Vamos voltar à PS2, desta vez para o décimo-primeiro título da série The King of Fighters (não contando com o Neowave) e o primeiro jogo da série a deixar de lado o seu ano de lançamento no titulo. Tal como o já referido KoF Neowave e o NeoGeo Battle Coliseum é um jogo lançado originalmente nas arcades em 2005, sob o sistema Atomiswave da Sammy, que por sua vez era muito semelhante ao Naomi da Sega e por conseguinte à Dreamcast. Não foi por acaso que não há muitos anos atrás, um grupo de fãs se decidiu a modificar muitos destes jogos Atomiswave e torná-los compatíveis com a consola da Sega! O meu exemplar foi comprado numa Cash Converters algures em Março de 2015 por 3€.
Jogo com caixa, manual e um autocolante bem chato da Cash Converters no disco
No que diz respeito à história, este jogo segue os acontecimentos introduzidos pelo KoF 2003, com o personagem Ash Crimson como protagonista principal e uma vez mais os poderes dos Orochi metidos ao barulho. Na verdade a história não interessa muito, mas é sempre interessante ver as cut-scenes finais que vão sendo distintas entre si consoante a equipa de lutadores que seleccionamos. E as equipas pré-definidas nesta edição por vezes são algo estranhas. Por exemplo, a equipa do Fatal Fury consiste no Terry Bogard (com a sua vestimenta do Mark of the Wolves), Kim Kaphwan (que antes tinha uma equipa própria) e Duck King, uma das personagens do Fatal Fury 2 que marca aqui a sua estreia nos KOF. Ou a equipa do Art of Fighting que tem a King a fazer companhia aos irmãos Ryo e Yuri Sakazaki. Para além do Duck temos mais algumas personagens a estrear-se na série e umas outras tantas completamente novas. Naturalmente muitas das caras conhecidas (como é o caso do Robert Garcia ou Mai Shiranui) podem ser desbloqueadas posteriormente.
Apesar do elenco extenso, há várias personagens habituais que não estão cá. Algumas poderão no entanto serem desbloqueadas. Pena é pela arte dos seus retratos, que não é do meu agrado.
E este é então mais um jogo de luta entre equipas de 3 lutadores onde muitas das mecânicas de jogo introduzidas em títulos anteriores aqui se mantêm. De destaque nas novidades temos os quick shift, que nos permitem trocar de lutador a meio de um ataque ou os saving shift, que nos permitem fazer o mesmo enquanto estamos a ser atacados, sem que soframos mais dano durante as animações de troca das personagens. O dream cancel é outra das novidades, que nos permite executar certos golpes poderosos enquanto cancelamos outros (mas apenas o líder da nossa equipa pode fazer isto, aparentemente). A última novidade aqui introduzida a nível de mecânicas de jogo é a introdução da barra de skill, uma outra barra de energia para além dos specials e que é necessária para muitas destas técnicas acima mencionadas. Outra das novidades é, caso um combate termine o seu tempo, já não vence quem tem mais vida, mas sim para quem tenha lutado melhor.
Os cenários são em 2D mas com muito mais detalhe, já as sprites são ao mesmo estilo das Neo Geo. Há um contraste claro, mas não consigo deixar de gostar destas sprites assim!
Já no que diz respeito aos modos de jogo temos vários, começando pelo arcade que dispensa apresentações. O team play e o single play são variações que nos permitem participar em combates de 3 contra 3 (sem possibilidade de trocar de lutador) ou 1 contra 1. Todos estes modos de jogo podem também serem jogados como versus para 2 jogadores. O Endless é uma espécie de survivor com combates de 1 contra 1 onde a nossa vida será apenas parcialmente restabelecida entre combates. O modo challenge coloca-nos vários desafios cada vez mais complexos como executar uma série de técnicas especiais no mesmo combate. Terminar o modo challenge irá desbloquear tudo o que o jogo nos tem para oferecer, embora vários dos desbloqueáveis possam também ser desbloqueados de outras formas. Por fim temos um modo treino que é sempre bastante útil para practicar todas estas técnicas mais complexas.
