Shadow Dancer – The Secret of Shinobi (Sega Mega Drive)

Shadow DancerA série Shinobi é uma das minhas preferidas de uma Sega que parece que tão cedo não regressa. Mas por outro lado também é uma série com algumas ramificações confusas. Muitos de nós portugueses, e aposto que não só, sempre acharam que o Revenge of Shinobi da Mega Drive era uma sequela directa do original. E se calhar até é a nível de história, mas antes disso as arcades receberam o Shadow Dancer, um novo jogo que mantinha muitas mecânicas de jogo idênticas, mas acrescentava o interessante pormenor do cão ninja Yamato que nos acompanhava na aventura. Mas essa versão arcade não é lá muito idêntica ao jogo que vos trago hoje. Apesar de muito mais modesta a nível técnico, o Shadow Dancer da Master System acaba por ser uma versão bem mais fiel ao original. Mas foquemo-nos na versão que interessa para este artigo e o meu exemplar foi adquirido por 12€ a um particular.

Shadow Dancer - The Secret of Shinobi - Sega Mega Drive
Jogo com caixa e manual multilínguas

Bom, infelizmente este é mais um dos exemplos de videojogos que sofreram um pouco com as traduções de japonês para inglês. No original nipónico, deveríamos estar a controlar Hotsuma, o filho de Joe Musashi. Na versão que recebemos controlamos mesmo Joe Musashi, num longínquo futuro de 1997, onde a cidade de Nova Iorque foi tomada de assalto por um culto de ninjas das trevas que adoravam uma divindade reptiliana qualquer. Claro que só um ninja do clã Oboro como Joe/Hotsuma Musashi seriam capazes de por um fim a tal calamidade! E não nos esqueçamos do cão Yamato que tanto ajuda. A seguir somos logos largados nuns bairros de uma Nova Iorque em chamas e lá nos apercebemos que há muita coisa idêntica ao primeiro Shinobi no que diz respeito à jogabilidade.

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Logo no primeiro nível somos presenteados com uma Nova Iorque em chamas. Aí vemos que esta aventura vai ser um bocadinho diferente

Em primeiro lugar pelo facto de termos de resgatar vários reféns espalhados pelos níveis. Depois porque também há 2 planos de jogo: um superior e inferior, ou um principal e outro em background, podendo o jogador alternar entre ambos sempre que quiser. Terceiro, pelos ataques mágicos que podemos desencadear, embora isto acabe por ser algo practicamente constante em toda a série. Ainda sobre os reféns que teremos de resgatar, estes tanto nos podem pura e simplesmente contribuir para a pontuação, como nos poderão deixar mais fortes até ao final do nível ou perder uma vida. Mais uma vez não temos qualquer barra de energia, ao mínimo toque morremos mas a dificuldade não é tão exagerada como no Shadow Dancer das arcades, até porque poderemos vir a ganhar vidas extra com alguma facilidade, inclusivamente nos níveis de bónus. Enquanto que no original da arcade os níveis de bónus eram passados na primeira pessoa, de uma forma semelhante ao primeirinho Shinobi, e onde tínhamos de acertar com shurikens em ninjas que vinham todos entretidos a descer um arranha céus, aqui é precisamente ao contrário. São jogados em terceira pessoa e somos nós quem está a saltar de um arranha céus abaixo, enquanto teremos de acertar em todos os ninjas que vão subindo aos saltinhos.

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Os bosses são presença obrigatória!

E também como não poderia deixar de ser temos alguns bosses para derrotar no final de cada zona – esta versão da Mega Drive oferece-nos 5 locais a explorar, incluindo os exteriores da estátua da Liberdade, o que até achei engraçado. A versão original das arcades acaba por ter alguns níveis mais interessantes na minha opinião, como o do aeroporto e claro, o sistema arcade System-18 é algo bem mais capaz que a Mega Drive no quesito dos audiovisuais. Mas ainda sobre a jogabilidade, a grande mecânica de jogo está mesmo no cão Yamato, que podemos ordenar que ataque algum inimigo chato, imobilizando-o e deixando-o à mercê das nossas lâminas. Para o fazer, basta deixar o botão de ataque pressionado até um certo “medidor” que vemos na parte debaixo do ecrã se encher, aí Yamato passa ao ataque e acaba por ser mesmo de uma grande ajuda, em especial aqueles inimigos que disparam contra nós.

