Assassin’s Creed (Sony Playstation 3)

untitledSim, eu ando sempre uns bons anos atrás no que diz respeito aos ultimos lançamentos de videojogos. A franchise Assassin’s Creed já está num patamar tal que lança em média mais que um jogo por ano e só agora eu dei-me ao trabalho de pegar e finalizar um jogo desta série. Como habitual, gosto sempre de começar pelo início. E foi o que eu fiz, tendo terminado este primeiro Assassin’s Creed há meros dias atrás. Este meu exemplar foi comprado na velhinha TV Games no Porto, tendo sido um dos primeiros jogos que comprei para a minha PS3 algures em 2013 se a memória não me falha. A versão platinum que eu tinha foi substituída por uma black label, custando-me mais ou menos a mesma coisa (7€), na CeX de Lisboa, onde dei para troca alguns jogos repetidos.

Assassin's Creed - Sony Playstation 3
Jogo completo com caixa e manual

A coisa que mais achei piada nesta série é o seu conceito histórico e a forma como interligaram o passado com o “presente”. Isto porque a personagem principal é o jovem bartender Desmond Miles, que acaba por ser raptado por uma corporação multinacional chamada Aspergo Industries. Parece que Desmond é um dos últimos descendentes de uma antiga linhagem de guerreiros de elite, os Assassinos, cujas acções de assassínios políticos cirurgicamente planeados ficaram na História. E a malta da Aspergo quer utilizar essa descendência para descobrir algo que ocorreu no passado, algures no Médio Oriente durante a época das terceiras Cruzadas, numa altura de grande conflito entre Templários e Assassinos. E como pretendem fazer isso? Através da memória genética de Desmond, que lhe conseguem retraçar o passado até ao seu ascendente Altair, utilizando para isso a tecnologia de Animus, que nos permite jogar como Altair, tudo dentro da mente de Desmond. Isto permite-nos seguir 2 tramas em simultâneo: por um lado descobrir o que anda a Aspergo à procura, por outro lado, ver onde nos levam as aventuras de Altair, que se vê incumbido da tarefa de assassinar 9 pessoas chave, ao longo de todo o jogo.

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As paisagens vistas destes pontos altos eram realmente impressionantes

A jogabilidade mistura conceitos de exploração, acções furtivas e o parkour. A acção no presente serve apenas de transição entre capítulos e para desvendar um pouco do manto que cobre a trama principal, pelo que toda a jogabilidade é mesmo tida com o assassino Altair. Com este teremos de explorar várias cidades desde a cidade base dos assassinos de Masyaf, passando por Acre, e as mais conhecidas Damascus e Jerusalem, todas elas cidades chave nos conflitos das cruzadas, para além das terras situadas entre estas cidades. Isto porque antes de procedermos ao assassinato de alguma das pessoas-chave que nos é encomendado, teremos de obter o máximo de informação possível sobre as mesmas. O que fazem, quais os seus motivos e quais as suas rotinas. Isto é alcançado ao completar uma série de missões secundárias, sejam simplesmente bisbilhotar conversas, roubar informações cruciais do bolso de alguém, ou partir para a pancadaria seja a resgatar cidadãos que estejam a ser molestados pelas guardas locais, espancar certas pessoas que sabem coisas, ou mesmo assassinar pequenos alvos a troco de informação por parte de colegas nossos assassinos.

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O combate de Assassin’s Creed requer muita paciência, em especial no contra-ataque

O jogo está dividido em vários capítulos e em cada teremos de explorar uma, duas ou mais cidades, cada qual com o seu alvo a abater, e isto significa que teremos sempre de fazer missões secundárias como estas. No entanto, não é necessário que completemos todas estas missões para prosseguir, apenas uma certa percentagem é necessária, sendo essa percentagem definida no início de cada capítulo. Apesar de eu ter feito todas as missões secundárias, acredito perfeitamente que nem toda a gente o faça, pois acabam por ser bastante repetitivas. Para além disso temos ainda uma série de outros objectivos secundários, como assassinar 60 templários que estão distribuídos ao longo de todo o jogo, seja nas cidades ou no interior, assim como apanhar dezenas, senão centenas de bandeirinhas de diferentes facções, também escondidas ao longo de todo o jogo. Isto eu não cheguei a fazer pois iria dar um trabalhão e sinceramente não há recompensa sequer para todo esse trabalho.