Posso não ser muito bom nestes jogos, mas adoro a sua arte!
A nível audiovisual devo dizer que gostei bastante desta entrada na série. As personagens continuam muito bem detalhadas e com animações incríveis, mas mantendo o mesmo espírito pixel art das personagens que nos habituamos na NeoGeo. Mesmo as personagens novas foram desenhadas neste estilo e ficaram muito bem! Os cenários apesar de por vezes terem um aspecto um pouco mais realista, são completamente em 2D também, mas com uma qualidade bem superior ao que a velhinha NeoGeo conseguiria representar. A única coisa que já não gostei tanto, e isto é uma vez mais uma mera questão de gosto pessoal, é a diferença gritante entre a arte das personagens no jogo propriamente dito, e a que vemos nos menus e cutscenes. Estas últimas têm um aspecto bem mais anime e por vezes com feições bastante diferentes das personagens que controlamos. Esta arte é também utilizada nos retratos das personagens que estão actualmente a lutar e infelizmente sem nenhuma menção do seu nome. Portanto quando lutava contra alguma personagem nova, continuava sem saber quem era. De resto o som está muito bom e a banda sonora é bastante eclética e agradável.
O modo arcade possui 8 combates sendo que os últimos dois são bosses. O quarto combate é também um boss mas a personagem que enfrentamos depende da nossa performance nos combates anteriores.
Portanto esta é mais uma entrada bastante sólida da série King of Fighters. A versão PS2 inclui vários modos de jogo adicionais e muitas personagens desbloqueáveis, várias delas presenças assíduas na série mas que no seu lançamento original arcade ficaram de fora, como é o caso da Mai, por exemplo. Este King of Fighters XI é também o último jogo que tem um estilo gráfico que nos faz lembrar a Neo Geo, com os que lhe sucederam a terem visuais mais modernos.
De volta às rapidinhas na Playstation 2 para aquele que é o segundo título em 3D da série King of Fighters que por sua vez esta série Maximum Impact é um spin off da série principal, introduzindo toda uma série de novas personagens que, salvo erro, nunca mais foram reutilizadas noutros jogos. Tal como na série Street Fighter EX, claro. Para além de novas personagens e uma continuação da história introduzida pelo seu predecessor, este jogo reutiliza as mesmas mecânicas, daí este artigo ser também mais curto. O meu exemplar foi comprado algures em Fevereiro de 2016 numa Cash Converters por 10€.
Jogo com caixa e manual
No que diz respeito aos controlos, os botões faciais do comando da Playstation são utilizados para desferir socos e pontapés, que por sua vez poderão ser fracos ou fortes. O botão L1 serve para provocar os oponentes, enquanto o R1 é utilizado para os rolls evasivos ou movimento 3D pela arena. Tal como o seu predecessor, os combates são predominantemente de um contra um e para além da barra de vida de cada lutador temos também de ter em atenção às barras de specials (fundo do ecrã), que uma vez cheias nos permitem executar ataques poderosos ou outras habilidades avançadas, assim como a barra de guard, que se vai esvaziando a cada golpe que defendemos com sucesso. No que diz respeito a novas mecânicas de jogo, introduziram um sistema de parry que nos permite, com o timing certo, deflectir ataques dos oponentes, deixando-os momentaneamente expostos a dano. Os super cancels foram também trazidos para este jogo.
O elenco traz-nos 24 personagens jogáveis, mas muitas mais poderão ser desbloqueadas.
Já no que diz respeito aos modos de jogo, o principal é o modo de história e tal como no seu predecessor, algumas personagens têm a mesma história genérica que os acompanha ao longo dos sete combates, enquanto outras já têm uma história mais personalizada. Felizmente o número de personagens com uma história própria é bem maior que a prequela e o elenco também é consideravelmente grande. Começamos com 24 personagens disponíveis e à medida que formos completando o modo história com mais e mais personagens vamos desbloqueando outras 14, elevando o total para 38 personagens jogáveis. Para além do modo história podem também contar com o versus, que por sua vez possui diversas opções e submodos, incluindo lutar em equipas de 3 como nos KOF clássicos. Para além de um modo de treino bastante sofisticado, o jogo possui também uma série de outros desafios adicionais, desde provas em contra relógio, modo de sobrevivência e outras missões adicionais. Este modo de missões (que se distinguem entre fáceis e difíceis) leva-nos a cumprir os mais variadíssimos objectivos como desferir combos específicos ou técnicas especiais para derrotar algum inimigo. Enquanto que desbloqueamos personagens adicionais ao completar o modo história várias vezes, é jogando estes modos adicionais que nos permite desbloquear outros extras como fatos alternativos e novas arenas.
