X-Men 2: Clone Wars (Sega Mega Drive)

X-Men 2Vamos a mais uma rapidinha! O primeiro X-Men para a Mega Drive era um jogo de acção em 2D que sempre achei bastante interessante, embora houvesse ali potencial para ser melhor. E felizmente que na Sega fizeram os trabalhos de casa, pois esta sequela X-Men 2 Clone Wars acaba por ser superior ao original em practicamente todos os níveis. Este meu exemplar foi comprado por 5€ na Feira da Vandoma no Porto há coisa de um mês atrás. Infelizmente está em mau estado, pelo que será prontamente substituído assim que arranjar um outro em melhores condições. Trouxe-o porque é um jogo que gosto bastante e ultimamente é daqueles cujo preço tem vindo a subir, pelo que aproveitei esta oportunidade. E sim, este é um dos exemplares de maroscas da Ecofilmes quando comercializava alguns jogos americanos por cá. Como ninguém sabia o que era uma Sega Genesis, imprimiram uma capa de pior qualidade e siga a marinha! Existem vários outros casos similares que a seu tempo os verão aqui.

Jogo com caixa e manual, não em lá muito boas condições
Jogo com caixa e manual, não em lá muito boas condições

E se o primeiro X-Men tinha uma particularidade interessante, em que a certa parte do jogo nos pediam literalmente para carregar no botão de reset da Mega Drive para prosseguir, aqui decidem colocar-nos no jogo logo mal liguemos a consola. Não há cá ecrãs de título, nem menus nem nada. Quer dizer, na verdade há, mas temos de chegar ao fim deste nível inicial em primeiro lugar. E sendo este um jogo em que podemos escolher várias personagens com quem jogar, o X-Men com quem jogamos este primeiro nível era também aleatório. Depois lá podemos começar “a sério” e no início de cada nível podemos escolher qual o X-Men que queremos jogar. Opções como Wolverine, Beast, Psylocke, Gambit, Cyclops, Nightcrawler e posteriormente o Magneto dão alguma variedade adicional ao jogo, pois tal como na sua prequela, cada X-Men possui diferentes poderes e habilidades, cujas até poderão dar mais ou menos jeito em alguns níveis ou combates contra bosses. Personagens como Wolverine ou Beast são bastante fortes no combate corpo-a-corpo, Wolverine ou a Psylocke possuem também ataques com armas brancas com algum alcance considerável, Cyclops e Gambit têm a vantagem de poder usar ataques de longo alcance, o Nightcrawler é super rápido e pode-se teletransportar, algo que poderá dar um jeitaço. Alguns X-Men podem também saltar entre paredes, e assim possuir alguma mobilidade acrescida.

Mal ligamos a consola, o que vemos é isto. Ready to play! Se o tivesse comprado em miúdo, provavelmente tinha achado que o jogo estava avariado.
Mal ligamos a consola, o que vemos é isto. Ready to play! Se o tivesse comprado em miúdo, provavelmente tinha achado que o jogo estava avariado.

O jogo coloca-nos a defrontar mais uma ameaça alienígena, desta vez os Phalanx, capazes de escravizar toda a raça humana. Também pelos vistos podem clonar qualquer ser vivo, incluindo mutantes super poderosos como os X-Men ou Magneto. Assim sendo, o jogo leva-nos a vários locais, todos eles com excelentes grafismos e detalhes. Desde bases high-tech repletas de Sentinels (aqueles robots gigantes que sempre adorei), até locais bem mais naturais como florestas ou mesmo templos antigos, sempre a lutar contra essa ameaça Phalanx. A coisa culmina precisamente em território hostil dos Phalanx, repleto de estruturas alienígenas que sinceramente também achei muito bem conseguidas graficamente. Já que estamos aqui a falar no aspecto técnico, as músicas são também muito, muito boas, com uma batida electrónica que assenta que nem uma luva à temática algo futurista do jogo. Mas estamos a falar de um jogo trazido pelo Ed Annunziata (série Ecco the Dolphin), então não é nenhuma surpresa que os audiovisuais sejam excelentes para uma Mega Drive.