Acre é a cidade que nitidamente tem mais influências medievais europeias. Tenho pena que a série não tenha voltado a este período
Acre é a cidade que nitidamente tem mais influências medievais europeias. Tenho pena que a série não tenha voltado a este período

De resto a jogabilidade em si até que é interessante, embora acho que deveria haver uma melhor maneira de alternar entre alvos, para quando estivermos completamente rodeados de soldados inimigos e a ser atacado de todos os lados. Para além da espada normal, Altair possui também uma espada escondida que nos permite realizar assassinatos furtivos no meio da rua, podendo passar algo despercebidos. Depois desbloqueamos também facas que podem ser atiradas a alvos, ideais para despachar os guardas que patrulham os telhados. Sim, telhados. É aí que entra a parte do parkour, porque somos sempre encorajados em andar discretos (existem mesmo botões para isso), mas nem sempre as coisas correm bem e depois convém fugir, especialmente no início do jogo em que a nossa barra de vida não é lá muito grande, nem temos ao dispor grandes técnicas de combate que acabam por ser preciosas mais tarde. E sendo assim não há outra solução senão fugir, recorrendo muitas vezes a escalar edifícios e saltitar de telhado em telhado, para fugir à confusão das ruas, até encontrar um esconderijo. Esta noção de ser o mais discreto possível também me irritou um pouco, pois por vezes basta não andar cabisbaixo ou acelerar um pouco o passo para sermos descobertos.

Graficamente é um jogo bastante interessante, pois permite-nos explorar grandes áreas em open world, com cidades incrivelmente detalhadas e populadas, ou grandes áreas de paisagem natural sem muitos loadings entre si. E as cidades acabam por ser bastante distintas entre si, com Damascus e Jerusalem a deterem as suas identidades próprias a nível arquitectónico e Acre já com uma arquitectura mais medieval europeia, com os seus grandes castelos e muralhas. E sim, escalar aquelas grandes torres para ter uma perspectiva panorâmica da cidade dava um certo gosto! Na parte audio é que acho que as coisas poderiam ser um pouco melhores. Isto porque a natureza open world acabava por interferir um pouco com a história principal. É normal em cutscenes importantes o diálogo ser abafado por coisas sem interesse nenhum que certos NPCs habitualmente dizem, como as irritantes pedintes e os seus “it’s just a few coins!!“. Seria preferível a inclusão de legendas para todas as cutscenes.

Gostei bastante da ideia por detrás deste jogo e das suas "viagens no tempo" através de memórias genéticas
Gostei bastante da ideia por detrás deste jogo e das suas “viagens no tempo” através de memórias genéticas

Concluindo, até que achei um jogo bem interessante, embora tenha algumas coisas opcionais que ache um pouco maçantes, ou mesmo alguns problemas técnicos que já mencionei nos parágrafos acima. Ainda assim, no fim de contas, o balanço para mim é bem positivo, e quando me dizem que o primeiro Assassin’s Creed é o mais fraco de toda a série, fico bem entusiasmado para jogar os seguintes!

Virtua Fighter 5 (Sony Playstation 3)

Virtua Fighter 5 - PS3Voltando à Playstation 3, para mais um jogo de luta que é um autêntico curso superior para o dominar. Depois de um Virtua Fighter 4 bem sucedido que viu 3 lançamentos principais nas arcades e 2 na Playstation 2, chegou a vez de a série entrar no fantástico mundo da alta definição e o primeiro resultado foi este Virtua Fighter 5. Numa primeira vista, para além do notório update gráfico e as novas personagens da praxe, pouco mudou na jogabilidade e modos de jogo disponíveis, não que me queixe. Este jogo foi comprado salvo erro em 2013, na GAME do Norte Shopping por 10€, estando completo e em bom estado.