As cut-scenes em CGI estão óptimas!
No que diz respeito aos audiovisuais acho este jogo bem conseguido. Apesar de preferir de longe a arte 2D dos King of Fighters antigos (a SNK sempre foi exímia no detalhe gráfico, pixel art e animações dos seus jogos de luta da era Neo Geo), confesso que como um jogo de luta 3D estes visuais até que não resultam nada mal mesmo. As arenas vão sendo variadas e repletas de detalhe (incluindo aparições de outras personagens SNK em várias delas) e os modelos poligonais dos lutadores estão bem conseguidos. A banda sonora é agradável e felizmente a versão europeia deste jogo permite-nos alternar entre as vozes em inglês ou japonês. Apesar de, desta vez, não achar as vozes em inglês más de todo, acabo por preferir sempre ouvir as vozes originais. De resto acho que a nível de apresentação é um jogo bem conseguido e com cut-scenes bem detalhadas. Só de não ter um tipo bizarro e com cara de palhaço a apresentar cada combate já é uma grande evolução (se bem que este é agora uma personagem desbloqueável, Hyena).
Apesar de preferir de longe a artwork clássica em 2D da série, para uma PS2 o resultado final não ficou nada mau.
Portanto acho este mais um sólido e divertido jogo de luta em 3D e que nos traz imenso conteúdo para quem o quiser explorar mais a fundo. O elenco grande de personagens é benvindo! De resto só deixar também a nota que esta não foi a aparição final da série Maximum Impact. Essa honra vai para o Maximum Impact Regulation A, lançado no ano seguinte de forma exclusiva no Japão. É o único jogo desta sub-série a ter um lançamento arcade, com um outro para a PS2 a sair mais ou menos na mesma altura. Segundo sei, esse último título é uma espécie de remix deste jogo, trazendo uma nova personagem, a possibilidade de termos lutas 3×3, mas também com muitos outras funcionalidades removidas.
Fui recentemente desafiado, no âmbito da rubrica Backlog Battlers do podcast The Games Tome, a jogar este The Mark of Kri para a Playstation 2. É um jogo que tenho na colecção há já bastantes anos, mas nunca cheguei a ter a oportunidade de o jogar… até agora! The Mark of Kri, desenvolvido pelo estúdio da SCE de San Diego é um jogo de acção lançado em 2002/2003 nos mercados ocidentais e é também um jogo que tenho memórias de ver bastante gameplay num canal de videojogos quando tinha TV por satélite em casa dos meus pais. O meu exemplar foi comprado algures em Março de 2014 na saudosa Cash Converters de Alfragide em 2014 por 3€.
Este é então um jogo de acção e com especial foco na acção furtiva que tem como influência muita da cultura de povos polinésios e seus guerreiros, como é o caso dos Maori. Nós controlamos o guerreiro Rau Utu e começamos por ajudar a população da nossa aldeia a livrá-los de uma série de bandidos que os praguejavam. Eventualmente a história vai progredindo e vamos ter de enfrentar forças inimigas maléficas e cada vez mais numerosas.
Jogo com caixa, manual e papelada
O jogo possui uma jogabilidade bastante diferente do habitual particularmente no combate. Em cada nível vão sendo introduzindo novas mecânicas de jogo e tipicamente novas armas também, pelo que deveremos fazer os treinos opcionais de cada missão para melhor interiorizar esses conceitos. Começando pelos controlos, o analógico esquerdo controla a personagem, os botões faciais (excepto o triângulo) são exclusivamente utilizados para o combate, assim como o analógico direito, logo infelizmente não temos grande controlo de câmara. O botão R1 serve para bloquear, o botão R2 para mudar de arma, o L1 serve para activar uma perspectiva em primeira pessoa e controlar a câmara e os restantes botões mencionarei mais à frente.
