Body Count (Sega Mega Drive)

Continando pelas rapidinhas na Mega Drive, o jogo que cá trago hoje é um dos mais interessantes shooters de light gun disponíveis para a Mega Drive. É também um dos mais apetecíveis por coleccionadores, em virtude de não ter saído em solo norte-americano, embora a Wikipedia indique que saiu por lá apenas através do serviço Sega Channel, uma espécie de serviço de jogos on-demand através da rede por cabo norte-americana. O meu cartucho foi-me oferecido por um colega de trabalho algures no mês de Outubro.

Apenas cartucho

A história é simples: uma força alienígena invade o nosso planeta e nós somos um dos mercenários escolhidos para a repelir! Ou seja, este acaba por ser um daqueles jogos onde vamos ter inúmeros inimigos a disparar contra nós e é muito difícil prevenir o dano que vamos invariavelmente sofrendo. Acredito que mesmo jogando com uma Menacer as coisas não ficam muito mais facilitadas, pelo que jogar com 2 jogadores seria certamente a melhor opção.

Para além de todos os inimigos a dispararem contra nós, muito do cenário é também destrutível

Para além de todos os inimigos que vamos enfrentando, podemos também destruir parcialmente os cenários, resultando por vezes em vários power-ups a “choverem” pelo ecrã, como munições, balas mais fortes, medkits, ou diferentes tipos de bombas que devem ser usados com inteligência contra grupos de inimigos, ou contra os bosses. Portanto, a jogabilidade é mesmo muito simples: atirar contra tudo o que mexa e também contra alguns objectos no cenário!

A nível audiovisual este é um jogo muito bem conseguido e a Probe está de parabéns por isso. Os gráficos são bem coloridos e muito detalhados, inclusivamente podemos até deixar buracos de balas marcados em vários pontos dos cenários, o que não é um detalhe muito usual nesta época. Os aliens largam litros de sangue a cada vez que são atingidos, já os cyborgs e outros robots soltam lascas de metal. Por outro lado, as músicas são bastante agradáveis e nada a apontar nos efeitos sonoros.

No final de cada nível temos sempre um boss esponja de balas para derrotar!

Portanto, apesar deste Body Count ser um jogo super simples e pick-up and play, por vezes frustrante devido à quantidade absurda de inimigos a disparar para nós em simultâneo, não deixa também de ser divertido e tecnicamente bastante competente. É o melhor light gun shooter da Mega Drive, na minha opinião.

Power Rangers the Movie (Sega Mega Drive)

Continuando pelas rapidinhas, o próximo jogo da lista é a adaptação para a Mega Drive do primeiro filme dos Power Rangers, que estreou nos cinemas algures na primeira metade dos anos 90. Acho que o fui ver ao cinema, mas sinceramente pouco guardei dessa experiência. Este jogo foi lançado para diferentes plataformas, sendo cada caso um jogo inteiramente diferente. A versão Mega Drive é um beat ‘em up à lá Streets of Rage e o meu exemplar foi comprado num dos meses passados na Feira da Vandoma no porto. Foi comprado em bundle, tendo-me custado algo abaixo dos 10€.

Jogo com caixa e manual

O jogo começa por decorrer um pouco antes dos acontecimentos do filme, onde uma vez mais surge uma nova criatura que ameaça a Terra. Vilões como a Rita Repulsa, o Lord Zedd e os seus minions marcam novamente o seu regress, mas agora temos também o Ivan Ooze com que nos preocupar. Se bem me lembro, é também neste filme que há a transição do ranger verde para branco, adquirindo novos poderes, e também novos Mega Zords!

O maior problema deste power rangers é mesmo a falta de variedade de inimigos

A jogabilidade é simples, onde poderemos escolher qual o Ranger que queremos jogar em cada nível. Temos um botão para salto, outro para atacar e um outro para usar um ataque especial que atinge todos os inimigos no ecrã, com o preço de nos roubar um pouco da vida. Podemos fazer alguns combos e ocasionalmente lá teremos alguns power-ups que nos regeneram a vida para apanhar. Tipicamente no fim do nível vamos lutar contra um boss em versão grande, pelo que o jogo nessa altura também nos dá a opção de escolher um Megazord para lutar.