Virtua Fighter 5 - Sony Playstation 3
Jogo completo com caixa e manual

 

Virtua Fighter 5 começou como sendo um lançamento arcade para o então novíssimo sistema Lindbergh que levou os jogos arcade à alta definição e com belíssimos gráficos. Ao longo do seu ciclo de vida, o jogo levou com muitos updates, conto pelo menos uns cinco, em que para além de balanceamento de personagens foram introduzindo várias novidades. Esta versão Playstation 3 é baseada na Version B arcade, tendo no entanto algum conteúdo extra tal como as versões caseiras do Virtua Fighter 4 o fizeram. E sendo eu um jogador quase casual deste género de jogos, não vou entrar nesses meandros a detalhar o que é que de facto trouxe este jogo de novo, para além de novos golpes, combos e duas novas personagens: a pequena Eileen e o seu Monkey Kung Fu e o wrestler de lucha libre El Blaze.

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Tal como no Virtua Fighter 4 e em muitos outros jogos de luta actuais podemos customizar o aspecto dos lutadores

Para além dos tradicionais modos arcade e versus, temos também o regresso do Quest Mode que já tinha sido abordado no artigo do Virtua Fighter 4 Evolution. Aqui mais uma vez vamos percorrer vários centros de arcade no Japão e participar numa série de lutas contra oponentes baseados em jogadores reais, com estatísticas retiradas do VF.NET. Aqui vamos ganhando pontos de experiência que nos podem fazer subir de ranking (ou descer se perdermos combates) e ganhar items que nos permitem customizer estéticamente as personagens. O grau de customização parece-me maior que no VF4, alguns items podem também ser comprados em lojas com o dinheiro virtual que vamos ganhando no Quest Mode, mas ao contrário do jogo anterior, aqui temos as arcades todas desbloqueadas logo de início. Sinceramente isso já não me parece tão aliciante, pois podemos logo de início combater contra os jogadores mais experientes (e levar uma carga de porrada), retira algum do desafio e sentido de progressão no jogo. No entanto este continua a ser um jogo bastante técnico e bem difícil de dominar.

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O quest mode permite-nos ficar colado ao ecrã durante horas a fio, até ganhar calos nos dedos.

Para ajudar a dominar as mecânicas do Virtua Fighter 5 temos mais uma vez o Dojo mode. Aqui é onde podemos treinar os movimentos de cada lutador, em 3 diferentes variantes: Em Free Sparring podemos fazer o que bem nos apetece contra um oponente inofensivo, em Command Training como o próprio nome indica serve para treinar todos os movimentos de um lutador, é sem dúvida o modo de jogo a experimentar para todos os que querem treinar a sério sem lixar as estatísticas no Quest Mode. Mas ainda dentro do Dojo temos o Time Attack, onde basicamente competimos para ter o melhor tempo possível a dominar os movimentos de cada lutador. Mais um para os masters!

Graficamente é um excelente jogo, como seria de esperar. Os lutadores estão muitíssimo bem detalhados e o mesmo pode ser dito das arenas, que são variadas, tanto em locais naturais, urbanos, ou outros mais tradicionais, como aquelas arquitecturas asiáticas. Qualquer que seja o local, os cenários estão muito bem detalhados e com belos efeitos de luz. Realmente um jogo “next gen“. As músicas são o tradicional da série Virtua Fighter. Tanto temos aquele hard-rockzinho cheio de guitarradas como eu tanto gosto, como outras faixas mais folclóricas com temas asiáticos. Uma boa banda sonora, mas confesso que é algo que não presto assim tanta atenção quando estou é preocupado em não perder um combate.

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Em imagens estáticas pode não parecer, mas este jogo em movimento é belíssimo

Virtua Fighter 5 é então um excelente jogo de luta em 3D, mas não é esta a versão que eu recomendo, a menos que sejam por razões de coleccionismo ou se a encontrarem a um bom preço. A versão Xbox 360, que saiu uns meses depois desta é baseada na Version C Arcade, e para além dos balanceamentos introduzidos na revisão tem suporte à jogatina online devido à estrutura da Xbox Live Arcade. Se bem se lembram, a PSN nos primeiros tempos não era lá grande espingarda. Mas para além disso, embora tenha saído apenas em formato digital, para muita pena minha, a versão definitiva do Virtua Fighter 5 é a Final Tuned, baseada no último update do jogo na Arcade e com muito mais conteúdo, para além de mais 2 lutadores, incluindo o regresso do lutador de Sumo Taka-Arashi.