O sistema de combate é original, principalmente quando enfrentamos grupos de inimigos, visto que cada um poderá ter um botão facial distinto
No que diz respeito ao combate, nós estamos inicialmente munidos de uma espada e o jogo permite-nos “focar” num máximo de 3 inimigos que podemos atacar em simultâneo, embora outras armas que desbloquearemos mais tarde e que possuem um alcance maior (como é o caso da lança ou do machado), permitem-nos focar em mais inimigos em simultâneo. Para focar os inimigos devemos utilizar o direccional direito e uma vez focados, cada inimigo terá um botão facial associado para o atacar, como é o caso do X, quadrado ou círculo. Existem no entanto várias particularidades deste sistema de combate, como por exemplo, quando atacamos um inimigo em particular, Rau fica virado para ele, mas caso pressionemos um dos outros botões uma vez apenas, Rau atacará o inimigo assignado a esse botão, mas mantém-se virado para o inimigo original. Se pressionarmos o botão de ataque de um outro inimigo mais que uma vez, Rau então já se volta para o novo alvo. Outra particularidade a ter em conta é que mesmo que existam vários inimigos a nos atacarem em simultâneo, podemo-nos focar apenas num, com os restantes botões faciais a servirem para serem usados em combos poderosos (cuja lista podemos consultar a qualquer momento no ecrã de pausa). Para além das armas já referidas, a partir do terceiro nível desbloqueamos um arco e flecha que é uma arma de eleição para atacar inimigos a longa distância, embora não resulte nos que tenham armaduras.
Quando funciona, as mecânicas stealth são deliciosas e as mortes são super violentas
O sistema de combate é então muito diferente do convencional e vai-nos obrigar a ter uma janela de aprendizagem consideravelmente grande, pelo que deveremos antes usar uma abordagem mais furtiva sempre que possível, algo que aprendemos a fazer a partir do segundo nível e para mim é mesmo isso o melhor que o jogo tem para oferecer. Para sermos furtivos, temos de começar por não ter nenhuma arma equipada, só assim é que Rau se consegue movimentar de forma mais silenciosa e executar inimigos que possam ser surpreendidos nas suas costas, bem como colar-se a paredes e assim apanhar alguns inimigos de surpresa em certas esquinas, ou atirar-se de algum telhado e apanhar inimigos no solo. Para nos auxiliar a passarmos despercebidos temos de usar e abusar do Kuzo, uma ave (nosso guia espiritual) e que nos acompanha ao longo de todo o jogo. Basicamente poderemos encaminhar o pássaro para voar para certos locais vantajosos (recorrendo ao botão L2) e com o triângulo a câmara muda para a visão do pássaro. Isto serve portanto para fazermos scouting de novas áreas, observar a localização dos inimigos, as suas rotas e como poderemos explorar as suas fraquezas. Devemos estar especialmente atentos aos inimigos que possuem uma corneta, pois esses podem fazer soar os alarmes e chamar mais uns quantos para o combate se formos descobertos. Ocasionalmente poderemos arranjar também maneira de os distrair temporariamente, como assustar animais ou disparar flechas para sinos convenientemente localizados. Até aos últimos níveis, tirando poucas excepções, é possível ir matando os inimigos de forma silenciosa usando todas estas estratégias e isso foi sem dúvida o que mais me agradou no jogo. Ainda um outro detalhe interessante a mencionar quando optamos por uma opção furtiva, se formos descobertos e atacados, poderemos rapidamente equipar a última arma com um pressionar do botão R2. Mas temos outra opção, mais perigosa. Enquanto estivermos desarmados, se o nosso timing for o adequado, ao carregar no botão de defesa quando um inimigo nos está a atacar, conseguimos-lhes roubar a arma e usá-la para o matar rapidamente.
