Shadow Dancer – The Secret of Shinobi (Sega Mega Drive)

Shadow DancerA série Shinobi é uma das minhas preferidas de uma Sega que parece que tão cedo não regressa. Mas por outro lado também é uma série com algumas ramificações confusas. Muitos de nós portugueses, e aposto que não só, sempre acharam que o Revenge of Shinobi da Mega Drive era uma sequela directa do original. E se calhar até é a nível de história, mas antes disso as arcades receberam o Shadow Dancer, um novo jogo que mantinha muitas mecânicas de jogo idênticas, mas acrescentava o interessante pormenor do cão ninja Yamato que nos acompanhava na aventura. Mas essa versão arcade não é lá muito idêntica ao jogo que vos trago hoje. Apesar de muito mais modesta a nível técnico, o Shadow Dancer da Master System acaba por ser uma versão bem mais fiel ao original. Mas foquemo-nos na versão que interessa para este artigo e o meu exemplar foi adquirido por 12€ a um particular.

Shadow Dancer - The Secret of Shinobi - Sega Mega Drive
Jogo com caixa e manual multilínguas

Bom, infelizmente este é mais um dos exemplos de videojogos que sofreram um pouco com as traduções de japonês para inglês. No original nipónico, deveríamos estar a controlar Hotsuma, o filho de Joe Musashi. Na versão que recebemos controlamos mesmo Joe Musashi, num longínquo futuro de 1997, onde a cidade de Nova Iorque foi tomada de assalto por um culto de ninjas das trevas que adoravam uma divindade reptiliana qualquer. Claro que só um ninja do clã Oboro como Joe/Hotsuma Musashi seriam capazes de por um fim a tal calamidade! E não nos esqueçamos do cão Yamato que tanto ajuda. A seguir somos logos largados nuns bairros de uma Nova Iorque em chamas e lá nos apercebemos que há muita coisa idêntica ao primeiro Shinobi no que diz respeito à jogabilidade.

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Logo no primeiro nível somos presenteados com uma Nova Iorque em chamas. Aí vemos que esta aventura vai ser um bocadinho diferente

Em primeiro lugar pelo facto de termos de resgatar vários reféns espalhados pelos níveis. Depois porque também há 2 planos de jogo: um superior e inferior, ou um principal e outro em background, podendo o jogador alternar entre ambos sempre que quiser. Terceiro, pelos ataques mágicos que podemos desencadear, embora isto acabe por ser algo practicamente constante em toda a série. Ainda sobre os reféns que teremos de resgatar, estes tanto nos podem pura e simplesmente contribuir para a pontuação, como nos poderão deixar mais fortes até ao final do nível ou perder uma vida. Mais uma vez não temos qualquer barra de energia, ao mínimo toque morremos mas a dificuldade não é tão exagerada como no Shadow Dancer das arcades, até porque poderemos vir a ganhar vidas extra com alguma facilidade, inclusivamente nos níveis de bónus. Enquanto que no original da arcade os níveis de bónus eram passados na primeira pessoa, de uma forma semelhante ao primeirinho Shinobi, e onde tínhamos de acertar com shurikens em ninjas que vinham todos entretidos a descer um arranha céus, aqui é precisamente ao contrário. São jogados em terceira pessoa e somos nós quem está a saltar de um arranha céus abaixo, enquanto teremos de acertar em todos os ninjas que vão subindo aos saltinhos.

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Os bosses são presença obrigatória!

E também como não poderia deixar de ser temos alguns bosses para derrotar no final de cada zona – esta versão da Mega Drive oferece-nos 5 locais a explorar, incluindo os exteriores da estátua da Liberdade, o que até achei engraçado. A versão original das arcades acaba por ter alguns níveis mais interessantes na minha opinião, como o do aeroporto e claro, o sistema arcade System-18 é algo bem mais capaz que a Mega Drive no quesito dos audiovisuais. Mas ainda sobre a jogabilidade, a grande mecânica de jogo está mesmo no cão Yamato, que podemos ordenar que ataque algum inimigo chato, imobilizando-o e deixando-o à mercê das nossas lâminas. Para o fazer, basta deixar o botão de ataque pressionado até um certo “medidor” que vemos na parte debaixo do ecrã se encher, aí Yamato passa ao ataque e acaba por ser mesmo de uma grande ajuda, em especial aqueles inimigos que disparam contra nós.

A nível de audiovisuais infelizmente este fica muito aquém da versão arcade na minha opinião, e como referi brevemente no parágrafo acima. Também temos de ver que ainda é um jogo relativamente recente no ciclo de vida da Mega Drive e os seus programadores ainda não sabiam bem ultrapassar algumas das suas limitações como o vieram a fazer já dentro da década de 90. Tirando o facto da paleta de cores ser reduzida, alguns níveis como a cidade em chamas, tremores de terra a acontecerem e abrirem enormes buracos no chão ou passearmos pela Estátua da Liberdade numa noite feia até que foram bem divertidos. As músicas também são agradáveis mas infelizmente não são as que o Yuzo Koshiro nos habituou.

