The King of Fighters 2000-2001 (Sony Playstation 2)

Voltando à saga dos The King of Fighters, vamos ficar com mais uma compilação lançada para a Playstation 2, que contém o KOF 2000 e 2001. Estes The King of Fighters marcam um período conturbado no seio da SNK que, durante o desenvolvimento do KOF 2000 viu-se obrigada a abrir falência, pelo que o KOF 2001 já foi produzido por uma empresa diferente. Estas versões chegaram à PS2 já sob o nome de SNK Playmore e o meu exemplar foi comprado há uns bons anos atrás na Feira da Vandoma no Porto (no antigo recinto das Fontainhas), creio que na altura custou-me uns 2€!

Jogo com caixa, manual e papelada

Mas vamos começar com o The King of Fighters 2000. Este é o segundo jogo que relata os eventos dos NESTS, uma organização terrorista que procura dominar o mundo através de meios algo questionáveis. Mas na verdade pouco disso importa e no que diz respeito à jogabilidade, esta é uma sequela que mantém (e evolui) os conceitos introduzidos no KOF 99. Ou seja, temos na mesma equipas de 4 lutadores, sendo que a quarta escolha antes de cada combate pode ser apenas usada como striker, isto é, uma personagem que podemos chamar para desencadear alguma acção, não sendo directamente controlada por nós. A maior diferença é que, para além de um maior número de strikers e lutadores disponíveis, os strikers podem agora ser chamados em diversas situações, seja quando estamos a atacar ou a defender. A gestão da barra de combos é feita da mesma forma, com esta a poder alojar até 3 níveis de energia e a possibilidade de entrar nos modos Counter Mode e Armor Mode mantem-se também semelhante.

No KOF2000, Kula, a primeira midboss que encontramos, pode ser desbloqueada como personagem jogável

Mas mais uma palavra em relação aos strikers, cujos podem ser invocados mediante se tivermos “munições” para tal. Mas desta vez podemos obter mais chances de invocar strikers não só ao perder uma ronda, mas também ao ridicularizar os oponentes. De resto, é um jogo que introduz uma série de caras novas. Podemos escolher uma equipa de 4, seja ao usar alguma das equipas pré-estabelecidas, seja ao criar uma equipa da forma que bem entendermos. Antes de cada combate temos de seleccionar a ordem em que cada uma das nossas personagens actua, sendo que a última opção fica sempre como striker, ou seja, apenas poderá assistir-nos durante os confrontos. Mas é aqui que entram os conceitos do another striker, ou seja, a nossa quarta escolha tem sempre um striker alternativo que poderemos escolher, logo este jogo acaba por ter muitas, muitas mais personagens aqui inseridas, mesmo que os another strikers não possam ser controlados directamente. Por exemplo, assumindo que escolho a equipa Fatal Fury, com Terry e Andy Bogard, Joe Higashi e Blue Mary. Assumindo que deixo a Blue Mary como a quarta escolha, posso deixá-la como sendo ela própria a striker daquele combate, mas também poderia escolher o seu another striker que neste caso é o Ryuji Yamazaki. No caso do Terry ou Andy Bogard, os seus another strikers seriam o Geese Howard ou Billy Kane, respectivamente! Cada personagem jogável tem um another striker, pelo que o número de caras conhecidas deste KOF 2000 é bastante elevado. No caso desta versão PS2, poderemos ainda desbloquear uma série de strikers adicionais, os chamados Maniac Strikers!

O que mais há são novos strikers, que por sua vez podem ser chamados em diversos contextos

De resto, no que diz respeito aos modos de jogo, temos os habituais versus para 2 jogadores e contra o CPU, que tanto podem ser jogados em combates de equipas como no lançamento arcade, mas também em confrontos de 1 contra 1. Temos também um modo de treino e por fim o party mode. Este é essencialmente um modo survival, mas também é aqui onde desbloqueamos todos os strikers adicionais que esta conversão tem para oferecer. Temos também a possibilidade de desbloquear as aberturas de todos os King of Fighters lançados aneriormente, mas os requisitos para o fazer são bastante diversificados. A nível audiovisual devo dizer que gosto do design das novas personagens. Já as arenas, apesar de não serem más, creio que lhes faltam, mais numas que noutras, alguma inspiração. A banda sonora é bastante diversificada e agradável e nas opções poderemos alternar entre as músicas Neo Geo ou os remix desta conversão.