Resistance 3 (Sony Playstation 3)

Resistance 3Ora cá está um jogo que apesar de não ser mau de todo, conseguiu causar-me preguiça suficiente para o terminar ao longo de um mês, mesmo tendo uma campanha curta. E apesar de ter uma série de mecânicas de jogo mais old school que eu realmente aprecio, a campanha como um todo não foi lá muito entusiasmante. Mas adiante. Este Resistance 3 foi comprado há uns meses atrás na Worten Gamer do Norteshopping por 10€. Está usado, em bom estado e os códigos para os DLCs que vinham com o jogo não tinham sido usados, se bem que sem o online não me servem de nada.

Resistance 3 - Sony Playstation 3
Jogo completo com caixa, manual e papelada, na sua Special Edition com steelbook.

O Resistance 2 tinha-nos colocado mais uma vez no papel de Nathan Hale, na sua cruzada militar contra a ameaça alienígena dos Chimera que tinha finalmente alcançado o continente norte-americano. Após os acontecimentos desse jogo, foi finalmente descoberto uma vacina que previnia a mutação dos seres humanos infectados para híbridos Chimera, que depois eram usados como escravos ou soldados contra a raça humana. Ora e com essa descoberta, os Chimera deixaram de tentar infectar os humanos e partiram definitivamente para o extermínio total, com a Resistência humana a ser cada vez mais “underground” e essa é a grande diferença neste jogo, pois não temos nenhuma campanha militar. O protagonista é Joseph Capelli, personagem com grande influência no final do jogo anterior, aqui com a “missão” de acompanhar o Dr. Malikov até ao que resta da cidade de Nova Iorque, para travar os Chimera de uma vez por todas.

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Com o uso, as armas vão subindo de nível e com isso ganharem melhorias.

Tal como escrevi no primeiro parágrafo, muitos dos conceitos da jogabilidade foram mudados neste jogo. O sistema de regeneração de vida foi com o galheiro, tendo sido substituido uma vez mais pelos bons velhos medkits. E em vez de apenas carregar com duas ou três armas em simultâneo, podemos levar com o arsenal todo, que por sua vez está repleto de armas já bastante conhecidas da série. As armas são quase todas familiares, bem como os seus modos de disparo secundários, embora tenham algumas diferenças. Para mim a melhor foi mesmo a Bullseye, arma standard das forças Chimera, agora com disparos bem mais rápidos. Para além do mais, consoante as formos utilizando, as armas vão também levar com alguns upgrades que lhes dão mais dano ou outras funcionalidades. Disparar cartuchos incendiários com uma shotgun é sempre divertido! De resto é um FPS linear e algo banal, confesso que apesar de ter gostado da variedade de armas, modos de disparo e granadas, a campanha em si não me entusiasmou muito.

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Tal como no jogo anterior, temos alguns segmentos mais de terror, com estas criaturas bonitas

Para além do modo campanha, temos mais uma vez um modo cooperativo e multiplayer competitivo online. O último tinha uma série de modos de jogo, desde as tradicionais variantes do deathmatch, capture the flag e outros, mas infelizmente não os cheguei a experimentar porque a Sony fechou os servidores para todos os jogos desta série algures em Abril deste ano. Mesmo logo quando lançaram a trilogia Resistance numa compilação! Muito inteligentes, eles. O modo cooperativo poderia ser jogado de forma online, mas também localmente com recurso ao split-screen. Ao menos dá para jogar de forma local, mas também não o cheguei a fazer.

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Uma das novas armas permite-nos congelar os inimigos para depois os partir. Alguém andou a jogar DN3D!