A nível de audiovisuais infelizmente este fica muito aquém da versão arcade na minha opinião, e como referi brevemente no parágrafo acima. Também temos de ver que ainda é um jogo relativamente recente no ciclo de vida da Mega Drive e os seus programadores ainda não sabiam bem ultrapassar algumas das suas limitações como o vieram a fazer já dentro da década de 90. Tirando o facto da paleta de cores ser reduzida, alguns níveis como a cidade em chamas, tremores de terra a acontecerem e abrirem enormes buracos no chão ou passearmos pela Estátua da Liberdade numa noite feia até que foram bem divertidos. As músicas também são agradáveis mas infelizmente não são as que o Yuzo Koshiro nos habituou.

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O Yamato é óptimo para nos safar a pele de alguns inimigos chatos

Em resumo, acho o Shadow Dancer no geral como um capítulo interessante na saga Shinobi e talvez por ter um nome algo diferente tenha passado um pouco mais despercebido pelos fãs da série. O facto das versões arcade/Master System e Mega Drive serem também diferentes não deve ter abonado muito a seu favor, mas considero-os bons jogos e indispensáveis para qualquer coleccionador fã da Sega dos velhos tempos.

Gunstar Heroes (Sega Mega Drive)

Classic CollectionPor fim, o último artigo referente à compilação Classic Collection na qual este Gunstar Heroes se insere. Foi produzido pela Treasure, uma empresa nipónica formada no início da década de 90 por ex-funcionários da Konami que estavam descontentes com essa empresa. Quase 25 anos antes de todos os problemas que têm vindo a surgir com a Konami nos últimos meses, foram uns visionários! O primeiro jogo da Treasure a ser publicado foi precisamente este Gunstar Heroes, um shooter sidescroller bastante frenético e com uma jogabilidade muito própria. O meu exemplar vem incluido nesta compilação Classic Collection que foi comprada em Junho na feira da Vandoma no Porto por 15€.

Classic Collection - Sega Mega Drive
Compilação com manual em português

A história não é o que mais interessa. Basicamente coloca uma dupla de heróis (Blue e Red) no encalço de um poderoso império que procurava uns 4 cristais coloridos com poderes especiais, para os seus próprios proveitos. Mas aqui o que interessa é mesmo a acção e essa é non-stop, ao percorrer níveis bem variados, repletos de inimigos a surgirem por todos os lados e como a Treasure nos foi habituando, com imensos bosses também. Mas é igualmente na jogabilidade que este jogo marca pontos, onde podemos equipar e combinar 4 tipos diferentes de projécteis, resultando em 16 diferentes combinações. Com o “poder básico” de fogo, electricidade, “force e homing” conseguimos fazer coisas como mega lança chamas, espadas laser, raios laser teleguiados pelo ecrã, entre muitas outras variantes. E estas mudanças podem ser todas feitas “on the fly” à medida em que vamos encontrando esses power-ups espalhados pelos níveis. A única coisa que só conseguimos escolher no início do jogo e depois não dá para mudar é a possibilidade de podermos nos mover e disparar em várias direcções, ou mirar apenas enquanto estivermos parados. Mas para além de termos sempre imensos projécteis pelo ar, podemos também fazer uma série de coisas como arremessar os nossos inimigos, dar-lhes uns pontapés aéreos ou, no caso de estarmos a jogar com um amigo, também o podemos atirar para onde quisermos sem qualquer prejuízo. E por fim, o facto de termos pontos de vida (que vão sendo aumentados à medida que vamos progredindo no jogo) e não mortes ao mínimo toque, tornam este jogo bem dinâmico e muito menos frustrante que os Contras, mas também com essas liberdades de acção over-the-top.

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Inicialmente podemos escolher com que tipo de arma queremos começar, se preferimos podemos disparar em todas as direções em andamento ou apenas quando estamos parados e por fim, qual o nível a começar

Os níveis são bastante variados como já referi, no primeiro percorremos bonitos campos verdejantes, já no segundo teremos uma série de combates intensos a bordo de um carrinho numa mina, viajando a altas velocidades em várias direcções e com bosses a chatear-nos também! Há um outro nível em que entramos num palácio e depois temos de jogar um pequeno jogo de tabuleiro, onde pegamos num dado, atiramos e vamos saltando as casinhas consoante o número que nos sair, onde tanto podemos ter de enfrentar um boss (e existem muitos), como recolher outros powerups. A ordem pela qual jogamos os primeiros 4 níveis pode ser escolhida à nossa vontade e depois teremos a recta final, uma vez mais com imensos bosses e alguns que voltam a enfrentar-nos. Basicamente temos todos os vilões a observar-nos por detrás de um ecrã e nós vamos jogando em background, à medida em que os vilões vão saindo dessa sala e nos defrontarem. Pequenos pormenores muito interessantes!

