Na PUSHSTART nº 59 (quarta revista nossa em edição física), contribuí com uma análise a um jogo algo obscuro e peculiar do catálogo da Sega Saturn, o Virtual Hydlide. Apesar de ser a última iteração de uma das mais antigas séries de RPGs japoneses, a mesma sempre passou debaixo do radar de nós ocidentais, mas também verdade seja dita, pelo menos os Hydlides que chegaram cá ao ocidente sempre foram algo medianos. Apesar de não poder partilhar para já o artigo na íntegra, eventualmente, se algum dia disponibilizarmos o material exclusivo da edição de papel para o site, este artigo será actualizado. Entretanto o meu exemplar foi comprado a um particular por 6€, já há uns valentes meses atrás.
Jogo com caixa
Essencialmente, o que foi dito deste jogo é que é um RPG com algumas mecânicas de jogo bem old-school e que sinceramente até nem me desagradam, no seu conceito, mas a jogabilidade e principalmente os visuais que tentam ser foto realistas com sprites digitalizadas num mundo em 3D é que deixaram bastante a desejar.
No artigo de ontem escrevi sobre a conversão para 32X do After Burner II, onde referi que até à data, essa era a melhor versão doméstica que poderíamos encontrar desse clássico das arcadas. E isso foi verdade até ter saído mais uma conversão, desta vez para a verdadeira máquina de 32bit da Sega. Embora tenham sido lançados originalmente no japão de forma separada, os jogos After Burner II, Out Run e Space Harrier foram relançados no ocidente na forma desta compilação Sega Ages Volume 1. Este meu exemplar foi comprado algures em Dezembro na Cash Converters de Alfragide por 7€.
Compilação completa com caixa e manuais
Creio que não há muito a dizer desta compilação, a não ser que foram as primeiras conversões verdadeiramente fiéis aos originais de arcade, embora a versão 32X do After Burner tenha estado muito próxima. Os especialistas dizem que o seu único defeito é correr a 30fps, enquanto a versão Saturn é tão fluída como a original, correndo nos belíssimos 60fps. O Space Harrier é mais um jogo com a tecnologia Super Scaler (aliás, todos os jogos desta compilação o são) e naturalmente é uma versão bastante superior ao esforço que foi feito em colocar a Master System a correr um shooter pseudo 3D de uma forma tão fluída. Por fim sobra-nos o Out Run que foi o único jogo cuja versão original ainda não analisei mais a fundo. Mas vou deixar isso para uma dia que encontre a versão Mega Drive ou mesmo a Master System. Se tiverem curiosos, poderão ver um paralelismo que tracei entre o original e o Out Run 2006 para a PS2 aqui.
Ao contrário da versão Master System, o sprite scaling funciona muito bem nesta versão
A nível técnico são todos jogos que correm com a tecnologia Super Scaler da Sega, que permitia um zoom bem fluído e convincente de sprites, resultando em jogos bastante rápidos e repletos de acção, em especial no caso dos dois shooters. E os três jogos possuem excelentes bandas sonoras, cada um ao seu estilo. A minha preferida continua a ser a banda sonora do After Burner por ser mais rockeira, mas aquelas melodias do Space Harrier também me agradam bastante.
A versão Mega Drive do OutRun é bem competente, mas ainda longe da que temos aqui.
De resto, só tenho pena que esta compilação apenas se tenha ficado pelo primeiro volume. No Japão, e para a Sega Saturn, foram vários os jogos relançados sobre o nome “Sega Ages”, incluindo outros clássicos de arcade como Fantasy Zone, Galaxy Force II, Power Drift ou mesmo pérolazinhas como a Phantasy Star Collection.
Todos sabemos que a Sega Saturn foi uma consola envolvida em várias polémicas, desde o seu lançamento prematuro, ao hardware controverso e com vários remendos para melhor concorrer com a rival da Sony, e claro, a controvérsia em torno de Sonic Xtreme que nunca chegou a acontecer. E uma das razões para isso foi o facto da Sonic Team estar envolvida numa outra franchise inteiramente nova. O facto da Sonic Team não ter autorizado a utilização da engine do Nights para desenvolvimento do Sonic Xtreme também foi uma machadada muito grande, mas isso é assunto para outra conversa. Aproveitarei este artigo para referir também o Christmas Nights, uma demo que foi distribuida gratuitamente por cá, repleta de temáticas de Natal e outros bónus. Tanto um como o outro exemplar vieram parar à minha colecção por 5€. O Christmas Nights já veio por aí em 2010 num negócio do Miau.pt, o Nights propriamente dito foi comprado a um particular por 5€ há coisa de uns 2 meses atrás. É a edição em caixa de jewel case que trazia também o comando 3D da Saturn, que infelizmente ainda me falta na colecção. Edit: Algures no outono de 2016 também orientei a versão normal do Nights, através de uma troca com um amigo.