A mira com o arco é um pouco penosa de atinar, mas a ideia é, quando aparece a cruzinha em cima do personagem então o disparo será 1-hit kill, ideal para passarmos despercebidos.
Mas nem tudo são rosas. Já referi que o sistema de combate é complicado particularmente quando teremos muitos inimigos a nos atacar em simultâneo, o que irá acontecer com alguma frequência nos últimos níveis e no último nível em si, é impossível qualquer estratégia de passarmos despercebidos. Como se já não bastasse termos um exército de zombies, muitos deles fortemente armados e protegidos, a atacarem-nos de todos os lados, vamos ter também uns inimigos que nos roubam as nossas armas, podendo-nos deixar completamente indefesos até as conseguirmos reaver. Tendo em conta que este é um jogo que herda algumas decisões de design da geração anterior como é o caso de apenas podermos gravar o nosso progresso com recurso a itens próprios e os medkits não são assim tão comuns quanto isso, a dificuldade acaba por aumentar bastante nos últimos níveis. E o jogo em si tem também alguns outros problemas: a detecção de colisões deixa muito a desejar (é possível inimigos atacarem-nos com flechas e estas atravessarem paredes, por exemplo) a parte furtiva é algo inconsistente pois às vezes os inimigos reparam em nós só porque não temos a postura certa, apontar com o arco e flecha é desnecessariamente complicado e às vezes os controlos parece que não respondem devidamente. Em suma, é ainda um jogo do início de vida da PS2 e isso nota-se bem.
À medida que vamos avançar no jogo, iremos ter acesso a diferentes armas que poderemos alternar recorrendo a um dos botões.
Ainda no que o jogo nos tem para oferecer, em cada nível temos um item secreto para apanhar e outros objectivos opcionais para cumprir, como matar um certo número de inimigos de forma furtiva, executar um certo combo várias vezes, entre vários outros. Ao apanhar todos os coleccionáveis desbloqueamos a opção de rejogar os níveis anteriores com todas as armas no inventário e sempre que completamos todos os objectivos opcionais de cada nível, desbloqueamos uma arena especial desse próprio nível. Em cada arena existem desafios de tempo, ou body count e o objectivo acaba sempre por ser o de matar um certo número de inimigos dentro de um tempo limite. Cumpridos os desafios dessas arenas, vamos desbloqueando diversas galerias de arte ou vestimentas alternativas que Rau pode utilizar.
A arte deste jogo está muito boa, quase parece retirada de um filme da Disney, não houvesse tanta violência
Já no que diz respeito aos audiovisuais, o jogo é também bastante original nesse aspecto. Isto porque todas as personagens têm um aspecto bastante cartoon que mais parecem saídas de um filme da Pixar ou Dreamworks. Por outro lado é também um jogo super violento na medida em que podemos estrangular, impalar, decapitar ou desmembrar os inimigos à nossa vontade e esse contraste entre um jogo visualmente bonito e extremamente violento acaba por resultar bem. Os níveis apesar de poucos vão sendo bastante diversificados entre si, sempre com a influência da cultura Maori e seus povos, pelo que iremos percorrer níveis em plena selva ou outros em templos remotos. Para terem uma ideia de como o jogo está bem implementado a nível artístico, os ecrãs de loading são soberbos, mostrando várias imagens a serem desenhadas, com as personagens e cenários cada vez mais bem detalhados, culminando num desenho nas costas de Rau e o cenário do nível à sua volta, com o ecrã a transitar para os gráficos do jogo em seguida, mantendo a mesma imagem. Tecnicamente no entanto nota-se bem que é ainda um jogo de um ciclo de vida algo prematuro da PS2, pois os inimigos não são assim tão bem detalhados quanto isso e as texturas como um todo são de qualidade um pouco fraca. A acompanhar a história vamos tendo um voice acting competente e a banda sonora também não é nada má.
Adoro a maneira em como as cutscenes transitam de uma paisagem pintada à mão para os gráficos do jogo em si.