Esta é uma das arenas que achei interessantes no KOF 2000, principalmente pelos efeitos da tempestade de areia

Passando agora para o KOF 2001, esse é o jogo que fecha a trilogia dos NESTs, onde iremos finalmente acabar por conhecer os seus manda-chuvas, bem como teremos mais uns clones como personagens jogáveis. Foi também o primeiro KOF a ser desenvolvido após o encerramento do estúdio original. A coreana Eolith, que tinha comprado os direitos da série KOF após a falência da SNK, assumiu a produção do jogo, tendo tido a ajuda da BrezzaSoft, empresa formada por ex-funcionários da SNK. No que diz respeito às mecânicas de jogo, este apresenta uma evolução ainda maior perante as mecânicas de jogo introduzidas nos jogos anteriores. Temos uma vez mais uma base de 4 lutadores por equipa, mas ao contrário dos últimos jogos, onde a quarta opção ficaria renegada como striker, aqui podemos escolher livremente, dentro desses 4, quantos lutam e quantos ficam como strikers. Quer dizer que é possível colocar as 4 personagens como lutadoras e não ter nenhum striker, ou até lutarmos só com uma personagem, mas podermos chamar 3 strikers.

No KOF 2001, o número de barras de special é directamente proporcional ao número de strikers que temos

E isto terá um grande impacto na estratégia entre cada combate, pois quanto menos lutadores activos tivermos, melhor será a sua defesa/ataque, bem como maior será a percentagem de vida recuperada entre cada combate. Para além disso, em vez de gastarmos um “power up” de cada vez que invocamos um striker, estes estão associados à barra de special, que por sua vez terá mais níveis quantos mais strikers tivermos activos. Por exemplo, com 4 lutadores activos e nenhum striker, a barra de special só aguenta um nível, enquanto se no outro extremo tivermos apenas um lutador e 3 strikers, a barra de special terá 4 níveis. Sempre que há mais que um striker poderemos criar também alguns combos ao chamar strikers consecutivamente! Sinceramente já achei estas mecânicas de jogo um pouco mais overkill, algo que foi revertido nos King of Fighters que se seguiram.

Heidern de Ikari Warriors é uma das várias personagens que estão de regresso!

De resto é um jogo que volta a introduzir algumas caras novas, repesca caras antigas e troca uma série de equipas. Por exemplo, Kyo Kusanagi, o principal protagonista da série durante a saga Orochi, está de regresso à sua equipa com Benimaru, Goro Daimon (que por sua vez está também de regresso) e Shingo. Ao Iori Yagami também lhe assignaram uma nova equipa e os próprios NESTs também possuem uma equipa própria. No que diz respeito a esta conversão para a PS2, foram introduzidos os mesmos modos de jogo, com o Party Mode a servir uma vez mais para desbloquear uns quantos extras, como novos strikers, os bosses como personagens jogáveis ou novos cenários para as arenas.

As arenas do KOF2001 foram refeitas na PS2, mas por vezes o resultado final é um pouco estranho

A nível audiovisual confesso que este KOF 2001 me deixou um pouco desiludido. A banda sonora não é nada de especial, e as arenas também não. Faz-me lembrar um pouco o KOF97 na medida em que as arenas eram um pouco genéricas, com público a assistir e cameramen a filmar. A versão PS2 as arenas refeitas com mais algum detalhe, mas não tem o mesmo toque de brilhantismo que as versões Dreamcast do KOF98 e 99 conseguiram introduzir. Ao menos as personagens continuam bem detalhadas e animadas!

Portanto estas conversões do KOF 2000 e 2001 são dois itens de colecção interessantes, embora ambos os jogos não sejam dos mais aclamados dentro da série. Ainda assim, a menos que possuam uma Neo Geo, são 2 opções bem mais económicas para os jogarem, para não mencionar os extras que adicionaram em ambas as conversões.

