O primeiro Dead or Alive tem uma história algo curiosa. Foi desenvolvido originalmente para o sistema Model 2 da Sega, apresentando gráficos excelentes e que até ultrapassavam os do Virtua Fighter 2, muito devido às físicas mais “realistas” de objectos leves que se abanavam, como as roupas e cabelos ao sabor do vento, ou no caso das meninas, outras coisas também se abanavam bastante, de forma não muito natural. Essa versão acabou por sair também para a Sega Saturn apenas em território japonês e mesmo não tendo todo o detalhe gráfico do original, acabou também por ser um dos jogos 3D mais competentes da consola. Algum tempo depois a Tecmo decidiu lançar também este jogo na Playstation, mas o mesmo acabou por ser não uma conversão directa, mas quase um remake, apresentando uma série de melhorias, novos modos de jogo e gráficos ainda mais detalhados. Este meu exemplar veio de um negócio do OLX que me custou cerca 2.5€, embora infelizmente não tenha manual.
Jogo com caixa
E o Dead or Alive é um fighter em 3D com uma jogabilidade fluída, onde as mecânicas core de jogo assentam num princípio algo pedra-papel-tesoura, onde os counters têm vantagem sobre os ataques normais, que por sua vez perdem para os throws e estes são suplantados pelos ataques normais. A nível de modos de jogo, para além do tradicional arcade (que aqui se chama tournament) e do versus para 2 jogadores, temos também outros modos que acabam por não ser estranhos aos fãs de jogos de luta. Um é o Team Battle, onde podemos fazer equipas de até 5 lutadores que defrontam outros 5 lutadores de forma sequencial. Outro é o Survival onde vamos enfrentando vários oponentes com a nossa vida a ser apenas ligeiramente restabelecida entre cada round. Temos também o Kumite, onde teremos de defrontar 100 inimigos no menor tempo possível, o time attack é mais um modo de jogo contra-relógio, e por fim temos o Danger Zone (não consigo deixar de trautear a melodia do Top Gun sempre que vejo estas duas palavras juntas) onde todo o ring está armadilhado com explosivos que detonam sempre que um lutador é mandado ao chão. Na verdade, nos modos de jogo normais, a parte de “ring out” é explosiva. E claro que temos também um training mode para irmos treinando os movimentos das personagens.
Ouch! Deve ter doído!
A nível gráfico este Dead or Alive é de facto um jogo bem bonito para uma consola desta geração. Os lutadores estão muito bem detalhados e o que não faltam são uniformes alternativos para serem desbloqueados, especialmente para as meninas e os seus atributos especiais (este Itagaki nunca enganou ninguém). Detalhes como os cabelos ou os vestidos a abanarem ao vento estavam muito à frente do seu tempo. Depois claro, temos a sensualidade das lutadoras, algo que sempre ficou patente nesta série. A banda sonora vai sendo bastante diversa, indo buscar algumas faixas mais rock que me remetem logo para aquela fase da Sega nas arcades que sempre me agradou. E tirando as mamocas a abanar, este Dead or Alive parece mesmo algo inspirado pela série clássica da Sega nos seus visuais e de certa forma, na jogabilidade também.
Por muito tarado que o Itagaki seja, também temos algumas vestimentas estranhas para desbloquear. Mas talvez ele goste de furries…
Posto isto, e apesar de continuar a preferir a série Virtua Fighter por tudo e mais alguma coisa, este Dead or Alive para mim até se acabou por revelar uma óptima surpresa! E tem o Ryu Hayabusa da série Ninja Gaiden que sempre achei uma personagem bem metida para um jogo deste género (se bem que também temos o Kage Maru no VF). Um bom jogo de luta sem dúvida, e em breve hei-de escrever aqui algo sobre ambas as versões do Dead or Alive 2 na minha colecção.
Esta rapidinha, que à partida será o último artigo que publico da PS2 nesta semana, é sobre mais uma pequena compilação, desta vez são conversões directas das arcades de dois shmups bem divertidos da Psikyo, o Gunbird 1 e 2. E sendo conversões directas de arcade, não teremos aqui os extras de Gunbird 2 para a Dreamcast como por exemplo, ter a Morrigan da série Darkstalkers jogável. Este meu exemplar foi comprado algures em 2015 na cash converters de Alfragide por 2.5€.