Graficamente é um jogo bonitinho, e com uma boa variedade de cenários, desde as habituais ruínas de cidades ou zonas industriais, ou as bases mais high-tech dos Chimera, mas também vários redutos underground de resistência humana ou outras localidades naturais – felizmente sem os chatos dos “predadores” invisíveis que nos matavam com um golpe só. No geral acho um jogo bem detalhado, embora algumas personagens ainda têm expressões faciais muito estranhas. O voice acting também me pareceu competente, mas a ser sincero, e tal como já referi atrás, achei esta história muito fraquinha, não que nos anteriores tenha sido uma obra-prima também. O jogo tem também suporte às TVs que suportam o 3D, o que não é o meu caso nem fazia questão que tivesse. Mas ainda na parte técnica, não posso deixar de referir os problemas de instalação do jogo. Basicamente, é necessário instalar dados do jogo no disco para jogar, não é nenhuma novidade. Infelizmente essa instalação está repleta de problemas, e pelo que me lembro da primeira vez nem o consegui jogar devido a alguma incompatibilidade dos patches que foram lançados para o jogo. Então o que aconselho a fazer é: antes de começarem o jogo, vai aparecer uma mensagem a perguntar se o querem actualizar. Não o façam. Instalem o jogo no disco e só depois os patches. Ainda assim, depois quando forem a remover os dados do jogo do sistema não desesperem, mas vai demorar. Precisei de quase 50 minutos para apagar os dados do disco. É ridículo como a Insomniac não se deu sequer ao trabalho de lançar um outro patch a corrigir esta situação.

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Este é um jogo graficamente bonitinho, embora algumas personagens tenham caras estranhas, o que não é este caso.

Posto isto, e com este grande problema técnico que certamente irá apanhar de surpresa os mais desprevenidos, não é um jogo que eu recomende vivamente. Ainda assim, a nível de jogabilidade propriamente dita não há muito que me possa queixar, pois até me diverti a chegar ao fim do jogo. Só mesmo a história em si é que poderia ser melhorzinha, a meu ver. De resto não deixa de ser um bom FPS linear para entreter de vez em quando.

Resistance 2 (Sony Playstation 3)

Resistance 2Após a minha PS3 ter estado literalmente na gaveta este tempo todo (ter um backlog gigantesco tem destas coisas), finalmente voltei a pegar nela para jogar este Resistance 2 que já estava em fila de espera para ser jogado há muito tempo. O primeiro Resistance foi um dos jogos de lançamento da Playstation 3. Produzido pela Insomniac (os mesmos que nos trouxeram Ratchet & Clank), Resistance serviu para ser o first person shooter exclusivo de lançamento da consola, enquanto que no Killzone 2 a Guerilla ainda estava a coçar a cabeça a ver como iriam deixar o jogo tão bonito como no trailer de apresentação da E3. Sinceramente não me recordo onde comprei este jogo nem quanto me custou, só sei que foi há cerca de um ano atrás. Mas certamente não terá sido mais que 10€.

Resistance 2 - Sony Playstation
Jogo completo com caixa, manual e papelada

O primeiro Resistance falava dos Chimera, uma raça alienígena que de alguma forma lançou um vírus pelo planeta que infectava os humanos, transformando-os em criaturas hediondas chamadas de Hybrids. A pandemia começou pelos lados da união soviética (sim, porque o jogo decorre numa década de 50 bastante distópica e futurista) e foi sendo deflagrada pelo resto da Europa. Os Estados Unidos, aliados aos Britânicos têm lançado bastantes ofensivas aos Chimera, e neste Resistance 2 tal não é diferente, embora desta vez a “praga” já tenha chegado ao continente americano. Mais uma vez a nossa personagem é o Nathan Hale, um soldado norte-americano que tinha sido infectado pelos Chimera no primeiro jogo, mas ao contrário de todos os outros, em vez de se transformar num hybrid, ganhou poderes sobre-humanos e é capaz de regenerar a sua vida (boa desculpa da Insomniac para manter esta característica!!!). Hale liderará um esquadrão de Sentinels, outros humanos infectados com o vírus mas que possuem os mesmos “poderes”, na sua luta contra os Chimera principalmente em solo americano, bem como contra Daedalus, o vilão deste jogo.

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As estruturas Chimera continuam imponentes.