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O Yamato é óptimo para nos safar a pele de alguns inimigos chatos

Em resumo, acho o Shadow Dancer no geral como um capítulo interessante na saga Shinobi e talvez por ter um nome algo diferente tenha passado um pouco mais despercebido pelos fãs da série. O facto das versões arcade/Master System e Mega Drive serem também diferentes não deve ter abonado muito a seu favor, mas considero-os bons jogos e indispensáveis para qualquer coleccionador fã da Sega dos velhos tempos.

Gunstar Heroes (Sega Mega Drive)

Classic CollectionPor fim, o último artigo referente à compilação Classic Collection na qual este Gunstar Heroes se insere. Foi produzido pela Treasure, uma empresa nipónica formada no início da década de 90 por ex-funcionários da Konami que estavam descontentes com essa empresa. Quase 25 anos antes de todos os problemas que têm vindo a surgir com a Konami nos últimos meses, foram uns visionários! O primeiro jogo da Treasure a ser publicado foi precisamente este Gunstar Heroes, um shooter sidescroller bastante frenético e com uma jogabilidade muito própria. O meu exemplar vem incluido nesta compilação Classic Collection que foi comprada em Junho na feira da Vandoma no Porto por 15€.

Classic Collection - Sega Mega Drive
Compilação com manual em português

A história não é o que mais interessa. Basicamente coloca uma dupla de heróis (Blue e Red) no encalço de um poderoso império que procurava uns 4 cristais coloridos com poderes especiais, para os seus próprios proveitos. Mas aqui o que interessa é mesmo a acção e essa é non-stop, ao percorrer níveis bem variados, repletos de inimigos a surgirem por todos os lados e como a Treasure nos foi habituando, com imensos bosses também. Mas é igualmente na jogabilidade que este jogo marca pontos, onde podemos equipar e combinar 4 tipos diferentes de projécteis, resultando em 16 diferentes combinações. Com o “poder básico” de fogo, electricidade, “force e homing” conseguimos fazer coisas como mega lança chamas, espadas laser, raios laser teleguiados pelo ecrã, entre muitas outras variantes. E estas mudanças podem ser todas feitas “on the fly” à medida em que vamos encontrando esses power-ups espalhados pelos níveis. A única coisa que só conseguimos escolher no início do jogo e depois não dá para mudar é a possibilidade de podermos nos mover e disparar em várias direcções, ou mirar apenas enquanto estivermos parados. Mas para além de termos sempre imensos projécteis pelo ar, podemos também fazer uma série de coisas como arremessar os nossos inimigos, dar-lhes uns pontapés aéreos ou, no caso de estarmos a jogar com um amigo, também o podemos atirar para onde quisermos sem qualquer prejuízo. E por fim, o facto de termos pontos de vida (que vão sendo aumentados à medida que vamos progredindo no jogo) e não mortes ao mínimo toque, tornam este jogo bem dinâmico e muito menos frustrante que os Contras, mas também com essas liberdades de acção over-the-top.

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Inicialmente podemos escolher com que tipo de arma queremos começar, se preferimos podemos disparar em todas as direções em andamento ou apenas quando estamos parados e por fim, qual o nível a começar

Os níveis são bastante variados como já referi, no primeiro percorremos bonitos campos verdejantes, já no segundo teremos uma série de combates intensos a bordo de um carrinho numa mina, viajando a altas velocidades em várias direcções e com bosses a chatear-nos também! Há um outro nível em que entramos num palácio e depois temos de jogar um pequeno jogo de tabuleiro, onde pegamos num dado, atiramos e vamos saltando as casinhas consoante o número que nos sair, onde tanto podemos ter de enfrentar um boss (e existem muitos), como recolher outros powerups. A ordem pela qual jogamos os primeiros 4 níveis pode ser escolhida à nossa vontade e depois teremos a recta final, uma vez mais com imensos bosses e alguns que voltam a enfrentar-nos. Basicamente temos todos os vilões a observar-nos por detrás de um ecrã e nós vamos jogando em background, à medida em que os vilões vão saindo dessa sala e nos defrontarem. Pequenos pormenores muito interessantes!

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Bosses é coisa que não falta nunca e por vezes têm bonitos efeitos gráficos

No que diz respeito aos audiovisuais é um excelente jogo. Adoro o design meio anime das personagens, visual esse muitas vezes repetido em vários outros jogos da Treasure incluindo o Mischief Makers que já por aqui referi. Os níveis são bastante detalhados e coloridos, mas no que diz respeito aos gráficos há aqui um truque que a Treasure empregou muito bem! Muitos bosses são enormes, mas ao contrário de serem uma única e enorme sprite, são na verdade um cojunto de pequenas sprites que, no caso de mechas, vão formando os vários membros do robot e se vão animando de uma forma muito interessante. As músicas são excelentes e bastante mexidas, adequando-se perfeitamente ao ritmo frenético deste jogo.

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Sempre adorei o design de tudo neste jogo!

