprada algures no ano passado na extinta GAME do Maiashopping, tendo-me custado 5€. Está completa e em óptimo estado.

F-Zero GP Legend - Nintendo Gameboy Advance
Jogo completo com caixa, manuais e papelada

Sendo um jogo baseado num anime, é de esperar que exista alguma história. De facto, um dos modos de jogo disponíveis é mesmo esse, onde vamos podendo jogar com 8 personagens diferentes do anime, bons da fita como o Captain Falcon ou Rick Wheeler, mas também os vilões como Zoda ou Black Shadow. Esse modo história está dividido como se diferentes episódios se tratassem, sendo possível jogar 5 missões + uma secreta para cada personagem, bem como no início nem todas as personagens estão disponíveis para serem jogadas neste modo. As histórias em si não são nada de especial, mas como nunca vi o anime não vale a pena alongar-me nisto. Neste modo, cada missão é uma corrida por objectivos: chegar primeiro, impedir que o adversário chegue em primeiro, destruir os adversários, fugir de um inimigo, entre outros.

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Este é o ecrã onde escolhemos qual o capítulo que queremos jogar para o modo história de uma determinada personagem.

Para além deste modo história, existe também o tradicional modo de competição aqui chamado Grand Prix, onde existem várias taças com diferentes graus de dificuldade para serem conquistadas. E aqui acabaremos por desbloquear bem mais personagens e veículos que os 8 do modo história, à medida em que vamos completando alguns circuitos. Existe também um modo Training, que como o nome indica serve para praticarmos as nossas habilidades em alguns percursos, bem como um tradicional Time Attack, onde o objectivo é obter o melhor tempo possível em corridas de 5 voltas em cada circuito. Para além destes, ainda existem outros 2 modos de jogo, o Zero Test, que consiste numa série de desafios de correr em certos segmentos de circuitos num determinado intervalo de tempo. Existem vários níveis de dificuldade para estes desafios, com os tempos a apertarem cada vez mais. Como é escusado dizer, são desafios difíceis, como é habitual nos F-Zero. Por fim temos o Link mode que é a vertente multiplayer do jogo, sendo possível jogar contra até mais 3 amigos que estejam ligados com os cabos próprios da GBA para esse efeito.

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No Grand Prix já podemos escolher uma variedade maior de personagens/veículos, bem como desbloquear outros

O jogo não é propriamente fácil, nenhum F-Zero alguma vez o foi. Mas os controlos são algo que os fãs se queixam neste jogo. A GBA tem poucos botões, menos que a SNES inclusivamente, fazendo com que algumas habilidades sejam um pouco chatas de realizar. Para se ter uma ideia, pressionar L ou R faz uma espécie de “power slide“, já pressionar 2x L ou R faz um “side attack” para atacar os inimigos. Se se pressionar L e R ao mesmo tempo, então faz um Power boost. De resto, sou sincero que não conheço a fundo os circuitos dos F-Zero em 2D, mas nomes conhecidos como Mute City, Port Town ou Red Canyon estão lá, agora não sei se os circuitos em si são adaptações dos clássicos ou inteiramente novos.

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No modo história podemos ver o artwork das personagens em maior detalhe

Graficamente sou sincero: Nunca fui grande fã do Mode 7. Isto falando em jogos de corrida como o F-Zero e o Mario Kart. É bonito ver os cenários rodarem e tal, mas um circuito inteiramente plano nunca me chamou à atenção. Já em shooters como Axelay, ou rotação de cenários como se fez em Super Castlevania 4, sempre me agradou mais o mode 7. Dito isto, não posso dizer que os gráficos deste F-Zero me impressionem, porém quem gostou do original da SNES ou o Maximum Velocity, então não terá problemas com este jogo. No modo história existem várias “cut-scenes” com artwork retirado directamente do anime, o que sempre dá para variar um pouco. Os efeitos sonoros são os tradicionais, já a banda sonora é excelente, como é a norma dos F-Zeros. Como em todas as séries clássicas da Nintendo, ouvimos sempre reinterpretações dos temas clássicos e aqui não é diferente. As músicas têm sempre uma toada rockalheira que me agrada bastante (embora no F-Zero X da Nintendo 64 ainda me agradaram mais). Músicas como Big Blue ou Mute City continuam épicas.

De resto não tenho muito mais a dizer. É um jogo sólido, embora não tenha achado a história nada de especial. Para quem gostou dos F-Zero anteriores certamente irá gostar deste, mas confesso que agora que Psygnosis e o seu Wipeout foram à vida, um novo F-Zero totalmente em 3D seria muito benvindo. Vá lá Nintendo, para a Wii U que precisa de jogos, e basta chatear outra vez os tipos da SEGA que fica um jogo excelente como os F-Zero GX/AX.