Portanto este The Mark of Kri é um jogo bastante interessante e muito original nas suas mecânicas. Como um jogo furtivo é excelente e diverti-me imenso a tentar passar os níveis sem ser descoberto, já o sistema de combate apesar de toda a sua originalidade, ainda tinha potencial para ser bastante afinado. Depois de andarmos o jogo todo com pézinhos de lã e evitar ao máximo sermos descobertos, o último nível tira-nos completamente o tapete, pois somos obrigados a atravessar inúmeras salas repletas de inimigos, sem qualquer hipótese de furtividade e com aquelas criaturas especialmente irritantes que ainda nos roubam as armas. Deveria ter sido um jogo mais balanceado aí. Ainda assim foi um título que recebeu boas críticas na altura e anos mais tarde, em 2005, sai uma sequela: Rise of the Kasai. Infelizmente é um jogo que se manteve exclusivo em solo americano e apesar das suas más críticas, fiquei curioso em jogá-lo num dia destes.
Vamos voltar agora para a Playstation 2 para um jogo de uma série que há muito que não trazia cá, a Alone in the Dark. Embora os seus primeiros títulos tenham sido importantíssimos para construir as fundações dos survival horrors que se viriam a popularizar imenso nos finais dos anos 90, foram precisamente séries como Resident Evil ou Silent Hill que acabaram por ficar com todos os louros. E foi precisamente nesse auge de popularidade que os franceses da Infogrames lá decidiram voltar a pegar nesta série com um novo título que acabou por sair para diversas plataformas durante o ano de 2001, incluindo a Playstation 2, cuja versão acabou por se tornar exclusiva do mercado europeu. O meu exemplar sinceramente já não me recordo quando ou onde o comprei, mas terá sido seguramente bastante barato.
Jogo com caixa e manual
Enquanto a trilogia original decorria algures nos anos 20, este quarto jogo já nos leva aos tempos modernos, onde poderemos encarnar numa de duas personagens: o detective Edward Carnby que procura investigar o assassinato de um seu colega, ou a professora universitária Aline Cedrac, especialista em culturas indígenas norte-americanas. Ambos viajam para a misteriosa ilha Shadow Island, cuja é propriedade de uma antiga, porém riquíssima família e também envolta em polémica pois muita gente já havia morrido e/ou desaparecido daquela ilha de forma misteriosa. Ora durante a viagem para a ilha ambos são atacados por estranhas criaturas, pelo que acabam por saltar do avião em pleno voo com Edward e Aline a aterrarem em zonas completamente distintas. Apesar de a jogabilidade entre ambas as personagens ser essencialmente a mesma, existem zonas exclusivas para cada uma pelo que a história terá contornos ligeiramente diferentes com ambas as personagens.
Sabemos que estamos perante um jogo especial quando o que têm a dizer de uma das personagens é o facto de terem uma arma grande.
A jogabilidade é a de um survival horror clássico daquela geração. Ou seja, tank controls, botão R1 para apontar a arma e o X para disparar ou para servir de botão de acção geral caso não tenhamos a arma equipada. O triângulo abre o menu onde poderemos investigar, seleccionar ou combinar itens, armas, mapas ou gravar o progresso no jogo. O quadrado serve para correr e o círculo para ligar ou desligar uma lanterna. Apenas um dos analógicos (o esquerdo) é utilizado e para controlar a direcção para onde apontamos a lanterna, pelo que o movimento é todo feito com recurso aos botões direccionais. No que diz respeito à lanterna, essa mais vale estar sempre ligada, pois sempre que a apontamos para algum objecto que pode ser coleccionado como chaves, medkits ou munições eles acabam sempre por brilhar. E no combate também pode ser útil, particularmente no caso da Aline que começa a aventura sem qualquer arma de fogo e os primeiros inimigos que enfrentamos são particularmente sensíveis à luz.
Aline começa a aventura sem qualquer arma. Felizmente as primeiras criaturas que nos aparecem são vulneráveis à luz, pelo que basta lhes ir apontando a lanterna para eventualmente as derrotar.