Os combates contra os bosses são sempre épicos como manda a lei. Aliás, o nível na base do Magneto é provavelmente o meu preferido.
Os combates contra os bosses são sempre épicos como manda a lei. Aliás, o nível na base do Magneto é provavelmente o meu preferido.

No fim de contas, este X-Men 2 é um grande jogo para quem gosta destes sidescrollers repletos de acção, com uma dificuldade quanto baste. Possui a meu ver uma óptima jogabilidade, apesar de algumas diferenças face ao original, nomeadamente os golpes especiais não consumirem energia, e a não inclusão de personagens extra como assists. Isso, ser X-Men, e os excelentes audiovisuais mencionados no parágrafo acima, tornam este X-Men 2 num daqueles jogos obrigatórios, embora infelizmente os preços inflacionados não ajudem muito.

Corporation (Sega Mega Drive)

Corporation_box_artHá videojogos verdadeiramente revolucionários, onde para além de introduzirem novas ideias, a sua execução é também bastante boa. Mas há outros que foram também de igual forma bastante ambiciosos, mas para além da tecnologia disponível na altura ainda não ser a melhor para se tirar partido de todas essas novas ideias, a jogabilidade também não é a mais adequada. Este Corporation recai nessa categoria. Já explico o meu raciocínio no parágrafo a seguir, aqui resta-me só dizer que o meu exemplar foi comprado há uns meses atrás a um particular por cerca de 6€ se a memória não me falha.

Jogo com caixa e manual europeu
Jogo com caixa e manual europeu

Sendo um produto da Core Design, a mesma empresa que nos trouxe a série Tomb Raider uns anos depois, este Corporation foi lançado originalmente em 1990 para os Commodore Amiga. Era um first person shooter em 3D parcialmente poligonal (lembrando que o Wolfenstein 3D só viria a sair em 1992), onde se misturavam conceitos de RPG, jogabilidade furtiva e também hacking de computadores (System Shock e Deus Ex estavam mais longe ainda). Mas, sendo algo muito à frente do seu tempo, muitas das ideias eram ainda muito primitivas nos videojogos e a sua execução deixou bastante a desejar. A versão Mega Drive, que utiliza um comando de 3 botões frontais, ao invés de um teclado completo como na versão Amiga, significava que ainda teriam de ser feitos mais alguns sacrifícios. Mas já lá vamos.

Sim, aquilo preto com um quadrado branco é uma porta
Sim, aquilo preto com um quadrado branco é uma porta

Este é um jogo que decorre no futuro, onde uma poderosíssima empresa, a Universal Cybernetics Corporation, é alvo de suspeitas pelo governo britânico. Apesar de eles se dedicarem, dentro da legalidade, ao desenvolvimento tecnológico, genético e de bio engenharia, a certa altura acontece um acidente e um mutante escapa das suas instalações, provocando o caos na cidade. O governo decide então enviar um agente secreto para se infiltrar nas instalações da mega corporação e tentar expor qualquer actividade ilegal que esteja por ali a acontecer. E é aí que nós entramos. Os conceitos de RPG deste Corporation começam logo no início da aventura, onde teremos de escolher uma de várias personagens para encarnar: 2 homens, duas mulheres ou dois andróides à nossa disposição, cada qual com diferentes stats e habilidades como a quantidade de itens que podemos carregar, o dano que podemos aguentar e causar, entre outros. Na versão Amiga, os humanos podiam inclusivamente vir a utilizar habilidades psíquicas como a levitação ou a capacidade de regenerar a sua saúde.

O sistema de inventário por vezes é bastante confuso e desnecessariamente complicado. Se tivermos munições, qual era a dificuldade do reload ser automático?
O sistema de inventário por vezes é bastante confuso e desnecessariamente complicado. Se tivermos munições, qual era a dificuldade do reload ser automático?