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Bosses é coisa que não falta nunca e por vezes têm bonitos efeitos gráficos

No que diz respeito aos audiovisuais é um excelente jogo. Adoro o design meio anime das personagens, visual esse muitas vezes repetido em vários outros jogos da Treasure incluindo o Mischief Makers que já por aqui referi. Os níveis são bastante detalhados e coloridos, mas no que diz respeito aos gráficos há aqui um truque que a Treasure empregou muito bem! Muitos bosses são enormes, mas ao contrário de serem uma única e enorme sprite, são na verdade um cojunto de pequenas sprites que, no caso de mechas, vão formando os vários membros do robot e se vão animando de uma forma muito interessante. As músicas são excelentes e bastante mexidas, adequando-se perfeitamente ao ritmo frenético deste jogo.

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Sempre adorei o design de tudo neste jogo!

Muita coisa poderia ainda ser escrita sobre este Gunstar Heroes, mas fico-me só por referir que é mesmo um excelente jogo. E com este primeiro trabalho da Treasure (se bem que aparentemente o outro da Mc Donalds foi desenvolvido antes) serviu perfeitamente para antever que realmente este seria um estúdio com muito potencial e isso felizmente comprovou-se. Que o digam Alien Soldier, Sin and Punishment ou Ikaruga!

Menacer 6-Game Cartridge (Sega Mega Drive)

Menacer 6 GamesO artigo de hoje vai ser algo muito rápido pois tenho muitos outros afazeres infelizmente. Estava a adiar este artigo pois gostaria de o escrever num dia em que tivesse comprado a própria Menacer em si, mas pensando melhor o meu espaço é valioso e não é algo que faça assim tanta questão de ter, até porque me lembro bem de como era usar uma, quando era bem mais novinho. Esta compilação de 6 minijogos era vendida originalmente em conjunto com a light gun, se bem que este meu exemplar já não tinha nenhuma a acompanhar. Foi comprado na feira da Vandoma no Porto por um preço baixo, algo em torno dos 2€.

Menacer 6 Games Cart - Sega Mega Drive
Jogo completo com caixa, manuais e papelada. Só falta mesmo é a pistola!

E então quais são as minhas memórias da Menacer em si? Bom, não sei o que se passou quer na cabeça da Nintendo ou Sega, pois após da Zapper e Light Phaser, duas light guns compactas, ambas as rivais decidiram lançar 2 enormes trambolhos, a Super Scope e no caso da Sega, a Menacer. O bom desta light gun era a sua tecnologia que não causava um flash branco no ecrã por cada vez que o gatilho fosse pressionado, tal como era feito nas outras light guns do mercado. A pistola era wireless, comia 6 pilhas e comunicava com um receptor infravermelhos, geralmente posicionado na TV. Bom, o facto de comer 6 pilhas e da autonomia não ser a maior não era lá uma grande coisa a seu favor, mas o que sempre me irritou foi mesmo o seu tamanho. Isto porque se quiséssemos montar a Menacer completa, para além da parte principal com o gatilho, outros botões e o cano, podemos montar também uma coronha e umas miras duplas que não dão sinceramente jeito nenhum… De resto e infelizmente, por muito que eu até goste de jogos de light gun, a Menacer foi mal aproveitada, pelo menos para a Mega Drive, onde apenas mais 2 jogos suportam este periférico, embora a Mega CD até acaba por suportar mais.

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O bicho todo montado.

Mas indo para esta compilação propriamente dita, os mini jogos que aqui temos são bastante simples. O mais conhecido de todos é o Ready, Aim, Tomatoes! que contém personagens do universo Toe Jam & Earl, uma outra série da Sega. Aqui disparamos tomates contra vários inimigos, à medida que o ecrã vai andando, cada vez com mais velocidade quanto mais tempo passa. Como sempre existem alguns power ups, que tanto podem abrandar, ou até parar temporariamente o scroll, ou outros que fazem um auto-aim para ajudar à coisa. No Pest control temos um nível todo às cegas, onde apenas vemos um pequeno círculo do ecrã mediante para onde estejamos a apontar a pistola. A ideia é matar todos os insectos que nos tentam roubar a nossa pizza… se fosse eu bastava uma barata passar perto da pizza para eu a deitar fora, mas no mundo dos videojogos vale tudo!