Ora o modo campanha é bastante linear, como seria de esperar na maioria dos FPS modernos. Tem alguns momentos bons, mas também tem os seus momentos mais frustrantes e aborrecidos, como defrontar várias waves de Chimeras como no Left for Dead. Existem também alguns inimigos novos bem como armas. Nos primeiros o destaque vai para os “predators“, invisíveis e especialmente chatos numa das últimas missões que nunca adivinhava muito bem de onde eles vinham. 1 hit destes gajos e morremos. Das armas temos agora uma mini-gun, mais uma outra arma de longo alcance. As armas Chimera, como as Augers e a sua capacidade de disparar através de paredes, ou as Bullseye com o seu sistema de “tagging” marcam o seu regresso assim como muitas outras. Mas ao contrário do primeiro jogo, apenas podemos carregar com 2 armas principais, mais um número reduzido de granadas. Mais uma vez os modernismos a lixarem o esquema todo…

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O facto da Auger ter um escudo como modo secundário é um pouco redundante a meu ver, visto ser possível disparar através de paredes.

Para além do modo campanha, que por sua vez decorre ao longo de 7 capítulos mais uma introdução, Resistance 2 tem também duas vertentes multiplayer, uma em modo cooperativo e outro competitivo. Infelizmente a Sony decidiu fechar todos os servidores dos Resistance, desde o primeiro ao último, em Março deste ano. Como tal, não os cheguei a experimentar, mas confesso que provavelmente iria perder muito pouco tempo também. Infelizmente, para minha desgraça, a vertente cooperativa não é o modo campanha, mas sim uma série de missões inteiramente novas. Isso sim, tenho alguma pena de não as ter experimentado. Penso que dê para as jogar offline com um amigo, mas não tenho a certeza. No multiplayer competitivo, esperem pelas opções do costume como variantes de deathmatch, capture the flag e ainda o modo skirmish que possibilitava ter partidas de até 60 jogadores, um número algo inédito em jogos online em consolas. Também existia um sistema de ranking que nos oferecia novas skins e habilidades, mas tudo se perdeu com o encerramento dos servidores.

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Algo que gostei: bosses! Fazem falta em muitos FPS.

Graficamente parece-me ser um jogo bastante competente. Os cenários vão sendo variados, apresentando tando áreas urbanas como rurais, outros mais industriais e coisas mais high-tech dos Chimera. Gostei bastante da maneira em como eles conseguiram conciliar a arquitectura e ambientes dos anos 50 com as coisas high-tech dos Chimera, com as suas naves gigantescas, torres e outros centros de “produção” dos seus guerreiros. A narrativa por outro lado não é nada de outro mundo, esperem pelos clichés do costume que se costumam ver em shooters militares ou outros jogos sobre “pandemias”, zombies e afins. Sim, certas coisas sobre pessoas ficarem infectadas e tal. Mas isso descubram vocês.

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Ao longo de quase todo o jogo teremos outros companheiros a lutar connosco. Às vezes até dão jeito.

No fim de contas achei este Resistance 2 um FPS bem competente, mas não espectacular ou que tenta reinventar a roda. Para quem é fã do género, é daqueles jogos para se comprarem baratinho, jogar uma ou outra vez o modo de campanha (para quem quiser descobrir todas as intels escondidas, por exemplo), e depois colocar na prateleira. Consigo perceber o porquê de a Sony ter dado preferência a Killzone em detrimento aos Resistance, mas não acho que sejam maus jogos e até estou curioso em saber como termina a trilogia, pelo que amanhã a PS3 vai receber mais algum mimo.

Child of Light (Sony Playstation 3)

Child of LightVamos voltar à Playstation 3 para uma análise a um jogo muito interessante, que apesar de não ser particularmente difícil e longo, possui uns visuais lindíssimos e uma jogabilidade simples, porém bastante eficaz. Produzido pela Ubisoft Montreal, e utilizando a mesma engine que mostrou os lindíssimos visuais de Rayman Origins ou Legends, este jogo é um híbrido entre um sidescroller 2D com alguns elementos de plataformas, com um RPG em que os turnos são dados por uma barra de tempo em que todos os intervenientes nas batalhas são alocados. E este Child of Light foi-me oferecido no meu aniversário pela minha namorada, sendo esta a “deluxe edition”, embora não contenha qualquer disco, mas sim vários códigos de activação do jogo e DLCs na PSN, tornando o jogo disponível para quem tenha PS3 ou PS4. Para além dos códigos de activação, o pacote traz também um livrinho com artwork do jogo e um porta-chaves luminoso do Igniculus.