Jogo com caixa e manual
E quando digo que estes são jogos bastante divertidos, não me estou a referir só à jogabilidade, mas também ao carácter das diversas personagens e da história em geral. Nesta última, apesar de parecer, não estamos propriamente a combater um império qualquer ou defender-nos de alguma invasão alienígena. No primeiro Gunbird o objectivo é reunir várias peças de um espelho mágico para invocar um génio que nos permite realizar um desejo. No segundo temos como objectivo também encontrar alguns cristais que depois nos dão acesso a um esconderijo do próprio Deus para ir embusca de um medicamento qualquer… claro que temos sempre a oposição de um conjunto de piratas que difere de um jogo para o outro…
Castelos medievais, comboios a vapor e mechas no mesmo jogo ditam variedade de cenários
Depois temos o carácter bem humorado do elenco de personagens ao longo dos dois jogos. A irreverente bruxinha (Marion) cujo maior desejo é ser adulta, um cientista que quer precisamente o contrário, que Marion permaneça uma pré adolescente (sim, é pedófilo), outro velhote homosexual, um vampiro todo estiloso mas que na verdade o seu cabelo é uma peruca e cheira terrivelmente mal dos pés, um tarado sexual, ou um indiano que venera gente gorda. Até a Morrigan do Darkstalkers, no caso de jogarem a versão Dreamcast, tem uma diferente personalidade!
Sim, Gunbird é uma série bizarra e sexualmente depravada
No Gunbird, a ordem pela qual os primeiros 4 níveis começam é aleatória e os cenários ao longo da série vão sendo bastante variados, desde castelos medievais até cenários steampunk ou mais futuristas. Até nisso é um jogo que não se leva muito a sério! De resto a jogabilidade é excelente, com cada personagem a ter as suas próprias características, com diferentes modos de fogo e bombas especiais. Ao longo de cada nível vamos podendo apanhar uma série de power-ups como é habitual, aumentando assim o nosso poder de fogo. Especialmente no segundo essa jogabilidade está mais refinada, ao acrescentar bosses mais complexos e a possibilidade de usar a barrinha do charge shot para desencadear ataques de curto alcance bastante poderosos, mas sendo de curto alcance, tornam-se também arriscados de executar. No que diz respeito à dificuldade, para mim são bons desafios quanto baste, pois as balas seguem padrões incomuns e não muito previsíveis e no caso do primeiro Gunbird, são também bastante rápidas.
Embora não seja um bullet-hell, os padrões de tiro são muito mais imprevisíveis
Graficamente é um jogo bonitinho, em especial o segundo Gunbird que por ser mais recente possui níveis bem mais detalhados, assim como aquelas pequenas cutscenes entre cada nível ou nos finais (que por sua vez costumam ser hilariantes). Por outro lado nas músicas é que já não achei assim tão cativantes.
Resumindo, esta é uma compilação interessante de dois shmups que de outra forma (a não ser pelo Gunbird 2 da Dreamcast), pouco seriam conhecidos pela Europa. É que a outra versão do primeiro Gunbird que saiu em consolas por cá foi mesmo a da Playstation, tendo sido lançada já no novo milénio como um budget title. O problema é que lhe trocaram o nome para Mobile Light Force e escarrapacharam uma capa que nada tem a ver com o jogo. Pior, é que na mesma altura lançaram também um Mobile Light Force 2 para a Playstation 2 com exactamente a mesma capa, mas agora a referir-se ao Shikigami no Shiro. Mais sobre este jogo talvez num futuro próximo.