O Rockman’s Zone e o Front Line são daquelas shooting galleries básicas. Na primeira vamos percorrendo ruas e temos de disparar sobre bandidos, poupando os civis. Na segunda temos de destruir uma série de veículos militares que nos aparecem à frente, como jipes, tanques e aviões. O Space Station Defender é outro jogo similar, mas que temos de nos defender de uma série de aliens que tentam aterrar no nosso planeta em vários pods. Por fim temos o Whac Ball, sem dúvida um dos mais originais. Este é um mini jogo algo inspirado no Breakout, em que com a Menacer controlamos um disco em que devemos bater noutra bola mais pequena de forma a levá-la a tocar em blocos coloridos que formam a “parede” do nível.

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Um screenshot de cada minijogo, cortesia do Wikipedia

No que diz respeito aos gráficos e som, é uma compilação bastante simples no seu todo, não esperem por nada de especial em ambos os campos… se bem que mais uma vez o Ready, Aim, Tomatoes! acaba por ser o minijogo com a melhor música e gráficos mais coloridos e detalhados.

No fim de contas, terem esta compilação sem uma Menacer, não é lá grande ideia. E mesmo ter uma Menacer se calhar também é algo que não justifique lá muito, a não ser por motivos de colecção. A Justifier da Konami, apesar de ser mais tradicional e menos “high tech” acaba por me agradar mais. Assim como ambos os Lethal Enforcers, facilmente os melhores jogos light gun da biblioteca da Mega Drive. Se formos para a Mega CD, então há outras alternativas, mas isso é assunto para um outro artigo.

Phantasy Star II (Sega Mega Drive)

Phantasy Star IIPhantasy Star é uma das minhas séries preferidas de RPGs, muito por causa do Phantasy Star IV da Mega Drive que foi um dos jogos que me deixou definitivamente a gostar de JRPGs e na minha modesta opinião é um dos mehores jogos dentro do seu género da era das máquinas 16bit. Mas a série Phantasy Star teve uma origem e evolução interessantes ao longo dos seus quatro jogos principais, e este Phantasy Star II melhorou em alguns aspectos perante o anterior da Sega Master System, mas também piorou em alguns outros. Este meu exemplar foi comprado há coisa de um mês atrás no site britânico da Chillout Games, estando quase completo e em bom estado. O preço é que foi mais salgado, mas era um jogo que eu fazia mesmo questão em ter na minha colecção e acabei por comprar mesmo assim. Só lhe falta o tal hint book!

Phantasy Star II - Sega Mega Drive
Jogo com caixa, manual e mapa

A aventura decorre 1000 anos após os acontecimentos do primeiro jogo, onde Alis em conjunto com os seus companheiros Odin, Myau e Lutz conseguiram derrotar o grande ser maligno que assolava o sistema solar de Algo, constituído pelos planetas Palma, Motavia e Dezoris. Palma era um planeta rico em vida e abundância, tal como o nosso. Motavia era um planeta com um clima árido e completamente desértico, embora alguns povos humanos e motavianos lá vivessem. Por fim (ou não!) teríamos Dezoris, um planeta gelado cujos dezorianos são um povo muito matreiro. E aqui as coisas começam precisamente em Motavia, um planeta completamente transformado com o decorrer destes 1000 anos. Graças ao desenvolvimento de um super computador chamado Mother Brain, o planeta de Motavia foi completamente reclimatizado, tornando-se perfeitamente habitável, com a civilização a evoluir fortemente com o decorrer dos anos. Mas eis que de repente começam a surgir estranhos monstros que atacam a civilização… nós encarnamos em Rolf, agente governamental ao serviço de Paseo, capital de Motavia e a sua companheira Nei, uma jovem rapariga geneticamente alterada, provavelmente a primeira do que viriam a ser os Newmans em Phantasy Star Onlin. A nossa primeira missão consiste mesmo em investigar a origem dos monstros, mas depois muitas voltas a história vai dar, mudando o destino dos habitantes do sistema de Algol para sempre.