Infelizmente o maior problema deste jogo é mesmo a pouca variedade. Só existem 2 variantes de inimigos para além dos bosses, que são os Putty cinzentos, ou as criaturas roxas do Ivan. E mesmo assim, cada nível possui apenas uma das variantes para enfrentar, o que não é lá muito bom para a diversidade.

Como não poderia deixar de ser, temos também lutas com o Megazord!

A nível técnico não há muito a dizer. Os níveis estão bem detalhados quanto baste, decorrendo tanto no nosso planeta como noutros. Entre cada nível vamos tendo várias cinemáticas que vão contando a história, algo que me agrada. Ainda assim, a versão SNES deste jogo, que apesar de ser diferente (e desenvolvida pela Natsume!), a nível gráfico parece-me estar bem superior, com cenários mais coloridos e ainda mais detalhados. Por outro lado as músicas são sempre a rockar, o que sinceramente me agrada bastante.

No fim de contas, esta versão Mega Drive do Power Rangers the Movie não é má de todo. É superior a meu ver ao primeiro jogo, também para a Mega Drive, mas possui algumas lacunas graves como a falta de variedade de inimigos. Fora isso, até que se joga bastante bem, pelo que os fãs da série ou de beat ‘em ups no geral poderão encontrar aqui algum entretenimento.

Samurai Shodown (Sega Mega Drive)

O extremo sucesso do Street Fighter II nas arcades levou a que surgisse um grande boom no género nos anos que lhe seguiram. A SNK, que continha também ex-funcionários da Capcom no seu lineup, foi uma das empresas que mais apostou nos jogos de luta 1 contra 1, da mesma forma que a Capcom, ao produzir series como Fatal Fury, Art of Fighting ou mais tarde o King of Fighters. Em 1993 lançaram um outro jogo com mecânicas de jogo diferentes dos restantes, o Samurai Shodown. Em vez do jogo ser passado nos tempos modernos como nos outros Fighters da altura, este remete-nos para o Japão Feudal, com vários guerreiros equipados com armas brancas. É portanto um dos primeiros fighters que dão especial ênfase ao combate armado.

Jogo com caixa

A maioria dos lutadores são orientais, sendo que dentro desses, a maioria são também japoneses. As grandes excepções à regra são a Charlotte, uma cavaleira francesa, ou norte-americano Galford, que luta acompanhado de um lobo. Ao contrário dos outros fighters da altura, aqui não há um grande foco em combos, mas sim em ataques certeiros, pois estamos a usar espadas e/ou outras armas brancas. No último round de cada combate é possível até fazer fatalities, onde conseguimos cortar o nosso oponente ao meio. Temos é uma barra de energia, a POW, que se encontra na parte inferior do ecrã e que vai enchendo à medida em que levamos pancada. Quando essa barra de energia estiver cheia (e curiosamente a cor da pele da personagem também vai mudando de cor), poderemos desencadear alguns golpes bastante poderosos.

A maior parte dos lutadores são japoneses, afinal o jogo leva samurai no nome

A nível gráfico este era um jogo excelente nas arcades. Os cenários eram incrivelmente detalhados, assim como as personagens. Tal como no Art of Fighting, aqui também há na versão arcade um sistema de zoom in e zoom out, que vai ampliando a acção à medida em que os lutadores se aproximam, ou fazendo zoom out quando se afastam. Nesta conversão para a Mega Drive não temos este mecanismo, com o jogo a apresentar os lutadores sempre próximos entre si. Nesse aspecto, acaba por levar a melhor sobre a SNES, pois esta apresenta os lutadores mais pequenos e com menos detalhe. No entanto, a versão Mega Drive possui algumas lacunas como menos uma personagem, menos alguns apetrechos gráficos e menos alguns golpes de várias personagens. Ainda assim deixa-nos jogar com o último boss no modo multiplayer sem ser necessário recorrer a códigos.

Apesar de não ser a melhor conversão da época, ao menos possui sprites grandinhas

A banda Sonora também foi algo que me impressionou neste Samurai Shodown. A mesma é bastante minimalista, usando muitos instrumentos folclóricos, especialmente os japoneses. Isto contribui bastante para uma atmosfera mais tensa nos combates! A música do nível da Charlotte é uma excepção à regra, com elementos de instrumentos mais clássicos. Naturalmente que, comparando com a versão original ou mesmo a SNES, as músicas em si têm menor qualidade na Mega Drive, mas no entanto ainda assim ouvem-se bem.