Jogo com caixa e manual
Jogo em caixa jewel case – versão distribuida em conjunto com o gamepad 3D
Nights decorre algures no reino dos sonhos, que está dividido entre Nightopia, onde acontecem todos os sonhos positivos, e Nightmare que como o nome indica é onde acontecem os pesadelos. E este jogo segue os sonhos de duas crianças, Elliot e Claris, que todas as noites visitam Neutopia. Mas Neutopia está a ser atacada pelo Wizeman – líder de Nightmare – e seus subditos, que procuram roubar as “energias positivas” dos sonhadores para conquistarem Neutopia e provavelmente o mundo real também. Essas energias positivas tomam a forma de esferas luminosas chamadas de Ideyas, como a coragem, esperança, crescimento, inteligência e pureza. Apenas a Ideya de coragem não é roubada pelos minions de Wizeman, pelo que usamos essa mesma Ideya para libertar Nights, o herói deste jogo.
Versão europeia do Christmas Nights em caixa de papel
E é mesmo assim que começa a estrutura de qualquer um dos níveis de Nights. Inicialmente somos sempre roubados das nossas ideyas, mas convenientemente isso acontece mesmo pertinho do Nights, pelo que não precisamos de caminhar muito até o alcançar. É que este não é propriamente um jogo pensado para caminhar, muito pelo contrário, é mesmo para voar, o que acontece assim que libertamos Nights. Depois somos então levados por um caminho algo on-rails, onde iremos atravessar pelo meio de imensos anéis e coleccionar esferas azuis. É necessário coleccionar pelo menos 20 esferas para libertar cada uma das outras ideyas que nos foram roubadas, com a primeira parte do nível a terminar assim que libertarmos todas as ideyas que nos foram roubadas. A segunda parte do nível é sempre um confronto contra um boss. Mas voltando à primeira, apesar deste ser um jogo desenhado em 3D e onde podemos voar, a liberdade é enganadora, pois o jogo segue sempre um caminho 2D, onde não podemos realmente nos movimentar livremente nas três dimensões. Ainda assim há muito que explorar e os controlos acabam por ser mesmo bastante fluídos. A coisa de passar pelo meio dos anéis serve para regenerar algum do nosso poder que vai sendo gasto caso decidamos utilizá-lo para voar mais rapidamente, mas também se o fizermos suficientemente rápido vamos despoletar um sistema de combos que nos vai aumentando a pontuação.
Tanto Claris e Elliot têm o seu caminho diferente de níveis, culminando num último nível idêntico para ambos
No fim de contas, de certa forma Nights até que acaba quase por ser um Sonic a voar, pois em várias alturas o jogo é bem rápido e também temos de fazer uma série de acrobacias pelo ar que quase parece uma viagem de montanha russa. Nos visuais é também um jogo que tem a sua graça ao apresentar mundos bastante coloridos e mágicos, pois afinal estamos nos reinos dos sonhos onde tudo é possível e felizmente a Sonic Team fez um bom trabalho ao conceber o imaginário de Nights. Numa questão meramente técnica então sim, a Saturn tem as suas limitações pelo que as transparências não são as melhores a ainda se nota algum pop-in dos cenários a serem construídos à nossa frente. Mas não é nada de grave, no entanto se para vocês os gráficos são mesmo algo crucial, felizmente a Sega fez um remake deste mesmo jogo para a PS2 que apenas se ficou pelo Japão. Mas pegaram nessas versões e deram-lhes um tratamento HD, versões essas que estão disponíveis em download digital no steam e noutros serviços. Por outro lado a banda sonora também é bastante variada e tem sempre um toque especial de fantasia que assenta que nem uma luva ao estilo do jogo.