Hoje vou continuar com a Playstation 2, já que tenho tentado abater algum do extenso backlog que tenho nesta consola. O artigo de hoje é mais uma rapidinha pois refere-se à segunda iteração das compilações retro Taito Legends. A primeira tinha um ou outro jogo interessante, muitos space invaders e alguns extras, como flyers publicitários dos jogos em questão ou mesmo pequenas entrevistas a alguns dos programadores que desevolveram clássicos como Space Invaders ou Puzzle Bobble. Nesta nova compilação não temos extras practicamente nenhuns, mas em contrapartida o conjunto de jogos é algo que sinceramente me agrada muito mais. E tal como a primeira compilação Taito Legends, esta foi também comprada na Feira da Ladra por 2.5€.
Compilação com caixa e manual
Falando então no que interessa, nesta compilação podemos encontrar alguns jogos bem antigos e com poucas cores directamente do início da década de 80, bem como muitos mais da segunda metade dessa mesma década e também dos anos 90. A selecção de jogos acaba por me interessar muito mais, ao apresentar títulos como o Puzzle Bobble 2 (o primeiro a seguir aquele esquema do Bust-a-Move), The Legend of Kage, Natsar (a sequela do Rastan), Elevator Action Returns, mais algumas variantes do Space Invaders e uma série de shmups como o G. Darius, Darius Gaiden, Kiki Kai Kai, Raystorm, entre muitos outros, como o Insector X, que foi um dos primeiros jogos arcade que eu alguma vez joguei. Sinceramente acho que só pelo catálogo de jogos que aqui incluiram já vale bem a pena. E por defeito os mesmos vêm ordenados por ordem cronológica de lançamento, ao contrário da primeira colectânea que os apresentava em ordem alfabética. Sinceramente eu prefiro desta forma, embora seja possível ordená-los por outras formas.
Em vez de se chamar Rastan 2, decidiram inverter-lhe o nome e chamar Nastar. Original, mas confuso.
Mas tal como referi logo no primeiro parágrafo, a nível de extras não temos muita coisa. Já a primeira compilação Taito Legends não tinha lá assim tantos extras se comparado por exemplo com a Activision Anthology, mas ainda tinha algum artwork e as tais pequenas entrevistas já referidas. Aqui a única coisa que temos é mesmo algumas dicas de como os jogos funcionam e o que é pretendido fazer em cada.
Dungeon Master é uma estranha mistura entre RPG, dungeon crawler e beat ‘em up. Não conhecia de todo!
Ainda assm mantém-se o que já referi por aí algures. Só pelos jogos que são aqui incluidos, esta Taito Legends 2 vale bem a pena, especialmente para quem for fã de shmups. Para mim ainda deu para conhecer alguns jogos interessantes como o Syvalion, Kuri Kinton, ou o Dungeon Magic, que faz uma mistura estranha de beat ‘em up com elementos de RPG numa perspectiva isométrica. Estou certo que irão também encontrar algumas hidden gems do vosso agrado, pelo que recomendo fortemente esta compilação.
O jogo que mais tenho dado atenção ultimamente foi este Urban Reign, um beat ‘em up fora do comum da Namco que tem sido o maior responsável por quase me causar bolhas nos dedos de tanta pancada ter dado no pobre comando da PS2. Isto porque a jogabilidade é um tanto “invulgar”, mas eu já explicarei isso de seguida. Este meu exemplar veio da Cash de Benfica há coisa de um ano atrás (aquele autocolante horrível no cd não engana ninguém), mas já não me lembro quanto custou. Sovina como sou, não terá sido mais de 3, 4€.
Jogo com caixa e manual
Como todo o bom beat ‘em up de rua que se preze, aqui a narrativa decorre numa metrópole invadida por gangues criminosos que se põem a armar o caos. Nós somos o mercenário Brad Hawk, recém contratado pela líder de um gangue na Chinatown para limpar o seu nome, que tinha sido acusada de raptar um membro de um outro gangue rival. A história vai escalando, com outros gangues a entrarem em acção e a trama a revelar-se um nadinha mais complicada do que se previa inicialmente.