Child of Light - Deluxe Edition - Sony Playstation 3
Jogo com caixa, códigos para download do jogo completo e alguns DLCs, livro com artbook, porta-chaves luminoso e um bonito poster que não está na foto.

E que história nos conta este jogo? Basicamente encarnamos no papel da jovem Aurora, uma menina da nobreza Austríaca com longos cabelos vermelhos que sofre uma estranha doença, entrando num sono profundo e com isso deixa o seu pai, Duque de qualquer coisa, numa depressão profunda. Mas Aurora acorda num mundo completamente diferente e após vaguear um pouco encontra Igniculus, uma bola de energia e luz que lhe diz que está em Lemuria, numa outra dimensão e que para voltar aos braços do seu pai deve recuperar as estrelas, o sol e a lua de Lemuria, que foram roubadas pela malvada rainha das sombras após ter invadido o pacífico mundo de Lemuria. Ao longo do jogo vamos descobrindo outras personagens bastante carismáticas que nos vão ajudar, como um duende feiticeiro, um golem que se procura a si mesmo, ou uma cidade de ratos avarentos, de onde o determinado Robert se prontifica a nos ajudar para ganhar o coração da sua amada.

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É impossível ficar indiferente a cenários com tal nível de detalhe

A jogabilidade é bastante interessante. Exploramos o mundo como se um sidescroller em 2D com elementos de plataforma e open world se tratasse, mas é nas batalhas que as coisas ganham contornos bem mais originais. Aqui Aurora e eventualmente mais algum companheiro da sua party combatem contra vários inimigos, numa mistura entre combate por turnos e tempo real, com cada elemento envolvido no combate a ter um ícone numa barra temporal na parte inferior do ecrã. Aqui os ícones vão-se movendo nessa barra enquanto o tempo vai passando até que chegamos a um ponto em que essa barra temporal entra numa nova etapa, passando do “wait time” para o “cast time”. Sempre que o ícone de uma personagem da party entra no cast time o tempo pára e podemos escolher qual a acção a desempenhar, desde fugir da batalha, usar items, defender ou actuar, escolhendo  uma skill para isso, sejam ataques físicos, mágicos ou outras magias para curar, aumentar os nossos stats ou diminuir os dos inimigos, por exemplo. Sempre que atacamos com sucesso um inimigo que já estava dentro do intervalo “cast time”, esse inimigo é interrompido e perde o turno, com o seu ícone a ir novamente para a parte detrás da barrinha temporal. No entanto o mesmo pode acontecer connosco.

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Os bosses tendem a ser bem grandes, como manda a lei

Mas as coisas não se ficam por aí, sendo este um RPG algo simples facilita-nos algumas coisas, como o facto de podermos mudar de party member sem qualquer penalização, com a nova personagem a poder também actuar de imediato quando entra no campo de batalha. Cada personagem que vamos encontrando tem as suas peculiaridades, como o rato arqueiro, o feiticeiro com magias elementais, “tanks” com enorme poderio físico como o Golem ou um certo guerreiro que encontramos perto do final do jogo, uma palhaça com as tradicionais habilidades de curar ou ressuscitar outros party members, ou outras personagens com habilidades de “buffs”, capazes de enfraquecer os inimigos ou tornar-nos mais rápidos a actuar, por exemplo. No entanto, se as duas personagens que estiverem na batalha morrerem, é game over. Isto dá-nos as liberdades para desempenhar diferentes estratégias, colocando no início uma personagem capaz de deixar os inimigos mais lentos e substituí-la no turno seguinte por uma outra mais forte, por exemplo. Outro exemplo dos “facilitismos” que este jogo tem é o facto de as personagens ganharem todas a mesma experiência no final da batalha, independentemente de terem sido utilizadas ou não. Os níveis que vamos ganhando, para além de nos aumentarem os stats gerais, também poderão ser utilizados para adquirir e evoluir várias skills, com cada personagem a ter 2 skill trees distintas entre si para evoluir.