Dino Stalker (Sony Playstation 2)

No seguimento da série Dino Crisis, e antes de desenterrar a minha Xbox para jogar o Dino Crisis 3, tinha ainda este spin off, o Dino Stalker, que é na verdade o terceiro jogo da série Gun Survivor, tipicamente dominada por títulos não tão bons da série Resident Evil. E visto que este é um jogo que suporta a G-Con 2, e essa light gun por sua vez tem um d-pad mais uma série de outros botões embutidos, a Capcom achou boa ideia, uma vez mais, não produzir um light gun shooter 100% on-rails como manda a lei e a tradição das arcadas, mas sim um jogo onde nos podemos mover livremente pelos cenários. O resultado está longe de ser óptimo, mas já lá vamos. Sinceramente já não me recordo quando e onde comprei isto, mas tenho a ideia de me ter custado uns 7€.

Jogo com caixa e manual

Bom, a história da série Dino Crisis é desnecessariamente confusa, mas basicamente este jogo é uma sequela directa do Dino Crisis 2, ou pelo menos assim o parece, visto que algumas das personagens desse jogo irão fazer parte desta narrativa. Mas o que interessa saber é que o nosso protagonista, Mike Wired, um piloto norte-americano em plena batalha no oceano atlântico durante a segunda guerra mundial, estava mesmo prestes a ser abatido por um piloto inimigo, quando é transportado no tempo, muitos anos para o futuro, onde a humanidade estava em ruínas e os dinossauros novamente dominavam o planeta. E é lá que conhece Paula, uma das personagens fulcrais do Dino Crisis 2, que lhe conta um plano mirabolante para resolver as coisas.

Em certos segmentos, temos um certo número de dinossauros para abater, para que estes deixem de aparecer

Ora no que diz respeito aos controlos, é aqui começam os problemas, infelizmente. Comecei por experimentar usar a G-Con 2, pois este é um light gun shooter e tenho a PS2 ligada a um CRT, logo seria a escolha óbvia. Aí temos o gatilho para disparar (óbvio) e o d-pad, que fica na traseira da pistola, para nos movimentar/movimentar a câmara. Para recarregar a arma teríamos de disparar para fora do ecrã, e depois temos uma série de botões secundários para o resto. Os botões laterais da G-Con 2, A e B, servem para fazer strafing (andar de lado) para a esquerda ou direita respectivamente e, caso sejam pressionados em simultâneo, activam a mira para a sniper rifle. No fundo da light gun, onde recarregaríamos as eventuais munições, temos também o botão C, que aqui serve para trocar de arma. Portanto, aquele d-pad não está no sítio mais intuitivo nem ergonómico, e usar a segunda mão para os botões secundários, enquanto tentamos abater todos os dinossauros que nos aparecem à frente… vai dar algum trabalho de habituação.

Temos uma série de armas especiais diferentes para usar, mas apenas podemos ter uma equipada de cada vez

No primeiro nível as coisas até correram bem, já que nem temos de nos mexer muito, pois estamos a cair em queda livre, enquanto atiramos com chumbo para carradas de pteranodontes que nos atacam. O segundo nível já é passado numa floresta, onde temos liberdade total de movimentos e foi aí que comecei a sentir mais dificuldades. Para além da curva de aprendizagem de controlos não standard, devia estar a fazer alguma coisa mal, pois por vezes eu pressionava o gatilho, tinha balas suficientes, mas simplesmente a bala não era disparada e ouvia uma espécie de “clique” no jogo. Como fui rapidamente devorado por velociraptors, desisti e passei a usar antes o comando normal. E aqui o jogo até que ficou bem mais agradável de se jogar, embora não tenhamos a fidelidade de uma light gun. Na verdade os controlos ficaram quase perfeitos, não fosse o controlo de movimento e câmara deixar um pouco a desejar. O d-pad ou analógico esquerdo serve para nos movimentarmos para a frente ou para trás, bem como virar a câmara para a esquerda ou direita. Já o analógico direito serve para mover a mira pelo ecrã, enquanto que o strafing ficou relegado para os gatilhos L2 e R2. O botão R1 serve para disparar, já os botões faciais servem para recarregar, activar a mira da sniper rifle, ou mudar de arma. Se tivesse pelo menos os controlos habituais nos FPS de hoje em dia na questão do movimento e controlo de câmara teria ficado perfeito!