Os cenários vão sendo bem detalhados, embora eu prefira as localizações japonesas

No fim de contas, mesmo não sendo a melhor adaptação possível da arcade, esta versão para a Mega Drive deste classic da SNK acaba por se jogar bastante bem! Para além desta versão em cartucho, temos também uma versão Mega CD que acaba por ser superior a esta, na medida em que não há cortes nos golpes que faltavam, a cutscene de abertura e os finais dos lutadores estão mais fiéis à versão arcade, assim como a música que é idêntica. Mas infelizmente não é uma versão que seja muito fácil de aparecer.

Earthworm Jim 2 (Sega Mega Drive)

A rapidinha de hoje leva-nos de volta à Mega Drive para mais um dos grandes clássicos da era 16-bit. O primeiro Earthworm Jim já tinha sido um grande sucesso, tanto pela sua bizarrice e originalidade, tanto pela sua competência técnica, com uma vez mais David Perry a comprovar o seu talento. Felizmente a Shiny não perdeu muito tempo em preparar uma sequela e o resultado final não poderia ser mais satisfatório. O meu exemplar foi comprado há já uns anos na antiga Pressplay no Porto. Na altura custou-me cerca de 7€.

Jogo com caixa e manual

Uma vez mais encarnamos no herói mais doido de todos os tempos, a minhoca Jim que ganha os seus poderes através do seu fato robótico. Novamente a missão é a de salvar a princesa what’s her name, desta vez com o vilão Psy-Crow a ganhar mais destaque que no jogo anterior.

Como sempre os níveis exigem alguma interactividade

As mecânicas de jogo na sua base mantêm-se muito similares aos do seu predecessor, principalmente naqueles níveis mais tradicionais de plataformas. Teremos é mais armas ao nosso dispor, bem como o Snot na nossa mochila. O Snot é uma ranhoca verde, que tanto serve de gancho, agarrando-se a zonas viscosas de algumas superficies, permitindo-nos balancear de um lado para o outro. Ou então até nos serve de pára-quedas! De resto, para além dos tradicionais níveis de platforming, este novo Earthworm Jim trouxe muita mais variedade no gameplay. Logo no terceiro nível controlamos um diferente Jim, agora como uma salamandra voadora, num dos níveis mais bizzaros de sempre: túneis intestinais em que as paredes causam dano, com peças de pinball pelo meio e bonitas janelas de fundo. Sim, o jogo é mesmo bizarre, até porque pelo meio desse mesmo nível somos encaminhados para um pequeno concurso de perguntas e respostas completamente non-sense, como a minha preferida “if cigarretes cause cancer, what causes capricorn?“.

Este último nível é provavelmente aquele que possui diferenças gráficas mais acentuadas entre a Mega Drive e SNES

Temos também um nível onde as mecânicas de jogo mudam para um shmup em formato isométrico à lá Zaxxon, onde para além de nos termos de desviar de inúmeros obstáculos e inimigos, temos de escoltar uma bomba que servirá para destruir o boss do final do nível. Ocasionalmente teremos alguns níveis de interlúdio, onde o Psy-Crow se põe a atirar cachorrinhos e teremos de os salvar, fazendo com que eles saltitem num tambor que carregamos, até ficarem em segurança. Se deixarmos cair 4 cachorros, o seu pai ataca-nos. Estes níveis já foram desafiantes quanto baste, pois temos mesmo de ter reflexos rápidos para não os deixar cair ao chão.

A nível audiovisual, uma vez mais este jogo é uma obra prima. Os níveis para além de serem novamente incrivelmente variados, estão também muitíssimo bem desenhados, com excelentes gráficos cheios de detalhe, bizarrices e excelentes animações, como em muitos outros jogo em que o David Perry trabalhou. As músicas são igualmente excelentes e puxam as capacidades da Mega Drive para outro patamar, como a música título, onde ouvimos várias vozes. As músicas em si são agradáveis, possuindo não só músicas típicas de jogos de acção, mas também várias adaptações de temas bem conhecidos da música clássica, como a Moonlight Sonata de Beethoven que bem que soa aqui.