Depois, este é daqueles jogos em que se o comprarem sem um manual, estão completamente perdidos, sem saber o que fazer. A seguir a escolher a personagem, somos levados a uma loja, onde poderemos comprar vários itens para levar connosco. Aqui convém mesmo saber o que levar, caso contrário podemos mesmo até ficar sem possibilidades de completar o jogo. E temos muitas coisas para comprar, umas mais úteis que outras, como diferentes armas e acessórios como computadores (bastante úteis para mostrar um pequeno mapa do nível em que estamos), ou outros como jet packs (embora todos os níveis sejam fechados), medkits, máscaras de gás, visores especiais, diferentes armaduras, etc. Depois lá somos largados no jogo com uma interface bem estranha. No centro temos a acção, à esquerda e direita vemos 2 figuras humanóides com diferentes barras. As da esquerda representam a stamina (barra horizontal) e o dano sofrido em diferentes partes do corpo. À direita são as coisas que temos ou não equipadas em diferentes zonas do corpo. Em baixo vemos mais uma série de menus confusos. À direita aparecem figuras dos itens no nosso inventário, à esquerda irão aparecer figuras de itens que possamos vir a encontrar ao longo do jogo. Em cima estão uma série de botões que permitem interagir com todos esses objectos. Para aceder a esse menu simplesmente temos de carregar no start.

Interagir com terminais. Ah, o System Shock ainda estava tão longe...
Interagir com terminais. Ah, o System Shock ainda estava tão longe…

Depois no jogo em si temos de ter em atenção várias coisas. Em todos os níveis teremos várias câmaras de vigilância que convém destruir, caso contrário vai soar um alarme que chama todos os inimigos à nossa localização, o que nos vai dificultar bastante a vida. Para progredir nos diferentes andares do edifício vamos ter também de passar por sistemas de segurança, quer ao simplesmente “hackear” fechaduras electrónicas, ou ao atribuir novos níveis de segurança ao nosso ID card, para que possamos usá-los nos elevadores para entrar em andares com outras restrições de segurança superiores. Tudo isto soa muito bem, mas infelizmente a execução não é a melhor. O sistema de inventário é bastante confuso e é um filme para fazer coisas simples como regenerar stamina, vida ou mesmo recarregar a arma equipada. Apanhar itens do chão também é desnecessariamente complicado, e conservar vida, energia e manter-nos hidratados são coisas obrigatórias. Felizmente a versão Mega Drive possui um mecanismo de lock-on nos alvos, facilitando-nos a vida no que aos combates diz respeito. Ocasionalmente lá vemos também alguns puzzles interessantes, como utilizar o SCANMAN para manipular uma fotografia em 3D de forma a descobrir o código de acesso a uma porta.

Os inimigos são bem detalhados, mas infelizmente os cenários não e o framerate também sofre.
Os inimigos são bem detalhados, mas infelizmente os cenários não e o framerate também sofre. (Note: this is not my picture)

A nível técnico, digamos que existem FPS na Mega Drive mais avançados tecnicamente. As sprites dos inimigos até que são bem grandinhas e estão bem detalhadas, mas os cenários propriamente ditos estão mais fraquinhos. As paredes são todas em tons de cinzento, as portas pretas com um quadrado branco a fazer de janela e é praticamente isso, com o chão e tecto a variarem um pouco, ocasionalmente. Para além disso, o frame rate também é bastante lento! Tenho alguma curiosidade em ver a versão Commodore Amiga em movimento. As músicas são tensas e também aliciantes, mas há um pequeno grande problema. Há 2 músicas no jogo todo, uma que toca cada vez que o alarme dispara e somos descobertos, a outra para quando estamos a passar completamente despercebidos.

No fim de contas, este Corporation é um jogo que tinha óptimas ideias, excelentes mesmo, principalmente se considerarmos que o original tinha saído ainda em 1990. No entanto era algo muito à frente do seu tempo. Por um lado a tecnologia ainda não nos permitia apresentar um mundo mais detalhado, realista e credível. Por outro lado muitos destes conceitos eram novos e a sua implementação também não foi a melhor. Mas não deixa de ser um jogo bastante peculiar e curioso por isso mesmo.