A minha primeira desilusão com este Urban Reign é do facto de este não ser um beat ‘em up de rua tradicional, onde poderíamos percorrer as ruas e outros cenários à nossa vontade, sempre distribuindo socos e pontapés pelo caminho. Mas não, a Namco decidiu tornar o modo “campanha” deste jogo em algo dividido ao longo de 100 missões, que serão jogadas em pequenas áreas, como um bar, uma sala de armazém, ou pequenos segmentos de ruas e pátios. As missões têm diferentes objectivos, que naturalmente se vão repetindo ao longo das 100 missões… coisas como eliminar todos os oponentes, noutras só é necessário derrotar alguns bandidos, com os restantes a poderem até estar sossegados no seu canto e só se intrometem se a confusão chegar até eles. Temos algumas missões com um tempo limite para serem concluídas e também outras onde temos de incapacitar alguns oponentes, atigindo-os apenas na zona das pernas ou na do tronco e braços, respectivamente.
Os controlos podem ser difíceis de dominar, mas há muita coisa que dá para fazer aqui… até atirar armas aos colegas!
Isto porque o sistema de combate de Urban Reign permite-nos desencadear uma série de golpes distintos que possam atingir diferentes partes do corpo. E isso pode ser usado estrategicamente, visto que tanto nós como os nossos oponentes possuem um indicador de dano nas diferentes partes do corpo. Quanto mais pancada levarem, mais dano sofrem em seguida. Depois temos toda aquela questão de golpes especiais e outras combos que podem ser quase coreografadas de filmes do Jackie Chan, o que por um lado até podem ser bonitas, por outro nem sempre saem bem. Isto porque é comum por vezes sermos rodeado de 4 marmanjos e apesar de existirem mecânicas de counters e throws para todo o tipo de situações, muitas vezes quem acaba por levar pancada somos mesmo nós. E então quando nos apanham no ar é sempre a aviar lenha até cairmos no chão, o que na maioria das vezes resulta em ficarmos atordoados por uns segundos que mais parecem uma eternidade, tornando a levar pancada da grossa outra vez antes de recuperar. Sim, por vezes este Urban Reign torna-se demasiado frustrante.
Entre cada missão podemos atribuir alguns skill points a diversas categorias da nossa personagem
A partir de certa altura poderemos jogar a maioria das missões com um NPC a ajudar-nos cooperativamente, mas a sua inteligência artificial é muito inconstante. Se por um lado por vezes até nos safam bem a pele, noutras vezes não sobrevivem muito tempo. E nas missões em que temos justamente de proteger um NPC ainda mais pressão colocam do nosso lado. De resto a partir de certa altura podemos também usar armas brancas, o que pode facilitar um pouco a nossa vida. Digo um pouco porque por norma são os inimigos que as têm e nós só temos é de andar atrás delas, o que nem sempre é fácil nas missões mais próximo do final do jogo, onde enfrentamos grupos de 3, 4 bandidos armados com espadas e sem problema nenhum em as utilizar. Parece justo!
Para além do modo história, podemos também desbloquear personagens extra (incluindo o Law e Paul da série Tekken). Essas personagens podem depois ser utilizadas na vertente multiplayer, ou noutros modos de jogo single player também desbloqueados após chegar ao final no modo história. Aqui temos o Challenge que é uma espécie de modo survival, obrigando-nos a enfrentar waves sucessivas de oponentes e temos também o Free Mission que tal como o nome indica deixa-nos rejogar as missões do modo campanha com qualquer personagem à escolha. Já o multiplayer não cheguei a experimentar, pelo que não vou entrar muito por aí, mas pareceu-me interessante, quanto mais não seja por permitir até 4 jogadores locais em simultâneo.
Existem vários modos de jogo para multiplayer, todos eles com várias opções de customização, pelo que me parece ter sido algo bem pensado pela Namco
No que diz respeito aos audiovisuais, creio que é um jogo competente a nível gráfico, pelo menos na medida em que as personagens no geral estão bem detalhadas, em especial aquelas mais “principais”. Os cenários é que acabam por se tornar um pouco repetitivos, até porque vão ser repetidos até à exaustão ao longo de 100 missões… As músicas na maioria são rock/metal o que normalmente seria bem do meu agrado, mas mais uma vez não achei que fossem cativantes o suficiente, faltam-lhe uns riffs mais poderosos! Já o voice acting parece-me competente, não tenho nada a apontar nesse campo.