Se pudermos atacar os dinossauros à distância, antes de nos virem, ainda melhor!

Mas vamos ao jogo. Sendo este um jogo tipicamente arcade (na verdade também recebeu um lançamento arcade) estamos em constante luta contra o relógio que, dependendo da dificuldade escolhida, pode ser ainda mais apertado. Temos alguns segmentos puramente on rails onde o único objectivo é o de sobreviver e matar todos os dinossauros que nos atacam, mas também temos outros segmentos onde podemos explorar livremente os cenários. Aqui devemos ter especial atenção ao radar que surge na parte inferior do ecrã, pois para além de nos indicar a posição dos dinossauros à nossa volta e se estes estão prestes a atacar-nos, também vemos lá umas setinhas que nos indicam a direcção da saída do nível. Tipicamente teremos também alguns bosses para defrontar. À medida que vamos explorando e destruindo também objectos ou outras partes do cenário, poderemos encontrar uma série de itens. Uns são cristais coloridos que nos extendem o tempo limite por alguns segundos, outros são medkits que nos regeneram parte da barra de vida ou mesmo nos ressuscitam quando morremos, antídotos para curar o veneno de alguns dinossauros, power ups para as balas e claro, as tais armas especiais. A nossa arma principal tem munições infinitas, quer seja usada no seu modo normal, como no modo sniper. Mas poderemos ter uma arma especial equipada, cuja é descartada assim que gastemos todas as suas balas. Apenas podemos ter uma arma especial de cada vez, pelo que cada vez que apanhemos uma arma nova, a anterior é também descartada. E aqui vamos tendo um arsenal interessante de metrelhadoras, lança granadas, lança rockets, shotguns e outras armas futuristas! Tal como no Dino Crisis 2 podemos também ter bónus na pontuação ao efectuar uns quantos combos e no final de cada nível a nossa performance é também avaliada.

À medida que vamos explorando, vamos encontrando também vários itens, que tipicamente são usados automaticamente sempre que necessário

A nível audiovisual é um jogo mediano. É certo que foi lançado em 2002, ainda relativamente cedo no ciclo de vida da plataforma, pelo que não esperem por cenários e dinossauros incrivelmente bem detalhados e com muitos polígonos. Ainda assim impressionou-me pela quantidade de objectos destrutíveis nalguns níveis, mas por outro lado o efeito de nevoeiro por vezes também estava bem mais próximo do que o expectável… para quê a sniper rifle quando deixamos de ver os dinossauros alguns metros à nossa frente? Ocasionalmente vamos tendo algumas cutscenes, umas em CGI de boa qualidade, outras ingame, mas todas elas com aquele voice acting cheesy como manda a lei neste tipo de jogos. Já à banda sonora, nada de especial a apontar.

No fim de contas este Dino Stalker é um jogo que ganharia muito mais se fosse linear, como os verdadeiros clássicos das light guns nas arcades. Usar a G-Con 2 para controlar o movimento num plano tridimensional, mais todos os outros botões para as acções secundárias, para além de ser distractivo, não é sequer lá muito ergonómico. É que o jogo é desafiante, o tempo disponível nem sempre é o suficiente e os dinossauros não querem saber das nossas dificuldades. Resta-me então o Dino Crisis 3! A ver se lhe pego em breve.