The Incredible Hulk (Sega Mega Drive)

HulkVamos para uma rapidinha, desta vez sobre um jogo para a Mega Drive. Confesso que não sou o maior fã de videojogos de super heróis, talvez por nunca ter gostado muito dos filmes modernos que se têm vindo a fazer (excepção notável para os Batman com o Christopher Nolan). Mas se forem videojogos de super heróis das eras 8 e 16bit, então já sou bem mais tolerante, até porque muitos deles fizeram parte da minha infância. O que não é propriamente o caso deste Hulk que só tinha vindo a conhecer mais tarde em emulação. O meu exemplar foi comprado há uns bons meses atrás na feira da Ladra em Lisboa, custando-me 7€.

Jogo com caixa e manual europeu. Sempre gostei da capa!
Jogo com caixa e manual europeu. Sempre gostei da capa!

Nunca fui o leitor mais assíduo das comics do Hulk, pelo que não reconheço muito dos vilões, a não ser o Rhino (que apareceu pela primeira vez nas comics do Spider Man) e o The Leader, o vilão “chefe” que iremos enfrentar no final. Este The Hulk é um jogo de plataformas onde iremos explorar vários diferentes mundos, onde os níveis começam a ficar cada vez mais labirínticos, quanto mais avançados forem. A jogabilidade é também um pouco confusa. Como Hulk, temos vários níveis da nossa barra de saúde, que vão diminuindo com a pancada que levamos e restabelecidos ao encontrar power ups para o efeito. A parte estranha é que poderemos desencadear mais ou menos golpes diferentes consoante o nível de “saúde” que tenhamos. No ponto mais alto, que nos obriga precisamente a encontrar alguns power ups para isso, podemos desempenhar alguns golpes poderosos que de outra forma seriam impossíveis de executar, como o Sonic Clap (o único ataque de médio alcance que dispomos), ou mesmo o Shoulder Charge, capaz de destruir um inimigo normal com um encontrão apenas. Para desencadear estes golpes temos de pressionar diferentes combinações de botões, quase como se um jogo de luta se tratasse, o que confunde ainda mais pelo facto de existirem vários níveis de saúde que nos podem inibir ou habilitar a execução de alguns desses mesmos golpes.

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A nossa barra de saúde vai tendo várias cores. Mediante a cor em que estamos, podemos desencadear mais ou menos golpes diferentes

Para além disso, ao sofrer dano suficiente transformamo-nos novamente em Bruce Banner, a forma humana de Hulk que é bastante mais frágil. Podemos atacar se encontrarmos algumas armas de fogo, mas temos também de ter bastante cuidado. Essas armas possuem apenas 2 disparos e convém usá-los para destruir os caixotes que possuem os power-ups que nos restabeleçam a vida. Como Bruce podemos também esgueirar-nos por espaços apertados que Hulk não conseguiria. É possível também transformar de Hulk para Bruce em qualquer momento, mediante a utilização de comprimidos tranquilizantes que podem ser encontrados ao longo do jogo. De resto, tal como já referi, vamos ter níveis cada vez mais labirínticos, onde para além de defrontarmos um mar de robots ou guerreiros estátua, teremos também de procurar alavancas e elevadores que nos permitam progredir nos níveis.

No final de cada nível há sempre um boss para defrontar, seguido de uma pequena cutscene ao estilo comic
No final de cada nível há sempre um boss para defrontar, seguido de uma pequena cutscene ao estilo comic

Graficamente falando, é um jogo bastante colorido, com níveis algo variados e bem detalhados. Tanto percorremos zonas mais urbanas ou industriais, como outras mais “épicas” como as ruínas romanas onde defrontamos Tyrannus ou mesmo mundos alienígenas. As músicas são também agradáveis, embora sou sincero, não houve propriamente nenhuma que me tenha ficado no ouvido.

