King of Fighters R-2 (Neo Geo Pocket Color)

Tempo de voltar à Neo Geo Pocket para mais um jogo de luta do seu catálogo. Depois de já cá ter trazido o seu antecessor, tendo esse sido também um dos títulos de lançamento da portátil, chegou agora a vez de jogar este KoF R-2, que já sai para o modelo Neo Geo Pocket Color. O meu exemplar veio da Wallapop, tendo-me ficado por cerca de 30€, depois de ter gasto algum saldo que tinha por lá. Infelizmente, os jogos para esta portátil têm vindo a encarecer bastante nos últimos anos, pelo que tão cedo não deverei comprar mais jogos para este sistema.

Jogo com caixa e manual

No que toca à jogabilidade, este R-2 herda as mesmas mecânicas introduzidas pelo seu antecessor, que por sua vez já se mostrou bastante sólido ao conseguir adaptar, para um sistema bem mais modesto, muitas das particularidades das mecânicas de jogo desta série de luta. Parte desse sucesso está também na forma como o direccional foi implementado, permitindo-nos executar, sem grandes dificuldades, as diagonais que tão importantes são para os golpes especiais deste género de jogos. Os quatro botões faciais também se traduziram relativamente bem para dois, com o tempo durante o qual mantemos os botões pressionados a decidir entre um golpe fraco ou forte. E tal como no seu antecessor, os combates são surpreendentemente fluídos e responsivos, demonstrando que a SNK já tinha encontrado uma excelente forma de adaptar a série às limitações da portátil.

Temos agora novos modos de jogo, incluindo a possibilidade de nos ligarmos a uma Dreamcast

Tal como no seu antecessor, podemos optar por participar em combates entre equipas ou lutadores a solo, bem como escolher entre as mecânicas Extra ou Advanced. Estas trazem diferenças em certos detalhes da jogabilidade, nomeadamente na forma como os specials funcionam ou em certos aspectos da movimentação das personagens. Para além dos modos de jogo habituais e de um leque de lutadores muito parecido, a SNK preparou mais dois modos de jogo diferentes: o Making Mode e o DC Mode. O primeiro é uma espécie de modo história, onde criamos um lutador genérico, atribuímos-lhe umas quantas habilidades e o objectivo será enfrentar uns quantos outros lutadores até finalmente conseguirmos alcançar e derrotar o Omega Rugal. Novas habilidades vão sendo desbloqueadas em cada tentativa. Já o DC Mode representa uma funcionalidade interessante que esta portátil tinha: através de um cabo específico, é possível interligar a Neo Geo Pocket com a Sega Dreamcast, com alguns jogos a tirarem partido dessa possibilidade. Este é um desses casos, permitindo-nos desbloquear conteúdo no The King of Fighters: Dream Match ’99 e vice-versa, desbloqueando algumas habilidades para o Making Mode.

Algumas novas personagens, mas infelizmente o mesmo número no total.

Visualmente, é um jogo que segue a mesma linha do seu antecessor, mas agora com gráficos a cores. As personagens apresentam aquele aspecto super deformed, estando representadas em sprites grandes e bem detalhados. Já os cenários são também versões muito mais simplificadas das arenas que víamos no The King of Fighters 98 e noutros jogos da série. Mas, honestamente, acho que preferia o gradiente de cinzentos. A paleta de cores disponível na Neo Geo Pocket Color não é propriamente a mais variada (não difere muito da Game Boy Color), pelo que, sinceramente, acho que as versões a preto e branco acabam por resistir melhor ao teste do tempo. De resto, nada de especial a apontar ao som, que muito me faz lembrar uma Master System.

Os gráficos a cores são sem dúvida mais bonitos na introdução do jogo e menus, já nos combates… bom, é debatível.

Portanto, este The King of Fighters R-2 parece-me, a meu ver, um passo na direcção certa ao adicionar mais conteúdo, embora o Making Mode não me tenha sido propriamente o mais apelativo. Preferia, se calhar, que a SNK tivesse investido em trazer mais lutadores, visto que este jogo possui o mesmo número de personagens jogáveis que o seu antecessor. A introdução de gráficos a cores também não favoreceu o detalhe visual das arenas, mas isso é, para mim, meramente uma questão de gosto pessoal.

The King of Fighters R-1 (Neo Geo Pocket)

Tempo de estrear uma nova plataforma aqui no blogue: a portátil Neo Geo Pocket da SNK, lançada originalmente no Japão no Outono de 1998, tendo chegado no ano seguinte ao restante mundo, já na sua versão a cores. Tanto este sistema como a Wonderswan da Bandai (que infelizmente ficou exclusiva ao mercado nipónico) são marcos importantes na indústria dos videojogos. Isto porque a Nintendo Game Boy já há muito que dominava o mercado mesmo depois de sistemas tecnologicamente mais capazes não a terem conseguido destronar. A chave para o sucesso no mercado das portáteis estava, para além de software cativante, no preço baixo e longevidade das suas baterias, algo que só estes novos sistemas da SNK e Bandai conseguiram igualar. E pela primeira vez a Nintendo sentiu que a ameaça ao seu domínio era real, pelo que lançou o Game Boy Color justamente em resposta a estes novos sistemas. Tanto a SNK como a própria Bandai acabariam também por lançar versões a cores das suas portáteis em seguida.

Jogo com caixa e manual. Curiosamente o território europeu chegou a receber estes títulos monocromáticos, ao contrário do americano que apenas comercializaram os jogos a cores.