De resto à medida que vamos explorando e avançando no jogo iremos encontrar muitos documentos que vão enriquecendo a história, assim como outros NPCs que nos vão dando algumas dicas. Sempre que há algum evento importante Edward e Aline falam entre eles através de um walkie talkie e lá vão decidindo o que fazer em seguida. Ocasionalmente temos também alguns pequenos puzzles como descobrir certas combinações para desbloquear passagens ou destrancar certos cofres. No que diz respeito às armas de fogo, se explorarmos bem as munições não são assim tão escassas quanto isso e à medida que vamos avançando iremos também descobrir armas mais tecnologicamente avançadas como armas eléctricas ou de plasma.
Apesar do inventário ser ilimitado, a maneira como o interagimos é muito parecida com os Resident Evils da vida. E sim, é bem mais rápido recarregar armas nos menus do que durante o combate. Usem e abusem!
A nível audiovisual este jogo não é nada do outro mundo mas cumpre bem o seu papel. É todo passado durante a noite como é habitual neste tipo de jogos e teremos toda uma gigante mansão para explorar, a floresta à sua volta, imensos subterrâneos ou até uma grande fortaleza antiga. A banda sonora que nos acompanha é principalmente composta por certas melodias mais tenebrosas e ambientais como seria de esperar, embora não seja um jogo particularmente assustador. No que diz respeito ao voice acting confesso que este é um jogo que me deixa um pouco dividido. Por um lado o talento das vozes não é tão mau como em muitos outros jogos da época, por outro lado, a maior parte das vezes que Edward e Aline vão falando entre si os seus diálogos por vezes são bastante sarcásticos, o que por um lado é algo que eu aprecio, mas não num contexto de um jogo de terror, muito menos entre duas personagens que se tinham acabado de conhecer. De resto a nível gráfico contem com os típicos ângulos de câmara fixos e cenários pré-renderizados. Esta versão da PS2 possui modelos poligonais e uma resolução superior à da versão PS1, mas parece ficar uns furos abaixo (nada de especial atenção) da versão Dreamcast, principalmente nos efeitos de luz.
No fim de contas este é um clone de Resident Evil bastante competente, embora não seja nenhuma obra prima do género.
Portanto este Alone in the Dark: The New Nightmare é um survival horror decente. Não traz nada de muito novo para cima da mesa quando comparado a outros jogos do mesmo estilo que haviam no mercado (e sinceramente nem tinha grande obrigação de o fazer visto que foi a série que fundou todo este subgénero), mas é sim uma grande evolução quando comparado com os seus predecessores. Não achei a história incrível, mas acho que no geral foi um bom esforço por parte da infogrames. No entanto presumo que o jogo não tenha vendido tanto quanto a Infogrames esperaria, pois apenas voltamos a ver um novo Alone in the Dark 7 anos depois e sob um enorme chorrilho de críticas.
Vamos voltar à Playstation 2 para mais um dos seus jogos de luta, desta vez para este KOF Maximum Impact. Apesar de a SNK já ter tido alguma experiência com jogos de luta 3D, todos eles desenvolvidos para o sistema arcade Hyper Neo Geo 64 que acabou por ser um fracasso comercial, este é o primeiro KOF desenvolvido como um jogo de luta em 3D e foi desde logo pensado como sendo um spin-off à série principal, tal como acontece nos Street Fighter EX. O meu exemplar foi comprado em 2015 quando visitei a cidade de Oslo na Noruega. Na altura descobri uma interessante loja de videojogos e, apesar dos seus preços serem maioritariamente elevados, ainda descobri alguns títulos bem em conta, como foi o caso deste Maximum Impact que foi comprado selado por um valor que não chegou aos 15€.