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As dungeons já não são mais em primeira pessoa, algumas têm ainda estes efeitos gráficos com paralaxe que nos dificultam um pouco a navegação

A primeira das grandes diferenças que nos apercebemos entre este jogo e o original é a ausência das dungeons na primeira pessoa. Aqui as mesmas são exploradas de igual forma como as cidades, numa perspectiva aérea em 3a pessoa, aproximando-se do que acabaria por se tornar um padrão em JRPGs dessa época. É uma pena pois apesar de serem bem simples, eu adorei as dungeons em primeira pessoa na Master System. Depois a outra grande diferença que notamos acaba por ser o número de aliados que poderemos vir a ter. Enquanto no original estavamos restritos àquela party de 4 personagens, aqui poderemos vir a conhecer mais umas 6 personagens, para além de Rolf e Nei. A maneira como as conhecemos é que é estranha, a partir de certas ocasiões do jogo, se visitarmos a nossa casa em Paseo, as novas personagens visitam-nos, apresentam-se e pedem para se juntar ao grupo. Não há aqui um grande desenvolvimento de carácter nestas personagens, exceltp para as principais Rolf e Nei. Essas outras personagens vão sendo algo diferentes entre si, com diferentes “classes” capazes de enveredar equipamento característico, bem como aprender mágicas diferentes. Este é também o primeiro jogo de toda a saga Phantasy Star onde se começam a “standarderizar” muitas das nomenclaturas da série. As magias são chamadas “Techniques”, com algumas magias base como Foie ou Res a prevalecer com o decorrer dos anos. Itens regenerativos como os monomate, dimate e trimate também tiveram a sua origem aqui.

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Estes backgrounds é que não ficam nada bem na minha opinião.

Os combates são por turnos como manda a lei, com a opção de lutarmos, usar itens, magias, defender ou fugir. Infelizmente há coisas em que a idade não perdoa e Phantasy Star II ressente-se disso. Isto porque o sistema de inventário continua algo confuso, a misturar itens de todos os tipos. Quando estamos em lojas, para saber se uma arma, ou armadura é mais forte que a que temos equipada, só mesmo comprando-a, equipando-a e ver a mudança nos stats. Ou então pelo preço! Como sempre, armas mais caras costumam ser melhores. Outro ponto ainda algo cru é a narrativa que deixa ainda muitas pontas soltas e por vezes precipita uma série de acontecimentos. No entanto acaba também por ser bastante séria e dramática para os padrões da época – sim, há aqui um momento Aeris, muito antes do Final Fantasy VII ser sequer um projecto.

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A maneira como os nossos colegas de equipa se juntam a nós não é lá muito convencional…

Graficamente é um jogo interessante, ainda que simplista devido a ser um dos jogos de primeira geração da Mega Drive. É um jogo colorido, as personagens têm um design que me faz lembrar os animes da década de 80, o que me agrada bastante, mas tem também algumas coisas que não gosto: os backgrounds das batalhas deixam muito a desejar, assim como grande parte do design dos inimigos. Em especial os inimigos do primeiro terço do jogo, muitos deles insectos sem grande interesse e há um abuso nos palette swaps, pois vamos vendo os mesmos monstros vezes sem conta, mas com cores diferente. Mas voltando aos backgrounds das batalhas, no Phantasy Star 1 da Master System estes eram bastante ricos em cores e com a imagem do fundo da região onde estávamos, fosse uma floresta, deserto, praia, entre outros. Aqui temos um fundo negro quadriculado. Algo reminiscente de um Tron, o que lhe pode dar um aspecto muito futurista, mas sinceramente não me agradou muito. Por outro lado as animações das batalhas pareceram-me óptimas, assim como as músicas, muitas delas bastante upbeat com melodias aliciantes.

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Sempre adorei este look “retroanime” deste jogo

Phantasy Star II é um bom RPG na minha opinião, embora o seu pico tenha sido mesmo no Phantasy Star 4, a evolução que se traçou entre o primeiro jogo, este e o quarto foi muito boa. O terceiro não é para aqui chamado pois é uma longa história… mas uma história que eu espero que um dia possa vir para aqui contar. Só tenho pena que a Sega nunca mais tenha querido voltar ao sistema solar de Algol…

Alex Kidd in the Enchanted Castle (Sega Mega Drive)

Alex Kidd in Enchanted Castle

O Alex Kidd foi uma das primeiras mascotes da Sega, antes de um certo ouriço azul ter tomado essa posição. E se por um lado o Alex Kidd in Miracle World é um dos clássicos de plataformas de 8bit, as suas sequelas e spin-offs nem sempre têm sido tão boas assim e muitos se desviaram completamente da fórmula original. Mas eis que chega o Enchanted Castle, o único jogo da série Alex Kidd a sair na Mega Drive e que pisca o olho às mecânicas de jogo do Miracle World. Esta minha cópia está incluida na compilação Sega Classics Collection, que tinha sido comprada na feira da Vandoma no Porto há mais de um mês atrás por 15€. Mas também adquiri mais recentemente uma versão standalone do mesmo jogo por menos de 5€.