Nights é um jogo bastante fluído, embora ainda esteja preso a uma jogabilidade practicamente 2D
Mencionando agora um pouco o Christmas Nights, esse é uma espécie de demo bastante robusta do Nights, repleta de extras e tudo embrulhado numa roupagem de Natal. Foi distribuído gratuitamente nos mercados ocidentais e vendido no mercado nipónico. O que aqui temos é uma versão demonstrativa do jogo, que nos permite jogar o nível Spring Valley, tanto com Elliot como com Claris. A diferença é que este é daqueles que usa e abusa do relógio interno da Saturn, alterando imensos detalhes do nível se estiver a ser jogado durante o Inverno e em especial durante Dezembro onde a paisagem fica repleta de neve, Nights possui um fato vermelho, e muitos dos itens e objectos do jogo ganham adornos natalícios. Mas as coisas não se ficam por aí pois se o jogarmos durante o Halloween ou o primeiro de Abril ainda há outras mudanças como jogarmos com Reala, rival de Nights, no segundo caso. Até um modo secreto com Sonic como personagem jogável pode ser desbloqueado!
No Christmas Nights, tudo ganha motivos natalícios!
Quer joguem o original da Saturn ou uma das versões remasterizadas, é fácil constatar que Nights era um jogo muito original para a época em que foi lançado. No entanto também sou o primeiro a apontar que provavelmente não é uma experiência para todos e que talvez não tenha envelhecido tão bem assim. A ver o que a Sonic Team fez na sequela oficial, lançada em 2007 para a Nintendo Wii que essa ainda não me chegou às mãos.
Se tudo correr bem, o artigo de amanhã já será algo mais detalhado, mas enquanto isso não acontece, cá vos deixo com mais uma rapidinha a um outro clássico das arcades, o lightgun shooter da Sega, Virtua Cop 2. Bom, de momento tenho 2 caixas para um único disco. A caixa normal dos jogos da Saturn foi comprada na feira da ladra em Lisboa, já há por aí 2 anos, vinha com um manual e vários discos de Saturn lá dentro e custou-me 2€. Com a gula levei o jogo mas depois percebi que nenhum dos 3 discos de Saturn que lá estava era o Virtua Cop 2 (para os curiosos os outros discos eram jogos comuns como o Tomb Raider ou International Victory Goal). Isso fez-me procurar um outro exemplar, que acabei por encontrar alguns meses depois. Foi um negócio do OLX onde por 15€ trouxe o Virtua Cop 2 em edição jewel case, uma Virtua Gun (não na foto, mas apenas a pistola sem caixa) e ainda um cartucho de um jogo de NES.
Jogo com caixa (uma de cada versão) e manual europeu.
E em que consiste este Virtua Cop 2? Na verdade é mais um bom exemplo de como uma sequela deve ser. É um on-rails lightgun shooter como o seu predecessor, também repleto de acção, mas que acaba por fazer tudo um bocadinho melhor. A jogabilidade mantém a mesma fórmula: somos nós contra um exército de mafiosos que andamos aos tiroteios em vários locais, sempre com reféns e outros civis a atrapalharem. As melhorias, para além dos gráficos que já os irei referir mais à frente, estão precisamente na câmara que está mais cinematográfica, uma maior interactividade com os cenários, pois para além de podermos partir vidros de carros e estourar com barris de combustível estrategicamente colocados, podemos também disparar para uma série de outras coisas, desde monitores, placas de trânsito, candeeiros, caixotes, entre outros. Qual o objectivo? Encontrar itens secretos como vidas extra, outras armas como metralhadoras, revólveres automáticos, uma caçadeira, entre outros. As mecânicas de tiro são iguais. Por defeito cada bandido tem um “lock on sight” que vai mudando de cor de verde para vermelho consoante vão-se preparando para disparar. Ocasionalmente também podemos escolher qual o caminho queremos seguir, o que lhe dá alguma margem de manobra para voltarmos a jogá-lo e explorar outros caminhos.
Tal como no anterior, temos 3 níveis à escolha que podemos completar em qualquer ordem
De resto, tal como no jogo anterior, para além dos 3 níveis que podemos escolher onde teremos um boss no final do mesmo, ainda temos um outro boss para enfrentar quando conseguirmos finalizar os 3 níveis… sinceramente gostaria que fosse um nível mais comprido como os outros três, mas paciência. De resto esses mesmo níveis são variados, apresentando diferentes cenários urbanos e desses alguns em movimento, como uma perseguição automóvel ou um “assalto” a um comboio carregado de bandidos. Graficamente é um jogo que se apresenta com um 3D bem competente e bem detalhado para a sua época. Obviamente que a versão arcade é ainda mais bonitinha, mas para uma Saturn não está nada mal! A AM2 sabia o que fazia! As músicas são variadas e agradáveis, mas prefiro aqueles temas mais rock que a Sega por vezes incutia nos seus jogos arcade desta época.