Jogo com caixa, sleeve exterior de cartão, manual com instruções rápidas, disco bónus e um manual adicional bem mais luxuoso
No que diz respeito aos modos de jogo, os controlos base usam os mesmos 4 botões faciais do comando da PS2 para executar socos ou pontapés, fracos e fortes. Temos também uma barra de specials que se vai enchendo à medida que vamos distribuindo porrada e que nos permitirá executar alguns golpes poderosos. Apesar dos seus visuais completamente em 3D poligonal, na sua essência este jogo mantém as mesmas mecânicas de um jogo de luta em 2D, embora também nos permita de certa forma mover-nos num plano tridimensional. Para isso teremos de pressionar os botões soco e pontapé fracos em simultâneo, em conjunto com uma direcção. Esquerda ou direita activa os rolls evasivos que já estávamos habituados, enquanto que cima ou baixo nos permitem desviar à volta do nosso oponente. De resto, para além desta transição para o 3D, a maior mudança a nível de jogabilidade é a de, pelo menos no modo história, este ser um jogo inteiramente de lutas 1 contra 1, ao contrário dos restantes KOF que nos obrigam a usar equipas de 3 lutadores, podendo ainda ter acesso a mecânicas de tag. A nível de personagens temos aqui 19 personagens ao todo mais uma desbloqueável (o boss Duke). Dessas 20, 6 foram especialmente criadas para esta subsérie Maximum Impact e, que eu saiba, ainda não surgiram em mais nenhum KOF da série principal.
Tal como nos Street Fighter EX, nesta série são apresentadas várias novas personagens que nunca mais ouviremos falar
No que diz respeito os modos de jogo, temos aqui o modo história que nos leva a lutar contra 6 oponentes mais um boss final, o tal Duke. A história em si sinceramente não é nada de especial pois leva-nos a participar em mais um torneio King of Fighters realizado por uma organização criminosa com algum plano macabro por detrás. Isto é-nos dito por uma personagem que mais parece um palhaço e que também nos apresenta o próximo adversário entre cada round. A história é então completamente genérica para a maioria das personagens e apenas 3 das 6 novas personagens nos darão acesso a alguns diálogos adicionais que enriquecem um pouco mais a história. É o caso dos irmãos Meira e da femme fatale Lien Neville. Para além do modo história temos também um modo versus que tanto pode ser jogado sozinho ou contra um amigo e aqui já temos a possibilidade de criar equipas de 3 assim como o modo practice que dispensa apresentações. Para além disto temos também um modo challenge que se subdivide nos mission mode e time attack, onde neste último o objectivo é o de obter o melhor tempo possível. O mission mode apresenta-nos uma série de desafios como fazer um certo número de combos, derrotar um oponente dentro de um certo tempo limite, usar algum golpe especial, entre muitos outros. Completar missões desbloqueiam-nos novas arenas e fatos para as personagens.
Por vezes os uniformes alternativos de certas personagens remetem-nos para outros jogos, como é a vestimenta de Terry Bogard do Mark of the Wolves
A nível audiovisual sinceramente não acho o jogo mau de todo. As arenas vão sendo bastante variadas entre si e consideravelmente bem detalhadas. As personagens são todas em 3D poligonal e apesar de não serem propriamente mal detalhadas, há, a meu ver, uma grande perda de qualidade no design e animações das personagens quando estas transitaram para o 3D poligonal. Mas isto é mesmo uma questão de gosto pessoal, que sempre achei as sprites da SNK extremamente boas! E sinceramente acho a maior parte das novas personagens desinteressantes, acho que só mesmo a Lien Neville se aproveita (e não, não é devido ao seu decote e atributos femininos). A banda sonora vai sendo também algo eclética, abrangendo géneros como o rock, pop e electrónica e é de forma geral agradável de se ouvir. O mesmo não pode ser dito do voice acting que foi todo regravado para inglês no lançamento ocidental e sinceramente fica muito a desejar na sua qualidade.
O jogo abre com uma cutscene em CGI que por acaso acho muito bem trabalhada.
Portanto este KOF Maximum Impact é um jogo de luta bastante competente e divertido de se jogar, embora, por gosto pessoal, prefira de longe o design artístico dos clássicos em 2D da Neo Geo. Ainda assim o jogo deverá ter tido algum sucesso, pois a SNK Playmore ainda lançou pelo menos dois sucessores. Esta edição europeia vem acompanhada de um disco adicional com um making of do jogo, bem como um manual inteiramente a cores que é de tão boa qualidade que nem cabe dentro da caixa do jogo, obrigando assim que o mesmo viesse acompanhado de uma sleeve exterior de cartão para comportar ambos.