Também tal como no primeiro jogo, os powerups de vida são valiosos, pois a mesma não regenera de nível para nível

Portanto este Earthworm Jim 2 é mais um grande clássico, que acabou posteriormente por sair em mais umas quantas plataformas. Uma vez mais a versão Mega Drive foi a que foi usada inicialmente no desenvolvimento, mas desta vez não possui conteúdo adicional face à versão rival da Super Nintendo. Existem no entanto outras conversões para plataformas superiores com melhores gráficos e músicas em qualidade CD Audio, que também são muito benvindas, como é mais uma vez o caso da versão DOS, e agora também Saturn e Playstation.

Bubsy (Sega Mega Drive)

Com o enorme sucesso de Sonic the Hedgehog, que conseguiu finalmente rivalizar “a sério” com Mario da Nintendo, os jogos de plataforma com mascotes estavam no seu auge. A Accolade também quis apostar nesse segmento de mercado e nasceu assim o Bubsy, um jogo que foi bastante enaltecido antes do seu lançamento, apostando que seria o próximo Sonic. Adivinhem, o resultado final não foi lá grande coisa. O meu exemplar foi comprado num bundle comprado no mês passado na Feira da Vandoma no Porto. Acabou por me ficar por 3€.

A trama deste Bubsy é simples. Bubsy é um felino que tenta travar os extraterrestres conhecidos por Woolies de roubar todos os novelos de lã do planeta Terra. Como sabem, os gatos adoram novelos de lã, pelo que Bubsy não podia deixar isto acontecer.

Jogo com caixa, manual e papelada

Na verdade este é um jogo de plataformas onde temos cerca de 10 minutos em cada nível para encontrar a saída. Pelo meio iremos claro, encontrar inúmeros novelos de lã coloridos, onde a cada 100 que coleccionamos acabam por fazer com que ganhemos uma vida extra. Pelo meio vamos tendo outros power ups como continues e vidas extra, ou a possibilidade de ficar temporariamente invencível ou invisível. Os controlos do jogo são simples, com um botão para saltar e outro para planar quando estivermos pelo ar. Atacar os inimigos é feito saltando em cima deles e temos de ter em atenção à altura em que caímos, pois se for uma altura elevada perdemos uma vida a menos que planemos pelo ar.

Os níveis são coloridos e bem detalhados, mas o seu design não é tão interessante como os de Sonic

Ora Bubsy é um gato muito rápido, muito mesmo, e consegue saltar bastante alto. Isto faz com que alguns níveis se tornem demasiado simples, pois por vezes basta dar algum balanço para ganhar velocidade, saltar alto e planar o resto do caminho até chegar à saída. Outros níveis já nos obrigam a explorar um pouco mais, desde desafios mais complexos de platforming vertical, ou explorar passagens que ligam uma parte do nível à outra. Seja como for, o design dos níveis não é tão cativante quanto os do Sonic, jogo que tentam imitar. Muito longe disso. Mas o problema na jogabilidade de Bubsy está mesmo na detecção de colisões, pois é muito fácil perdermos uma vida. Saltar em cima dos inimigos tem que ter um timing perfeito, e talvez por isso é que não faltem vidas extra para apanhar, assim como checkpoints espalhados pelos níveis.

O felino até que possui umas animações engraçadas!!

Por outro lado, no que diz respeito aos audiovisuais, este Bubsy até que nem é mau de todo e nota-se bem toda a atenção que lhe deram no marketing. Pelo menos no manual americano até vem com uma banda desenhada a cores, algo que sinceramente duvido que seja replicado no manual europeu, mas não consigo confirmar de momento. No jogo em si, este é colorido e algo detalhado, e o Bubsy até que possui muitas animações, algumas bastante cómicas como nos cartoons clássicos. Mas no fim de contas não é um Sonic, pois os níveis não são tão coloridos e interessantes quanto os do ouriço azul. Em relação às músicas e efeitos sonoros sinceramente gostei. Bubsy tem imensas falas, e as músicas até que são bastante agradáveis.

Portanto, este Bubsy não é um jogo perfeito, longe disso, mas vai dando para entreter. Saiu numa altura onde havia uma míriade de jogos de plataformas com animais, pelo que também acabou por passar mais despercebido no meio dessa multidão. Isso no entanto não deixou a Accolade desistir da personagem, lançando várias sequelas nos anos seguintes, mas pena que a qualidade nunca tenha sido o maior forte de Bubsy.