Há muito que tinha interesse em adquirir uma Neo Geo Pocket, pois recordo-me bem de as ver à venda em Portugal, algures entre 1999 e 2000, mas apenas na já extinta cadeia de lojas GameStage. Presumo que muito poucas unidades terão sido vendidas por cá, pois nunca mais voltei a ver alguma à venda nem os seus jogos, nos mercados paralelos de usados ou feiras de velharias. E já vi vários sistemas “exóticos” para o nosso mercado, mas nunca mais voltei a cruzar-me com outra. A CeX do Reino Unido já há muito tempo que as vende, mas nunca nenhuma loja, perto de amigos meus que viajam frequentemente para o Reino Unido, as tinha em stock. Já na vinted europeia, os preços são consideravelmente mais caros, pelo que fui deixando a sua compra passar. Até que há uns meses atrás entrou uma à venda numa Cash Converters, modelo espanhol a julgar pela língua de todos os manuais e folhetos e a um preço equivalente ao praticado nas CeX britânicas, pelo que finalmente mordi o isco e comprei uma. O desafio seguinte está em arranjar jogos, pois estes infelizmente também encareceram demasiado nos últimos anos. Com muito esforço, e depois de acumular algum saldo na Wallapop, lá comprei este King of Fighters R-1, um jogo de primeira geração deste sistema por ser totalmente monocromático.

Em baixo vemos o medidor do special, cuja barra pode ser diferente mediante o estilo de jogo escolhido

Se há algo em que a SNK era de facto talentosa, era nos seus jogos arcade, principalmente os de luta em 2D, género onde foi nitidamente mais prolífera. Também não era a primeira vez que a série The King of Fighters recebia adaptações para portáteis, no entanto, a Game Boy original não era, de longe, o sistema mais adequado para jogos de luta desta envergadura. E a primeira surpresa desta adaptação é precisamente a jogabilidade, que está muito boa e mostra que a SNK sabia bem o que estava a fazer aqui. Este KoF é na verdade uma adaptação modesta do The King of Fighters 97, herdando a sua história (o epítome da trilogia Orochi original), mas com um elenco de personagens jogáveis bem mais reduzido.

No que toca à jogabilidade, a Neo Geo original possui um esquema fixo de quatro botões faciais pelo que, ao traduzir para um esquema de dois botões apenas, concessões tiveram de ser feitas, mas que fazem sentido no final de contas. Pressionar momentaneamente os botões faciais serve para executar socos ou pontapés fracos, enquanto que, ao mantê-los pressionados durante mais tempo, os golpes são mais fortes (o que corresponderia aos botões C e D da Neo Geo original). O direccional da Neo Geo Pocket foi concebido de forma a facilitar bastante a execução das diagonais, algo que também contribui positivamente para a jogabilidade. E de facto, esta é uma vertente muito bem conseguida num sistema mais modesto: temos a possibilidade de usar os mesmos esquemas de controlo Extra e Advanced, bem como toda uma série de golpes especiais para cada personagem. O resultado é uma jogabilidade muito fluída e responsiva, algo que ajuda a esquecer rapidamente as inevitáveis concessões técnicas desta conversão. O jogo permite-nos também customizar a experiência caso prefiramos manter o esquema de equipas de três, ou combates puramente de um contra um.

O elenco de personagens é, infelizmente, bastante reduzido nesta versão.

É difícil traduzir um jogo de luta visualmente tão detalhado para uma portátil com uma fracção do poderio do sistema Neo Geo. A SNK procurou representar o melhor possível os cenários detalhados do original numa paleta de tons de cinzento e na verdade acho que até fizeram um bom trabalho nesse campo. Já as personagens, estas foram todas redesenhadas, perdendo o aspecto “adulto” e incrivelmente detalhado do lançamento original para um aspecto mais cartoon, no estilo super deformed com cabeças gigantes que a indústria nipónica muitas vezes acaba por utilizar. Esta foi naturalmente uma concessão necessária, até porque desta forma não só as personagens tornam-se melhor visíveis num ecrã pequeno mas também, com este estilo mais cartoon, a equipa da SNK conseguiu na mesma capturar todas as particularidades e charme das personagens nas suas animações. Já no que toca ao som, bom, aqui de facto não há muitos milagres, pois as capacidades de som da Neo Geo Pocket são muito mais limitadas. Para terem uma noção, esta consola contém um chip de som derivado do velhinho SN76489 da Texas Instruments, o mesmo que deu som a vários sistemas da década de 80, incluindo a Master System. Daí ter achado o som bastante familiar! No entanto, para além dos canais PSG, possui também canais próprios para reprodução de samples, o que não me pareceu acontecer neste jogo. Tenho de redescobrir a biblioteca da Neo Geo Pocket para ter uma melhor noção das suas capacidades, mas o que importa reter aqui é que as músicas são agradáveis, embora ainda soem demasiado “8bit“.

Apesar do seu aspecto mais cartoon, mantem todo um charme muito próprio e acima de tudo continua a ser uma experiência bastante fluída

Portanto este primeiro King of Fighters na Neo Geo Pocket é um título de lançamento muito interessante pela fórmula compacta, porém bastante competente, que a SNK conseguiu encontrar para adaptar conversões dos seus jogos de luta para este sistema. Segue-se então o The King of Fighters R-2, agora a cores, que planeio um dia destes arranjar para a colecção, assim que o encontrar a um preço convidativo.