Marvel vs Capcom 2 (Sony Playstation 2)

Vamos a mais uma rapidinha a um jogo de luta e uma vez mais na Playstation 2. Marvel vs Capcom foi, durante uns bons anos, o último jogo de luta em 2D que fazia um crossover entra os universos da Marvel e da Capcom. Foi também o primeiro jogo que a Capcom desenvolveu no sistema Naomi da Sega, nas arcades, daí ter recebido muito rapidamente uma conversão para a Dreamcast também. O meu exemplar foi comprado há uns bons anos atrás, por aí em 2014, numa das minhas idas à feira da Ladra em Lisboa. Lembro-me perfeitamente de me ter custado apenas 2€ e ainda ter trazido um disco solto do Marvel Super Heroes vs Street Fighter!

Jogo com caixa e manual

Nesta sequela a Capcom introduziu muitas diferenças perante o seu predecessor, a começar pelo tag team, já que agora temos de escolher uma equipa de 3 personagens ao invés de apenas duas. E felizmente que nenhuma das consolas sofreu o mesmo mal da geração anterior e a jogabilidade foi mantida intacta perante a versão original, com os tag teams presentes em todas as versões. Os controlos foram também algo simplificados, com o layout de 6 botões de ataque a ser substituído por 4 mais 2 botões para invocar os assists. E aqui também temos algumas diferenças. O primeiro Marvel vs Capcom, na sua versão arcade e Dreamcas tinha um tag-team de 2 lutadores por equipa, mais um convidado especial que seria usado apenas para os assists. A versão Playstation, em virtude das suas limitações técnicas, permitia-nos optar se preferíamos usar essa personagem especial para os assists, ou um dos outros lutadores normaos. Aqui na sequela os assists podem ser executados por qualquer lutador na nossa equipa, sendo que inclusivamente poderemos definir no momento em que escolhemos a nossa equipa, quais os tipos de assist que cada personagem pode executar.

Inicialmente temos 24 personagens disponíveis mas poderemos desbloquear muitas mais!

De resto contem uma vez mais com um jogo de luta bastante frenético, com um grande foco em combos, saltos gigantes com combate pelo ar e inúmeros golpes especiais, como os tais assists, hyper combos e por aí fora. É sem dúvida um jogo extremamente divertido e o leque de personagens jogáveis é invejável. A versão PS2 começa com 24 personagens disponíveis de início, mas à medida que vamos jogando e ganhando pontos, poderemos posteriormente trocar esses pontos para desbloquear outras 32 personagens, totalizando 56 personagens no total, incluindo algumas supreendentes como a Jill Valentine de Resident Evil. Os pontos servem também para desbloquear uma série de outros extras como palette swaps de cada lutador ou artwork dos mesmos. Esses pontos podem ser conquistados ao jogar qualquer um dos modos de jogo que temos disponíveis nesta versão que são os tradicionais arcade e versus, um modo de treino e o score attack que é na verdade uma espécie de survival, onde com uma vida teremos de tentar vencer o máximo de combates possível e amealhar o máximo de pontos que conseguirmos.

As arenas são agora renderizadas em 3D e apesar de eu preferir o estilo gráfico mais tradicional, não ficaram nada más!

Já no que diz respeito aos audiovisuais, este Marvel vs Capcom 2 marca também pela sua diferença, tanto nos gráficos como no som. Começando pelos gráficos, este jogo não é inteiramente em 2D tal como os seus predecessores. As personagens continuam a ser em 2D, com um excelente nível de detalhe e animações. Já os cenários são completamente renderizados em 3D, embora a acção continue a decorrer num plano em 2D. Bom, eu prefiro cenários em 2D com pixel art muito bem detalhado, o que acontecia nos jogos anteriores, bem como nos da SNK. É verdade que os cenários não são feios, o resultado final nem é nada mau, mas é apenas uma questão de preferência. E infelizmente os cenários são um pouco genéricos, mas se a Capcom se desse ao trabalho de criar cenários específicos para cada personagem seria uma tarefa algo ingrata. Já no que diz respeito ao som, bom as personagens são bem perceptíveis, mas o que chama mesmo à atenção é a banda sonora, que agora é muito influenciada por ritmos e melodias jazz. Não estava nada à espera, mas as músicas até soam bastante bem!