Alex Kidd in Enchanted Castle - Sega Mega Drive
Jogo com caixa

A história, como sempre, é simples. Alex Kidd ouviu rumores que o seu pai, já há muito desaparecido, estava vivo no planeta Paperrock, então viajamos até lá para o procurar. Simples. As mecânicas de jogo são similares ao Miracle World, com um botão para fazer Alex saltar, outro para atacar. Geralmente atacamos os inimigos com os punhos, bem como podemos quebrar alguns blocos para alcançar cestos com dinheiro, vidas, itens ou armadilhados com bombas. Quando atacamos algum bloco, se o mesmo estiver logo ao lado de outro, então é simplesmente destruído. Por outro lado se não tiver nenhum bloco adjacente então é levado na direcção em que o atacamos, destruindo todos os inimigos que se atravessem no seu caminho.

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Graficamente é um pouco mais detalhado que qualquer jogo da Master System, mas a Mega Drive veio a provar ser capaz de muito melhor.

O minijogo do pedra-papel-tesoura é algo que está uma vez mais enraizado neste jogo. Por várias vezes podemos entrar em lojas e jogar uma partida de pedra-papel-tesoura com o vendedor. Para jogar temos de pagar uma certa quantia (dinheiro pode ser adquirido ao derrotar inimigos ou destruir cestos) e caso consigamos vencer a partida lá ficamos com o item. Infelizmente isto por vezes torna-se bastante chato pois sempre que temos de tentar novamente teremos uma vez mais de pagar. Felizmente um dos itens que podemos encontrar permite ler a mente do nosso oponente, então conseguiremos usar isso em nossa vantagem. É especialmente útil contra os bosses que também têm as suas batalhas através do pedra-papel-tesoura (excepto o último boss que depois tem uma parte de combate directo). Para além desse item, existem muitos outros que podemos comprar/encontrar ao longo do jogo e podem ser utilizados sempre que nos convier. Um pogo-stick que nos permite saltar bem mais alto e alcançar zonas inatingíveis, uma moto onde podemos atropelar e derrotar instantaneamente os inimigos, aquele helicóptero a pedais que já teríamos visto no Miracle World, entre outros como um que nos confere invencibilidade temporária. O design dos níveis também é um pouco diferente dos vistos em Miracle World, pois geralmente são maiores e muitos têm caminhos alternativos para perseguir.

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Este minijogo de pedra papel ou tesoura ficou um bocadinho a desejar neste capítulo da saga Alex Kidd

A nível gráfico nota-se perfeitamente que é um dos jogos de primeira geração da Mega Drive, onde apesar de os visuais já serem melhores do que a Master System conseguiria produzir, pelas sprites grandes e bem detalhadas, assim como os backgrounds, no entanto ainda está muito longe do que a Mega Drive seria capaz de fazer. As músicas continuam bastante agradáveis na minha opinião e temos algumas vozes digitalizadas como Alex a dizer “Pedra papel tesoura” em japonês. Uma curiosidade interessante foi a censura que o jogo sofreu nos seus lançamentos ocidentais. No original japonês, a personagem que perde o jogo do pedra papel tesoura fica sem roupa (obviamente com alguma censura a tapar as partes íntimas), mas nas versões ocidentais o perdedor é esmagado com um enorme peso metálico. Não que me faça muita diferença, mas naquela altura essas diferenças culturais entre o japão e a civilização ocidental (especialmente a americana e a de alguns países europeus conservadores) obrigavam mesmo a que fossem feitas mudanças deste tipo.

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A maior parte dos bosses são apenas combatidos com partidas de pedra papel tesoura

No fim de contas achei este Alex Kidd um interessante regresso à fórmula convencional, com algumas coisas novas que me agradam, como a possibilidade de usar qualquer m dos itens que ganhemos/encontremos a qualquer momento. Mas no entanto a parte do pedra papel e tesoura ficou algo a desejar pois é estúpido termos de pagar para jogar a partida e só se ganhar o desafio ficarmos com o item. Deveria ser dada a opção de comprar logo, ou tentar a sorte. Mas é só a minha opinião!