Acção é coisa que não falta neste jogo!
No fim de contas, Virtua Cop 2 é um grande clássico dos light gun shooters, e um bom exemplo de como uma sequela deve ser, ao melhorar todos os pontos do original e ainda trazer uma ou outra coisa nova. Fico à espera de ver o Virtua Cop 3 um dia destes nalguma consola, nem que seja lançamento digital.
Já há vários anos que andava à procura do primeiro Virtua Cop para a Saturn. É certo que o ebay tem lá toneladas deles à venda, mas eu preferia encontrá-lo a um bom preço por cá, e foi o que acabou por acontecer no mês passado, ao tê-lo comprado a um particular no OLX. Ficou-me por 5€ se não estou em erro. É a versão que vinha em conjunto com a Virtua Gun, daí ter a caixa em jewel case. Obviamente que prefiro a versão standalone mas a seu tempo há-de ser substituída.
Versão do jogo em jewel case, apenas com caixa e capa. A pistola não ficou na foto.
Virtua Cop é um dos primeiros jogos lightgun completamente em 3D poligonal, tendo o seu lançamento original nos sistemas Model 2 na arcade algures durante o ano de 1994. Esta é uma era da Sega pela qual eu guardo memórias muito especiais, com jogos como Sega Rally, Daytona USA, Virtua Fighters e os Virtua Cops a fazerem parte da minha infância. Este primeiro Virtua Cop ainda é um jogo bastante simples e sem grandes novidades a nível de mecânicas de jogo. Encarnamos nuns polícias que têm de combater uma série de mafiosos ao longo de 3 níveis que decorrem numa cidade qualquer e tudo o resto é o habitual: acertar nos bandidos antes que eles acertem em nós! Eventualmente lá veremos alguns civis inocentes que temos de fazer os possíveis por não os atingir (resultando na perda de uma vida se isso acontecer), só é pena é que muitas vezes eles façam questão em aparecer nos momentos mais inoportunos e mesmo só para atrapalhar.
Virtua Cop é a típica experiência arcade da SEGA dos anos 90: short and sweet
De resto, para além do revólver normal que temos de ter o cuidado em recarregar regularmente e naqueles segundos livres que vamos tendo para respirar, poderemos também encontrar outras armas como uma shotgun, metralhadora ou uma magnum, quer sejam deixadas por algum inimigo, ou por termos disparado em algum objecto no ecrã. Infelizmente basta perder uma vida para ficarmos sem a arma! Mas também tal como referi acima, existe alguma interactividade com os cenários, onde podemos partir vidros de carros ou rebentar com barris de combustível, que como sempre estão estrategicamente colocados para rebentarem com um conjunto de bandidos. Os níveis são apenas três e sem caminhos secundários, o típico de um jogo arcade daquele tempo.
O esteriótipo do lenhador não é de agora, pois já em 1994 haviam barbudos a atirarem-nos com machados
A nivel técnico é ainda um jogo com um 3D muito rudimentar. Não tem o mesmo nível de detalhe de um Virtua Fighter 2 que também usa a Model2 como base, mas também é normal pois jogos desse género apenas têm de se preocupar em apresentar 2 lutadores bem detalhados no ecrã, com os cenários a não terem o mesmo destaque. Mas não é nada mau para um jogo de 1994! As explosões ou transparências de vidros dos carros nota-se que são muito fraquinhas, em especial nas cutscenes, que preferiram colocar “reflexos de nuvens” nos vidros, mas de uma forma em que não resultou lá muito bem. As músicas são competentes, mas prefiro aqueles temas mais rock que outros jogos da AM2 e da Sega em geral nas arcades tinham.
Por defeito temos activado este aviso da localização dos inimigos. O círculo vai avançando de verde para vermelho consoante os bandidos se vão preparando para atirar
Concluindo, este primeiro Virtua Cop é um jogo ainda bastante simples, apenas com 3 níveis lineares com bosses no final. Mas tendo em conta que é um jogo de 1994 e nessa altura as conversões para arcade ainda eram bastante simples e sem grande conteúdo exclusivo, não deixa de ser um clássico!