Agora temos tag team com 3 personagens e o sistema de assists foi uma vez mais modificado

Portanto este Marvel vs Capcom 2 acaba por ser mais um excelente jogo de luta! Os crossovers da Capcom não se ficaram por aqui, pois ainda no mesmo ano, em 2000, a Capcom lançou o Capcom vs SNK, um crossover há muito esperado por todos os fãs de jogos de luta! Em breve há-de chegar a sua vez de ser cá analisado!

Guilty Gear X2 #Reload (Sony Playstation 2)

Bom, daqui para a frente não vou mesmo conseguir cumprir a minha meta pessoal de trazer cá um artigo por dia. O tempo para jogar não abunda e o facto de já levar com mais de 50 horas num outro jogo que planeio escrever no futuro também não ajuda. E mesmo quando eu jogo algo tão longo como um RPG, costumo ir sempre alternando com jogos mais curtos, mas também já não tenho muitos jogos curtos para documentar na colecção. Daí também ter trazido cá um número considerável de jogos de luta nas últimas semanas pois são jogos que tipicamente jogo de forma mais casual. E o artigo de hoje não será uma excepção a essa regra e será mais uma rapidinha. Isto também porque este Guilty Gear XX #Reload é um dos vários updates que o jogo recebeu em relação ao Guilty Gear X2 que já cá trouxe no passado. E sinceramente já não me recordo onde ou quando comprei o meu exemplar, mas terá sido certamente barato.

Jogo com caixa e manual

E pelo que joguei este é mesmo um mero update ao título anterior, com alguns balanceamentos no elenco de personagens e que para um jogador mais casual como eu iriam passar completamente despercebidos. E então pesquisando na internet lá consegui encontrar algumas diferenças. A maior está mesmo na personagem Robo-Ky, que para além de ser agora jogável de início, possui também o seu próprio conjunto de golpes. Já no que diz respeito aos modos de jogo, estes são idênticos ao do seu predecessor, como o modo história repleto de cutscenes simples, mas que ilustram bem a história do ponto de vista de cada personagem, bem como finais alternativos que vão sendo desbloqueados se cumprirmos certos pré-requisitos. O que este jogo traz de novo são novas missões no mission mode (agora um total de 100), e o survival mode escala o número de níveis para 1000! Já a jogabilidade continua brutal como sempre, sendo um jogo rápido, com grande foco em combos, e possui muitas particularidades na sua jogabilidade que o tornam um jogo bastante técnico e exigente para ser verdadeiramente dominado.

Tal como é habitual na série, existem inúmeros golpes especiais que são deliciosos de ver, mas muitos são bem difíceis de executar!

A nível audiovisual continua a ser um autêntico festim para os olhos e ouvidos. A Arc System Works já nos mimou bastante com esta série, pois temos personagens muito bizarras, bastante diferentes entre si, mas sempre com muito detalhe e excelentes animações. O facto de haverem muitos specials vistosos também ajuda! As arenas também vão sendo bastante diversificadas entre si e com um bom nível de detalhe. Mas melhor que os excelentes gráficos 2D, pelo menos tendo em conta o meu gosto pessoal, está precisamente na banda sonora, que na série Guilty Gear é tradicionalmente heavy metal, repleta de riffs de guitarra bem orelhudos e melodias bastante cativantes.

Portanto este é mais um jogo de luta bastante competente mas o Guilty Gear X2 recebeu imensos updates, alguns nem sequer chegaram a sair fora do Japão, pelo que me parece ainda prematuro dizer que esta seja a versão definitiva do jogo. Ainda tenho mais alguns para espreitar, creio que está na altura de tirar o pó à Nintendo Wii e ver o XX Accent Core em breve. Ainda bem que dá para usar o Classic Controller!