Em suma, este The Hulk é um jogo bonitinho, mas possui algumas mecânicas de jogo que a meu ver são desnecessariamente complicadas. As primeiras vezes que o jogarem, se não souberem à priori destas nuances na jogabilidade, então este The Hulk vai ser um videojogo algo frustrante.

Dynamite Headdy (Sega Mega Drive)

Dynamite HeaddyDe todos os jogos da excelente Treasure, este é porventura aquele mais comum de se encontrar por estas bandas. E não deixa de ser um óptimo jogo, repleto de acção e algumas bizarrices tipicamente japonesas, bem como eu gosto. O protagonista é o Headdy, uma marioneta cuja habilidade é a capacidade de trocar de cabeça, com cada cabeça a servir de power up distinto. É um jogo excelente e desafiante quanto baste! O meu exemplar foi comprado há uns meses atrás num bundle de vários jogos de Mega Drive, tendo-me ficado por cerca de 5€.

Dynamite Headdy - Sega Mega Drive
Jogo com caixa e manual multilingue

A história deste jogo é algo confusa, pois infelizmente a versão ocidental foi bastante modificada face à original nipónica. Uma dessas alterações foi precisamente a remoção de todo o diálogo, o que faz com que deixemos de saber muito bem o que andamos para ali a fazer. Tudo o que entendemos sem os diálogos é que os backgrounds parecem feitos de cartão o que indica estarmos numa peça teatral, o que é algo que se vai confirmando ao longo de todo o jogo, temos um gato chamado Trouble Bruin que nos está constantemente a atacar, enfiado nos seus robots gigantes e parece que teremos de enfrentar no fim uma espécie de imperador maléfico, para resgatar uma “headdy fêmea“. Se jogarmos a versão japonesa (felizmente existe um patch de tradução para inglês) então já dá para entender um pouco melhor o que se está a passar.

O nível de bónus consiste em acertar com algumas bolas de basquetebol num dos cestos que circulm pelo ecrã. No fim é-nos galardoado um número para um PIN que nos desbloqueia o final secreto
O nível de bónus consiste em acertar com algumas bolas de basquetebol num dos cestos que circulm pelo ecrã. No fim é-nos galardoado um número para um PIN que nos desbloqueia o final secreto

Mas Dynamite Headdy é acima de tudo um jogo de acção, e isso é o que não falta por cá. Se gostaram de Gunstar Heroes, aqui é dado um maior foco ao platforming, mas bosses, criaturas gigantescas e níveis bizarros é coisa que não falta. As habilidade de Headdy fazem lembrar de certa forma o Ristar, que lançava as suas mãos para agarrar objectos e atacar inimigos. Headdy faz o mesmo com a cabeça, inclusivamente para subir em plataformas. Os power ups que vamos encontrando conferem então outras habilidades a Headdy, como a possibilidade de escalar paredes, “disparar” 3 cabeças em diferentes direcções (o spread shot de Contra, por exemplo), outro com “rapid fire”, outro que é essencialmente um escudo de fogo, outro que nos deixa bastante pequenos, sendo possível esgueirar por passagens estreitas entre vários outros, como uma bomba capaz de causar dano a tudo no ecrã, ou parar o tempo para os inimigos durante alguns segundos ou mesmo dar-nos invencibilidade temporária.

Este foi um dos bosses modificados na versão ocidental. É pena, a boneca de porcelana era muito melhor com aqueles olhos creepy
Este foi um dos bosses modificados na versão ocidental. É pena, a boneca de porcelana era muito melhor com aqueles olhos creepy

O design dos níveis e dos bosses é algo que a Treasure sempre nos habituou bem e neste Dynamite Headdy as coisas não são diferentes. Tudo para além de estar bem detalhado (e as referências teatrais serem uma constante), os próprios níveis vão sendo algo diversificados, com a segunda zona a apresentar rotações de plataformas tecnicamente impressionantes para uma Mega Drive, ou mesmo aquele capítulo onde o jogo se torna num shmup só mesmo porque sim. Os bosses como sempre são bastante originais e bizarros, embora infelizmente alguns tenham sido modificados desde a versão japonesa. As músicas são bastante catchy e viciantes também! Em suma, mais um excelente jogo da Mega Drive e felizmente é um daqueles que se pode encontrar razoalvelmente bem. Recomendado!