A inclusão de personagens jogáveis como o Paul de Tekken pareceu-me interessante e seria bom ter visto algumas mais
No fim de contas, este Urban Reign acabou por me decepcionar um pouco. Por um lado pelos seus controlos bastante rígidos e que nos irão deixar bastante frustrados, por outro pela opção da Namco em dividir o jogo em 100 missões, em vez de apostar num design de jogo mais tradicional, com níveis completos. É que os controlos é uma questão de praticar muito e muito (até porque temos um modo tutorial e training para isso…) já o resto pouco podemos fazer. Mas se forem fãs de beat ‘em ups e o encontrarem baratinho dêem-lhe uma oportunidade, pelo menos é original.
Tempo para mais uma rapidinha a um jogo que continua a ser bastante divertido, mas sinceramente me decepcionou um pouco num ou noutro ponto. O Grand Theft Auto original era presença obrigatória no PC de toda a gente e passávamos imensas tardes só a criar o caos na cidade, as missões sempre ficavam para segundo plano. Mas hoje em dia, com o backlog gigantesco que tenho, acabo sempre por dar mais importância à história dos jogos mesmo que sejam sandbox, e infelizmente o GTA2 não traz grandes melhorias nesse ponto. Este meu exemplar veio da Cash Converters de Alfragide já há uns bons meses atrás. Não sei quanto me custou, mas não terá sido mais de 3€.
Jogo com caixa, manual e mapa
GTA2 utiliza a mesma fórmula base que o primeiro jogo e o GTA London introduziram: temos uma (ou mais) cidades para explorar livremente numa perspectiva vista de cima onde podemos fazer tudo e mais alguma coisa com os veículos e pessoas que por lá vão passeando. Ao fazer asneiras também ficamos com a polícia à perna, cujo conflito pode vir a ser escalado por mais asneiras que continuamos a fazer. Isto até levarmos o nosso carro a uma oficina onde lhe mudam a pintura e aí já fica tudo bem. Para além dessa liberdade temos uma série de missões a cumprir para um ou mais gangues, desde silenciar certas pessoas, transportar bens ilícitos, roubar alguns carros especiais, raptos, entre outras tarefas não muito dignas de um moço de recados. A diferença é que neste GTA2 temos apenas uma única cidade para explorar (se bem que dividida em 3 áreas distintas) e em cada uma dessas áreas temos 3 gangues rivais, onde vamos acabar por fazer missões para os três. Para isso incutiram um sistema de “respeito”. Apenas quando um gang nos respeita minimamente é que nos deixam fazer missões para eles. Como ganhar respeito? Bom, basta matar uns quantos membros dos gangues rivais!
Desta vez para salvar o jogo basta dirigir-nos a uma igreja e ter 50000$ no bolso!
E ao longo do jogo vamos fazendo sempre essa dança de gangue em gangue caso queiramos fazer todas as missões, o que não faz muito sentido, pois para sermos elegíveis a fazer as missões do gangue A, temos de matar vários membros do gangue B, mas depois para fazer missões do gangue B basta matar membros do gangue C, a nossa reputação em infernizar a vida desses bandidos quando trabalhávamos para o gangue anterior parece que não importa para nada. E esta lógica ainda se agrava mais sendo que o gangue Zaibatsu está presente nas 3 diferentes áreas da cidade. Mas isto sou eu a complicar demasiado as coisas, um videojogo não é suposto ter lógica, este em particular está repleto de humor negro e há missões bem divertidas, como usar um camião de bombeiros que na verdade tem um lança chamas acoplado em vez de um canhão de água. E os gangues no geral são bastante originais, incluindo um de rednecks, outro de esquizofrénicos, cientistas malucos, religiosos hindus ou até “comunistas” pró-soviéticos com direito a uma fábrica de hot dogs com carne de origem duvidosa.