The King of Fighters Collection: The Orochi Saga (Sony Playstation 2)

Uma das coisas que mais gozo me dá ao coleccionar para a Playstation 2, é a grande variedade que existe de compilações de jogos mais retro para a consola. Este The Orochi Saga é então uma compilação que traz os primeiros 5 jogos da mítica série de jogos de luta da SNK, The King of Fighters, mais uma série de extras que irei detalhar em seguida. Para além dos extras, vou abordar muito ligeiramente cada um dos títulos aqui presentes nesta colectânea, excepto os King of Fighters 97 e 98 que analisarei mais a fundo noutra ocasião, pois tenho-os para a Neo Geo MVS. O meu exemplar desta colectânea foi comprado numa Cash Converters algures em 2015/2016 por um preço muito reduzido. A ver se em breve me aparece um completo com manual!

Jogo com caixa

A série The King of Fighters começou precisamente com o KOF 94. Aqui a SNK apresentou mais um jogo de luta 2D de 1 contra 1, mas com equipas 3 lutadores, num formato de “team battle“. Ou seja, para finalizar um combate, teríamos de derrotar os 3 lutadores da equipa adversária sequencialmente, com a barra de vida a ser ligeiramente restabelecida entre cada combate para o lutador vencedor. No nosso caso naturalmente também representamos uma equipa de 3 lutadores, pelo que o adversário só vence após os derrotar a todos. Mas para além disso, King of Fighters, como o nome da série indica, é também um crossover do universo da SNK, ao incluir não só personagens de outros jogos de luta como Fatal Fury ou Art of Fighting, mas também vai buscar personagens a séries que nada tinham a ver com o género, como os Ikari Warriors ou Psycho Soldiers, para além de introduzir algumas personagens inteiramente novas.

Os loadings são um pouco demorados, mas ao menos alguns dos ecrãs são úteis para nos relembrar alguns dos golpes especiais

Neste primeiro King of Fighters ainda não tínhamos a liberdade total de escolher os membros da nossa equipa, pelo que temos de escolher uma das 8 equipas diferentes que teoricamente representam um país e as personagens novas estão alocadas nas equipas do Japão e Estados Unidos. Do Japão temos Kyo Kusanagi, Benimaru Nikaido e Goro Daimon, sendo que Kyo iria ter um papel de destaque bem maior nos títulos seguintes. Já a equipa norte-americana não teve a mesma sorte e as suas personagens (Heavy-D!, Lucky Glauber, Brian Battler) acabaram por ficar completamente esquecidas ao longo da série. Mas no que diz respeito às mecânicas de jogo, os 4 botões faciais servem para desferir socos e pontapés ligeiros ou fortes, sendo que cada personagem possui também uma série de golpes especiais. À medida que vamos combatendo temos uma barra de energia que se vai enchendo (se bem que a podemos encher manualmente mas ficamos vulneráveis enquanto o fazemos) e uma vez essa barra cheia, ou quando estamos com pouca vida, podemos também desferir os desperation attacks, golpes especiais bastante poderosos.

A nível audiovisual, este era um jogo impressionante para 1994, com personagens muito bem animadas e com bastante detalhe tanto nas mesmas, como nos próprios cenários que eram também bastante diversificados entre si. Pontos extra para os cameos de outras personagens do universo SNK que vão surgindo em algumas arenas e também para as pequenas animações que antecedem cada combate! As músicas são agradáveis, mas nada que seja propriamente memorável, na minha opinião. Em suma este King of Fighters 94 não é um mau jogo, mas era ainda uma espécie de protótipo para o que viria a sair depois! E tirando a sua presença em compilações como esta, bem como o “remake” King of Fighters ’94 Re-Bout lançado em 2004 para a Playstation 2 no Japão, este primeiro KOF acabou por ter saído apenas originalmente nos sistemas NeoGeo (MVS, AES e CD).