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Infelizmente muitos NPCs não têm lá muita coisa para dizer

Mas outra coisa que achei bastante original é o papel desempenhado pela Igniculus, a bola de energia que nos acompanha ao longo do jogo. Tanto nós, com o segundo analógico do comando da PS3, ou um outro jogador a pode controlar, dentro e fora das batalhas. Fora das batalhas pode ser utilizada para abrir alguns baús especiais que tenham items, ou colectar umas orbs de energia que vão sendo largadas por umas plantas especiais. Mas as suas outras habilidades são bem mais úteis dentro das batalhas. Carregando no L2, faz com que Igniculus brilhe, o que pode ser utilizado para cegar alguns inimigos, tornando-os bem mais lentos, ou para regenerar pontos de saúde às nossas personagens. Mas não podemos usar essa “batota” durante muito tempo, pois isso gasta energia, que vai sendo recuperada lentamente com o tempo durante as batalhas. Mas mesmo durante essas batalhas também temos alguma wish trees que, ao serem tocadas por Igniculus largam as mesmas orbs que restabelecem alguma da nossa saúde, magic points e a própria barra de energia de Igniculus. Isto é também algo que nos facilita a vida nas batalhas, embora perto do final do jogo as coisas já se tornem um pouco mais desafiantes. De resto, muitos outros elementos de RPG são bastante ligeiros, por exemplo ao não haver qualquer tipo de loja onde podemos comprar novas armas ou equipamento. Os stats do equipamento podem ser melhorados ao coleccionar uma série de pedras preciosas espalhadas ao longo do jogo, ou ganhas após os combates. Essas pedras podem posteriormente serem misturadas entre si num simples sistema de crafting, gerando versões mais poderosas das mesmas, ou pedras com diferentes propriedades.

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A maneira como começamos os combates é determinante para saber quem actua primeiro. O ideal é tentarmos apanhar todos os inimigos de surpresa antes de entrar no combate em si, para termos logo essa vantagem à partida

É também na exploração que podemos encontrar muitas coisas extra, como items e power-ups escondidos em todos os recantos, ou mesmo novas sidequests ou dungeons opcionais, onde podemos até ter alguns simples puzzles para abrir portas ou novas passagens, ao interagir com alavancas, jogos de luzes com Igniculus ou arrastando caixas para locais chave. E é ao explorar o mundo de Lemuria que nos damos conta do enorme cuidado que a Ubisoft teve com os visuais do jogo, sendo estes lindíssimos e repletos de detalhes. Tal como vários jogos da Daedalic Entertainment, os backgrounds parecem retirados de uma obra de arte pintada à mão, mas sendo este um jogo com mais acção, são bem mais dinâmicos e vívidos. As cutscenes são excelentes, assim como o próprio artwork de todas as personagens que parecem mesmo retiradas de um livro de um conto de fadas infantil. Não existe qualquer voiceacting infelizmente, mas os diálogos também são um ponto forte do jogo, sendo escritos com uma linguagem cuidada e literária, com todas as frases rimando como versos se tratassem. Os efeitos sonoros cumprem bem o seu papel, mas é a música que leva a melhor nota do departamento áudio, com muitas melodias bem bonitas de piano, mas também outras músicas mais épicas e orquestradas quando o jogo assim o pede.

No fim de contas devo dizer que este Child of Light foi uma excelente surpresa. Ainda para mais quando soube que as pessoas responsáveis por este projecto também produziram jogos como o Far Cry 3. Afinal podemos passar de produções hollywoodescas onde podemos queimar plantações de droga e atirar em tudo o que mexe, para uma bonita história de embalar, contando as aventuras de uma jovem rapariga com mais amor pelo seu pai do que o da sua própria vida. Apesar de ser um jogo bastante simples para todos os que já forem veteranos do género, recomendo fortemente a sua compra, quanto mais não seja para encorajar empresas grandes como a Ubisoft a apostarem mais neste género de jogos “contra a corrente”.