Empire of Steel (Sega Mega Drive)

Empire of SteelContinuando pelas rapidinhas, vou agora escrever um breve artigo de um shmup bem interessante para a Mega Drive, quanto mais não seja pela sua temática e apresentação visual como um todo. Estou a referir-me ao Empire of Steel, originalmente desenvolvido pela japonesa Hot-B e publicado no ocidente pela Flying Edge, subsidiária da Acclaim especializada na publicação de jogos em consolas da Sega. O meu exemplar veio há uns meses atrás da Cash Converters de Alfragide, estando completo e em bom estado. Não me lembro ao certo de quanto custou, mas creio que terá sido algo entre os 8 e os 12€.

Empire of Steel - Sega Mega Drive
Jogo completo com manuais e caixa. Já disse que sempre gostei desta capa?

Em Empire of Steel, uma vez mais somos o último recurso para libertar uma grande população de um imperador tirano. A piada está em todo o setting steampunk que prepararam e a forma como as cutscenes de abertura e de briefing de cada missão são apresentadas. Estas últimas são apresentadas como um filme do início do século XX, finais do século XIX se tratasse, em sepia, e com um framerate propositadamente baixo. Os visuais em si levam-nos a um mundo repleto de alta tecnologia algo primitiva, com montes de máquinas a vapor, balões, ou enormes zeppelins que acabam também por servir de bosses.

Motorhead empire? Mas eu não quero lutar contra o Motorhead empire! Porque não lhe chamaram Ana Malhoa Empire ou algo do género?
Motorhead empire? Mas eu não quero lutar contra o Motorhead empire! Porque não lhe chamaram Ana Malhoa Empire ou algo do género?

Entre cada nível (excepto na recta final onde os níveis são passados todos a seguir uns aos outros) temos a hipótese de escolher um de dois diferentes veículos para jogar. Uma pequena avioneta, bastante veloz mas mais susceptível ao dano que pode receber, ou um zeppelin maiorzinho, mais lento, mas com uma armadura melhor. A jogabilidade é também interessante, pois apesar do jogo ser em scrolling contínuo (que pode ser em várias direcções ou velocidades consoante o nível em questão), temos a liberdade de disparar para a esquerda ou direita (botões B ou C respectivamente). O A fica para as habituais Super Bombs, capazes de infligir dano em todos os oponentes no ecrã. Os outros power ups podem consistir em vidas extra, regeneração de parte da nossa barra de energia, pequenas naves adicionais que nos auxiliam no poder de fogo, ou pontos de experiência que fazem as nossas armas principais subirem de nível e ficarem mais poderosas.

Nesta parte do jogo vamos literamente andar às cabeçadas se não tivermos reflexos rápidos
Nesta parte do jogo vamos literamente andar às cabeçadas se não tivermos reflexos rápidos

Graficamente, conforme já referido, é um jogo interessante pela temática steampunk industrial que a Hot-B conseguiu introduzir. Os backgrounds são simples, mas gostei particularmente dos céus avermelhados do terceiro nível, Sky District Zektor. A música é também algo fora do comum e agradou-me bastante. Mas infelizmente, aqui e ali (mais vezes do que gostaria) é notório algum slowdown, que de certa forma até pode ajudar a desviar melhor do fogo inimigo. Parece que não conseguiram aproveitar todo o blast processing da Mega Drive!

Concluindo, acho este um jogo bastante interessante e desafiante quanto baste para qualquer fã de shmups que se preze. O que não fazia a mínima ideia é que aparentemente o jogo foi posteriormente convertido para a Gameboy Advance e inclusivamente trazido para mais tarde para a  3DS em algumas regiões. Estou genuinamente curioso em ir cuscar como estas versões mais recentes se comportam!