Visualmente os jogos desta saga são muito bons, com personagens grandes, bem animadas e as arenas repletas de detalhes interessantes

No ano seguinte tivemos então o The King of Fighters 95, que segue a mesma fórmula básica do seu antecessor, mas desta vez com liberdade total para escolher a nossa equipa de 3 lutadores. É também o primeiro jogo que entra oficialmente no arco de história dos Orochis, com a história a dar mais foco ao Kyo Kusanagi como personagem principal, mas também com a introdução do seu rival, Iori Yagami. As personagens e equipas pré-definidas mantêm-se quase idênticas às do jogo anterior, com a saída da equipa dos Estados Unidos do KOF 94, ao serem substituídos por Iori Yagami e vilões da série Fatal Fury e Art of Fighting, nomeadamente o Billy Kane e Eiji Kisaragi. No que diz respeito aos visuais, o jogo é muito bom para a altura, com arenas muito bem detalhadas e personagens bem animados e também bastante carismáticos. A banda sonora é também mais variada e acabei por gostar mais do que a do primeiro jogo. Ao contrário do primeiro jogo este acabou por receber conversões para outras consolas da época para além dos sistemas da SNK e confesso que gostaria de arranjar a versão Sega Saturn num dia destes.

O KOF 94 tinha uma equipa norte americana repleta de lutadores genéricos e que rapidamente passaram ao esquecimento

Já em 1996 a SNK lançou mais uma sequela, o The King of Fighters 96, onde a maior novidade na jogabilidade está na introdução dos Super Desperation Moves. Nos títulos anteriores, os Desperation Moves podiam ser despoletados quando a barra de energia no fundo do ecrã estivesse cheia, ou quando a personagem tivesse pouca vida. Agora, se ambas as condições se verificarem, cada personagem pode despoletar o seu Super Desperation Move, um ataque especialmente poderoso! De resto é um jogo que traz muitas mudanças no leque de lutadores. Alguns saíram, outros mudaram de equipa e outros tantos entraram como é o caso de Leona Heidern do universo de Ikari Warriors, Kasumi Todoh de Art of Fighting, Mysterious e Vice, antigas secretárias do Rugal e que se aliam à equipa de Iori Yagami, bem como uma nova equipa com vilões conhecidos: Geese Howard, Krauser e Mr. Big.

A narrativa também está mais desenvolvida, com o poder dos Orochi a ser o tema central do jogo, com Kyo Kusanagi e Iori Yagami a serem os principais protagonistas novamente. A nível audiovisual é mais um jogo excelente, com arenas repletas de pequenos detalhes deliciosos e personagens bem desenhadas e animadas. A banda sonora é uma vez mais bastante eclética, com aqueles temas mais rock a sobressaírem-se, pelo menos para os meus gostos pessoais. De resto, este título, para além dos habituais sistemas Neo Geo, teve também um lançamento na Playstation 1 e Sega Saturn, mas infelizmente desta vez ficaram-se pelo Japão.

O modo treino permite-nos practicar os diferentes golpes em cada jogo

Esta compilação traz também os King of Fighters 97 e 98, que irei detalhar separadamente. Mas no que diz respeito às especifidades desta compilação em si, todas as versões que cá estão presentes são emulações dos originais Neo Geo, tal como noutras compilações do género que já cá trouxe, como a Art of Fighting Anthology, Fatal Fury Battle Archives ou World Heroes Anthology. E esta compilação aparentemente não possui uma emulação muito fiel, principalmente no que diz respeito aos controlos. Eu sinceramente sendo um jogador mais casual deste género, certas aspectos como esse acabam por me passar um pouco ao lado, mas já não é a primeira pessoa que me diz que esta compilação tem input lag em vários jogos e pelo que li nalgumas reviews parece ser mesmo o caso. Mas para além de problemas de emulação, esta compilação traz outras coisas boas, como vários desafios que podemos tentar cumprir (basicamente vencer combates sob condições muito específicas) que por sua vez nos desbloqueiam conteúdo bónus como músicas ou artwork. Para além disso cada um dos jogos desta compilação tem também um modo de treino onde poderemos ver como executar cada um dos golpes especiais e colocá-los em práctica.

Um dos extras interessantes desta compilação está precisamente nos seus desafios adicionais, que nos desbloqueiam conteúdo bónus. (screenshot da versão Wii)

Portanto esta é uma compilação muito interessante que traz os primeiros King of Fighters, sendo uma alternativa bem mais barata de os jogar de forma legítima. Para além da versão PS2, esta compilação foi também lançada para a PSP e Wii, estando também disponível de forma digital noutras plataformas como a PS4.