Tal como no original, as missões são dadas ao atender telefones públicos. Mas só as podemos fazer se tivermos “respeito” suficiente pelo gangue em questão
O problema é que isto acaba por inviabilizar um pouco uma narrativa mais séria como a que a Rockstar passou a adoptar nos seus jogos. É claro que não estava à espera de uma narrativa à lá L.A. Noire, até porque mesmo nos GTAs que se seguiram sempre houve um pouco de bom humor, mas esperava que já houvesse alguma narrativa que conduzisse uma história com princípio e fim. Até porque o jogo começa logo com uma cutscene em full motion vídeo, repleta de acção e perseguições policiais, mas já o final… bom, é melhor não dizer nada.
De resto, para quem jogou o GTA original a jogabilidade mantém-se muito idêntica. É verdade que prefiro a versão PC a esta da Playstation devido aos controlos, mas talvez seja só uma questão de hábito. Continuamos a ter imensos veículos para conduzir, desde pequenos “mata-velhos” até tanques de guerra e as armas também são ainda mais variadas. Os conflitos policiais podem agora ser escalados de tal forma que temos carrinhas SWAT, agentes federais especiais ou até o exército norte-americano atrás de nós com tanques e soldados fortemente armados. Podemos também equipar os nossos carros com armadilhas como soltar óleo na estrada para despistar os polícias ou mesmo equipar metralhadoras. É uma novidade interessante, mas dado à fragilidade dos carros não me pareceu que compensasse muito. O conceito dos diferentes gangues também acrescenta algumas novas possibilidades, pois mediante as nossas relações com cada grupo, eles podem ser inofensivos e até ajudarem-nos nos confrontos com as forças da Lei, ou por outro lado também nos podem atacar. Outros extras como os Kill Frenzy ou mesmo algumas missões bónus também existem nesta sequela e aqui é possível fazer save game a qualquer momento, bastando para isso procurar uma igreja que costuma estar em território neutro no mapa e ter pelo menos 50000 dólares na nossa conta. É melhor que não haver save nenhum, e excepto as missões finais de cada capítulo, estas também as podemos repetir caso as falhemos à primeira.
Para nos auxiliar, existem vários marcadores com a direcção que devemos seguir. Se não estivermos com nenhuma missão de momento, os apontadores indicam a localização de telefones dos diferentes gangues.
A nível gráfico não é um jogo assim tão diferente do primeiro no aspecto, embora já usem polígonos em 3D para representar a cidade, as sprites estão um pouco mais detalhadas e existem alguns efeitos de luzes que são melhores notados caso estejamos a jogar a versão PC, onde podemos jogar durante a noite. Creio que a versão Dreamcast também permite jogar à noite, mas aqui na Playstation joga-se sempre de dia, o que a meu ver até dá outro brilho ao jogo, pois durante a noite as coisas ficam muito iguais. A banda sonora continua excelente, com cada carro a tocar diferentes músicas ou diálogos nos seus rádios, consoante a estação sintonizada. A música varia do country, jazz, pop, rock, electrónica e até gospel, mas o que mais piada achei foram precisamente naqueles pequenos detalhes nos diálogos das rádios patrocinadas pelos gangues: o sotaque sulista da rádio dos rednecks a falarem de bounties em prisioneiros que se escaparam da prisão, as dificuldades técnicas dos soviéticos em transmitir, ou bizarrices em japonês na rádio patrocinada pelos Yakuza.
O nível máximo de alerta aumenta consoante o nosso progresso no jogo. Na ultima área, até o exército pode ser chamado. E vai ser, mesmo se jogarmos as missões direitinhas
Em suma, este é um bom jogo para quem gostou do GTA original, na medida em que podemos continuar a causar o caos na cidade da mesma forma, simplesmente temos mais armas e veículos à nossa disposição para o fazer. Para quem quiser jogar de uma forma mais séria, cumprindo as várias missões da campanha, não gostei muito da introdução de gangues rivais, pelo menos não desta forma. Estava à espera que houvesse uma narrativa mais forte neste jogo, o que não aconteceu e seria difícil fazê-lo visto que podemos ir saltando de gangue em gangue à nossa vontade. Fora isso, continua a ser um jogo bem divertido e com um toque de humor negro como a Rockstar bem o sabe fazer.