Muita coisa poderia ainda ser escrita sobre este Gunstar Heroes, mas fico-me só por referir que é mesmo um excelente jogo. E com este primeiro trabalho da Treasure (se bem que aparentemente o outro da Mc Donalds foi desenvolvido antes) serviu perfeitamente para antever que realmente este seria um estúdio com muito potencial e isso felizmente comprovou-se. Que o digam Alien Soldier, Sin and Punishment ou Ikaruga!

The Lion King (Sega Game Gear)

LionKing-GG-EU-Front-mediumThe Lion King – Sega Game GearTal como fiz com o The Jungle Book, hoje venho aqui só “picar o ponto” com mais uma brevíssima entrada a um jogo que é nada mais nada menos que uma adaptação para portátil de uma outra versão já aqui analisada. O jogo em questão é o The Lion King, mais um de plataformas editado pela Virgin cuja versão Master System já referi por aqui., e esta versão Game Gear é essencialmente o mesmo jogo mas adaptado para o ecrã menor da consola portátil da Sega. Este meu exemplar é um cartucho que me foi oferecido em bundle por um colega  de trabalho a quem eu muito agradeço.

The Lion King - Sega Game Gear
Apenas carttucho

Para além do facto de a resolução do jogo ser menor, é possível que existam outras adaptações como pequenas diferenças nos níveis. Sinceramente não o joguei assim tanto tempo para reparar nalgo gritante, mas também a versão Master System já ficou algo escondida na minha memória. É um jogo de plataformas minimamente competente, mas que sinceramente não é dos que deixa assim grandes recordações.

The Jungle Book (Sega Game Gear)

JungleBook-GG-EU-Front-mediumMais uma mega rapidinha pois como sabem o tempo anda muito curto para estas andanças. The Jungle Book para a Game Gear é a mesma adaptação tardia do clássico filme da Disney editado pela Virgin Interactive, cuja empresa acabou por o publicar em imensas consolas por essa época. A Game Gear não escapou e acabou por receber a mesma adaptação 8bit que da Master System, cuja já foi escrita aqui.

The Jungle Book - Sega Game Gear
Apenas cartucho

Este cartucho em particular foi-me oferecido por um colega de trabalho em conjunto com mais 15 jogos e uma Game Gear. Esta versão é muito idêntica à versão Master System, como já escrevi no parágrafo acima, sendo um jogo de plataformas competente, mas por outro lado que não acrescenta muito ao que já se fazia por essas alturas. Mas continua com uma música título viciante!

Sonic the Hedgehog (Sega Game Gear)

Sonic 1 - GGBom, estou mais uma vez numa altura em que o tempo livre é bastante limitado pelo que para não deixar de escrever qualquer coisa por aqui cá trouxe mais uma super-rapidinha. Recentemente ofereceram-me uma série de jogos de Game Gear e lá pelo meio estava um cartucho do primeiro Sonic the Hedgehog. Eu já há muito que tinha escrito por cá sobre a versão Master system desse mesmo jogo, pelo que não me vou alongar quase nada neste muito breve artigo, pois o jogo é muito similar.

Sonic the Hedgehog - Sega Game Gear
Apenas cartucho

Existem algumas diferenças, como em muitas conversões de jogos de Master System para Game Gear e vice versa. A Game Gear é essencialmente uma Master System portátil mas capaz de apresentar uma paleta de cores maior no ecrã, pelo que não é incomum as versões GG de um certo jogo serem mais coloridas que o seu “irmão” para a MS. Por outro lado, o ecrã e resolução menor da Game Gear fazem com que certas mudanças tenham de ser feitas, pelo que é bastante habitual existirem pequenas alterações aqui e ali para o jogo melhor se adaptar às necessidades de uma consola portátil.

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Estes sinais de perigo alertam-nos que é melhor planear um pouco melhor o que vamos fazer a seguir e abrandar um pouco

Este Sonic the Hedgehog não foi excepção, existindo várias diferenças. Para compensar o ecrã menor que nos dá um tempo de reação mais curto quando corremos a alta velocidade, na primeira zona vamos encontrar alguns sinais de perigo quando nos aproximamos de alguma zona que exija mais cuidado. Alguns bosses também se alteraram e outras mudanças nos níveis em si também foram feitas. Uma das mais conhecidas é o acto 2 da Jungle Zone, em que temos de subir uma cascata por entre algumas secções mais desafiantes de platforming. Na versão Game Gear as coisas foram mais facilitadas.

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Se há coisa que esta versão me deixa com inveja da Master System é esta intro clássica com o SEEGAAA que tanto gostava.

De resto a jogabilidade é igual a si mesma, estes primeiros Sonics 8bit mantinham padrões de qualidade muito altos, quase tão bons como os principais para a Mega Drive e felizmente esta versão Game Gear não é excepção. A nível gráfico é um jogo bastante colorido e possui várias músicas bem sonantes que me ficaram gravadas na memória até hoje. É um clássico! Mas eu prefiro a versão Master System.